Home TVEpisódio Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Two Doctors (Arco #140)

Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Two Doctors (Arco #140)

por Luiz Santiago
190 views (a partir de agosto de 2020)

THE-TWO-DOCTORS-PLANO-CRITICO-DOCTOR-WHO

estrelas 4,5

Equipe: 6º Doutor, Peri / 2º Doutor, Jamie
Espaço: Space Station Camera / Sevilha, Espanha
Tempo: c. 1985

Desde o sucesso de The Five Doctors, o produtor John Nathan-Turner imaginava fazer uma outra história multi-Doctor, e queria fazer isso com o 6º Doutor. Aliado a esse desejo, o produtor tinha a intenção de aproveitar o recente sucesso de Doctor Who nos Estados Unidos e ambientar alguma história da série na Terra do Tio Sam. A série não ia bem nos bastidores da BBC (a bomba explodiria no final desta 22ª Temporada), mas o showrunner estava disposto a tentar de tudo. As negociações para gravar nos EUA foram inicialmente bastante positivas. A história se passava em New Orleans e aparentemente o orçamento para a produção estava garantido, isso até o começo de 1984, quando os planos começaram a ruir. Por um breve momento, cogitou-se transferir as locações para Veneza, mas o custo ainda alto e a quantidade de turistas no local desencorajaram a tentativa. Então veio a ideia de filmar na Espanha, e a cidade de Sevilha foi escolhida como local para esta aventura com duas encarnações do Doutor.

Muita gente confunde a localização desse arco na linha do tempo do 2º Doutor e outro grupo de pessoas, talvez por não terem conferido as obras e só terem lido resumos ou apostarem à distância no que poderia ter acontecido, interpretam mal as duas referências do Universo Expandido que nos trazem até aqui. No bloco seguinte, darei as explicações necessárias para que vocês entendam a [quase] bagunça.
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Entendendo os Paradoxos

No final de The War Games, mais especificamente, no último episódio, existem três grandes brechas onde muita coisa pode ter acontecido fora da tela. São elipses de tempo dentro da narrativa e é a partir delas que os autores do Universo Expandido criaram a ideia de Temporada 6B, que são aventuras que o Doutor viveu entre a sua captura e o envio de Jamie e Zoe para as suas próprias timelines até a leitura final e execução de sua sentença, com um “extra” a mais, só para dar um gostinho do quão infames os Time Lords conseguem ser. Prestem atenção na ordem dos eventos.

SPOILERS!

1.

O 2º Doutor é julgado e condenado à morte por ter roubado uma TARDIS e por interferir constantemente em diversas ocasiões da história do Universo. Enquanto aguardava a execução, ele recebeu uma visita que lhe propôs um acordo: se concordasse ir a uma missão pela CIA (Celestial Intervention Agency) e impedisse os Jogadores de modificar a História da Terra, sua sentença seria trocada de morte para um período de exílio (notem que não há nenhuma menção à regeneração forçada. Esse é o “extra” infame que os TL adicionaram depois). O Doutor então aceita a missão e a cumpre. Depois de retornar a Gallifrey, ele já é incumbido de uma visita a um “velho amigo” chamado Dastari, que chefiava uma Estação Espacial onde “experimentos perigosos” estavam em andamento.

O Doutor tem o luxo de escolher o companheiro que quisesse para esta segunda viagem e claro, ele escolhe Jamie, que é trazido de volta e, a pedido do Doutor, apenas parte de sua memória (das primeiras viagens na TARDIS) é restaurada. Estes são os eventos do livro Jogo Mundial (2005), que se passa na lacuna citada na introdução acima.

1.5

Nesse processo de restauração de memória parcial de Jamie após os eventos de The War Games, algo que havia sido apagado de sua memória muito tempo atrás (e que apesar disso, deixara ecos em seu subconsciente), ainda no começo de suas viagens com o Doutor, foi reativado. Os Time Lords acharam que eram ideias fortes o bastante para prender o jovem a um momento X ao lado do Doutor e implantaram-nas como memória oficial do escocês, sem saber o impacto que isso teria.

2.

