Home TVEpisódio Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Curse of Fenric (Arco #154)

Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Curse of Fenric (Arco #154)

por Luiz Santiago
121 views (a partir de agosto de 2020)

DoctorWhoHaemovores plano critico the curse odf fenric

Equipe: 7º Doutor, Ace
Espaço: Maiden’s Point, Northumberland
Tempo: 1943

Muita coisa para encontrar justificativa nesta aventura incomum e intensa do 7º Doutor. Penúltimo arco exibido da Série ClássicaThe Curse of Fenric traz um número muito grande de sugestões sobre o Doutor, sobre Ace; faz relações com Silver Nemesis e mais uma vez coloca o Doutor em um estado de manipulação tremendo e relativamente incômodo, novamente com Ace no centro das atenções. Eu já havia levantado em Ghost Light a questão de “linha final” desse Doutor, caso a série prosseguisse, e a pergunta volta aqui, com um pontinho a mais de preocupação e até expectativa (frustrada e hipotética, já que só teríamos mais uma oportunidade de vê-lo em cena, pelo menos na TV). Nada disso, porém, é um posicionamento negativo de minha parte. Longe disso.

Quando exponho essa “preocupação” em relação ao comportamento do Doutor e digo que há um “incômodo”, falo pela simples análise moral que isso tem para com o momento da série e pelo pouco espaço de tempo que essa personalidade teve para se construir. E porque Ace era uma companheira que ainda não tinha encontrado um nível de independência e força a ponto de ver-se preparada para encarar esse tipo de coisa (como personagem e como parte de um contexto maior, dentro da série). Nesse ponto, é importante fazer uma comparação de Doutores com ações duras em relação a seus companheiros. O primeiro exemplo é do meu, até qui, Doutor favorito em todo o escopo da Série, o 12º Doutor e sua relação com Clara, na 8ª Temporada da Nova Série; ou olhando para a Série Clássica, a relação do 6º Doutor com Peri.

Nos dois casos citados, eu consigo ver um contexto propício para ações mais duras e, especialmente no caso do 12º, um maior e bem aproveitado tempo de construção do personagem e provações passadas em diversos níveis ao lado da companheira. Agora vejamos o 7º Doutor. Mesmo que as primeiras e leves nuances de sua personalidade controladora, manipulativa e fortemente ligada a “jogos” (mentais ou não) já tenham sido apresentadas em Paradise Towers, o segundo arco de sua Era, nada indicava uma mudança tão grande, até porque essa mudança acontece sob uma característica da própria série, que é o Doutor ocultando de todo mundo sua verdadeira intenção. Ele é um jogador com o elemento surpresa guardado, dando uma de “João sem braço” quando sabe exatamente o que está acontecendo e quando tem uma boa ideia do que deve ser feito. Mesmo assim, ele aceita o desafio e talvez espere uma segunda chance para aqueles que estão envolvidos no caso. Para Ace, infelizmente, isso não é nada interessante. E não é à toa que logo depois dessa aventura ele faça uma visita a ela, ainda bebê, e lhe peça perdão por traí-la, de certa forma, em suas últimas viagens juntos, como vemos no belo conto Ace of Hearts.

Passando-se em plena Segunda Guerra MundialThe Curse of Fenric carrega um pouco do espírito bélico de Battlefield, especialmente porque os militares não são, nesses dois casos, coadjuvantes de ocasião, eles convivem com o Doutor e lhes são inimigos ou parceiros ao longo da história. Mas ao mesmo tempo que servem como apelo instigante de Ian Briggs, esses personagens aparecem em atalhos demais, chegando a atrapalhar e até a desviar a nossa atenção. A mesma coisa (e talvez de maneira ainda mais forte e problemática) acontece com o Comandante Millington e o Dr. Judson, com sua Ultima Machine. Em nenhum desses casos temos “blocos genuinamente ruins”, é verdade, mas em todos eles temos um exagero no roteiro em segmentar demais as ações e deixar algumas praticamente sem sentido ou outras mal fechadas, como a quase incompreensível relação de “ataque-não-ataque” envolvendo os soldados russos.

