Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Monster of Peladon (Arco #73)

estrelas 3,5

Equipe: 3º Doutor, Sarah Jane Smith
Era: Guerras Interplanetárias
Espaço: Planeta Peladon
Tempo: 3935

Eu confesso que após os minutos iniciais de The Monster of Peladon, jurei para mim mesmo que iria, obrigatoriamente odiar o arco. E fiz de tudo para isso. Mas não deu. Embora eu não aprove a extrema preguiça de Brian Hayles em [re]escrever um texto que copiava dele mesmo — The Curse of Peladon –, não dá para negar a maior agilidade e graça (muito devido a presença de Elisabeth Sladen no elenco) que essa aventura tem. Eu havia gostado bastante do primeiro arco, mas é fato que ele era lento em muitas partes, parcialmente chato. Aqui, essa lentidão diminui muito e The Monster of Peladon só não é melhor porque nos dá a estranha e incômoda sensação de déjà-vu durante seis episódios.

Já se passaram 50 anos desde a primeira visita do Doutor a Peladon. Ele pretende levar Sarah para conhecer seu velho amigo, o rei Peladon de Peladon (nunca vou me cansar dessa piada), mas acaba materializando a TARDIS meio século à frente do que deveria. O resultado não é tão animador quanto da vez em que o Time Lord estivera lá com Jo Grant. A coroa agora está sobre a cabeça de Thalira, filha de Peladon, que é aconselhada pelo paranoico e fanático religioso Chanceler Ortron. O engraçadíssimo Alpha Centauri (como eu gosto desse personagem!) ainda reside em Peladon, agora trabalhando como Embaixador da Federação Galática. Mas nem tudo são flores.

O resumo faz parecer que o planeta enfim tinha saído do primitivismo em que se encontrara 50 anos antes, mas não é bem assim. Brian Hayles nos faz reviver toda a história, quase passo a passo, o que, de algum modo, nos faz pensar sobre sua verdadeira intenção em criar um cenário praticamente igual (mas paradoxalmente diferente) se comparado a The Curse. Estaria ele estabelecendo algum tipo de nexus temporal, algo que seria melhor explorado na era do 4º Doutor?

Mesmo sem uma resposta definitiva para isto, o fato de termos semelhanças de eventos históricos sob um outro panorama político torna as coisas um pouco mais aceitáveis. A guerra entre a Galáxia 5 e a Federação Galática, a exploração do mineral Trisilicate, as ideias feministas e a própria ação que Sarah Jane imprime à história… não dá para não se empolgar com os acontecimentos. Dependendo do que o espectador esperava (ou quem esperava encontrar) pode haver um ótimo e bem vindo espanto a partir do 3º episódio.

Como muita gente de The Curse trabalha nessa história (inclusive o roteirista e o diretor), a técnica e andamento dos episódios não vão chamar tanto a atenção do público, à exceção de elementos de fato novos, a maioria deles envolvendo Sarah Jane que, digam o que disserem, é o grande destaque de The Monster of Peladon. Infelizmente não podemos dizer o mesmo de Nina Thomas, a rainha, que praticamente reencarna a má atuação de David Troughton e não convence o espectador, o que é uma pena.

A partida do Doutor e Sarah de Peladon parece ter deixado as coisas mais ou menos encaminhadas para que o lugar se desenvolvesse ainda mais e, definitivamente, livrar-se de suas superstições, o que parece ser uma certeza, após a morte de Aggedor. O Doutor ainda voltaria a Peladon, tanto em sua 3ª quanto em outras encarnações. Mas isso já é outra história.

The Monster of Peladon (Arco #73) — 11ª Temporada
Direção: Lennie Mayne
Roteiro: Brian Hayles
Elenco: Jon Pertwee, Elisabeth Sladen, Donald Gee, Nina Thomas, Frank Gatliff, Rex Robinson, Ralph Watson

Audiência média: 7,70 milhões

6 episódios (exibidos entre 23 de março e 27 de fevereiro de 1974)

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.