Há muito tempo atrás, logo depois de seu primeiro encontro com os Ice Warriors, o 2º Doutor, Jamie e Victoria chegaram a uma Estação Espacial chamada Habitat. Havia um buraco negro que não deveria existir no lugar e com muito esforço e ajuda de um policial gallifreyano da Chapter 9, seus efeitos são estabilizados. Esse policial dá uma missão para o Doutor, que é visitar um amigo chamado Dastari, que chefiava uma Estação Espacial onde “experimentos perigosos” estavam em andamento. Enquanto isso, Victoria foi deixada em uma biblioteca para estudar grafologia (algo que a companion já vinha pedindo para o Doutor).

Nesta ocasião, a TARDIS está sendo controlada remotamente e o Doutor tem dificuldades de materializá-la na Space Station Camera. Não demora muito para ele perceber duas coisas: há um ataque de Sontarans acontecendo ali e já existe uma TARDIS, também controlada remotamente, materializada no lugar. O Doutor nota que é a sua própria TARDIS, no seu futuro. Ele então resolve deixar os problemas para serem resolvidos por seu “outro eu” e volta para a Habitat, sabendo que o tal “policial” o havia enviado para uma armadilha. Ao final da aventura, Victoria se junta ao grupo e estes eventos são apagados da memória dos três por uma Time Lady recém-regenerada na frente de Jamie e do Doutor, mas o processo de limpar a memória do trio não é feito com perfeição. Algumas sombras se fixam no subconsciente dos viajantes e essas sombras serão utilizadas futuramente pelos Time Lords, quando retornariam parcialmente as memórias de Jamie. Estes são os eventos de The Black Hole (2015).

NOTA: eu procurei ser o mais didático e objetivo possível para que vocês entendam que, ao contrário do que muita gente diz por aí, nem o livro de 2005 e nem o áudio de 2015 se auto-anulam ou se contradizem em relação à Temporada 6B ou mesmo a este arco dos dois Doutores. Na verdade, eles se complementam. Caso ainda existam dúvidas, vocês podem perguntar à vontade nos comentários abaixo ou, se preferirem, conferiram a sequência cronológica exata para o 2º Doutor clicando aqui.
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Space Station Camera

Investindo fortemente em nostalgia, o episódio começa em preto e branco,  evocando a era do 2º Doutor, e rapidamente ganha cores, mostrando o Doutor e Jamie em versões mais velhas (a feição envelhecida do Doutor se explica em Jogo Mundial — o stress daquela aventura + o paradoxo temporal o envelheceu –; já a feição de Jamie pode ter sido alterada pelos Time Lords ou ele foi tirado de sua linha do tempo alguns anos depois de voltar para para lá). É impressionante como depois de tantos anos, a dupla ainda conseguiu manter a doce relação que tinham no passado — e é amplamente conhecido que o trabalho juntos fez com que Patrick Troughton e Frazer Hines se tornassem grandes amigos, então isso certamente ajudou — e como o roteiro de Robert Holmes conseguiu capturar ao mesmo tempo a linha humorística e séria que vemos na reta final dessa encarnação do Doutor.

A chegada na Estação Espacial para o encontro com Dastari é rápida e guarda alguns mistérios, elemento que o autor utiliza para gerar humor e medo. No começo, um trecho de diálogo de The Faceless Ones é repetido (“Look at the size of that thing” / “Yes, Jamie, it’s a big one“) e a sensação de ciclo ou de retorno dos elementos canônicos da série em momentos marcantes da vida do Doutor se tornam ainda mais fortes.

O fato de a TARDIS se materializar em uma cozinha e a apresentação maravilhosa do Androgum Shockeye of the Quawncing Grig trazem algo diferente para o episódio. Um tom mais contemporâneo, dotado de forte humor negro e crítica ou alegoria a alguma coisa que ainda não sabemos, mas que logo se faria ver (ou seja, o consumo de carne animal, o que é compreensível, visto de o roteirista era vegetariano). Eu imediatamente notei sombras conceituais de O Massacre da Serra Elétrica na direção de arte da cozinha e figurinos do Androgum, e mais adiante, a cena de perseguição a Peri comprovaria que a produção realmente trouxe os momentos mais densos do filme para destacar o lado do canibalismo.

