Home TVEpisódio Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Claws of Axos (Arco #57)

Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Claws of Axos (Arco #57)

por Luiz Santiago
125 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 4

Equipe: 3º Doutor, Jo (+ UNIT, Brigadeiro Lethbridge-Stewart, Sargento Benton, Capitão Yates)
Era: UNIT — Ano 4
Espaço: Reino Unido, Nave Axos
Tempo: Anos 1970
.
Enfim, entramos na TARDIS novamente! Desde o decreto do exílio do Doutor, em The War Games, o interior da nave ainda não havia sido visto. O Doutor tinha entrado nela em algumas ocasiões, desde Spearhead from Space, mas o público foi mantido na curiosidade.

Aqui, além de vermos o interior da TARDIS novamente, temos uma breve visita dela ao espaço — a bordo da nave Axos, em um loop temporal — e presenciamos o Mestre consertando a nave do velho amigo, além de, posteriormente, ajudá-lo a sair do lugar, já que o Alto Conselho bloqueara da mente do Doutor todo o conhecimento sobre a teoria da desmaterialização.

O aparecimento do Mestre aqui vem a partir de um impulso de vingança e termina com um acordo de sobrevivência (essa é definitivamente a sua temporada como vilão e vamos descobrindo que ele estava um pouco sem jeito para dar cabo de suas maldades, o que vai culminar com seu encarceramento provisório ao final de The Daemons). Em uma ação que não vemos, o renegado Time Lord é capturado pelos Axons e acaba fazendo um acordo que beneficiará essa espécie natural da borda da Via Láctea e que o ajudará a destruir o Doutor e dominar o planeta Terra. Dada essa premissa, o problema da invasão “amigável” é pontuado pela ganância humana e por questões burocráticas envolvendo o governo britânico e a UNIT, que tem no Ministro da Defesa, Horatio Chinn, o seu ponto crítico, chegando a prender o Brigadeiro e alguns oficiais da UNIT.

O arco tem uma história muito boa e uma das melhores direções de arte da era do 3º Doutor, mas, em contrapartida, concentra uma enorme quantidade de erros de montagem, exceto no episódio 1, o melhor da aventura. Michael Ferguson tem um trabalho de direção que mistura horror, suspense e ficção científica, deixando um pouco a ação em segundo plano — e não digo isso como ponto negativo. Existem momentos tensos de forte engajamento dos personagens, claro, mas eles possuem como motor e intenção outro padrão dramático que não a ação em si.

A ideia do roteiro para a nave orgânica se destaca em meio às novidades da história. Posteriormente, a TARDIS ganharia o mesmo caráter no canon da série, aparecendo como uma criatura viva que foi cultivada e não construída. No entanto, a TARDIS se diferencia muitíssimo da nave Axos. Enquanto a primeira tem uma origem orgânica, uma alma viva e uma configuração mecânico-tecnológica, a segunda tem a mesma origem, mas uma constituição ciborgue (no mais puro sentido de misturar partes anatômicas e peças cibernéticas). Juntamente com a forma/aparência dos Axons, a nave é um espetáculo à parte e sua melhor exploração e aparição acontece, como já dito, no primeiro episódio do arco.

De uma forma remota, The Claws of Axos traz novamente a realidade de The Ambassadors of Death, com a diferença de que a visita aqui não é amigável, apesar de inicialmente se apresentar assim. Com uma trilha sonora assustadora e sequências que geram certo desconforto (para não dizer medo) ao espectador, a aventura tem ótimos momentos. Embora tropece bastante na montagem, a trama consegue suprir essa falha com um bom roteiro. O final, mais uma vez impagável, coloca o Doutor e o Brigadeiro frente a frente em uma demonstração de amizade que só eles entendem, como acontece entre a maioria dos grandes amigos.

The Claws of Axos (Arco #57) — 8ª Temporada
Direção: Michael Ferguson
Roteiro: Bob Baker, Dave Martin
Elenco: Jon Pertwee, Nicholas Courtney, Roger Delgado, Katy Manning, Richard Franklin, John Levene, Peter Bathurst, Paul Grist

Audiência média: 7,38 milhões

4 episódios (exibidos entre 13 de março e 03 de abril de 1971)

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6 comentários

Carlindo José 20 de abril de 2017 - 15:18

Muito boa crítica e mais um arco bem divertido, embora eu ainda tenha gostado mais do arco anterior, acho que devido acho que devido a uma maior rivalidade entre o Doutor e o Mestre. O fato dele ter só 4 episódios deixou a história mais concisa, embora eu tenha ficado com o gostinho de quero mais, os Axons foram bons vilões e queria ver mais deles em cena.

Como o Rafael disse abaixo é muito interessante o fato do Doutor ainda não se sentir “em casa” estando aqui na Terra e o tempo todo tentando sair daqui, nessa história ele meio que se desespera por causa disso, já que o Doutor nada mais é do que uma alma errante, incapaz de se fixar a não ser nesse caso em que ele é forçado a ficar em nosso planeta azul.