Muita gente não gosta dos Haemovores (Homo Haemovorax) mas eu acho o conceito e a representação visual para esses personagens simplesmente sensacionais. Se a gente tirar as inúteis vampiras que começam na história como jovens rebeldes com mania de natação; a incursão dos Haemovores é muito boa e a máscara e roupas (destaque absoluto para The Ancient One) são algumas das melhores coisas do arco. Aliás, os figurinos aqui se destacam seguindo um bom modelo de escolha do guarda-roupa que DW vinha tendo nessa temporada, mesmo no falho conto pseudo-arturiano.

Eis aqui uma verdadeira jogada de Mestre do Doutor, com Sylvester McCoy mais uma vez grandioso em cena, transitando bem entre momentos leves e outros fortemente dramáticos. É uma pena que os desvios e a confusão do bloco dos militares tenham minado a qualidade do arco. Mesmo assim, trata-se de uma boa história de revelações, entendimento de si mesmo e demonstração de arrependimento com concessão de perdão. Nada mal para uma reunião de tantos “amaldiçoados” num mesmo lugar, não é mesmo?

The Curse of Fenric (Arco #154) — 26ª Temporada
Direção: Nicholas Mallett
Roteiro: Ian Briggs
Elenco: Sylvester McCoy, Sophie Aldred, Dinsdale Landen, Alfred Lynch, Stevan Rimkus, Marcus Hutton, Christien Anholt, Tomek Bork, Peter Czajkowski, Marek Anton, Mark Conrad, Nicholas Parsons, Janet Henfrey, Joann Kenny, Joanne Bell, Anne Reid, Cory Pulman, Aaron Hanley, Raymond Trickett
Audiência média: 4,12 milhões
4 episódios (exibidos entre 25 de outubro e 15 de novembro de 1989)

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15 comentários

Augusto 2 de maio de 2018 - 00:11

Eu gosto bastante desse arco, um dos melhores do McCoy. Assim como em The Greatest Show in the Galaxy eu adoro a atmosfera de terror criada aqui, que me lembra as primeiras temporadas do Tom Baker (a minha era preferida da série). Depois de reclamar do McCoy tanto em alguns arcos, nesse não tem o que falar, tanto ele quanto a Sophie Aldred estão muito bem. Mas eu entendo completamente quando você fala que as mudanças nos dois personagens são muito rápidas. Na sua primeira temporada, o Sétimo era muito diferente do que ele se tornou nas duas seguintes (e ele não passou por nada que gerasse essa mudança, ao contrário do Capaldi, por exemplo). Com a Ace acontece a mesma coisa, nos últimos três arcos ela ganha uma importância que nunca teve antes. Talvez se a série continuasse, isso fosse melhor explorado, mas do jeito que foi feito, eu não sou muito fã.

Tirando as duas vampiras que são péssimas e me faziam rir, os vilões são bons e, diferente do que acontece em muitos arcos dessa era vários personagens secundários são ótimos, principalmente o padre. Esse arco é uma melhora bem grande depois do fraco Battlefield e de Ghost Light, o arco mais estranho já feito, pelo menos a série foi para o seu arco final de uma maneira melhor.

Responder
Luiz Santiago 2 de maio de 2018 - 01:12

Eu acabei gostando mais de Ghost Light que você, mas a questão que você coloca é real e cria um bom elemento de comparação para nós. É bem interessante ver como alguns personagens recebem um tratamento interessantíssimo, enquanto outros, dão vontade de rir. Mas tem coisa muito boa nesse arco, sem sombra de dúvida!

Responder
Luiz Santiago 2 de maio de 2018 - 01:12

Eu acabei gostando mais de Ghost Light que você, mas a questão que você coloca é real e cria um bom elemento de comparação para nós. É bem interessante ver como alguns personagens recebem um tratamento interessantíssimo, enquanto outros, dão vontade de rir. Mas tem coisa muito boa nesse arco, sem sombra de dúvida!