Notem que o texto vai rapidamente de uma cena de “ameaça cômica” e que a princípio tem uma conotação levemente sexual do Androgum para com Jamie (depois entenderemos que ele gosta mesmo de carne humana — ou de qualquer tipo de carne — e que um macho jovem parece ser sempre a melhor oferta) e chega até o encontro diplomático, mas nem tanto, do 2º Doutor com Dastari, um velho amigo. A discussão nesse momento é brilhante e até o silêncio de Jamie e as caras e bocas que ele faz são ótimos. Patrick Troughton mostra que é um monstro como ator e não está sozinho. Laurence Payne também está muito bem como Dastari, indo de uma discussão de defesa de cientistas em sua Estação Espacial até o desespero quando os Sontarans chegam e realiza o massacre no local.
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A Pesca de Gumblejack

O corte para o 6º Doutor pescando e Peri tirando sarro dele mostra o quanto Doctor Who pode ser… cruel, inclusive com um tipo de humor que impressiona pelo cinismo maldoso (em outra palavra, genial). A pescaria, apesar de parecer deslocada no começo, tem um sentido importante para o roteiro, mais adiante. O 6º Doutor imagina aqui formas bastante suculentas de apreciar um Gumblejack, mas esta vontade de consumo de carnes logo irá desaparecer de seu menu.

A pescaria insatisfatória, as discussões sempre interessantes do Doutor e Peri e a chegada da dupla à Estação Espacial apresenta um caminho orgânico na ligação entre linhas do tempo. As armadilhas da Estação, o desespero inicial de Peri com a cozinha (a direção de fotografia nesse bloco é excelente!), com a falta de oxigênio e depois com o calor sufocante contrastam com a calma às vezes enervante e blasé do 6º Doutor. Penso que essa encarnação é tão inteligente e tão estrategista (e talvez por isso mesmo com um ego do tamanho de uma montanha), que parece antever alguns movimentos de seus adversários, dando-se o luxo de esperar para agir, a fim de transformar a coisa toda mais interessante. Em outra interpretação, isso poderia ser algo irresponsável também.

O posterior encontro com Jamie e o direcionamento para a hacienda de Doña Arana, me fez imaginar, pela bizarrice interessante e pelo fato de estarmos na Espanha e ter aquele clima e música característicos, que eu estava assistindo a um sci-fi idealizado por Luis Buñuel na fase final de sua carreira.
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2 Doutores + 2,5 Androguns x Alguns Sontarans

Os Sontarans já haviam mostrado interesse em obter tecnologia dos Time Lords em The Time Warrior e em The Invasion of Time, mas aqui esse desejo ganha uma deixa mais perigosa e cheia de possibilidades. As duas frentes de ação, na Estação Espacial e na Terra; o papel de Dastari e dos dois Androguns e o progressivo papel dos Doutores em lugares diferentes, constituem uma caçada e ao mesmo tempo uma construção de plano deliciosa de se assistir, em um lado incentivando os Sontarans (guerreiros e estrategistas por natureza) e de outro, intensificando o perigo de essa tecnologia realmente ir parar nas mãos dos cabeças-de-batata.

A direção de Peter Moffatt valoriza as sequências de ação, acompanhando de perto lutas e escapadas enquanto a edição procurava intercalar bem os planos, que mesmo em situações mais calmas, trazem algo de maior impacto narrativo e empurra o episódio para outra fase de correria. Elementos de A Ilha do Dr. Moreau são fortemente percebidos e, na reta final, quando o 2º Doutor é parcialmente transformado em um Androgum e segue para a cidade ao lado de Shockeye em busca de um restaurante para comer o máximo que conseguirem, temos um bela homenagem a uma das melhores peças de teatro já escritas, Esperando Godot.

