Home TVEpisódio Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Twin Dilemma (Arco #136)

Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Twin Dilemma (Arco #136)

por Luiz Santiago
135 views (a partir de agosto de 2020)

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estrelas 3,5

Equipe: 6º Doutor, Peri
Espaço: Asteroide Titan III / Planeta Jaconda
Tempo: 2310 (mês de agosto)

The Twin Dilemma foi o último arco da 21ª Temporada Clássica de Doctor Who, trazendo pela primeira vez uma história completa com o 6º Doutor. Colin Baker assumiu o papel tendo em mente superar os sete anos de outro Baker como Doutor, e sua ideia inicial era interpretar um Senhor do Tempo que chocasse imensamente o público, alguém que gerasse grande desconfiança e que aos poucos fosse ganhando a confiança do espectador. Uma pena que certas escolhas de roteiristas e erros atrás de erros cometidos pelo egoico produtor John Nathan-Turner tenham encurtado drasticamente essa encarnação do personagem e contribuído para a diminuição do público da série, seguido de seu escanteamento pela BBC e terminado com o cancelamento em 1989.

Assistir à estreia do 6º Doutor é segurar-se o tempo inteiro para poder entender e digerir as diferenças de concepção em relação ao Doutor anterior, que teve uma partida tão emotiva e motivada por uma história tão boa como The Caves of Androzani. Para mim, o único ponto ruim da estreia de Colin Baker no papel do Doutor é ele atacando Peri. Por mais que eu compreenda a confusão/fraqueza/dificuldade de adaptação/problemas-pós-regeneração que sabemos existir para os Doutores (aqui, essa crise é totalmente oposta à fragilidade do 5º Doutor em Castrovalva, e sim, esta era a intenção da história, solicitada com bastante ênfase por JNT ao roteirista Anthony Steven e depois ao editor de roteiros, Eric Saward), ver o Doutor nessa posição não é nada agradável. Confesso que me incomodou bastante.

Nessa linha de análise, porém, chegamos a um ponto muito importante, algo com o que eu concordo cem por cento em ter relevância dramática e emotiva na série e que muita gente se esquece: o Doutor não é humano. Ele é, inclusive, de uma espécie egoísta, perigosa e completamente imprevisível, algo que obviamente deve (ou deveria) refletir em seu caráter de uma forma ou de outra, como vimos nas versões 1 e 3 de sua encarnação. Os Doutores 2, 4 e 5 diminuíram essa “grosseria Time Lord”, o que não é algo ruim, muito pelo contrário, mas desacostumou o público do fato de que este personagem terá ações não tão fofas ou não tão “humanamente malucas”.

Esse lado da moeda é perfeitamente incorporado por Colin Baker na caracterização de seu Doutor, tendo até uma exposição literal disso, em uma perfeita linha que coloca para o público o que ele realmente é. NOTA: uma versão dessa declaração “EU SOU O DOUTOR e você deve se acostumar com isso” foi utilizada por Steven Moffat em Deep Breath, o episódio de apresentação do 12º Doutor, na 8ª Temporada da New Who, novamente, em uma intensa mudança de comportamento pós-regeneração.

O enredo de The Twin Dilemma divide-se então em duas camadas. Na primeira, vemos o Doutor “regenerado, mas nem tanto“, ou seja, em um estado mental em que ele sabe que não merece confiança e, por isso mesmo, deve viver em contemplação, como um ermitão, tendo Peri como sua discípula. Na segunda, temos uma aleatória trama de gêmeos gênios da matemática que serão usados para propósitos escusos de Meston, o líder Gastropod que escraviza o planeta Jaconda, do qual Azmael, um velho amigo do Doutor, já foi líder.

Nomeando os gêmeos como os míticos irmãos fundadores de Roma, Rômulo e Remo, o arco metaforiza o uso da ciência ou de meios tecnológicos como os canais de comunicação por mãos erradas, com o objetivo de multiplicar ideias ou coisas ruins para a humanidade como um todo. Há um pouco de histeria na exposição do perigo, mas ele é verdadeiro em qualquer ângulo que se olhe, especialmente quando vemos em nosso século o “espalhar de ovos de Gastropod pela mídia a fora”. No arco, esse problema é a coisa menos interessante possível. Ele só serve mesmo para mostrar o 6º Doutor em ação (e ele é absurdamente sagaz e deliciosamente inconsequente!) e criar um personagem mais ou menos interessante como Azmael, antigo tutor do Doutor, além dos coadjuvantes notáveis, como o terráqueo Hugo Lang e os Jacondans, que são humanoides meio aves, um acerto aplaudível a equipe de figurino e maquiagem.

Embora não seja exatamente memorável em termos de enredo (mas a aventura é engajante em muitos momentos, o que faz o arco estar bem acima da média), The Twin Dilemma cumpre o papel de chocar o público na apresentação do 6º Doutor, com seu figurino espalhafatoso — que JNT assumiria ter sido um erro — e ações mais duras e notadamente aliens. A TARDIS tinha um novo piloto e quase ninguém sabia exatamente como reagir a ele. Este é, inclusive, um dos motivos que alguns espectadores e críticos apontam como “início do fim” da era clássica de Doctor Who. O que vocês acham?

The Twin Dilemma (Arco #136) — 21ª Temporada
Direção: Peter Moffatt
Roteiro: Anthony Steven
Elenco: Colin Baker, Nicola Bryant, Maurice Denham, Kevin McNally, Edwin Richfield, Gavin Conrad, Andrew Conrad, Dennis Chinnery, Barry Stanton, Oliver Smith, Helen Blatch, Dione Inman, Seymour Green, Roger Nott, John Wilson
Audiência média: 7,33 milhões
4 episódios (exibidos entre 22 e 30 de março de 1984)

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26 comentários

Luiz Santiago 11 de março de 2017 - 03:35

The Space Pirates! Putz! Isso também é muuuito ruim!
E cara, você expôs muito bem o que eu penso do nosso querido pavão JNT. Já o Michael Grade, assim que descobri, quando comecei a ver DW, o motivo de cancelamento da Clássica, já criei nojinho especial por ele, especialmente pela sacanagem que fez com o Colin Baker. AINDA BEM que DW é uma série tão foda e tão amada, que o cancelamento não fez morrer o nome do programa e ainda por cima pavimentou o caminho e o interesse para um revival. E AINDA BEM que Grade está vivo para ver tudo isso acontecer… hehehehehe

Responder
Luiz Santiago 11 de março de 2017 - 03:25

Aeeeeeeeeeeeeee!!! Mais um para o time!

Responder
Jean 8 de março de 2017 - 15:57

The Twin Dilemma… o quê falar dele? Sempre lembrado como o pior episódio de Doctor Who, a série tem seus acertos. Colin Baker é um excelente Doutor, trazendo uma versão do personagem única. A parte do estrangulamento de Peri também foi um marco: a série entrou na era mais violenta até então, o que causou alvoroço por parte das mães protetoras. Nessa parte concordo com JN-T, quando ele dizia que Doctor Who não era apenas para crianças. Voltando ao arco em si, a história paralela é bem decepcionante, apenas se salvando o primeiro episódio.
Na minha opinião ele é sim o pior episódio. E sim, estou contando com Dimensions in Time (pelo menos me faz rir). E o 6º Doutor teve um minisódio chamado A Fix With Sontarans; não é uma obra de arte, mas merece a curiosidade. Boa crítica.

