Home TVEpisódio Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Ribos Operation (Arco #98)

Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Ribos Operation (Arco #98)

por Luiz Santiago
82 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 4,5

SPOILERS!

Equipe: 4º Doutor, Romana, K9 II
Espaço: Planeta Ribos (Constelação de Scytha)
Saga: Key to Time (1 de 6)
Tempo: 3078 (?)

Para entender completamente The Ribos Operation e tudo o que este arco representa para a 16ª Temporada de Doctor Who, é preciso aprofundar-se um pouquinho em algumas criações e criaturas do universo da série. No decorrer do texto, irei inserir alguns blocos com informações adicionais sobre elementos do cânone de DW que julgo necessários para a compreensão desta temporada e o início da saga da Chave do Tempo, que se estende por todo este 16º serial, de The Ribos OperationThe Armageddon Factor.

Após uma interessante 15ª Temporada, finalizada com uma épica visita a Gallifrey (The Invasion of Time) o produtor Graham Williams tinha em mente fazer uma sequência cuja história se entendesse ao longo das semanas, mais ou menos como fora na 12ª Temporada, porém, com uma única trama dividida em partes, cada arco funcionando de forma independente. Assim surgiu a saga Key to Time.

No início da produção da temporada, a atriz Elisabeth Sladen (Sarah Jane Smith), que se despedira da série em The Hand Of Fear (1976) foi contactada para que pudesse voltar a viajar com o Doutor. Diante da recusa de Sladen, uma outra companion foi criada, a Time Lady Romanadvoratrelundar (ou simplesmente Romana) e a nova versão de K9 (pois o primeiro resolveu ficar com Leela em Gallifrey). Além dessas duas estreias, tivemos a primeira aparição do Guardião Branco, a citação do Guardião Negro e claro, a apresentação teórica da Chave do Tempo.
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A Chave e os Guardiões do Tempo

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A Chave do Tempo (Key to Time) é um artefato protegido pelos Guardiões do Tempo (Guardians of Time OU Guardians OU Council of Guardians OU Six-Fold God) e mantém o controle da ordem e do caos no Universo. Esse artefato possui seis segmentos, cada um de responsabilidade de um Guardião. Esses segmentos estão espalhados pelo Universo, muito bem disfarçados para que não sejam encontrados com facilidade. A missão que o Doutor recebe do Guardião Branco aqui em The Ribos Operation é encontrar todos esses segmentos (uma espécie de apropriação pouco louvável) e ajudar a controlar o caos e evitar o fim do Universo conhecido. Cada arco da temporada (são 6) mostra o Doutor, Romana e K9 II procurando um segmento da Chave do Tempo, assim, o serial inteiro cumpriu o seu objetivo trazendo histórias independentes mas que fazem parte de uma única grande trama.

A Chave do Tempo foi inicialmente criada por entidades que existiam fora do tempo e do espaço, The Grace, com o objetivo de apagar a memória dos participantes da Millennium War (150 milhões a.C.), ocorrida entre uma espécie chamada Constructors of Destiny (liderada por um computador, o Mad Mind of Bophemeral ou Great Attractor) e os Time Lords (liderados por Rassilon) + uma série de outras raças que vocês podem conferir no toggle abaixo.

Millennium War: Combatentes

A Millennium War envolveu os Constructors of Destiny versus os Time Lords mais uma aliança que comportava todas as espécies a seguir (seguidos de suas primeiras aparições na série):

E para falar um pouco sobre os Guardões do Tempo, é necessário falar dos Great Old Ones. Também conhecidos como Elder Gods ou Old Ones, esses seres/espécies são muito, muito antigos, existindo mesmo antes de o Universo existir. No toggle abaixo, vocês verão a lista dos Great Old Ones (seguidos de suas primeiras aparições na série).

Os Principais Great Old Ones


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A Jornada do Doutor, Romana e K9 II em Ribos

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Após um encontro cheio de medo e respeito entre o Doutor e o White Guardian, seguido do encontro cheio de ressalvas e alfinetadas entre o Doutor e Romana, a jornada para encontrar o primeiro segmento da Key to Time é iniciado. Robert Holmes escreve um roteiro na linha das “intrigas de bastidores”, mas não deixa que esse campo menor retire da história a sua grandeza. E o contraste é imediatamente sentido pelo espectador. Saímos de um encontro com um dos seres mais antigos do Universo e do encontro com uma Time Lady para chegarmos a um planeta no meio de um longo inverno e com um roubo palaciano.

A construção da sociedade de Ribos é feita a partir do mínimo, mostrando alguns costumes e cultura locais, citando acontecimentos de algumas regiões do planeta e deixando para que o espectador imagine o resto. A mesma dinâmica, utilizada em The Curse of Peladon, tem um efeito bastante positivo porque não obriga o texto a ser detalhista ou eventualmente cair em algum furo na contextualização, dando ao público exatamente o que ele precisa saber sobre o local, centrando a atenção máxima na busca do Doutor, Romana e K9 II para o segmento da Chave.