O final do arco é triste, desalentador mesmo, chegando até a emocionar um pouco. Talvez por que o Doutor está ligado àquele acontecimento e por estar perto de sua outra encarnação, as consequências de ter sido parcialmente um Androgum irá ter reflexos apenas na personalidade do 6º Doutor, que já ao final da aventura declara que se tornou vegetariano e de maneira bastante infame, impõe a mesma dieta a Peri (desaprovo veementemente essa ação forçada).

The Two Doctors é uma aventura sensacional. Seu ritmo e construção de personagens, o encontro entre as duas encarnações, a bela interação entre os companions e os bons momentos de ação individual parecem funcionar de maneira afinadíssima aqui. Existem pequenos impasses como o 6º Doutor ser mandão a ponto de impor coisas sem dar alternativa a Peri ou a forma meio boba como os Sontarans são vencidos, mas esses pontos não diminuem o valor do grande encontro. Pena que seria o último da Série Clássica (isso… se não contarmos o “outro Doutor”, o Sr. Valeyard, em The Trial of a Time Lord). Um excelente arco no meio de uma temporada e de uma era problemática para a série.

The Two Doctors (Arco #140) — 22ª Temporada
Direção: Peter Moffatt
Roteiro: Robert Holmes
Elenco: Colin Baker, Patrick Troughton, Nicola Bryant, Frazer Hines, John Stratton, Jacqueline Pearce, Laurence Payne, James Saxon
Audiência média: 6,50 milhões
3 episódios (exibidos entre 16 de fevereiro e 2 de março de 1985)

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21 comentários

Redbeard 28 de julho de 2020 - 15:04

Ótima crítica e exposição de ideias. Porém tive uma experiência completamente diferente com o episódio.

Comparando com os episódios Multidoctors anteriores acho esse de longe o mais fraco. Não tem o carisma de The Five Doctors, nem o bom ritmo de The Three Doctors.

A interação entre os dois é pífia e quase descartável e ambos, Jamie e o Segundo Doutor, parecem mais uma caricatura de si mesmos do que os personagens em sí, achei quase irreconhecíveis.

Também achei um exagero o arco ter três episódios de 45 minutos. O Ritmo se arrasta e em muitos momentos parece que os personagens estão andando em círculos e nada realmente interessante ou importante acontece. E o que foi o 2nd Doctor Androgun?

Sempre achei esse o ponto mais baixo da Era do Colin Baker e que se salvava apenas pela canonização da temporada 6B. Mas gostei da sua exposição de ideias. Esse é o charme de DW, alguém sempre consegue se identificar com algo e se afeiçoar a história…

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Luiz Santiago 29 de julho de 2020 - 10:15

Definitivamente tivemos experiência COMPLETAMENTE diferentes hehehehehe

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MDN PLAYERS 2 de agosto de 2017 - 12:39

Eu sinceramente acho esse o pior arco de encontro de doutores,tanto Patrick como Colin estavam sensacionais, o que foi um grande desperdício já que em poucos momentos os dois contracenam, o 2º Doutor (apesar de sua genialidade como ator) teve uma participação muita fraca no roteiro comparada ao 6º.
Eu estou realmente preocupado com o que pode vir nesses próximos arcos.

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Luiz Santiago 2 de agosto de 2017 - 12:51

Discordo. Na minha leitura, o arco é simplesmente excelente, tem alguns poucos problemas, é claro, mas é com certeza uma das melhores histórias multi-doctors da série.

Eis a beleza da variedade de opiniões…

Quanto ao que vem depois… bem… é a Era do 6º Doutor. Certamente você não vai encontrar nada grandiosamente maravilhoso não. Hehehe

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Denilson Amaral 6 de abril de 2017 - 10:10

Ótima crítica! Apesar de eu não concordar com quase nada, tenho que reconhecer que sua exposição de ideias está particulamente maravilhosa.

Sinceramente, eu não gosto de The Two Doctors. Cada vez que eu assisto esse arco, só consigo enchergar mais problemas do que na vez anterior. Entretanto, tenho que admitir que depois do fraco The Mark of The Rani e com o tenebroso Timelash à frente, a aventura dos dois Doutores consegue ser um belo respiro para o meio de temporada.

