Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Time Monster (Arco #64)

estrelas 4

Equipe: 3º Doutor, Jo (+ UNIT, Brigadeiro Lethbridge-Stewart, Sargento Benton, Capitão Yates)
Era: UNIT — Ano 5
Espaço: Wootton (UK) / Atlântida
Tempo: Anos 1970 / 1500 a.C.

The Time Monster possui uma má reputação. Diz-se que se trata do pior arco da era do 3º Doutor e que foi a pior forma de fechar uma temporada que a produção da série escolheu. Não concordo com a classificação de “pior arco”, mas diria que, para um ano como o da 9ª Temporada, eu esperava um final mais emblemático, principalmente tendo em vista o evento que se daria na temporada seguinte, o aniversário de 10 anos do início da série.

A trama começa com o Doutor acordando de um terrível pesadelo premonitório. Cenas de Inferno são utilizadas nesse início e o roteiro se divide prontamente em dois caminhos. No primeiro, temos o Doutor e a UNIT sendo inseridos no ambiente que os levará de encontro ao Mestre, aqui, em sua última aparição numa aventura situada nos “dias atuais da UNIT clássica”. No segundo, temos o professor Thascalos (o Mestre) e seus assistentes Dra. Ruth Ingram e Stuart Hyde, que estão tentando fazer funcionar a máquina de transmissão de matéria através do tempo intersticial (TOMTIT), movida por um cristal originário de Atlântida e que dará ao Mestre o controle sobre o Titã Cronos.

Há bastante humor, referências a Star Trek, Sodoma e Gomorra e textos não ficcionais de Arthur C. Clarke no roteiro de Robert Sloman, que não perde a oportunidade de tornar um pouco mais confusa a história de Atlântida dentro do universo de Doctor Who. Antes de The Time Monster, tivemos referências à queda desta civilização em The Underwater Menace (1967) e The Daemons (1971), ambos os arcos com informações que se contradizem às que temos aqui. De todo modo, como de praxe em Doctor Who, é lícito entendermos que ou alguém nesse meio todo está mentindo (o Azal de The Daemons, por exemplo) ou todos esses eventos de fato aconteceram, mas em realidades distintas, todas elas visitadas pelo Doutor.

Independente do que podemos apreender desta relação entre tempo e fato, Atlântida nos é mostrada em The Time Monster e sua queda acontece por conta de uma ação do Mestre, que queria invocar Cronos, dominá-lo através do cristal que só existia na lendária civilização e então governar o universo através da manipulação absoluta do tempo.

Provavelmente a diferença absurda entre os cenários, a mudança de tempos e tons narrativos e as diferenças de ritmo entre cada um dos blocos sejam os responsáveis por afastar tantos espectadores desta aventura. De fato, as constantes mudanças causam estranheza no espectador, muito embora eu veja cada uma delas com pontos positivos a serem considerados. Seja o cenário da Universidade, da UNIT (completamente escanteada com aquela desculpa sacal de “congelamento”), de Atlântida, das TARDISes ou do Universo, há sempre algo bom em cena. Tomemos por exemplo a sequência em que o Sargento Benton volta a ser um bebê. Perceba que aquele momento do arco é uma conveniente (e bem pensada, convenhamos) enrolação, enquanto as coisas aconteciam em Atlântida. No entanto, o fato de ver Benton transformado e o alívio cômico que ele traz ao final acabam valendo todo o processo, diminuindo a tensão que a história causa e mostrando a descontração dos protagonistas. Já comentei que não é o melhor final de temporada, mas não é exatamente terrível.

Quanto aos aspectos técnicos, o melhor espaço cênico de The Time Monster é Atlântida, sem dúvida. Embora eu veja como desnecessária a aparição do Minotauro (que deveria ser bem maior) e a “intriga palaciana” que atropela o enredo principal, gosto muito do desenho de produção e fotografia utilizados nesses cenários, um louvor que infelizmente não consigo estender para o elenco deste ponto da história. Vale também dizer que a animação feita para Cronos é simplesmente incrível. O Titã foi tratado como uma criatura de manifestação etérea/fátua, algo que normalmente se imagina de um ser mítico de tamanho poder. Até a versão que ele assume no final, para tirar o Doutor, Jo e o Mestre do “Lugar Inexpressivo” é interessante e torna o caminho livre para o bem humorado desfecho da história.

Para finalizar, é válido dizer que esta trama ganhou uma continuação em 2001, no livro The Quantum Archangel, de Craig Hinton, uma história com o 6º Doutor e Mel tendo o Mestre (claro) como inimigo.

The Time Monster (Arco #64) — 9ª Temporada – Season Finale
Direção: Paul Bernard
Roteiro: Robert Sloman
Elenco: Jon Pertwee, Roger Delgado, Katy Manning, Nicholas Courtney, Richard Franklin, Ingrid Pitt, John Levene, Wanda Moore, Ian Collier, Aidan Murphy

Audiência média: 7,38 milhões

6 episódios (exibidos entre 20 de maio e 24 de junho de 1972)

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.