Home TVEpisódio Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Faceless Ones (Arco #35)

Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Faceless Ones (Arco #35)

por Luiz Santiago
77 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 4

Equipe: 2º Doutor, Ben, Polly, Jamie
Espaço-tempo: Londres, 1966

Arco final de Ben e Polly como companheiros do Doutor, The Faceless Ones se apresenta como uma das histórias mais James Bond da série até o momento e justamento por isso, mais as locações e modo como o Doutor resolve o problema com os Camaleões (autointitulados a raça mais inteligente do Universo), lembra-nos muito o tipo que aventura que iria caracterizar a Era do 3º Doutor, preso na Terra e trabalhando ao lado da UNIT.

Os Camaleões tiveram seu mundo destruído por uma grande explosão e eles perderam seu rosto e sua identidade. Nos parece que todo o corpo dos Camaleões originais é queimado ou algo parecido. O fato é que um ser humanoide sem rosto não é ago agradável de se ver e isso já dá um pouco da aparência grotesca que marca os vilões desse arco.

Os cientistas dessa raça alienígena desenvolvem um processo de transferência de corpos, mantendo, pelo que entendemos, todas as capacidades intelectuais do antigo dono mais a memória do Camaleão hospedeiro, o que é genial, deve-se assumir. A Nova Série trabalhou algo mais ou menos parecido em três episódios diferentes. O primeiro, o roubo da identidade humana pela figura na TV em The Idiot’s Lantern (2ª Temporada); o segundo, o roubo da gordura humana para gerar outros seres, os fofíssimos Adiposes (Partners in Crime, 4ª Temporada); e o Mr. Clever, que, comandado pelo Cyber-Planner, queria roubar a mente do 11º Doutor em Nightmare in Silver (7ª Temporada).

Toda a trama de The Faceless Ones se passa em um aeroporto (o lugar das “bestas voadoras”, segundo definição de Jamie), e o roteiro é bastante intricado, cheio de revelações e composto por um jogo de gato e rato típico dos filmes de ação, algo muito bom de se ver aplicado a uma série como Doctor Who.

Como se trata da despedida de Ben e Polly, é de se lamentar muitíssimo que a dupla desapareça a maior parte do arco, exatamente como fizeram com Dodo Chaplet em The War Machines, cuja partida foi a mais ingrata que eu já vi na série. Ainda bem que isso não se repete aqui, o que, de certo modo, acaba compensando a ausência de Ben e Polly ao longo da história. A despedida dos dois é fraterna, lembrando bastante a outra dupla que partira já a bastante tempo da TARDIS: Ian e Barbara.

Todavia, Anneke Wills e Michael Craze não tiveram uma partida tão tranquila quanto sua “versão mais velha”, alguns anos antes. A BBC pisou feio na bola com eles, especialmente com Anneke Wills, cuja personagem, Polly, seria substituída da maneira mais traiçoeira possível por Samantha Briggs, a passageira à procura de seu irmão que Jamie encontra no aeroporto e acaba beijando, no final. No entanto, a atriz Pauline Collins recusou o papel e aceitou uma outra oferta de trabalho. Ela voltou à série em 2006, interpretando a Rainha Victoria em Tooth and Claw, episódio da Nova Série em que vemos a criação de Torchwood.

Com um enredo curioso, alienígenas inteligentes e perigosos, mais uma despedida no desfecho da história, The Faceless Ones é um dos arcos inesquecíveis da série, com uma produção louvável, trilha sonora perfeitamente conectada à trama e ótimas atuações. Uma história no melhor “estilo James Bond”.

The Faceless Ones (Arco #35) – 4ª Temporada

Roteiro: David Ellis, Malcolm Hulke
Direção: Gerry Mill
Elenco principal: Patrick Troughton, Michael Craze, Anneke Wills, Frazer Hines, Colin Gordon, Wanda Ventham, Donald Pickering, Pauline Collins OBE

Audiência média: 7,38 milhões

6 Episódios (exibidos entre 08 de abril e 13 de maio de 1967)

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6 comentários

Rafael Lima 28 de dezembro de 2016 - 10:08

Esse arco já começa de forma muito divertida. Se existe um Doutor que pode começar a história correndo numa pista, por que materializou na rota de aterrissagem de um avião, esse é o Segundo Doutor. Hehehe. Throughton está muito inspirado nesse arco.