Lançando mão de um humor adorável e brincando com a persona do “bandido simpático”, aqui representada pela dupla Garron e Unstoffe (criados com inspiração nos personagens de Shakespeare) e que ganha na figura do Doutor mais um excelente representante. O único ponto negativo de Ribos Operation é o tratamento dado ao personagem Graff Vynda-K (que nome legal de se falar!) na reta final da aventura e também os desnecessários gritos da vidente, que, afora este detalhe, foi muito bem utilizada como elemento mítico da sociedade local, além de nos deixar a dúvida sobre a verdade de seus habilidades.

A busca pela Chave do Tempo começa de maneira brilhante. Romana é uma personagem apaixonante (que figurino sensacional, não é mesmo? Tão espalhafatoso quanto o do Doutor, o que faz uma ótima combinação) e a atriz Mary Tamm a representa com brilhantismo que muitas vezes suplanta até Tom Baker. The Ribos Operation foi, até agora, a melhor estreia de temporada da era do 4º Doutor.

The Ribos Operation (Arco #98) — 16ª Temporada – Season Premiere
Direção: George Spenton-Foster
Roteiro: Robert Holmes
Elenco: Tom Baker, Mary Tamm, Cyril Luckham, Iain Cuthbertson, John Leeson, Nigel Plaskitt, Paul Seed, Robert Keegan, Prentis Hancock, Oliver Maguire, John Hamill

Audiência média: 8,12 milhões

4 episódios (exibidos entre 2 e 23 de setembro de 1978)

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15 comentários

Rafael Lima 18 de dezembro de 2016 - 19:17

Pessoalmente, eu não gostei tanto deste arco quanto você. Gosto bastante da construção de universo de Ribos, que parece ter sido baseado um pouco na Russia czarista, e a dupla de golpistas encontrada pelo Doutor e Romana é bastante simpática, e não teria me incomodado de te-los visto mais na série.

Mas acho que para uma história que apresenta uma nova equipe da Tardis, Romana e o Doutor acabam perdendo muito espaço pra Garron e Unstoffe. Talvez eu não me incomodasse tanto se o arco ficasse em outra parte da temporada. Além disso, acho que o arco fica arrastado em alguns momentos.

Mas ainda assim, é uma abertura de temporada muito digna. O constante jogo de trapaça entre os golpistas e o casal de Timelords é divertido pra caramba, assim como as implicâncias entre o Doutor e Romana neste primeiro contato.

Embora eu prefira a segunda encarnação da personagem, vivida pela Lalla Ward, acho esta primeira encarnação da personagem interpretada pela saudosa Mary Tamm uma companion muito boa também. Gosto da forma como a “frieza de alta sociedade” desta Romana ainda muito apegada as regras e costumes dos Timelords contrasta com o jeito boêmio do Quarto Doutor.

Já disse isso em outros posts, mas uma vantagem da Série clássica em relação a Nova Série, é essas viradas de 180º na hora de escolher as novas companions. Nossa dama vitoriana e amedrontada está deixando o 2º Doutor e Jamie? Então a próxima companion será uma garota do futuro corajosa. A garota selvagem deixou a Tardis do 4º Doutor? Então a próxima companion será uma Time Lady da alta sociedade de Gallifrey.

No geral, apesar dos defeitos, concordo com você que “Ribos Operation” é uma boa abertura pra saga da Chave do Tempo e uma boa apresentação para Romana.

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Luiz Santiago 19 de dezembro de 2016 - 04:35

Excelente colocação sobre a aparência de “Rússia czarista”. Concordo plenamente, também tive essa impressão, por vários motivos: figurino, inverno terrível, a organização social extremamente austera, o sotaque dos locais…

Eu entendo o seu desgosto em relação à parte do roteiro que coloca a relação entre o casal gallifreyano e os golpistas de Ribos. Para mim, isso não teve peso negativo para a história, mas consigo ver perfeitamente o que foi que te incomodou.

Olha @disqus_wPGYD1xKX4:disqus, HOJE eu não saberia dizer ao certo de qual encarnação da Romana eu gosto mais. Quando a Lala Ward entrou na série, eu me apaixonei por ela nos primeiros segundos. Mas depois revi os arcos dessa Key to Time e essa paixão foi sendo compartilhada com a primeira versão da Time Lady, o que se estendeu para o Universo Expandido. Se fosse forçado a escolher entre uma das duas, acho que ficaria com a II, mas só porque fui forçado… hahah

Responder
Rafael Lima 20 de dezembro de 2016 - 11:55

A encarnação da Mary Tamm é muito boa também, e uma grande Companion em seu próprio direito. Embora eu prefira a versão da Lalla Ward, quem deu o tom da Timelady foi a Mary Tamm., e muitas características da personagem estabelecidas pela Tamm foram seguidas pela Lalla quando ela assumiu a personagem.