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Augusto 2 de maio de 2018 - 00:11

Eu gosto bastante desse arco, um dos melhores do McCoy. Assim como em The Greatest Show in the Galaxy eu adoro a atmosfera de terror criada aqui, que me lembra as primeiras temporadas do Tom Baker (a minha era preferida da série). Depois de reclamar do McCoy tanto em alguns arcos, nesse não tem o que falar, tanto ele quanto a Sophie Aldred estão muito bem. Mas eu entendo completamente quando você fala que as mudanças nos dois personagens são muito rápidas. Na sua primeira temporada, o Sétimo era muito diferente do que ele se tornou nas duas seguintes (e ele não passou por nada que gerasse essa mudança, ao contrário do Capaldi, por exemplo). Com a Ace acontece a mesma coisa, nos últimos três arcos ela ganha uma importância que nunca teve antes. Talvez se a série continuasse, isso fosse melhor explorado, mas do jeito que foi feito, eu não sou muito fã.

Tirando as duas vampiras que são péssimas e me faziam rir, os vilões são bons e, diferente do que acontece em muitos arcos dessa era vários personagens secundários são ótimos, principalmente o padre. Esse arco é uma melhora bem grande depois do fraco Battlefield e de Ghost Light, o arco mais estranho já feito, pelo menos a série foi para o seu arco final de uma maneira melhor.

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Rafael Lima 23 de abril de 2018 - 22:17

Meu arco favorito do 7º Doutor.

Entendi errado, ou você acha a relação do 6º Doutor/Peri melhor construída do que a relação 7º/Ace? Se for, não poderia discordar mais. Hehehehe

Eu não vejo essa mudança do Doutor surgindo de forma tão brusca, como algo que surgiu do nada não. Acho que assim como o ácido 6º Doutor foi uma resposta a persona mais humilde e pacífica do 5º, o metódico 7º Doutor foi uma reação a persona anárquica e caótica do Time Lord de Colin Baker. Como você bem disse, percebíamos essa persona mais manipuladora e estratégica do Doutor de McCoy desde “The Paradise Towers”, mas ela se tornou extremamente presente na 25ª temporada, em histórias como “Remembrance of The Daleks” e “The Happiness Patrol”. O próprio fato do Doutor levar Ace pra encarar o seu medo de palhaço em “The Greatest Show in The Galaxy” através de leve manipulação já nos dava uma amostra disso, assim como os questionamentos de Lady Penrose sobre o quanto Ace conhecia o Doutor em “Silver Nemesis”. Então, vejo as ações do Doutor em “Ghost Light” e neste arco como uma evolução natural do que já era visto nas temporadas anteriores (a 25ª em especial).

Quando você diz que Ace não tinha encontrado o nível de independência e força para essa situação, a que se refere? Pessoalmente não vejo a escolha desse momento da série para fazer isso como errado, e acho que esse arco, juntamente com o anterior e o seguinte formam justamente uma espécie de jornada de amadurecimento para a jovem de Perivale.

Ace é uma Companion digna de nota dentro da Série Clássica (pessoalmente a minha favorita) por que diferente de todos os outros (excetuando Turlough) seu desenvolvimento não ocorre de forma periférica, mas muitas vezes ocupa o centro da narrativa, o que se tornaria praticamente uma regra na Nova Série. Acho que a Ace que conhecemos em “Dragonfire” já não é a mesma Ace que vemos aqui. Ela ainda é uma garota rebelde, mas sua rebeldia é igualada pelo respeito que sente pelo Doutor, como percebemos na cena em que ela recusa o convite das outras adolescentes de entrar na água, mas se recusa a dizer que foi por que o Doutor proibiu. Ao mesmo tempo em que Ace possui esses últimos traços de inocência infantil, vemos diversos traços de amadurecimento de uma menina que se transforma em uma mulher. Ela faz tudo que está a seu alcance para proteger o bebê, demonstrando uma responsabilidade até então insuspeita, além de um claro amadurecimento sexual na cena em que se dispõe a seduzir um soldado.

É curioso observar que apesar dos pesares, o Doutor tem uma atitude extremamente paternal em relação a Ace, demonstrando afeto genuíno por ela, assim como preocupação com seu desenvolvimento como pessoa. Por isso é tão chocante quando ele estilhaça essa fé com extrema frieza (McCoy está brilhante aqui). Entretanto, se os jogos mentais manipulativos do Doutor são muitas vezes cruéis, eles também ensinam valiosas lições para a sua Companion. No caso, o “seu pai” a magoa profundamente, a ultima pessoa que ela achava que faria isso. Um ponto doloroso, mas quase inescapável do amadurecimento.

