Home TVEpisódio Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Dominators (Arco #44)

Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Dominators (Arco #44)

por Guilherme Coral
90 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 2,5

Equipe: 2º Doutor, Jamie, Zoe
Espaço-tempo: Dulkis, ano desconhecido

Com apenas uma aparição na televisão, os Dominators, principais antagonistas do primeiro arco da sexta temporada, somente dariam as caras novamente nos quadrinhos de Doctor Who – mais especificamente em Art Attack, Prisioneiros do Tempo #10 e The Fires Down Below. Nesta quadragésima quarta história, os alienígenas conquistadores das Dez Galáxias pousam no pacífico planeta Dulkis, para realizar operações mineradoras. Não é preciso dizer que, praticamente ao mesmo tempo, o Doutor materializa sua Tardis no local, esperando passar ali por alguns dias de descanso ao lado de Zoe e Jamie.

A trama de The Dominators, então, procede mantendo o mistério por trás das ações dos invasores, Rago e Toba, conflitando as visões pacifistas e radicalmente burocratas dos Dulcians à postura agressiva dos Dominators. Tal núcleo, porém, é mal explorado, ao passo que o roteiro de Norman Ashby prefere focar no conflito interno entre Rago e Toba que, a cada sequência, parecem arranjar algum motivo para discussão. Essa abordagem acaba se tornando enfadonha, repetitiva e, no fim, sequer demonstra um grande valor narrativo, já que as diferenças de opinião são rapidamente resolvidas no último episódio do arco.

Os problemas ainda se estendem através da presença dos Quarks, os robôs utilizados pelos conquistadores para minerar e assassinar aqueles que se colocarem em seu caminho. O maior defeito neste aspecto da obra se encontra no design das máquinas. Similares a pequenas geladeiras, os Quarks não oferecem qualquer ameaça plausível, demonstrando movimentos demasiadamente lentos e armas com pequeno raio de acerto. É claro que podemos apelar para o saudosismo nos lembrando das ficções científicas dos anos 50, como Planeta Proibido, que apresentam criaturas robóticas similares. Mas, se traçarmos um paralelo com os Daleks, que seguem o mesmo princípio, encontraremos uma menor necessidade de suspensão de descrença neste exemplo – lembremos que, apesar das limitações de movimento e energia de suas primeiras aparições, desde já eles apresentavam uma maior inteligência, ao contrário dos Quarks em questão.

Esse empecilho no meio do arco assume uma posição ainda maior de destaque quando levamos em consideração o tempo gasto em contínuas fugas e “combates” com tais robôs. Esse período desperdiçado acaba tirando o enfoque de facetas mais interessantes da história, como a própria alienação dos Dulcians em relação a vida fora de seu planeta, algo que passa quase despercebido, gerando poucas repercussões na narrativa. Ao invés disso, o tempo disposto para essa raça geralmente consiste em infindáveis discussões burocráticas, ceticismo e trabalho escravo imposto pelos Dominators.

O arco, porém, não é composto apenas por deslizes. Norman Ashby faz bom uso da personalidade do segundo Doutor para compor situações cômicas ao longo da trama. Aqui dou o devido destaque para o encerramento da história, que termina não só de forma criativa, como bem humorada e que só funciona pela retratação de Patrick Troughton. O mesmo carisma se estende para os outros personagens, desde os vilões caricatamente maquiavélicos até os exageradamente calmos Dulcians, que se deixássemos, discutiriam que plano de ação tomar até séculos depois da ameaça ter sido eliminada. Além disso, impossível não notar a forma como os companions são bem utilizados, realizando ações de destaque para a resolução da trama.

The Dominators, portanto, é uma história que consegue divertir apesar de seus evidentes defeitos no roteiro e design. Poucas vezes sentimos, de fato, uma grande tensão proveniente dos antagonistas – em geral soltamos apenas algumas risadas graças à presença dos Quarks. Com isso em mente fica fácil entender o porquê desses seres jamais terem aparecido em outros episódios na televisão.

The Dominators (Arco #44) – 6ª Temporada – Season Première

Direção: Morris Barry
Roteiro:
Norman Ashby
Elenco principal: Patrick Troughton, Frazer Hines, Wendy Padbury, Ronald Allen, Kenneth Ives, Arthur Cox, Philip Voss, Malcolm Terris, Nicolette Pendrell, Walter Fitzgerald

Audiência média: 6,2 milhões

5 Episódios (exibidos entre 10 de Agosto e 7 de Setembro de 1968).

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12 comentários

Denilson Amaral 30 de janeiro de 2017 - 19:13

Como exposto pela crítica, um dos maiores problemas do arco reside nos vilões que dão título à história. A dupla Rago e Toba não conseguiu me convencer em momento algum, suas discussões são enfadonhas e sem objetivo, afinal na hora do aperto as desavenças sumiram num passe de mágica.

E que mania é essa da era do Segundo Doutor de criar substitutos para os saleiros de Skaro? Ice Warriors, The Great Intelligence, todos muito interessantes, mas mal explorados. Porém dessa vez se superaram com os Quarks, cópias muito vagabundas dos Daleks, que assim como os Dominators, não convencem em momento nenhum.

Sou só eu, ou os atores que interpretaram os vilões são péssimos? Que colocassem alguém como a atriz que interpretou a Maaga, ou melhor que trocassem os Dominators pelas Drahvins, raça igualmente guerreira vista em Galaxy 4, que o arco melhoraria e muito.

