Home TVEpisódio Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Invasion of Time (Arco #97)

Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Invasion of Time (Arco #97)

por Luiz Santiago
77 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 4,5

Borusa: You have access to the greatest source of knowledge in the universe.

The Doctor: Well, I do talk to myself sometimes.

Equipe: 4º Doutor, Leela, K9
Espaço: Gallifrey
Tempo: Indeterminado

Se não fossem o imperdoável abandono de personagens interessantes no meio da história e os inconcebíveis erros de montagem no último episódio de The Invasion of Time, este seria, disparado, o melhor arco da 15ª Temporada Clássica de Doctor Who. Mesmo assim, a aventura fica em segundo lugar na temporada, logo depois de The Sun Makers, outra grande saga com mescla de diversos gêneros narrativos (ação + estratégia) e com muitas reviravoltas ao longo do caminho.

Mas há uma enorme diferença no conteúdo dos dois roteiros. Enquanto em The Sun Makers tínhamos uma trama claramente política, motivada pelo impasse do roteirista Robert Holmes com o fisco britânico, este presente arco é puramente ficção científica, com uma atenção menor a críticas sociais e outros descontentamentos de política econômica e maior inserção de itens no cânone de Doctor Who, tanto para o interior da TARDIS quando para o planeta Gallifrey.

O roteiro começa com um suspense que segura o espectador vidrado na tela, tentando decifrar o que está acontecendo com o Doutor, um estágio de comportamento que permanece no personagem durante toda a narrativa — mesmo quando parece agir da maneira maluca que lhe era de praxe — e que aos poucos vai se revelando e tornando-se misterioso outra vez, até encontrar um ponto cômico e nele fixar raízes como explicação, o que funcionou perfeitamente para quebrar a atmosfera de tensão que cobriu toda a história. Após a visita do Doutor ao seu planeta natal em The Deadly Assassin, o espectador teve maior noção espacial do Panopticon, do Capitólio e outros espaços de Gallifrey, mas aqui há um verdadeiro tour pelas redondezas, tanto dentro da cidadela quanto fora dela, onde são revelados os “Outsiders“, mais uma prova de que os Time Lords não são os mocinhos bem intencionados que normalmente se pensa que eles são.

A forma como os Vardans, a serviço dos Sontarans, se apresentam nos três primeiros capítulos do arco é bizarra e desnecessária — se bem que aquela forma de energia é a estrutura da espécie Vardan, só que podia ser qualquer outra coisa menos estranha, não é mesmo? –, mas o espectador consegue entender o motivo disso à medida que o plano de conquista a Gallifrey se ergue. Após assinar um contrato, o Doutor chega ao seu planeta e clama o direito de assumir o cargo de Lorde Presidente, ação que lhe dará completo controle sobre a Matrix e a Grande Chave de Rassilon, dois artefatos de máximo interessante para os Sontarans. Nota-se que nesse momento da História os Daleks não representam uma ameaça para Gallifrey e sim para outros planetas. Por outro lado, os cabeças-de-batata parecem possuir um grande conhecimento do planeta dos Time Lords, sabendo exatamente o que querem e fazendo um jogo de usar “espécies mais fracas” para chegar ao seu objetivo final.

Ao assistirmos The Invasion of Time, não temos muita noção da dificuldade de orçamento para produzi-lo, poque a dimensão dos cenários utilizados (alguns em locação, outros em estúdio) é enorme e bastante intricada. Só a genial decoração que o Doutor pede para o seu escritório de Lorde Presidente é chamativa e bastante trabalhosa, além de fazer completo sentido para o título e ter uma aplicação perfeitamente plausível para a trama.

Como disse ao início do texto, o meu lamento é que parte dos personagens são abandonados sem muitas justificativas ao longo da história. Mesmo que alguma diretriz de ação seja dada a eles, o escanteamento não combina com a importância elevada que possuem em dado momento do arco, o que gera um desequilíbrio no andamento. Já o outro incômodo é para a edição do último capítulo, que possui erros imperdoáveis, o maior deles, quando o Doutor passa de um corredor para a porta da TARDIS em um corte seco. Nem a decência de colocar um fade e suavizar essa passagem como uma ação diegética o editor Chris Wimble teve. Todavia, estes erros acabam sendo perdoados porque não interferem com mão de ferro na composição geral de qualidade da trama.