Responder
Luiz Santiago 8 de março de 2017 - 16:27

Eu não conto Dimensions in Time na listinha de comparação, mas se fosse incluir, para mim, seria algo bem pior que Twin Dilemma. Curioso é que eu também ri e adorei as brincadeiras cheias de referências, mas a estrutura dessa estreia do 6º Doutor é muuuuito superior àquele negócio.

Para mim, os piores arcos de Doctor Who até agora são The Web Planet (na Clássica) e Love & Monsters (na Nova Série).

Responder
Jean 9 de março de 2017 - 21:35

The Web Planet não é tão ruim. O maior defeito PIPIIPIIPIPI são aquelas PIPIPIPIPIPIPI formigas gigantes PIPIPIPIPI. Da moderna acho que é The Doctor, the Widow and the Wardrobe.

Responder
Luiz Santiago 8 de março de 2017 - 16:27

Eu não conto Dimensions in Time na listinha de comparação, mas se fosse incluir, para mim, seria algo bem pior que Twin Dilemma. Curioso é que eu também ri e adorei as brincadeiras cheias de referências, mas a estrutura dessa estreia do 6º Doutor é muuuuito superior àquele negócio.

Para mim, os piores arcos de Doctor Who até agora são The Web Planet (na Clássica) e Love & Monsters (na Nova Série).

Responder
André Moura 8 de março de 2017 - 11:32

Eu adoro o 6º Doutor, adoro a Peri e tals mas odeio esse arco de coração. É todo muito estranho nele, aqueles gêmeos, o monstro (que parece ter saído dum clipe da Xuxa) , e por que cargas d’ água a Peri resolveu ficar com o Doutor depois dele ter sido tão cuzão com ela?

Responder
Luiz Santiago 8 de março de 2017 - 15:50

Eu acho que por ter conhecido a versão anterior dele, ela imaginou que poderia ser algo de momento. Mas compartilho do seu incômodo. Eu teria vazado rapidinho! hahaha

Responder
Rafael Lima 9 de março de 2017 - 03:30

Acho que ela acreditava que ele estava tendo uma crise mesmo. Afinal, se o Doutor se regenerou, foi por que “morreu” pra salvar a vida dela. Acredito que Peri estava muito grata, e se sentiu na obrigação de cuidar do Doutor em sua crise de regeneração, mesmo ele sendo terrivelmente escroto com ela.

Responder
Denilson Amaral 8 de março de 2017 - 07:44

Uma das principais razões para The Twin Dilemma ser um arco reconhecido é a sua má fama, sendo considerada a pior história de Doctor Who até hoje. Entretanto, esse episódio muito injustiçado consegue entregar muito bem tudo aquilo que é proposto ao criar uma “versão oposta” de Castrovalva, por meio de uma aventura dinâmica no qual o Doutor é posicionado de forma extremamente ativa e consegue mostrar a que veio logo em seus primeiros momentos.

O arco já começa com a introdução de um dos principais elementos da história, os gêmeos. Os irmãos Rômulo e Remo (Remo, se eu fosse você eu tomaria cuidado com o seu irmão, já ouviu falar do que aconteceu com o seu chará?) logo iniciam um diálogo praticamente inútil com o pai sobre a mãe deles (eles são bipolares ou o quê? No início, há um interesse enorme nela e em seguida eles a chamam de tola e dizem que não a respeitam) e depois é revelado que os jovens tem enormes habilidades matemáticas que poderiam mudar o mundo.

Só eu que achei essa parte estranha? Eles fazem menções a brincar com equações e o pai fica muito assustado. Além disso, como pessoas tão importantes ficariam num lugar tão desprotegido ao ponto de serem sequestrados na primeira tentativa? Duas últimas considerações sobre os gêmeos: talvez seja só uma bobagem minha, mas o nome de filhos de um deus da guerra me parece no mínimo curioso para dois jovens gênios, Castor e Pólux seriam uma escolha melhor a meu ver, um outro ponto interessante que me fez pensar foi a semelhança dos gêmeos com o Adric, afinal temos aqui gênios da matemática que são meio metidos e até um pouco irritantes (talvez a semelhança seja um dos motivos que me fazem não gostar dos personagens).

É incrível como o Sexto já começa maravilhoso, a cena dele debatendo com a Peri sobre a regeneração é impagável, ele está plenamente convencido do quão maravilhoso ficou e quando ele pega o espelho e descreve poeticamente a sua nova aparência simplismente não dá para conter o riso. Também é interessante constatar que desde o começo a relação dele com a Peri é bem conflituosa (uma coisa que eu adoro), com uma implicância mútua, como na cena da troca de roupas na qual ambos criticam a escolha do outro (o “eca!” quase me dá uma sensação de que ambos são irmãos) e até mesmo com um enfrentamento agressivo eventual, como no famoso quase enforcamento da Peri (mesmo no auge de sua loucura, penso que essa reação pode ter sido do inconsciente do Doutor, talvez culpando nesses primeiros momentos a Peri pela sua “morte”).

Existe ainda uma enorme semelhança com a regeneração do 11º para o 12º, com a Peri assumindo o lugar da Clara ao ver o seu possível interesse amoroso (Você era quase jovem. Eu realmente gostava de você! Você era doce!) transformado em outra pessoa, além do Doutor em ambas as ocasiões dar um jeito de acabar com essas ilusões bem rapidamente (Doce? Doce? Doce? Isso diz tudo!). O lado mais alien do Doutor que se manifesta tanto no Sexto como no 12º reforça essa semelhança, ambos perdem quase que por completo a habilidade no trato social e depois vão reaprendendo aos poucos como conviver com as pessoas (um exemplo disso acontece no episódio 3, de modo que o Doutor não consegue entender a preocupação que Peri tem por ele e o alívio da jovem pela sua sobrevivência, porém logo no episódio seguinte ele passa por uma experiência parecida e de certa forma compreende a compaixão citada pela Peri).

Outro traço simplesmente sublime do Sexto que já é mostrado logo na primeira parte é a sua proficiência teatral e sua oratória acentuada, o Doutor merecia um Oscar pela sua performance na descrição de Titan 3 (mais uma vez consegue-se criar um humor genial com as reações da Peri nessa cena). Outros destaques merecidos vão para a cena na qual ele sai com a Peri para explorar Titan 3 e recita o poema Excelsior de Longfellow e a cena da chegada ao planeta Jaconda. A semelhança com o 11º no quesito oratória é inevitável, sem dúvida uma habilidade herdada muito útil para os famosos discursos dessa futura encarnação.

Mesmo distante, ela ainda continua aqui, a cena do “Brave heart, Tegan” é emocionante, o misto de tristeza e desorientação no rosto do Doutor, acompanhado da música de fundo tornam esse momento do arco ainda mais marcante.