Responder
Luiz Santiago 20 de dezembro de 2016 - 16:42

As duas possuem aquele garbo, aquela classe de alguém recém-saído da Academia…Ah, como eu queria que Romana voltasse para a série!

Responder
Luiz Santiago 20 de dezembro de 2016 - 16:42

As duas possuem aquele garbo, aquela classe de alguém recém-saído da Academia…Ah, como eu queria que Romana voltasse para a série!

Responder
Rafael Lima 20 de dezembro de 2016 - 21:34

Isso é uma coisa que os Whovians já pedem há anos, não? A cada personagem feminina misteriosa que aparece, logo surge a esperança de que enfim veremos o reencontro dos dois gallifreyanos mais geniais a viajarem na Tardis. Mas sempre é outra pessoa.

Bom, agora que Gallifrey voltou decididamente a série, dá pra ter um pouquinho mais de esperança, né? hehehe

Luiz Santiago 20 de dezembro de 2016 - 23:23

Concordo com você, as coisas começam a ficar mais “possíveis” por assim dizer. Eu tenho uma listinha de desejos e vou compartilhar com você:

1 – Romana
2 – Rani
3 – Psi e Saibra

Esses são os meus 3 desejos de personagens que gostaria tremendamente que voltassem à série…

Rafael Lima 21 de dezembro de 2016 - 15:37

Nossa, Psi e Saibra? Gostei de “Time Heirst”, mas nunca tinha parado pra pensar no retorno destes personagens. Poderia ser interessante, com certeza.

Não fiz uma lista, mas entre os personagens que eu gostaria de ver de volta em algum momento além dos dois primeiros lugares de sua lista estão Susan, o Valeyard, e Rusty, o “Bom Dalek”.

Luiz Santiago 21 de dezembro de 2016 - 23:44

Valeyard eu tenho uma coisa lá no fundo que me diz que ele deve aparecer agora. Não é possível que o Moffat, dramático como é, vá perder essa oportunidade… E Rusty… pô, essa lembrança me deixou meio triste agora…

Luiz Santiago 21 de dezembro de 2016 - 23:44

Valeyard eu tenho uma coisa lá no fundo que me diz que ele deve aparecer agora. Não é possível que o Moffat, dramático como é, vá perder essa oportunidade… E Rusty… pô, essa lembrança me deixou meio triste agora…

Rafael Lima 21 de dezembro de 2016 - 15:37

Nossa, Psi e Saibra? Gostei de “Time Heirst”, mas nunca tinha parado pra pensar no retorno destes personagens. Poderia ser interessante, com certeza.

Não fiz uma lista, mas entre os personagens que eu gostaria de ver de volta em algum momento além dos dois primeiros lugares de sua lista estão Susan, o Valeyard, e Rusty, o “Bom Dalek”.

Luiz Santiago 20 de dezembro de 2016 - 23:23

Concordo com você, as coisas começam a ficar mais “possíveis” por assim dizer. Eu tenho uma listinha de desejos e vou compartilhar com você:

1 – Romana
2 – Rani
3 – Psi e Saibra

Esses são os meus 3 desejos de personagens que gostaria tremendamente que voltassem à série…

Rafael Lima 20 de dezembro de 2016 - 21:34

Isso é uma coisa que os Whovians já pedem há anos, não? A cada personagem feminina misteriosa que aparece, logo surge a esperança de que enfim veremos o reencontro dos dois gallifreyanos mais geniais a viajarem na Tardis. Mas sempre é outra pessoa.

Bom, agora que Gallifrey voltou decididamente a série, dá pra ter um pouquinho mais de esperança, né? hehehe

Rafael Lima 20 de dezembro de 2016 - 11:55

A encarnação da Mary Tamm é muito boa também, e uma grande Companion em seu próprio direito. Embora eu prefira a versão da Lalla Ward, quem deu o tom da Timelady foi a Mary Tamm., e muitas características da personagem estabelecidas pela Tamm foram seguidas pela Lalla quando ela assumiu a personagem.

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Luiz Santiago 19 de dezembro de 2016 - 04:35

Excelente colocação sobre a aparência de “Rússia czarista”. Concordo plenamente, também tive essa impressão, por vários motivos: figurino, inverno terrível, a organização social extremamente austera, o sotaque dos locais…

Eu entendo o seu desgosto em relação à parte do roteiro que coloca a relação entre o casal gallifreyano e os golpistas de Ribos. Para mim, isso não teve peso negativo para a história, mas consigo ver perfeitamente o que foi que te incomodou.

Olha @disqus_wPGYD1xKX4:disqus, HOJE eu não saberia dizer ao certo de qual encarnação da Romana eu gosto mais. Quando a Lala Ward entrou na série, eu me apaixonei por ela nos primeiros segundos. Mas depois revi os arcos dessa Key to Time e essa paixão foi sendo compartilhada com a primeira versão da Time Lady, o que se estendeu para o Universo Expandido. Se fosse forçado a escolher entre uma das duas, acho que ficaria com a II, mas só porque fui forçado… hahah

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