O final da história nos traz a despedida de Leela e de K9. O Doutor não leva essa despedida para o lado emotivo — ele claramente está emocionado, mas parece que não quer pensar muito a respeito — e quebra a quarta parede olhando para a câmera com cumplicidade, após trazer uma caixa que nos indica um futuro companion, K9 Mark II. Um louvável final para uma movimentadíssima temporada.

The Invasion of Time (Arco #97) — 15ª Temporada – Season Finale
Direção: Gerald Blake
Roteiro: David Agnew
Elenco: Tom Baker, Louise Jameson, John Leeson, Christopher Tranchell, John Arnatt, Ray Callaghan, Hilary Ryan, Derek Deadman, Stuart Fell, Stan McGowan, Tom Kelly, Michael Harley

Audiência média: 10,52 milhões

6 episódios (exibidos entre 4 de fevereiro e 11 de março de 1978)

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8 comentários

Rafael Lima 17 de dezembro de 2016 - 09:40

Esss arco funciona como uma espécie de irmão de “The Deadly Assassin” da temporada anterior mesmo. Sempre gostei de ver esses dois arcos como uma espécie de acerto de contas do Doutor pra cima dos Timelords pelo seu julgamento em “War Games”.

Afinal, em “The Deadly Assassin” ele usa falhas nas leis dos timelords a seu favor, e de quebra desmascara o timelord que presidiu o seu julgamento como um servo do Mestre. Já neste arco, ele mais uma vez usa as falhas no sistema dos timelords para se tornar presidente, e “trair” o planeta. Claro, tudo era fingimento pra prevenir a invasão, mas acho que o Quarto Doutor realmente gostou de botar banca em cima de seu arrogante povo. Hehehe

Concordo plenamente que há uma má distribuição dos personagens na história. E toda parte inicial com os Vardans é bem chatinha.

Mas os arcos tem muitos méritos. Os Sontarans surgem aqui como uma ameaça credível. A relação de implicância/ respeito existente entre o Doutor e Borusa surge ainda mais explicita, além de que esse arco levou o termo “Bigger On the Inside” a um outro nível, ao explorar mais a Tardis.

Leela e K9 Mark I tem bons momentos em sia história de despedida. K9 tem papel fundamental na resolução da invasão, assim como Leela, que além de reunir os outsiders, mostra uma fé imensa no Doutor, se recusando a acreditar que ele traiu Gallifrey, mesmo com tudo apontando pra isso.

Só achei a saida dela ficou parecendo coisa armada em cima da hora ( e dizem que foi mesmo).
Tudo bem, Leela entra pro clube de companions que deixam a Tardis pra se casarem com caras que acabaram de conhecer. Mas o problema não é nem esse. A história quase não dá indicios de que Leela e Andred estão se interessando um pelo outro, e de repente, ela tá noiva do cara. É diferente do que houve nas saidas de Susan ou Jo, por exemplo.

A própria cena da despedida é quase piscou, perdeu. Claro, isso é quase uma caracteristica do Quarto Doutor, que evitava mesmo olhar para suas companions nas despedidas. Todas as encarnações odeiam despedidas, mas o Quarto Doutor parece estar um grau acima dos outros nesse quesito.

Mas sei lá, achava que a saida de Leela merecia um pouco mais. Mas essas saidas rápidas parecem característica da era do quarto doutor mesmo, não só do personagem, mas da era mesmo, vide as saidas de Sarah Jane e Romana

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Rafael Lima 17 de dezembro de 2016 - 09:40

Esss arco funciona como uma espécie de irmão de “The Deadly Assassin” da temporada anterior mesmo. Sempre gostei de ver esses dois arcos como uma espécie de acerto de contas do Doutor pra cima dos Timelords pelo seu julgamento em “War Games”.

Afinal, em “The Deadly Assassin” ele usa falhas nas leis dos timelords a seu favor, e de quebra desmascara o timelord que presidiu o seu julgamento como um servo do Mestre. Já neste arco, ele mais uma vez usa as falhas no sistema dos timelords para se tornar presidente, e “trair” o planeta. Claro, tudo era fingimento pra prevenir a invasão, mas acho que o Quarto Doutor realmente gostou de botar banca em cima de seu arrogante povo. Hehehe

Concordo plenamente que há uma má distribuição dos personagens na história. E toda parte inicial com os Vardans é bem chatinha.

Mas os arcos tem muitos méritos. Os Sontarans surgem aqui como uma ameaça credível. A relação de implicância/ respeito existente entre o Doutor e Borusa surge ainda mais explicita, além de que esse arco levou o termo “Bigger On the Inside” a um outro nível, ao explorar mais a Tardis.