De fato, a trama com o supercomputador é desnecessariamente confusa, mas gosto de como o contexto da Segunda Guerra é utilizado (e interessante observar que esta foi a primeira história em 26 anos que adotou este período como cenário). Embora as vampiras adolescentes sejam um pouco risíveis, gosto de como a direção se utiliza delas em conjunto com os Haemovores, e adoro ainda mais como o roteiro utiliza a questão da fé, com o padre tendo perdido a fé por causa da guerra. E reparou que o Doutor recita o nome de antigos Companions como seu escudo de fé? Baita fan service.

Já deu pra ver que gosto muito desse arco, né? Hehehe

Mas enfim, boa resenha, que fomenta bastante discussões.

Responder
Luiz Santiago 23 de abril de 2018 - 22:45

Não a relação em si, mas acho que os motivos de conflito para desenvolvimento da independência de Peri em relação ao Doutor (ou seja, dele sendo babaca com ela, assim como no caso do 12º e Clara) são muitíssimo melhor construídos do que na relação 7º e Ace.

Discordo de você quanto a presença dessa mudança ter sido assim tão progressiva. Para mim, ela veio como um choque imenso, do primeiro arco para aqueles em que ele começa a demonstrar essa personalidade. Como disse, não é algo assim que vejo como negativo, mas não deixa de ter um impacto. Não consigo ver essa organicidade que você consegue em relação à coisa.

Sobre a Ace, respondendo de pronto sua pergunta, eu quis dizer que ela apareceu dominadora, mas não independente do Doutor, em termos de se virar sozinha para enfrentar seus monstros. É só com essa “libertação” vinda pela “traição” do Doutor que ela “acorda para a vida” e assume uma postura independente, como se enfim, tivesse amadurecido. Não sei se me fiz claro.

Eu adorei o fan service ahhahahhahahaha! 😀 Você realmente gosta desse arco. Achei bem interessante a forma como encara algumas coisas aqui. Me trouxe novos horizontes, mesmo que eu não consiga ver através deles.

Responder
Rafael Lima 28 de abril de 2018 - 17:55

Mas você acha que Peri se torna independente do 6º Doutor de alguma forma? De fato, existe algum desenvolvimento de independência de Peri em relação ao Doutor. Pessoalmente, não consigo ver isso. Afinal, quando ela resolve sair em “Mindwarp’ (antes de ser saída) é por que ela perdeu a fé no Doutor e cansou de ser mal tratada (o que á meu ver já era hora, pois você sabe o que eu penso da relação de Colin Baker com a americana na TV).

Quando você fala dos “monstros de Ace”, refere-se a monstros internos, certo? Por que ela até lidava bem com os externos (como esquecer o Dalek surrado com um taco elétrico. Heheheh).

Concordo que a garota, apesar da personalidade rebelde, ainda estava longe de ser totalmente independente do Doutor. Mas eu já via mostras desse princípio de independência em “Ghost Light”, e aqui essa independência surge simbolizada naquela belíssima cena final com o mergulho no mar. E é interessante notar que é o Doutor que incentiva Ace a dar esse mergulho, dizendo que ela não precisa “mais ter medo da água”, ou seria “medo da vida?”, no que é pra mim uma bela metáfora do episódio.

Ah, e aquele fan service dos nomes dos antigos companions foi genial, além de bastante funcional, por nos dizer onde reside realmente a fé do Doutor.

Responder
Rafael Lima 28 de abril de 2018 - 17:55

Mas você acha que Peri se torna independente do 6º Doutor de alguma forma? De fato, existe algum desenvolvimento de independência de Peri em relação ao Doutor. Pessoalmente, não consigo ver isso. Afinal, quando ela resolve sair em “Mindwarp’ (antes de ser saída) é por que ela perdeu a fé no Doutor e cansou de ser mal tratada (o que á meu ver já era hora, pois você sabe o que eu penso da relação de Colin Baker com a americana na TV).