O esforço para criar o avesso da encarnação anterior é realmente algo que está muito presente nesse arco, entretanto algumas vezes são utilizadas características negativas de forma muito acentuada, o que acaba me irritando um pouco, como na cena dos dutos de ventilação, na qual o Doutor se dá conta do perigo do seu “simples reconhecimento” e acata a segestão inicial da Peri de fugir, mesmo depois da americana lembrá-lo sobre as crianças em perigo, pior ainda é a continuação da cena e o momento em que o Doutor se ajoelha e clama para que não atirem nele e covardemente coloca a culpa toda na pobre Peri.

Falando sobre os personagens secundários, sem dúvida aquele que mais chama atenção é o Tenente Lang, a dinâmica dele com o Doutor e Peri, o foco que ele tem em cumprir a sua missão e a personalidade de um militar que sabe que a violência é o único recurso em algumas situações fazem dele o candidato ideal para companion nesse novo momento. Apesar disso não ter acontecido, não podemos dizer que foi uma escolha ruim da produção, pois a aposta em companions únicos garantiu um desenvolvimento maior dos personagens (como no caso futuro da Ace) e impediu que uns ficassem apagados pelo roteiro em favor de outros (um problema que acometeu muito os companions na época da TARDIS superlotada do Quinto Doutor).

Um dos pontos mais baixos do roteiro é a figura de Mestor, uma lesma humanoide colossal com enormes habilidades psíquicas, capaz de ler pensamentos e matar uma pessoa quase que instantaneamente. O vilão, apesar de todos os seus poderes, não consegue convencer de maneira plena, por apresentar um plano na maior parte do tempo vago, complicado e que tinha muitas chances de falha, além, é claro, de apresentar uma fantasia ridícula (eu não creio que estamos na mesma temporada que apresentou aquele modelo maravilhoso de Silurians, o Malus e os Tractators. Mas pode ser que dinheiro estivesse acabando no fim da temporada, não é? Porque aquele monstro no fundo das cavernas de Androzani Minor, meu Deus…). É interessante constatar que no embate final que ele tem com o Doutor, o nosso Time Lord favorito proclama aquele famoso ultimato de pare com esse plano sem sentido ou enfrente as consequências, o que já demonstra para todos que o viajante do tempo ainda mantém as suas normas de conduta e que ainda é o mesmo Doutor de sempre.

Por outro lado, um dos pontos altos (pelo menos a meu ver) é a introdução e ao mesmo tempo o adeus de um personagem do passado do Doutor, Azmael (ou Professor Edgeworth como ele se identificou para os gêmeos). A figura de um líder tão responsável ao ponto de se fazer qualquer coisa pelo seu povo faz um belo contraponto à figura tradicional dos Time Lords (é interessante constatar que a maior parte dos mentores do Doutor podem ser considerados “bons”, como o próprio Azmael e o K’ampo, ao passo que a maioria de seus amigos ou conhedidos seguem o “lado negro da força”, como o Mestre, a Rani e o War Chief). A morte de um personagem tão promissor é triste e sua despedida é tocante, o momento em que ele cita o último encontro que teve com o Doutor (depois desse episódio eu fiquei um bom tempo imaginando o Quarto se embebedando junto de uma versão mais jovem daquele velhinho) e o rosto que o Sexto faz tornam essa cena ainda mais triste.

Muito da má fama do arco reside na enorme comparação que ele recebe por seceder imediatamente The Caves of Androzani, entretanto fazer tais comparações não é nada adequado nem apropriado, por si só episódios de introdução tendem a ser menos impactantes que os de despedida. Comparar um sequestro de duas crianças a uma guerra de proporções planetárias é impraticável e comparar a dupla Sharaz Jek e Morgus, dois dos melhores vilões da história, com uma lesma gigante é quase um ultrage. Por outro lado The Twin Dilemma não é nem de longe o pior episódio da história de Doctor Who (eu poderia citar diversos outros que fariam esse parecer um dos melhores, vocês vão ver quando chegarmos em Timelash e principalmente em Delta and the Bannerman), conseguindo fechar de modo muito decente essa maravilhosa temporada.

Responder
Denilson Amaral 8 de março de 2017 - 07:44

Uma das principais razões para The Twin Dilemma ser um arco reconhecido é a sua má fama, sendo considerada a pior história de Doctor Who até hoje. Entretanto, esse episódio muito injustiçado consegue entregar muito bem tudo aquilo que é proposto ao criar uma “versão oposta” de Castrovalva, por meio de uma aventura dinâmica no qual o Doutor é posicionado de forma extremamente ativa e consegue mostrar a que veio logo em seus primeiros momentos.

O arco já começa com a introdução de um dos principais elementos da história, os gêmeos. Os irmãos Rômulo e Remo (Remo, se eu fosse você eu tomaria cuidado com o seu irmão, já ouviu falar do que aconteceu com o seu chará?) logo iniciam um diálogo praticamente inútil com o pai sobre a mãe deles (eles são bipolares ou o quê? No início, há um interesse enorme nela e em seguida eles a chamam de tola e dizem que não a respeitam) e depois é revelado que os jovens tem enormes habilidades matemáticas que poderiam mudar o mundo.

Só eu que achei essa parte estranha? Eles fazem menções a brincar com equações e o pai fica muito assustado. Além disso, como pessoas tão importantes ficariam num lugar tão desprotegido ao ponto de serem sequestrados na primeira tentativa? Duas últimas considerações sobre os gêmeos: talvez seja só uma bobagem minha, mas o nome de filhos de um deus da guerra me parece no mínimo curioso para dois jovens gênios, Castor e Pólux seriam uma escolha melhor a meu ver, um outro ponto interessante que me fez pensar foi a semelhança dos gêmeos com o Adric, afinal temos aqui gênios da matemática que são meio metidos e até um pouco irritantes (talvez a semelhança seja um dos motivos que me fazem não gostar dos personagens).

É incrível como o Sexto já começa maravilhoso, a cena dele debatendo com a Peri sobre a regeneração é impagável, ele está plenamente convencido do quão maravilhoso ficou e quando ele pega o espelho e descreve poeticamente a sua nova aparência simplismente não dá para conter o riso. Também é interessante constatar que desde o começo a relação dele com a Peri é bem conflituosa (uma coisa que eu adoro), com uma implicância mútua, como na cena da troca de roupas na qual ambos criticam a escolha do outro (o “eca!” quase me dá uma sensação de que ambos são irmãos) e até mesmo com um enfrentamento agressivo eventual, como no famoso quase enforcamento da Peri (mesmo no auge de sua loucura, penso que essa reação pode ter sido do inconsciente do Doutor, talvez culpando nesses primeiros momentos a Peri pela sua “morte”).