Acho que esse aspecto “James Bond” da história que você cita, faz com que ela acabe saindo um pouco prejudicada por ter episódios perdidos. O que é uma pena, pois todo o ambiente do aeroporto é muito legal. O trabalho de Recon não é ruim, mas…

De fato, foi uma sacanagem sumir com Ben e Polly justamente em seu arco de despedida. Claro, nem se compara com o que houve com Dodo em “The War Machines”, mas o casal merecia mais. Ainda assim foi legal ver o quanto eles se tornaram leais ao Doutor, estando dispostos a permanecer na Tardis se ele quisesse. Acho curioso o fato de eles terem conseguido voltar ao mesmo dia em que haviam partido. O que será que Ian e Barbara diriam disso? Hehehe

Mas essa escanteada em Ben e Polly ao menos serviu pra mostrar a parceria entre Jamie e o Doutor em potencia máxima, estabelecendo a dinâmica que perduraria até o fim da era preto e branco.

Eu gostei muito da Samantha. Acho que ela teria dado uma companheira muito divertida. O modo como ela manipula o Jamie a fazer o que ela quer é hilário. Acho que ela teria funcionado como uma Zoe menos genial.

E concordo sobre os Chamelon. Eles são vilões bem arrepiantes, algo digno de nota para este período da série.

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Luiz Santiago 28 de dezembro de 2016 - 12:54

É um tipo de terror que de alguma forma ecoaria em histórias futuras. Eu gostei bastante da forma como o Doutor lidou com a partida e, claro, como já era possível ver a extrema proximidade entre ele e o Doutor. Aliás, Patrick Troughton e Frazer Hines ESBANJAM simpatia, meu Deus, como é possível? Não é de se espantar que os espectadores da época tenham fica apaixonados pelo escocês. Ele ao lado do Doutor é simplesmente incrível!

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Carlindo José 3 de março de 2016 - 20:08

Outro arco muito legal, o 2° Doutor está me deixando muito feliz, não teve um arco realmente ruim dele até agora, o mais triste deste arco foi só a saída de Ben e Polly.

História muito divertida, todo o mistério e ação que envolve lembra muito os filmes do James Bond, como foi dito na crítica, esses Camaleões me lembraram muito os Zygons, tanto pela arrogância e maldade e pelo estilo de manter as vítimas que eles copiam vivas, até a história trágica de um planeta extinto e tudo mais, apenas os Zygons são ainda mais monstruosos. O Jamie foi fantástico nesse episódio, a relação dele com a Samantha foi bem legal, apesar dela ser meio chatinha na minha opinião, é legal ver que desde o arco passado ele está ganhando destaque de forma a suprimir Ben e Polly e fazer com que a gente sinta menos saudade, não funcionou comigo apesar de tudo, gostei muito da dupla e acho que depois disso eles acabaram juntos. O Doutor foi genial nesse episódio, o Troughton é fantástico, queria ter um tio igual ele hehehe.

Responder
Luiz Santiago 5 de março de 2016 - 01:08

Esse é o meu pensamento até hoje!!! Eu queria muito ter um tio igual a ele! Como eu amo esse Doutor! Ele é maravilhoso, divertido, engenhoso, impulsivo algumas vezes e muito fofo também. Troughton é demais!

Ah, eu também senti muito a saída de Ben e Polly. Acho que eles formavam uma baita dupla junto com o Jamie. Bem, pelo menos não foi uma saída à la Dodo, né.

Quero só ver a sua opinião para o próximo arco, no desfecho dessa 4ª Temporada…

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Luiz Santiago 5 de março de 2016 - 01:08

Esse é o meu pensamento até hoje!!! Eu queria muito ter um tio igual a ele! Como eu amo esse Doutor! Ele é maravilhoso, divertido, engenhoso, impulsivo algumas vezes e muito fofo também. Troughton é demais!

Ah, eu também senti muito a saída de Ben e Polly. Acho que eles formavam uma baita dupla junto com o Jamie. Bem, pelo menos não foi uma saída à la Dodo, né.

Quero só ver a sua opinião para o próximo arco, no desfecho dessa 4ª Temporada…

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Carlindo José 3 de março de 2016 - 20:08

Outro arco muito legal, o 2° Doutor está me deixando muito feliz, não teve um arco realmente ruim dele até agora, o mais triste deste arco foi só a saída de Ben e Polly.

História muito divertida, todo o mistério e ação que envolve lembra muito os filmes do James Bond, como foi dito na crítica, esses Camaleões me lembraram muito os Zygons, tanto pela arrogância e maldade e pelo estilo de manter as vítimas que eles copiam vivas, até a história trágica de um planeta extinto e tudo mais, apenas os Zygons são ainda mais monstruosos. O Jamie foi fantástico nesse episódio, a relação dele com a Samantha foi bem legal, apesar dela ser meio chatinha na minha opinião, é legal ver que desde o arco passado ele está ganhando destaque de forma a suprimir Ben e Polly e fazer com que a gente sinta menos saudade, não funcionou comigo apesar de tudo, gostei muito da dupla e acho que depois disso eles acabaram juntos. O Doutor foi genial nesse episódio, o Troughton é fantástico, queria ter um tio igual ele hehehe.

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