Leela e K9 Mark I tem bons momentos em sia história de despedida. K9 tem papel fundamental na resolução da invasão, assim como Leela, que além de reunir os outsiders, mostra uma fé imensa no Doutor, se recusando a acreditar que ele traiu Gallifrey, mesmo com tudo apontando pra isso.

Só achei a saida dela ficou parecendo coisa armada em cima da hora ( e dizem que foi mesmo).
Tudo bem, Leela entra pro clube de companions que deixam a Tardis pra se casarem com caras que acabaram de conhecer. Mas o problema não é nem esse. A história quase não dá indicios de que Leela e Andred estão se interessando um pelo outro, e de repente, ela tá noiva do cara. É diferente do que houve nas saidas de Susan ou Jo, por exemplo.

A própria cena da despedida é quase piscou, perdeu. Claro, isso é quase uma caracteristica do Quarto Doutor, que evitava mesmo olhar para suas companions nas despedidas. Todas as encarnações odeiam despedidas, mas o Quarto Doutor parece estar um grau acima dos outros nesse quesito.

Mas sei lá, achava que a saida de Leela merecia um pouco mais. Mas essas saidas rápidas parecem característica da era do quarto doutor mesmo, não só do personagem, mas da era mesmo, vide as saidas de Sarah Jane e Romana

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Luiz Santiago 18 de dezembro de 2016 - 03:13

O Doutor foi simplesmente genial nessa fase, tomando as regras a seu favor, manipulando o que fosse preciso para vencer, sem dar indícios aos outros, deixando todos nervosos. hehehehe

Quanto mais eu avanço na série do 4º Doutor na Big Finish, mais eu acho que a despedida de Leela foi mesmo rápida demais, cedo demais, quase insossa. Eu aceitei, e aceito, dentro da dinâmica do arco e da série, como você bem coloca no seu comentário, mas não tem como não lamentar. Leela é uma companheira tão sensacional, que aqueles que gostam dela já imaginam uma festa de despedida, algo assim…

Acho que as despedidas mais metódicas ou realmente calorosas se tornaram mais comuns a partir do 8º Doutor, no filme. Antes, há sempre esse “evitar” que é uma característica do Doutor…

Responder
Rafael Lima 18 de dezembro de 2016 - 13:41

De fato, as despedidas de Companions da Clássica costumam ser mais “cruas”. Mas mesmo pros padrões da Clássica, ainda foi uma despedida bem fraca. Pegue a despedida da Victoria na era do 2º Doutor, ou da Susan, na era do 1º. Tem um breve momento de reflexão ali sobre o que significa essa despedida pro Doutor e pras companions que estão indo embora. Pra não falar da despedida Jo na era do 3º Doutor (essa ganhou uma festa, inclusive. Hehehe), que pra mim esta esta entre as melhores despedidas de companions da série.

Claro, todas estas que eu citei tinham seus arcos de despedida construídos de forma a sinalizar as despedidas desses companions. Há histórias que no fim, de forma inesperada, o companion vai embora. Ai se encaixa “War Games” por exemplo, com a despedida de Jamie e Zoe. Mas ali, também é dado um momento pro publico sentir a partida dos personagens, mesmo sendo repentina.

E esse é o problema com a partida da Leela pra mim. Não dá tempo de sentir essa despedida. Quando tu vê, ela tá dizendo que vai ficar pra trás, pra ficar junto do cara que ela dividiu uma ou duas cenas, e então o episódio acaba.

Entendo que o Doutor não é uma pessoa de grandes despedidas, e esse Doutor em particular talvez odeie ainda mais despedidas que suas outras encarnações, mas que podia ter sido melhor, isso podia.

Em tempo, li em algum lugar que a própria Louise Jameson não gostava da despedida da Leela, e que essa despedida teria sido escrita meio as pressas, pois a atriz decidiu deixar a série durante as gravações da Finale. Dizem que a Louise até se disponibilizou pra retornar para mais um arco pra fazer uma despedida apropriada, mas não rolou.

Então, infelizmente, a gente acaba sentindo essa “saída improvisada” no arco, mas nada que macule a excelente trajetória da companion da série.