Existe ainda uma enorme semelhança com a regeneração do 11º para o 12º, com a Peri assumindo o lugar da Clara ao ver o seu possível interesse amoroso (Você era quase jovem. Eu realmente gostava de você! Você era doce!) transformado em outra pessoa, além do Doutor em ambas as ocasiões dar um jeito de acabar com essas ilusões bem rapidamente (Doce? Doce? Doce? Isso diz tudo!). O lado mais alien do Doutor que se manifesta tanto no Sexto como no 12º reforça essa semelhança, ambos perdem quase que por completo a habilidade no trato social e depois vão reaprendendo aos poucos como conviver com as pessoas (um exemplo disso acontece no episódio 3, de modo que o Doutor não consegue entender a preocupação que Peri tem por ele e o alívio da jovem pela sua sobrevivência, porém logo no episódio seguinte ele passa por uma experiência parecida e de certa forma compreende a compaixão citada pela Peri).

Outro traço simplesmente sublime do Sexto que já é mostrado logo na primeira parte é a sua proficiência teatral e sua oratória acentuada, o Doutor merecia um Oscar pela sua performance na descrição de Titan 3 (mais uma vez consegue-se criar um humor genial com as reações da Peri nessa cena). Outros destaques merecidos vão para a cena na qual ele sai com a Peri para explorar Titan 3 e recita o poema Excelsior de Longfellow e a cena da chegada ao planeta Jaconda. A semelhança com o 11º no quesito oratória é inevitável, sem dúvida uma habilidade herdada muito útil para os famosos discursos dessa futura encarnação.

Mesmo distante, ela ainda continua aqui, a cena do “Brave heart, Tegan” é emocionante, o misto de tristeza e desorientação no rosto do Doutor, acompanhado da música de fundo tornam esse momento do arco ainda mais marcante.

O esforço para criar o avesso da encarnação anterior é realmente algo que está muito presente nesse arco, entretanto algumas vezes são utilizadas características negativas de forma muito acentuada, o que acaba me irritando um pouco, como na cena dos dutos de ventilação, na qual o Doutor se dá conta do perigo do seu “simples reconhecimento” e acata a segestão inicial da Peri de fugir, mesmo depois da americana lembrá-lo sobre as crianças em perigo, pior ainda é a continuação da cena e o momento em que o Doutor se ajoelha e clama para que não atirem nele e covardemente coloca a culpa toda na pobre Peri.

Falando sobre os personagens secundários, sem dúvida aquele que mais chama atenção é o Tenente Lang, a dinâmica dele com o Doutor e Peri, o foco que ele tem em cumprir a sua missão e a personalidade de um militar que sabe que a violência é o único recurso em algumas situações fazem dele o candidato ideal para companion nesse novo momento. Apesar disso não ter acontecido, não podemos dizer que foi uma escolha ruim da produção, pois a aposta em companions únicos garantiu um desenvolvimento maior dos personagens (como no caso futuro da Ace) e impediu que uns ficassem apagados pelo roteiro em favor de outros (um problema que acometeu muito os companions na época da TARDIS superlotada do Quinto Doutor).

Um dos pontos mais baixos do roteiro é a figura de Mestor, uma lesma humanoide colossal com enormes habilidades psíquicas, capaz de ler pensamentos e matar uma pessoa quase que instantaneamente. O vilão, apesar de todos os seus poderes, não consegue convencer de maneira plena, por apresentar um plano na maior parte do tempo vago, complicado e que tinha muitas chances de falha, além, é claro, de apresentar uma fantasia ridícula (eu não creio que estamos na mesma temporada que apresentou aquele modelo maravilhoso de Silurians, o Malus e os Tractators. Mas pode ser que dinheiro estivesse acabando no fim da temporada, não é? Porque aquele monstro no fundo das cavernas de Androzani Minor, meu Deus…). É interessante constatar que no embate final que ele tem com o Doutor, o nosso Time Lord favorito proclama aquele famoso ultimato de pare com esse plano sem sentido ou enfrente as consequências, o que já demonstra para todos que o viajante do tempo ainda mantém as suas normas de conduta e que ainda é o mesmo Doutor de sempre.

Por outro lado, um dos pontos altos (pelo menos a meu ver) é a introdução e ao mesmo tempo o adeus de um personagem do passado do Doutor, Azmael (ou Professor Edgeworth como ele se identificou para os gêmeos). A figura de um líder tão responsável ao ponto de se fazer qualquer coisa pelo seu povo faz um belo contraponto à figura tradicional dos Time Lords (é interessante constatar que a maior parte dos mentores do Doutor podem ser considerados “bons”, como o próprio Azmael e o K’ampo, ao passo que a maioria de seus amigos ou conhedidos seguem o “lado negro da força”, como o Mestre, a Rani e o War Chief). A morte de um personagem tão promissor é triste e sua despedida é tocante, o momento em que ele cita o último encontro que teve com o Doutor (depois desse episódio eu fiquei um bom tempo imaginando o Quarto se embebedando junto de uma versão mais jovem daquele velhinho) e o rosto que o Sexto faz tornam essa cena ainda mais triste.

Muito da má fama do arco reside na enorme comparação que ele recebe por seceder imediatamente The Caves of Androzani, entretanto fazer tais comparações não é nada adequado nem apropriado, por si só episódios de introdução tendem a ser menos impactantes que os de despedida. Comparar um sequestro de duas crianças a uma guerra de proporções planetárias é impraticável e comparar a dupla Sharaz Jek e Morgus, dois dos melhores vilões da história, com uma lesma gigante é quase um ultrage. Por outro lado The Twin Dilemma não é nem de longe o pior episódio da história de Doctor Who (eu poderia citar diversos outros que fariam esse parecer um dos melhores, vocês vão ver quando chegarmos em Timelash e principalmente em Delta and the Bannerman), conseguindo fechar de modo muito decente essa maravilhosa temporada.

Responder
Luiz Santiago 8 de março de 2017 - 16:22

Pois é, como eu comentei com o @disqus_wPGYD1xKX4:disqus abaixo, aquela votação da DWM (que eu já tinha descido o cacete na crítica de The Caves, como vc viu, hehehehe) pode ser um problema, para o bem e para o mal. Eu considero-a parcialmente interessante, mas os extremos dela são bem piadas para mim (sei que vc vai discordar do 1º lugar), pois acho que existem MUITA coisa pior que Twin Dilemma, especialmente nas eras do 1º e 2º Doutores. Acho que não consigo pensar em nada pior que The Web Planet, aquilo é tenebroso! Mas é uma votação popular e é uma lista… a gente sabe que listas sempre são polêmicas…

Então, a gente já tinha encontrado esse ponto que temos em comum: gostar de Doutores rudes. Eu acho que o personagem combina demais (com atores certos, como tivemos a sorte de ter em DW) com esse tipo de postura. Uma pena que isso tenha vindo logo em seguida a “Caves”, que é uma bita história sensacional e uma história de despedida. O tempo de luto ainda nem tinha acabado e a produção no enfia, uma semana depois, esse Doutor totalmente diferente da encarnação anterior.