Entretanto, nem só de problemas vive esse arco: como a crítica aponta, o trio Doutor, Jamie e Zoe está divertidíssimo e consegue compensar os problemas do arco nas cenas em que os três estão presentes.

De fato a temporada começa com o pé esquerdo, mas nada que o arco seguinte não resolva.

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Denilson Amaral 30 de janeiro de 2017 - 19:13

Como exposto pela crítica, um dos maiores problemas do arco reside nos vilões que dão título à história. A dupla Rago e Toba não conseguiu me convencer em momento algum, suas discussões são enfadonhas e sem objetivo, afinal na hora do aperto as desavenças sumiram num passe de mágica.

E que mania é essa da era do Segundo Doutor de criar substitutos para os saleiros de Skaro? Ice Warriors, The Great Intelligence, todos muito interessantes, mas mal explorados. Porém dessa vez se superaram com os Quarks, cópias muito vagabundas dos Daleks, que assim como os Dominators, não convencem em momento nenhum.

Sou só eu, ou os atores que interpretaram os vilões são péssimos? Que colocassem alguém como a atriz que interpretou a Maaga, ou melhor que trocassem os Dominators pelas Drahvins, raça igualmente guerreira vista em Galaxy 4, que o arco melhoraria e muito.

Entretanto, nem só de problemas vive esse arco: como a crítica aponta, o trio Doutor, Jamie e Zoe está divertidíssimo e consegue compensar os problemas do arco nas cenas em que os três estão presentes.

De fato a temporada começa com o pé esquerdo, mas nada que o arco seguinte não resolva.

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Guilherme Coral 6 de fevereiro de 2017 - 20:56

Essa história de inventarem mil vilões é um terror mesmo, principalmente quando mal explorados. Felizmente muitos deles são revisitados depois e se tornam icônicos da série!

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Guilherme Coral 6 de fevereiro de 2017 - 20:56

Essa história de inventarem mil vilões é um terror mesmo, principalmente quando mal explorados. Felizmente muitos deles são revisitados depois e se tornam icônicos da série!

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Denilson Amaral 7 de fevereiro de 2017 - 00:44

Guilherme, obrigado por me responder! Eu acho que posso dizer que fiquei um tanto ansioso por uma resposta sua sobre esse arco. De fato o número gigantesco de monstros/vilões em Doctor torna difícil explorar todos (até hoje espero uma história definitiva para os Ice Warriors, talvez se passando em Marte e quem sabe o Mark Gatiss faz algo do tipo agora na Décima Temporada). Cara, você expõe tudo muito bem! Continue com o ótimo trabalho!

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Guilherme Coral 7 de fevereiro de 2017 - 10:33

Eu que agradeço pelo comentário e os elogios, Denilson!

Sobre os Ice Warriors, eu gosto muito de Cold War, mas realmente gostaria de ver mais sobre eles. Acho que isso depende muito do showrunner mesmo! Gosto muito do T. Davies, mas ele focava demais nos Daleks. Assim, de cabeça, acho que o Moffat soube explorar mais o vasto universo de DW. Quero muito ver o que o Chibnall vai fazer com a série – Broadchurch, que é dele, é uma série simplesmente sensacional, se ainda não viu corre lá, vale MUITO a pena.

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Guilherme Coral 7 de fevereiro de 2017 - 10:33

Eu que agradeço pelo comentário e os elogios, Denilson!

Sobre os Ice Warriors, eu gosto muito de Cold War, mas realmente gostaria de ver mais sobre eles. Acho que isso depende muito do showrunner mesmo! Gosto muito do T. Davies, mas ele focava demais nos Daleks. Assim, de cabeça, acho que o Moffat soube explorar mais o vasto universo de DW. Quero muito ver o que o Chibnall vai fazer com a série – Broadchurch, que é dele, é uma série simplesmente sensacional, se ainda não viu corre lá, vale MUITO a pena.

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Luiz Santiago 31 de agosto de 2014 - 21:26

Excelente crítica, Gui! E concordo plenamente com você. A presença desses robôs e a forma como são colocados para nos fazer sentir medo é simplesmente ridícula e risível.
Mas o arco também tem pontos positivos, como você destacou. Gosto particularmente do desenho de produção para os cenários dos nativos do planeta.
Agora, uma coisa que me irritou profundamente foi a briga dos dois infelizes Dominators. Velho, que coisa mais chata!!!

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Guilherme Coral 31 de agosto de 2014 - 22:29

Muito obrigado, Luiz! A produção realmente é muito boa, me lembrou bastante o Unearthly Child, logo quando eles chegam na idade da pedra. E a briga dos dois é insuportável e não avança! Eles ficam só repetindo a mesma coisa sem chegar a lugar nenhum, muito mal explorado.
Podiam ter investido bem mais nos Dulcians, mas deixaram eles só na burocracia mesmo, também não chegando a lugar algum.

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Yoana Carmo 2 de setembro de 2014 - 13:45

gente, realmente, as brigas dos dois era um saco, não lembro qual, mas tinha um que nunca obedecia as ordens do outro, e ai a cada 2 min eles ficavam brigando……… mas acho engraçada a parte em que eles estão como prisioneiros.

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Guilherme Coral 2 de setembro de 2014 - 13:58

O pior é que é EXATAMENTE mesma briga de novo e de novo para no final: então beleza, vamos parar de brigar. Eles como prisioneiros é demais, especialmente aquele raio dos Quarks que faz eles grudarem na parede.

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Luiz Santiago 2 de setembro de 2014 - 15:28

Nossa, toda vez que isso acontecia eu me matava de rir! hahahahaha

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