Uma ideia muito presente na temporada é o contraste. Seja pelas brigas do Sexto e da Peri (que aqui não me incomodaram em nada) ou mesmo pelas personalidades opostas de ambos, sempre temos uma dualidade presente nos episódios. Aqui, o autor consegue dar um passo à frente ao contrastar o Doutor com ele mesmo. Desde as cenas iniciais de ambos, com um realizando um trabalho ordenado pelos Time Lords e o outro de férias, relaxando e pescando, fica presente a diferença entre as duas encarnações.

O esticamento do roteiro foi algo que prejudicou muito a fluidez da história, momentos como as cenas do Sexto Doutor na estação espacial discutindo com o computador ou os diálogos provocativos com os Sontarans poderiam facilmente ser removidos sem interferir no entendimento da história ao mesmo tempo que propiciariam uma melhora significativa na dinâmica da arco.

Outro ponto baixo de The Two Doctors é a falta de profundidade dos personagens secundários.
No caso dos humanos Anita e Oscar, que engolem com facilidade a conversa sobre alienígenas do Doutor e sua trupe, a situação irrita um pouco, pois os personagens não tem muito tempo de tela para desenvolver uma grande personalidade. Dastari também é muito decepcionante por apresentar um background com o Doutor e ter um enorme potencial que acabou sendo ignorado em prol de outros personagens.

Assim como no arco anterior fico feliz em dizer que o arco tem como grande predicado a vilã. Chessene convence muito bem e consegue tomar quase que por completo o espaço dos outros vilões com o seu brilhantismo, aliás acho que o arco seria ainda melhor sem os Sontarans, que acabaram ficando muito deslocados no decorrer da história.

Por outro lado, Shockeye, o outro representante da raça Androgun, não consegue cumprir sua função principal como crítica por ficar excessivamente satírico e cômico, além de muito abobalhado. É possível estabelecer uma clara semelhança nesse aspecto com o personagem Sil, que apareceu dois arcos atrás com uma função quase idêntica, moldado de uma forma muito semelhante, mas que conseguiu cumprir sua função crítica de forma muito mais plena pela abordagem mais dosada do autor quanto a sátira e a seriedade.

Fora a vilã Chessene, o grande brilho do arco é a participação especial do Segundo Doutor e do Jamie. Diferente dos outros episódios multidoutores da série, o Doutor convidado é muito esnobado pelo roteiro, sendo colocado na maior parte da história como a dama em apuros, além de perder muito espaço para o Doutor atual. Por outro lado, não tenho reclamação alguma para com o Jamie, que acabou melhor aproveitado, provavelmente pala presença de uma única companion na época.

The Two Doctors passa bem longe de ser uma grande história para o Sexto ou para o Segundo Doutor, além de ser uma péssima despedida para os Sontarans dentro da Série Clássica, porém sua grande contribuição para o estabelecimento da 6b dentro do cânone da série, a ótima vilã (sim, você já deve ter percebido que eu adorei a Chassene), além do fato de ser o último arco com mais de um Doutor fazem dele uma aventura essencial, principalmente para os fãs do Segundo Doutor.

P.S.1: Mesmo que The Trial of a Time Lord nem estivesse na cabeça da produção, é bem irônico colocar o Sexto Doutor para defender a honra dos Time Lords.

P.S.2: Durante a cena em que o Sexto Doutor tenta abrir a porta da sala do Dastari e tira uma banana do bolso, só consegui lembrar de The Empty Child/The Doctor Dances, será que o Moffat fez uma referência a esse episódio?

P.S.3: É muito legal que a Big Finish tenha convidado a Jacqueline Pearce, a Chessene, para participar de alguns audios e aproveitar mais do seu talento, a Cardinal Ollistra não seria a mesma sem aquela voz.

P.S.3: Depois de me acostumar com os Sontarans baixinhos da Série Moderna, é bem estranho ver que na Clássica eles tinham alturas normais. Pior ainda é que eles parecem crescer, acho que com mais duas ou três eles teriam ficado maiores que o Fisher King.