Pois é, esse lado de relações conflituosas entre encarnações eu também fi questão de colocar na crítica, porque foi muito forte para mim também. Chegamos no mesmo ponto, aqui. E também acho que a trama foi prejudicada por problemas de orçamento, já que filmar “The Caves” foi bastante caro…

Você achou Timelash ruim? Uh, então teremos muita coisa para conversar quando chegar a hora… Eu achei Timelash bom demais!

Responder
Luiz Santiago 8 de março de 2017 - 16:22

Pois é, como eu comentei com o @disqus_wPGYD1xKX4:disqus abaixo, aquela votação da DWM (que eu já tinha descido o cacete na crítica de The Caves, como vc viu, hehehehe) pode ser um problema, para o bem e para o mal. Eu considero-a parcialmente interessante, mas os extremos dela são bem piadas para mim (sei que vc vai discordar do 1º lugar), pois acho que existem MUITA coisa pior que Twin Dilemma, especialmente nas eras do 1º e 2º Doutores. Acho que não consigo pensar em nada pior que The Web Planet, aquilo é tenebroso! Mas é uma votação popular e é uma lista… a gente sabe que listas sempre são polêmicas…

Então, a gente já tinha encontrado esse ponto que temos em comum: gostar de Doutores rudes. Eu acho que o personagem combina demais (com atores certos, como tivemos a sorte de ter em DW) com esse tipo de postura. Uma pena que isso tenha vindo logo em seguida a “Caves”, que é uma bita história sensacional e uma história de despedida. O tempo de luto ainda nem tinha acabado e a produção no enfia, uma semana depois, esse Doutor totalmente diferente da encarnação anterior.

Pois é, esse lado de relações conflituosas entre encarnações eu também fi questão de colocar na crítica, porque foi muito forte para mim também. Chegamos no mesmo ponto, aqui. E também acho que a trama foi prejudicada por problemas de orçamento, já que filmar “The Caves” foi bastante caro…

Você achou Timelash ruim? Uh, então teremos muita coisa para conversar quando chegar a hora… Eu achei Timelash bom demais!

Responder
Denilson Amaral 8 de março de 2017 - 19:10

Eu odeio Timelash, na verdade considero toda a temporada seguinte bem fraca (estranho, isso acontece sucessivamente nas primeiras temporadas do Quinto, do Sexto e do Sétimo). Tirando Attack of the Cybermen e Vengeance on Varos, todos os outros são bem ruinzinhos.

Realmente é um exagero, tanto na votação em comemoração ao ducentésimo episódio, como na votação pelo aniversário de 50 anos, The Twin Dilemma permaneceu em último. Pelo menos eu concordo com a posição de Timelash, lá embaixo, hahaha. Outra pérola dessas pesquisas (na minha opinião, é claro) é a colocação de Time and the Rani como a pior história do Sétimo. Puxa vida, o povo odeia tanto o sexto que só por ele aparecer durante 30 segundos em tela (aliás, nem era o Colin Baker) colocam essa lá no fundo da lista, ainda tinha tanta coisa pior…

Responder
Luiz Santiago 8 de março de 2017 - 19:32

HAHAHA deve ser o trauma, viu @denilsonsamaral:disqus. Mas tem espectador que é bastante passional mesmo, por isso que eu sempre relevo votações populares, porque quando uma parde do fandom coloca uma coisa na cabeça, já era…

Vamos ver na crítica de Timelash. Já vejo que nossas opiniões são bem diferentes. Vamos ver se você conseguirá olhar para o arco de forma diferente depois que ler minhas colocações e se eu verei o arco de uma forma diferente depois de ler o que você apontar. Vai ser divertido…

Responder
Denilson Amaral 8 de março de 2017 - 19:10

Eu odeio Timelash, na verdade considero toda a temporada seguinte bem fraca (estranho, isso acontece sucessivamente nas primeiras temporadas do Quinto, do Sexto e do Sétimo). Tirando Attack of the Cybermen e Vengeance on Varos, todos os outros são bem ruinzinhos.

Realmente é um exagero, tanto na votação em comemoração ao ducentésimo episódio, como na votação pelo aniversário de 50 anos, The Twin Dilemma permaneceu em último. Pelo menos eu concordo com a posição de Timelash, lá embaixo, hahaha. Outra pérola dessas pesquisas (na minha opinião, é claro) é a colocação de Time and the Rani como a pior história do Sétimo. Puxa vida, o povo odeia tanto o sexto que só por ele aparecer durante 30 segundos em tela (aliás, nem era o Colin Baker) colocam essa lá no fundo da lista, ainda tinha tanta coisa pior…

Responder
André Moura 9 de março de 2017 - 10:52

EU TAMBÉM ADORO TIMELASH.

Responder
André Moura 9 de março de 2017 - 10:52

EU TAMBÉM ADORO TIMELASH.

Responder
Rafael Lima 9 de março de 2017 - 13:37

Cara, concordo com praticamente tudo o que você disse. De fato a introdução do décimo segundo doutor em “Deep Breath” e toda a sua relação inicial com Clara devem muito a “The Twin Dilemma”, embora o Moffat tenha jogado muito melhor com esses elementos do que o Turner.

E muito bem observado o que você apontou sobre o Doutor algumas vezes perder habilidades sociais e ter que reaprende-las de regeneração pra regeneração, o que era uma constante na série. O Terceiro Doutor morre valorizando o conceito de lar, o que é imediatamente descartado pelo Quarto. O Quinto morre em um ato de compaixão altruista, e o Sexto parece ter dificuldade em entender o conceito. Na nova série isso ocorreria também. O Décimo Doutor tinha o bordão do consolo/ameaça (im sorry. I’m so sorry). Já o Décimo segundo precisa dos cartões de Clara pra conseguir consolar alguém (Como eu amo aqueles cartões).

Ah, e o uso de Azmael é bem interessante mesmo. É através dele que vemos que ainda exisye sensibilidade no Doutor.

Ah, também não sou fã de “Timelash”. Hehehe

Responder
Rafael Lima 9 de março de 2017 - 13:37

Cara, concordo com praticamente tudo o que você disse. De fato a introdução do décimo segundo doutor em “Deep Breath” e toda a sua relação inicial com Clara devem muito a “The Twin Dilemma”, embora o Moffat tenha jogado muito melhor com esses elementos do que o Turner.

E muito bem observado o que você apontou sobre o Doutor algumas vezes perder habilidades sociais e ter que reaprende-las de regeneração pra regeneração, o que era uma constante na série. O Terceiro Doutor morre valorizando o conceito de lar, o que é imediatamente descartado pelo Quarto. O Quinto morre em um ato de compaixão altruista, e o Sexto parece ter dificuldade em entender o conceito. Na nova série isso ocorreria também. O Décimo Doutor tinha o bordão do consolo/ameaça (im sorry. I’m so sorry). Já o Décimo segundo precisa dos cartões de Clara pra conseguir consolar alguém (Como eu amo aqueles cartões).

Ah, e o uso de Azmael é bem interessante mesmo. É através dele que vemos que ainda exisye sensibilidade no Doutor.