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Luiz Santiago 20 de abril de 2017 - 17:07

É o tipo de história e era que você percebe uma angústia do caramba no Doutor. E claro, fica essa vontade de ver mais dos vilões e das ações do Doutor sobre eles. Mas aqui, essa direção de arte incrível e essa concepção me pegaram de jeito. Simplesmente adorei!

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Rafael Lima 11 de dezembro de 2016 - 16:42

Ótima resenha!

Acho esse episódio muito bom. Como você disse, todo o contexto da nave orgânica é muito legal, e para os padrões da televisão da época, muito bem executado também.

Achei muito bacana, mesmo que por pouco tempo, ver o Mestre “substituindo” o Doutor como consultor científico da UNIT enquanto Jo e o Doutor estão presos dentro da nave dos Axions. Toda a ironia e troca de farpas com o Brigadeiro nessa sequência são hilárias. Não dá pra imaginar outro Mestre que não o do Delgado nessa situação.

É interessante notar também notar o que essa história diz sobre o 3º Doutor. Sinto que o Time Lord do Pertwee foi a primeira encarnação que tinha um arco dramático bem forte que vem desde a sua primeira história até a regeneração em “Planet Of The Spiders”. O 1º e o 2º Doutor gostavam muito da Terra, mas acho que não viam o planeta realmente como uma segunda casa. Acho que foi só a partir da 3ª encarnação que o Doutor passou a realmente tratar o nosso planeta de forma mais diferenciada.

“The Claws of Axos” ainda mostra a primeira parte do processo. Esse é um Doutor que quer se ver longe do nosso planeta o mais rápido possível. Ele mente pra Jo e pro Brigadeiro quando finge te-los traído pra fugir com o Mestre, mas ele está sendo honesto quando diz adeus para eles. O Doutor realmente planejava ir embora e não voltar mais depois de derrotar os Axions. Ou seja, o Doutor não vê a Terra como um lar. Pelo menos ainda não. E o pessoal da UNIT sabe disso. Não tive quando não rir quando o Doutor tenta mentir pro Brigadeiro no fim, que voltou por que quis, mas a Jo chama a atenção dele.

Enfim, acho esse um ótimo arco.

Responder
Luiz Santiago 11 de dezembro de 2016 - 22:07

Mesmo sem ser por escolha dele, a conexão com a Terra aqui se dá de forma definitiva. Lendo os livros do Universo Expandido, especialmente no caso do 1º Doutor, eu percebo que ele acabou tendo um trauma da Terra. Gostava mais de algumas pessoas em específico do que do próprio planeta… Nessa encarnação, ele passou a viver de fato entre os humanos. E penso que aí foi o ponto de mudança..

Responder
Luiz Santiago 11 de dezembro de 2016 - 22:07

Mesmo sem ser por escolha dele, a conexão com a Terra aqui se dá de forma definitiva. Lendo os livros do Universo Expandido, especialmente no caso do 1º Doutor, eu percebo que ele acabou tendo um trauma da Terra. Gostava mais de algumas pessoas em específico do que do próprio planeta… Nessa encarnação, ele passou a viver de fato entre os humanos. E penso que aí foi o ponto de mudança..

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Rafael Lima 11 de dezembro de 2016 - 16:42

Ótima resenha!

Acho esse episódio muito bom. Como você disse, todo o contexto da nave orgânica é muito legal, e para os padrões da televisão da época, muito bem executado também.

Achei muito bacana, mesmo que por pouco tempo, ver o Mestre “substituindo” o Doutor como consultor científico da UNIT enquanto Jo e o Doutor estão presos dentro da nave dos Axions. Toda a ironia e troca de farpas com o Brigadeiro nessa sequência são hilárias. Não dá pra imaginar outro Mestre que não o do Delgado nessa situação.

É interessante notar também notar o que essa história diz sobre o 3º Doutor. Sinto que o Time Lord do Pertwee foi a primeira encarnação que tinha um arco dramático bem forte que vem desde a sua primeira história até a regeneração em “Planet Of The Spiders”. O 1º e o 2º Doutor gostavam muito da Terra, mas acho que não viam o planeta realmente como uma segunda casa. Acho que foi só a partir da 3ª encarnação que o Doutor passou a realmente tratar o nosso planeta de forma mais diferenciada.

“The Claws of Axos” ainda mostra a primeira parte do processo. Esse é um Doutor que quer se ver longe do nosso planeta o mais rápido possível. Ele mente pra Jo e pro Brigadeiro quando finge te-los traído pra fugir com o Mestre, mas ele está sendo honesto quando diz adeus para eles. O Doutor realmente planejava ir embora e não voltar mais depois de derrotar os Axions. Ou seja, o Doutor não vê a Terra como um lar. Pelo menos ainda não. E o pessoal da UNIT sabe disso. Não tive quando não rir quando o Doutor tenta mentir pro Brigadeiro no fim, que voltou por que quis, mas a Jo chama a atenção dele.

Enfim, acho esse um ótimo arco.

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