P.S.4: Abrir as portas da TARDIS com um estalar de dedos é para os fracos, ninguém consegue chamar a TARDIS com um assobio como o Segundo.

P.S.5: A ideia de um inimigo clássico tentando isolar um fator biológico dos Time Lords foi o esboço do especial de vinte anos, que originalmente seria escrito por Robert Holmes e acabou sendo adptado em The Two Doctors. Esse roteiro contaria com os Cybermen tentando isolar esse fator e se converter em Cyberlords, sendo chamado de The Six Doctors. Você acha que o episódio seria melhor se mantivesse mais da ideia original e tivesse como inimigos os Cybermen?

P.S.6: Desculpe a demora!

Responder
Luiz Santiago 6 de abril de 2017 - 21:19

@denilsonsamaral:disqus, até tu, Brutus? Tô vendo que to sozinho segurando a bandeira de EU GOSTO DESSE ARCO AQUI!!! hahahhahaaha

Ótimas colocações sobre os personagens. Pela crítica, você deve ter percebido que eu não vi esses entraves do mesmo jeito, mas a forma como você aborda a participação dos secundários me fez repensar esse aspecto do roteiro, essa aceitação realmente parece muito fácil e imediata. Por outro lado, não consigo parar de pensar que de fato existem personagens assim, então to numa corda bamba de indecisão sobre o que pensar no momento HAUHUAHAUHAUAHUA

A banana com certeza foi uma referência! Eu achei interessantíssimo! E também o fato de o 2º Doutor chamar a TARDIS daquele jeito. Ele é demais, meu Deus!

Cardinal Ollistra não é aquela personagem que você ama odiar? Simplesmente não consigo me desgrudar dessa mulher hahahaha, acho a personagem simplesmente maravilhosa!

Cara, pela forma como você coloca a ideia desse roteiro, eu não gostei muito não. Acho que ainda prefiro as coisas como foram feitas aqui. Não sei se estou já enjoado desses desastres com Cybermen e tal, mas… não gosto da ideia. Você gosta? Acha que daria certo?

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Denilson Amaral 6 de abril de 2017 - 23:13

O especial de 20 anos teve os Cybermen como um dos vilões principais e deu certo, acho que com o Robert Holmes certo (afinal, o homem fez desde porcarias como The Space Piratas até maravilhas como The Caves of Androzani) o episódio original sem dúvidas seria tão maravilhoso quanto o oficial. O único ponto que acho duvidoso no roteiro original é a inserção de um Doutor rôbo impostor que ocasionaria o título The Six Doctors.

Já nesse temporada, acho que o episódio realmente não funcionaria, afinal overdose de Cybermen só na época do Segundo Doutor. Penso que se ele tivesse vivido mais alguns anos, uma adaptação do roteiro seria perfeita para o especial de 25 anos (pelas críticas que eu lí, Cybermen e neonazistas não dão uma boa mistura em Silver Nemesis).

Eu realmente penso que se Robert Holmes tivesse fugido da inspiração no seu roteiro de especial de 20 anos e focasse mais nos Androgun, na Chassene (quanto mais foco nela melhor! Eu já disse que amo a Chassene?) e no Segundo Doutor que ficou pra lá de apagado, The Two Doctors seria um episódio bem mais proveitoso.

Responder
Luiz Santiago 7 de abril de 2017 - 11:06

Seu amor por Chassene… hahahahahhahahahah
Engraçado que cada época, com suas características e tendências, acabam “chamando” um tipo de aventura e depois a gente tem mais dificuldade em ver esta ou aquela trama na fase seguinte. Eu sempre me pergunto como seria um surto do Mestre na era do 4º Doutor, mas não consigo ver… Pra mim, ele combina realmente com o 3º e com o 5º, já naquele novo corpo.

Mas achei legal a reflexão que você fez para mostrar as variações de “dar certo” ou não. Concordo contigo nessa!

Responder
Rafael Lima 4 de abril de 2017 - 21:43

Ótima resenha, como sempre. Embora desta vez, concordo com muita pouca coisa. Hehehe. De fato, acho este arco simplesmente desastroso.