Ah, também não sou fã de “Timelash”. Hehehe

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Rafael Lima 8 de março de 2017 - 00:13

Houve uma grande ironia na votação feita na revista DW Magazine, que considerava as histórias da série feitas entre “An Unearthly Child” e “The Name Of The Doctor” que deu a “The Caves of Androzani” o título de melhor história dos cinquenta anos da série. Pois enquanto a aventura derradeira do Quinto Doutor ficou no topo da lista, a aventura de estréia do Sexto Doutor foi eleita a pior história dos cinquenta anos da série.

Então, assim como apesar de gostar muito de “The Caves Of Androzani” acho que tem histórias bem melhores que ela feitas antes e depois, também não acho que “The Twin Dilemma ” mereça todas as pedras que recebeu, pois existem historias bem mais fracas nos cinquenta anos da série. Entretanto, algumas dessas pedras foram bem merecidas.

Acho que os erros começam no posicionamento do arco como Season Finale da temporada, erro que o ex protagonista Peter Davison tentou prevenir. O posicionamento das histórias de regeneração acontecia acertadamente em seasons finale, desde a era do Segundo Doutor. Já a Nova Série após seguir o exemplo da Clássica com a cena de regeneração do Nono Doutor na Season Finale, estabeleceu que as histórias de regeneração deveriam ocorrer em especiais, mas por razões semelhantes

Há um motivo estratégico pra história de regeneração acontecer em momentos que permitiriam um respiro ao público. Pois a aventura de estréia de um novo Doutor, acaba sendo também uma história de “ultimas homenagens” ao Doutor anterior. As “primeiras aventuras” estabelecem as fortes diferenças do Novo Doutor em relação a sua regeneração anterior, mas também uma ultima homenagem a “Encarnação aposentada”. Pois o público geralmente ainda está de luto pela encarnação que se foi. Por isso, o espaçamento entre a ultima aventura de um Doutor e a primeira de um novo é importante, assim como este respeito ao antecessor.

Eis então, que em sua primeira história ocorrida logo após “Caves Of Androzani”, temos o Sexto Doutor se mostrando extremamente desdenhoso em relação ao seu antecessor (que morreu de forma heroica), fazendo pouco do luto de Peri, e encerrando com a frase “Eu sou o Doutor, quer você goste ou não”. Isso, é claro, não está sendo dito só para Peri, mas para nós também. E decididamente não era o momento pra isso.

O plot em si é interessante, e tem algumas ideias bem divertidas. Os gêmeos quase robóticos chegam a ser comicamente assustadores “devemos amar ela só por que é nossa mãe?” hehehe. Já o plot envolvendo Azmael não chega a ser um acerto completo, mas tem seus méritos. Pode até se montar um paralelo entre Azmael e o Doutor, afinal Jaconda se tornou o lar adotivo de Azmael, da mesma forma que a Terra se tornou a segunda casa do nosso Time Lord favorito. Azmael inclusive é o canal pela qual vemos um pouco de humanidade no Sexto Doutor, tão frio no resto do arco.

Mas no meio disso tudo temos Colin Baker. Concordo com tudo com o que disse sobre a “grosseria Time Lord” e de fato, o comportamento de Baker aqui lembra muito o do Primeiro Doutor em “The Unearthly Child”, pra ver que Nathan Turner não estava reinventando nenhuma roda, só usando uma bastante antiga. De fato, a jornada de humanização destas duas encarnações são bem semelhantes. A diferença é que o Sexto é mais abertamente arrogante e passional.

E Baker manda muito bem em viver esse Doutor intenso pra caramba. Por mais que o roteiro tente fazer deste Doutor o mais desagradável possível, Baker consegue transmitir carisma e sabedoria, mesmo que este seja um Doutor com a mente em chamas.

Falemos por exemplo de uma das mais polêmicas cenas da série (talvez a mais) que é a tentativa de estrangulamento de Peri. Perceba como mesmo com toda a sua arrogância, o Doutor de uma forma muito sutil, demonstra vergonha ao perceber o que fez, e existe um certo sofrimento quando ele pergunta “Você está com medo de mim, não está”? Essas sutilezas mostram o quão acertada foi a escolha de Colin Baker para o papel.

Falando da cena do estrangulamento em si, eu entendo por que ela causa desconforto, e com certeza é um dos motivos da “lanterninha” que o arco levou. O Companion é um representante do publico, os jovens se viam como companion do Doutor. Então, em um único episódio, o Doutor não só faz pouco do luto da companion (publico) como tenta mata-la.

Apesar de tudo, eu acho a cena interessante. É chocante, chega a ser desagradável, mas não existe maneira melhor de mostrar que o Doutor esta totalmente fora de controle, sofrendo a crise de regeneração da vida do que mostra-lo atacando uma companion.

Isso não deixa de ser um começo com o pé esquerdo para a turbulenta relação entre Peri e o Doutor. A cena abriu precedente pra alegações de que a relação de Peri e do Doutor seria uma relação abusiva, Besteira na minha opinião, embora eu tenha problemas sobre como a relação dos dois seria desenvolvida na temporada seguinte, e de como a própria Peri seria tratada..

Apesar do começo turbulento, entretanto, Colin Baker e Nicola Bryant já mostrariam a grande química de cena entre eles. E Peri mostrar surge como uma personagem bem mais resistente e ativa, mostrando que saiu fortalecida das traumáticas experiências em Androzani.

No geral “The Twin Dilemma” falha no que mais lhe interessa, que é fazer a transição entre as eras, e entrega um plot que tem seu potencial bem subaproveitado. Não chega a ser a pior história de “Doctor Who”, mas como eu disse, merece algumas pedras.

Quanto a pergunta que fecha a resenha, creio que sim. Por mais que a Série Clássica ainda apresentaria muita coisa boa, “The Twin Dilemma” marcou o começo do fim da Série Clássica, mas Baker não tem culpa nenhuma, e de fato nem o próprio Nathan Turner pode ser completamente culpado, mas isso é outra história.

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Rafael Lima 8 de março de 2017 - 00:13

Houve uma grande ironia na votação feita na revista DW Magazine, que considerava as histórias da série feitas entre “An Unearthly Child” e “The Name Of The Doctor” que deu a “The Caves of Androzani” o título de melhor história dos cinquenta anos da série. Pois enquanto a aventura derradeira do Quinto Doutor ficou no topo da lista, a aventura de estréia do Sexto Doutor foi eleita a pior história dos cinquenta anos da série.

Então, assim como apesar de gostar muito de “The Caves Of Androzani” acho que tem histórias bem melhores que ela feitas antes e depois, também não acho que “The Twin Dilemma ” mereça todas as pedras que recebeu, pois existem historias bem mais fracas nos cinquenta anos da série. Entretanto, algumas dessas pedras foram bem merecidas.