Quando você fala dos “monstros de Ace”, refere-se a monstros internos, certo? Por que ela até lidava bem com os externos (como esquecer o Dalek surrado com um taco elétrico. Heheheh).

Concordo que a garota, apesar da personalidade rebelde, ainda estava longe de ser totalmente independente do Doutor. Mas eu já via mostras desse princípio de independência em “Ghost Light”, e aqui essa independência surge simbolizada naquela belíssima cena final com o mergulho no mar. E é interessante notar que é o Doutor que incentiva Ace a dar esse mergulho, dizendo que ela não precisa “mais ter medo da água”, ou seria “medo da vida?”, no que é pra mim uma bela metáfora do episódio.

Ah, e aquele fan service dos nomes dos antigos companions foi genial, além de bastante funcional, por nos dizer onde reside realmente a fé do Doutor.

Responder
Luiz Santiago 29 de abril de 2018 - 03:07

Sim, eu acho que Peri se torna independente do 6º Doutor. No sentido de ganhar seu espaço para agir de alguma forma, sem aquela mão o tempo inteiro manipulando coisas ao redor.

Isso, os monstros internos. Eu entendo esses elementos que você expôs e como eles trabalham em favor da série e da Ace, mas não consigo ver isso como algo realmente definitivo… Chegamos em mais uma encruzilhada hehehehhe

Responder
Luiz Santiago 29 de abril de 2018 - 03:07

Sim, eu acho que Peri se torna independente do 6º Doutor. No sentido de ganhar seu espaço para agir de alguma forma, sem aquela mão o tempo inteiro manipulando coisas ao redor.

Isso, os monstros internos. Eu entendo esses elementos que você expôs e como eles trabalham em favor da série e da Ace, mas não consigo ver isso como algo realmente definitivo… Chegamos em mais uma encruzilhada hehehehhe

Responder
Luiz Santiago 23 de abril de 2018 - 22:45

Não a relação em si, mas acho que os motivos de conflito para desenvolvimento da independência de Peri em relação ao Doutor (ou seja, dele sendo babaca com ela, assim como no caso do 12º e Clara) são muitíssimo melhor construídos do que na relação 7º e Ace.

Discordo de você quanto a presença dessa mudança ter sido assim tão progressiva. Para mim, ela veio como um choque imenso, do primeiro arco para aqueles em que ele começa a demonstrar essa personalidade. Como disse, não é algo assim que vejo como negativo, mas não deixa de ter um impacto. Não consigo ver essa organicidade que você consegue em relação à coisa.

Sobre a Ace, respondendo de pronto sua pergunta, eu quis dizer que ela apareceu dominadora, mas não independente do Doutor, em termos de se virar sozinha para enfrentar seus monstros. É só com essa “libertação” vinda pela “traição” do Doutor que ela “acorda para a vida” e assume uma postura independente, como se enfim, tivesse amadurecido. Não sei se me fiz claro.

Eu adorei o fan service ahhahahhahahaha! 😀 Você realmente gosta desse arco. Achei bem interessante a forma como encara algumas coisas aqui. Me trouxe novos horizontes, mesmo que eu não consiga ver através deles.

Responder
Rafael Lima 23 de abril de 2018 - 22:17

Meu arco favorito do 7º Doutor.

Entendi errado, ou você acha a relação do 6º Doutor/Peri melhor construída do que a relação 7º/Ace? Se for, não poderia discordar mais. Hehehehe

Eu não vejo essa mudança do Doutor surgindo de forma tão brusca, como algo que surgiu do nada não. Acho que assim como o ácido 6º Doutor foi uma resposta a persona mais humilde e pacífica do 5º, o metódico 7º Doutor foi uma reação a persona anárquica e caótica do Time Lord de Colin Baker. Como você bem disse, percebíamos essa persona mais manipuladora e estratégica do Doutor de McCoy desde “The Paradise Towers”, mas ela se tornou extremamente presente na 25ª temporada, em histórias como “Remembrance of The Daleks” e “The Happiness Patrol”. O próprio fato do Doutor levar Ace pra encarar o seu medo de palhaço em “The Greatest Show in The Galaxy” através de leve manipulação já nos dava uma amostra disso, assim como os questionamentos de Lady Penrose sobre o quanto Ace conhecia o Doutor em “Silver Nemesis”. Então, vejo as ações do Doutor em “Ghost Light” e neste arco como uma evolução natural do que já era visto nas temporadas anteriores (a 25ª em especial).