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Rafael Lima 18 de dezembro de 2016 - 13:41

De fato, as despedidas de Companions da Clássica costumam ser mais “cruas”. Mas mesmo pros padrões da Clássica, ainda foi uma despedida bem fraca. Pegue a despedida da Victoria na era do 2º Doutor, ou da Susan, na era do 1º. Tem um breve momento de reflexão ali sobre o que significa essa despedida pro Doutor e pras companions que estão indo embora. Pra não falar da despedida Jo na era do 3º Doutor (essa ganhou uma festa, inclusive. Hehehe), que pra mim esta esta entre as melhores despedidas de companions da série.

Claro, todas estas que eu citei tinham seus arcos de despedida construídos de forma a sinalizar as despedidas desses companions. Há histórias que no fim, de forma inesperada, o companion vai embora. Ai se encaixa “War Games” por exemplo, com a despedida de Jamie e Zoe. Mas ali, também é dado um momento pro publico sentir a partida dos personagens, mesmo sendo repentina.

E esse é o problema com a partida da Leela pra mim. Não dá tempo de sentir essa despedida. Quando tu vê, ela tá dizendo que vai ficar pra trás, pra ficar junto do cara que ela dividiu uma ou duas cenas, e então o episódio acaba.

Entendo que o Doutor não é uma pessoa de grandes despedidas, e esse Doutor em particular talvez odeie ainda mais despedidas que suas outras encarnações, mas que podia ter sido melhor, isso podia.

Em tempo, li em algum lugar que a própria Louise Jameson não gostava da despedida da Leela, e que essa despedida teria sido escrita meio as pressas, pois a atriz decidiu deixar a série durante as gravações da Finale. Dizem que a Louise até se disponibilizou pra retornar para mais um arco pra fazer uma despedida apropriada, mas não rolou.

Então, infelizmente, a gente acaba sentindo essa “saída improvisada” no arco, mas nada que macule a excelente trajetória da companion da série.

Responder
Luiz Santiago 20 de dezembro de 2016 - 00:48

A reflexão que você faz sobre as despedidas mais interessantes da clássica é maravilhosa, @disqus_wPGYD1xKX4:disqus. Muito bom mesmo. E cara, não sei você, mas quando penso nessas despedidas e tal me dá uma nostalgia, uma saudade de alguns arcos. Nossa… fico lembrando da fofíssima despedida de Jo. De fato, em alguns casos, tivemos coisas com mais significado.

Eu também li, num fórum gringo, sobre esse negócio da Louise Jameson, mas achei que era viagem do cara que escreveu. Uma pena que tenha sido assim, uma decisão repentina e não dado tempo para uma despedida apropriada. Por isso que os contratos hoje são beeeeeem específicos em relação a esse tipo de coisa, bem como “retornos” (especialmente em DW pós Eccleston) e essas coisas. Nós fãs, agradecemos.

Responder
Luiz Santiago 20 de dezembro de 2016 - 00:48

A reflexão que você faz sobre as despedidas mais interessantes da clássica é maravilhosa, @disqus_wPGYD1xKX4:disqus. Muito bom mesmo. E cara, não sei você, mas quando penso nessas despedidas e tal me dá uma nostalgia, uma saudade de alguns arcos. Nossa… fico lembrando da fofíssima despedida de Jo. De fato, em alguns casos, tivemos coisas com mais significado.

Eu também li, num fórum gringo, sobre esse negócio da Louise Jameson, mas achei que era viagem do cara que escreveu. Uma pena que tenha sido assim, uma decisão repentina e não dado tempo para uma despedida apropriada. Por isso que os contratos hoje são beeeeeem específicos em relação a esse tipo de coisa, bem como “retornos” (especialmente em DW pós Eccleston) e essas coisas. Nós fãs, agradecemos.

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Luiz Santiago 18 de dezembro de 2016 - 03:13

O Doutor foi simplesmente genial nessa fase, tomando as regras a seu favor, manipulando o que fosse preciso para vencer, sem dar indícios aos outros, deixando todos nervosos. hehehehe

Quanto mais eu avanço na série do 4º Doutor na Big Finish, mais eu acho que a despedida de Leela foi mesmo rápida demais, cedo demais, quase insossa. Eu aceitei, e aceito, dentro da dinâmica do arco e da série, como você bem coloca no seu comentário, mas não tem como não lamentar. Leela é uma companheira tão sensacional, que aqueles que gostam dela já imaginam uma festa de despedida, algo assim…

Acho que as despedidas mais metódicas ou realmente calorosas se tornaram mais comuns a partir do 8º Doutor, no filme. Antes, há sempre esse “evitar” que é uma característica do Doutor…

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