Acho que os erros começam no posicionamento do arco como Season Finale da temporada, erro que o ex protagonista Peter Davison tentou prevenir. O posicionamento das histórias de regeneração acontecia acertadamente em seasons finale, desde a era do Segundo Doutor. Já a Nova Série após seguir o exemplo da Clássica com a cena de regeneração do Nono Doutor na Season Finale, estabeleceu que as histórias de regeneração deveriam ocorrer em especiais, mas por razões semelhantes

Há um motivo estratégico pra história de regeneração acontecer em momentos que permitiriam um respiro ao público. Pois a aventura de estréia de um novo Doutor, acaba sendo também uma história de “ultimas homenagens” ao Doutor anterior. As “primeiras aventuras” estabelecem as fortes diferenças do Novo Doutor em relação a sua regeneração anterior, mas também uma ultima homenagem a “Encarnação aposentada”. Pois o público geralmente ainda está de luto pela encarnação que se foi. Por isso, o espaçamento entre a ultima aventura de um Doutor e a primeira de um novo é importante, assim como este respeito ao antecessor.

Eis então, que em sua primeira história ocorrida logo após “Caves Of Androzani”, temos o Sexto Doutor se mostrando extremamente desdenhoso em relação ao seu antecessor (que morreu de forma heroica), fazendo pouco do luto de Peri, e encerrando com a frase “Eu sou o Doutor, quer você goste ou não”. Isso, é claro, não está sendo dito só para Peri, mas para nós também. E decididamente não era o momento pra isso.

O plot em si é interessante, e tem algumas ideias bem divertidas. Os gêmeos quase robóticos chegam a ser comicamente assustadores “devemos amar ela só por que é nossa mãe?” hehehe. Já o plot envolvendo Azmael não chega a ser um acerto completo, mas tem seus méritos. Pode até se montar um paralelo entre Azmael e o Doutor, afinal Jaconda se tornou o lar adotivo de Azmael, da mesma forma que a Terra se tornou a segunda casa do nosso Time Lord favorito. Azmael inclusive é o canal pela qual vemos um pouco de humanidade no Sexto Doutor, tão frio no resto do arco.

Mas no meio disso tudo temos Colin Baker. Concordo com tudo com o que disse sobre a “grosseria Time Lord” e de fato, o comportamento de Baker aqui lembra muito o do Primeiro Doutor em “The Unearthly Child”, pra ver que Nathan Turner não estava reinventando nenhuma roda, só usando uma bastante antiga. De fato, a jornada de humanização destas duas encarnações são bem semelhantes. A diferença é que o Sexto é mais abertamente arrogante e passional.

E Baker manda muito bem em viver esse Doutor intenso pra caramba. Por mais que o roteiro tente fazer deste Doutor o mais desagradável possível, Baker consegue transmitir carisma e sabedoria, mesmo que este seja um Doutor com a mente em chamas.

Falemos por exemplo de uma das mais polêmicas cenas da série (talvez a mais) que é a tentativa de estrangulamento de Peri. Perceba como mesmo com toda a sua arrogância, o Doutor de uma forma muito sutil, demonstra vergonha ao perceber o que fez, e existe um certo sofrimento quando ele pergunta “Você está com medo de mim, não está”? Essas sutilezas mostram o quão acertada foi a escolha de Colin Baker para o papel.

Falando da cena do estrangulamento em si, eu entendo por que ela causa desconforto, e com certeza é um dos motivos da “lanterninha” que o arco levou. O Companion é um representante do publico, os jovens se viam como companion do Doutor. Então, em um único episódio, o Doutor não só faz pouco do luto da companion (publico) como tenta mata-la.

Apesar de tudo, eu acho a cena interessante. É chocante, chega a ser desagradável, mas não existe maneira melhor de mostrar que o Doutor esta totalmente fora de controle, sofrendo a crise de regeneração da vida do que mostra-lo atacando uma companion.

Isso não deixa de ser um começo com o pé esquerdo para a turbulenta relação entre Peri e o Doutor. A cena abriu precedente pra alegações de que a relação de Peri e do Doutor seria uma relação abusiva, Besteira na minha opinião, embora eu tenha problemas sobre como a relação dos dois seria desenvolvida na temporada seguinte, e de como a própria Peri seria tratada..

Apesar do começo turbulento, entretanto, Colin Baker e Nicola Bryant já mostrariam a grande química de cena entre eles. E Peri mostrar surge como uma personagem bem mais resistente e ativa, mostrando que saiu fortalecida das traumáticas experiências em Androzani.

No geral “The Twin Dilemma” falha no que mais lhe interessa, que é fazer a transição entre as eras, e entrega um plot que tem seu potencial bem subaproveitado. Não chega a ser a pior história de “Doctor Who”, mas como eu disse, merece algumas pedras.

Quanto a pergunta que fecha a resenha, creio que sim. Por mais que a Série Clássica ainda apresentaria muita coisa boa, “The Twin Dilemma” marcou o começo do fim da Série Clássica, mas Baker não tem culpa nenhuma, e de fato nem o próprio Nathan Turner pode ser completamente culpado, mas isso é outra história.

Responder
Luiz Santiago 8 de março de 2017 - 16:06

Uma grande ironia e uma grande injustiça. Não há absolutamente nada que torne esse arco A PIOR história de Doctor Who na Era Clássica, que deveria ser, a meu ver, The Web Planet, que é uma porcaria mesmo. Mas como é votação popular, a gente entende. Tanto para a parte positiva, quanto para a negativa…

Pois é, o pavãozinho do JNT e sua teimosia + tendência a péssimas decisões administrativas levou o arco a um patamar meio… esnobe. Veja, eu ADORO o Doutor falando aquilo e o fato dessa fala ser para Peri e para o púbico, me faz gostar mais ainda dele. Como eu coloco na crítica, o Doutor se comportando como um alien, mesmo que ele já tenha “passado da fase bad Time Lord” é a melhor coisa que poderia ser feita. Mas é isso: o momento não era aquele. A escolha de fazer a primeira história ainda no final da 21ª Temporada foi a pior coisa que o pavãozinho poderia ter feito. Ele ferrou com o Colin Baker logo de saída…

Você colocou muito bem: vergonha. Foi exatamente o sentimento que me passou a interpretação do Baker ao perceber que tinha tentado estrangular Peri. Mas novamente: apesar de desagradável, ser perfeitamente para mostrar até que ponto esse caos pós-regeneração pode chegar. Concordo plenamente com você.

E por fim, JNT. Eu tenho uma relação de amor e ódio com esse homem, e acho que o núcleo da culpa é dele sim, como produtor. Mas não acho que ele é o principal culpado não, porque não foi ele quem quis cancelar a série, então…. hehehehehe

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Luiz Santiago 8 de março de 2017 - 16:06

Uma grande ironia e uma grande injustiça. Não há absolutamente nada que torne esse arco A PIOR história de Doctor Who na Era Clássica, que deveria ser, a meu ver, The Web Planet, que é uma porcaria mesmo. Mas como é votação popular, a gente entende. Tanto para a parte positiva, quanto para a negativa…

Pois é, o pavãozinho do JNT e sua teimosia + tendência a péssimas decisões administrativas levou o arco a um patamar meio… esnobe. Veja, eu ADORO o Doutor falando aquilo e o fato dessa fala ser para Peri e para o púbico, me faz gostar mais ainda dele. Como eu coloco na crítica, o Doutor se comportando como um alien, mesmo que ele já tenha “passado da fase bad Time Lord” é a melhor coisa que poderia ser feita. Mas é isso: o momento não era aquele. A escolha de fazer a primeira história ainda no final da 21ª Temporada foi a pior coisa que o pavãozinho poderia ter feito. Ele ferrou com o Colin Baker logo de saída…

Você colocou muito bem: vergonha. Foi exatamente o sentimento que me passou a interpretação do Baker ao perceber que tinha tentado estrangular Peri. Mas novamente: apesar de desagradável, ser perfeitamente para mostrar até que ponto esse caos pós-regeneração pode chegar. Concordo plenamente com você.