Quando você diz que Ace não tinha encontrado o nível de independência e força para essa situação, a que se refere? Pessoalmente não vejo a escolha desse momento da série para fazer isso como errado, e acho que esse arco, juntamente com o anterior e o seguinte formam justamente uma espécie de jornada de amadurecimento para a jovem de Perivale.

Ace é uma Companion digna de nota dentro da Série Clássica (pessoalmente a minha favorita) por que diferente de todos os outros (excetuando Turlough) seu desenvolvimento não ocorre de forma periférica, mas muitas vezes ocupa o centro da narrativa, o que se tornaria praticamente uma regra na Nova Série. Acho que a Ace que conhecemos em “Dragonfire” já não é a mesma Ace que vemos aqui. Ela ainda é uma garota rebelde, mas sua rebeldia é igualada pelo respeito que sente pelo Doutor, como percebemos na cena em que ela recusa o convite das outras adolescentes de entrar na água, mas se recusa a dizer que foi por que o Doutor proibiu. Ao mesmo tempo em que Ace possui esses últimos traços de inocência infantil, vemos diversos traços de amadurecimento de uma menina que se transforma em uma mulher. Ela faz tudo que está a seu alcance para proteger o bebê, demonstrando uma responsabilidade até então insuspeita, além de um claro amadurecimento sexual na cena em que se dispõe a seduzir um soldado.

É curioso observar que apesar dos pesares, o Doutor tem uma atitude extremamente paternal em relação a Ace, demonstrando afeto genuíno por ela, assim como preocupação com seu desenvolvimento como pessoa. Por isso é tão chocante quando ele estilhaça essa fé com extrema frieza (McCoy está brilhante aqui). Entretanto, se os jogos mentais manipulativos do Doutor são muitas vezes cruéis, eles também ensinam valiosas lições para a sua Companion. No caso, o “seu pai” a magoa profundamente, a ultima pessoa que ela achava que faria isso. Um ponto doloroso, mas quase inescapável do amadurecimento.

De fato, a trama com o supercomputador é desnecessariamente confusa, mas gosto de como o contexto da Segunda Guerra é utilizado (e interessante observar que esta foi a primeira história em 26 anos que adotou este período como cenário). Embora as vampiras adolescentes sejam um pouco risíveis, gosto de como a direção se utiliza delas em conjunto com os Haemovores, e adoro ainda mais como o roteiro utiliza a questão da fé, com o padre tendo perdido a fé por causa da guerra. E reparou que o Doutor recita o nome de antigos Companions como seu escudo de fé? Baita fan service.

Já deu pra ver que gosto muito desse arco, né? Hehehe

Mas enfim, boa resenha, que fomenta bastante discussões.

Responder
planocritico 23 de abril de 2018 - 14:05

Tenho umas perguntas:

1. Seria esse o PENÚLTIMO arco de DW que falta ser criticado aqui no site?

2. Caso a resposta acima seja positiva, já decidiu para onde vai em sua aposentadoria?

3. Quanto tempo você acha que precisará ficar em posição fetal depois que o último arco for publicado?

4. Já está tomando remedinhos?

5. Qual é o significado da vida pós-DW?

Abs,
Ritter House.

Responder
Luiz Santiago 23 de abril de 2018 - 14:30

Isso é uma tortura!!! Não pode fazer essas perguntas pra mim, não pode!!! SOCORROOOOOOOOO!!!!

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planocritico 23 de abril de 2018 - 14:05

Tenho umas perguntas:

1. Seria esse o PENÚLTIMO arco de DW que falta ser criticado aqui no site?

2. Caso a resposta acima seja positiva, já decidiu para onde vai em sua aposentadoria?

3. Quanto tempo você acha que precisará ficar em posição fetal depois que o último arco for publicado?

4. Já está tomando remedinhos?

5. Qual é o significado da vida pós-DW?

Abs,
Ritter House.

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