E por fim, JNT. Eu tenho uma relação de amor e ódio com esse homem, e acho que o núcleo da culpa é dele sim, como produtor. Mas não acho que ele é o principal culpado não, porque não foi ele quem quis cancelar a série, então…. hehehehehe

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Rafael Lima 9 de março de 2017 - 03:25

Pois é. “Web Planet” seria uma indicação mais justa mesmo. Ou mesmo “The Space Pirates” do 2º Doutor, ou “Time Flight” do 5º Doutor.

Mas como eu disse antes, apesar de não concordar, entendo o que fez “The Twin Dilemma” ganhar a lanterninha. A polêmica envolvendo a cena do estrangulamento, o “tapa na cara” dos fãs do Quinto Doutor, com todo o drama de “The Caves Of Androzani” ainda tão fresco, sendo desconsiderado. Enfim, dá pra sacar os motivos passionais (não menos válidos) dos detratores do arco.

Quanto ao JNT, sinto o mesmo que você, amor e ódio por essa criatura. com certeza, como Showrunner, ele era o líder do barco, e como dizem, primeiro passo da liderança, tudo é culpa sua. Hehehe.

E de fato, ele fez bastante besteira. Turner até tinha idéias muito boas, mas muitas vezes falhava feio na execução. Embora hoje não dê pra imaginar o Sexto Doutor sem o seu casaco de retalho multicolorido, foi uma bola fora bem grande na época, e a ideia inicial de Colin Baker de vestir o Sexto Doutor todo em veludo negro, para criar mais um contraste com o Quinto Doutor, que usava roupas brancas ou cor creme parecia bem mais promissora ao meu ver.

Fora que as vezes as idéias de Turner pareciam não conversar muito entre si. Ao mesmo tempo em que ele apresentava histórias cada vez mais distópicas (diria que Turner tinha o mesmo gosto para distopia, que Hinchcliffe tinha pelo gótico) incluia elementos que destoavam, como os infames pontos de interrogação na gola dos Doutores (algo que me incomodou muito no início, mas que depois até esquecia que estava lá).

Por outro lado, o produtor parecia ter uma visão “de extremos” para as encarnações que ajudou a criar que achei bem interessante. Vide o Quinto Doutor, com suas características mais humanas e busca sincera pela modéstia versus o Sexto Doutor, com suas características mais aliens e arrogância acentuada de forma diametralmente oposta a de seu antecessor. Fora que acho que Turner criou uma jornada dramática exemplar para o Quinto Doutor, que tornaram o surgimento do Sexto Doutor um movimento incrivelmente coerente e lógico.

Ainda vamos falar muito das burradas que Turner cometeu em seus últimos anos como Showrunner. Mas verdade seja dita, se não fossem pelos esforços do cara, a Série Clássica teria morrido bem mais cedo. Ok, muito dessa vulnerabilidade era culpa dele. Mas o cara comeu o pão que o diabo amassou dentro da BBC protegendo a série do Michael Grade, vice diretor de programação que fez do cancelamento da Série uma questão pessoal. Mesmo não tendo nenhum mérito criativo pelos anos do Sétimo Doutor (Reza a lenda que o próprio admitia isso) os anos finais da Clássica não teriam acontecido se não fosse por ele. E por isso, não posso deixar de ser grato ao pavãozinho, como você o apelidou carinhosamente. Hehehe

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Rafael Lima 9 de março de 2017 - 03:25

Pois é. “Web Planet” seria uma indicação mais justa mesmo. Ou mesmo “The Space Pirates” do 2º Doutor, ou “Time Flight” do 5º Doutor.

Mas como eu disse antes, apesar de não concordar, entendo o que fez “The Twin Dilemma” ganhar a lanterninha. A polêmica envolvendo a cena do estrangulamento, o “tapa na cara” dos fãs do Quinto Doutor, com todo o drama de “The Caves Of Androzani” ainda tão fresco, sendo desconsiderado. Enfim, dá pra sacar os motivos passionais (não menos válidos) dos detratores do arco.

Quanto ao JNT, sinto o mesmo que você, amor e ódio por essa criatura. com certeza, como Showrunner, ele era o líder do barco, e como dizem, primeiro passo da liderança, tudo é culpa sua. Hehehe.

E de fato, ele fez bastante besteira. Turner até tinha idéias muito boas, mas muitas vezes falhava feio na execução. Embora hoje não dê pra imaginar o Sexto Doutor sem o seu casaco de retalho multicolorido, foi uma bola fora bem grande na época, e a ideia inicial de Colin Baker de vestir o Sexto Doutor todo em veludo negro, para criar mais um contraste com o Quinto Doutor, que usava roupas brancas ou cor creme parecia bem mais promissora ao meu ver.

Fora que as vezes as idéias de Turner pareciam não conversar muito entre si. Ao mesmo tempo em que ele apresentava histórias cada vez mais distópicas (diria que Turner tinha o mesmo gosto para distopia, que Hinchcliffe tinha pelo gótico) incluia elementos que destoavam, como os infames pontos de interrogação na gola dos Doutores (algo que me incomodou muito no início, mas que depois até esquecia que estava lá).

Por outro lado, o produtor parecia ter uma visão “de extremos” para as encarnações que ajudou a criar que achei bem interessante. Vide o Quinto Doutor, com suas características mais humanas e busca sincera pela modéstia versus o Sexto Doutor, com suas características mais aliens e arrogância acentuada de forma diametralmente oposta a de seu antecessor. Fora que acho que Turner criou uma jornada dramática exemplar para o Quinto Doutor, que tornaram o surgimento do Sexto Doutor um movimento incrivelmente coerente e lógico.

Ainda vamos falar muito das burradas que Turner cometeu em seus últimos anos como Showrunner. Mas verdade seja dita, se não fossem pelos esforços do cara, a Série Clássica teria morrido bem mais cedo. Ok, muito dessa vulnerabilidade era culpa dele. Mas o cara comeu o pão que o diabo amassou dentro da BBC protegendo a série do Michael Grade, vice diretor de programação que fez do cancelamento da Série uma questão pessoal. Mesmo não tendo nenhum mérito criativo pelos anos do Sétimo Doutor (Reza a lenda que o próprio admitia isso) os anos finais da Clássica não teriam acontecido se não fosse por ele. E por isso, não posso deixar de ser grato ao pavãozinho, como você o apelidou carinhosamente. Hehehe

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