Acho o ritmo e a direção bem ruim. O Segundo Doutor parece mais uma caricatura de si mesmo do que o personagem que conhecemos (não é culpa de Throughton e sim do texto). A relação de Peri e do Sexto Doutor, que havia ficado um pouco mais aceitável no arco anterior volta a regredir, se tornando irritante. A fetichização em torno de Peri torna-se repetitiva também, chegando bem perto do mau gosto aqui.

Baker e Throughton até funcionam bem juntos, mas isso acontece por tão pouco tempo, que não faz muita diferença.

É mesmo uma pena, pois é uma história que tinha muito potencial. Patrick Throughton merecia uma despedida melhor do papel, na minha opinião.

Responder
Luiz Santiago 4 de abril de 2017 - 22:49

Não sei nem o que dizer, poque como era de se imaginar, discordo de tudo o que você disse… na verdade, penso o oposto!!! Acho que a gente tem que sair pra comer um Gumblejack bem frito, beber uns Chopps e conquistar o Universo, esquecendo esse arco. HAHAHAHHAHAHHAHAHAHAHAH

Responder
Rafael Lima 4 de abril de 2017 - 23:03

Hahahaha. Melhor do que pescar. Hehehe

Responder
Luiz Santiago 4 de abril de 2017 - 23:05

Nem me fala! Eu ODEIO pescar!!! Última vez fiquei tão puto com um maldito de um peixe que quase tive um colapso nervoso no meio de um lago, para deleite do meu pai e do meu irmão, na outra margem, rolando de rir.

Responder
Denilson Amaral 6 de abril de 2017 - 10:22

Cara, mais uma vez concordo com tudo o que você disse. Bem, tudo exceto a parte da relação do Sexto e da Peri, que a meu ver só melhora (Claro, tem a sandice no próximo episódio, no qual o Doutor quase expulsa a Peri da TARDIS, mas ainda acho tudo muito orgânico).

O Throughton foi mesmo muito escanteado e isso só prova que o Robert Holmes não conseguia escrever bons episódios para o Segundo (apesar de eu amar The Krotons).

Responder
Luiz Santiago 6 de abril de 2017 - 21:07

Eu até gosto de The Krotons, mas não essa coooooisa toda, sabe.

Responder
Rafael Lima 8 de abril de 2017 - 03:11

Cara, não tem jeito. A relação do Sexto Doutor com a Peri nunca me desceu, por razões que já expus. Nesse arco em especial, acho o tratamento do Doutor em relação a Peri especialmente revoltante.

Responder
Luiz Santiago 8 de abril de 2017 - 10:00

Segure a marimba que mais pra frente a gente vai concordar! acabei de ver Mindwarp e as duas últimas aventuras com a Peri, o relacionamento bateu pra mim tb… deixa estar que a gente chega lá! 😀

Responder
MDN PLAYERS 2 de agosto de 2017 - 12:40

Concordo com cada palavra.

Responder
Jean 4 de abril de 2017 - 16:07

Esse arco me decepcionou muito. Transformar o Doutor em um androgan? Se não fosse pelo talento do Troughton, seria a pior coisa do arco. Quanto a Jamie, o achei meio ofuscado nesse episódio, e o final + a despedida deles foi corrida e sem o impacto que merecia. Boa cr´tica (apesar de discordar dela rs)

Responder
Luiz Santiago 4 de abril de 2017 - 19:22

Cara, confesso que gostei demais dessa transformação! Combinou pra caramba com a dinâmica do episódio. Pelo jeito divergimos mesmo da opinião geral sobre o arco. Me diz aí, que nota tu daria pra ele?

Responder
Jean 5 de abril de 2017 - 14:22

Não querendo ser chato, mas já sendo: 2 estrelas. Está beeeeem longe de ser um bom episódio, mas é sempre bom rever o 2º Doutor.
E valeu pela explicação no início. Essa parte da Linha do Tempo do 2º Doutor é sempre muito confusa, ainda bem que você deixou de lado as HQs da TV Comics (podemos fingir que não existiram?) e outras aparições.

Responder
Luiz Santiago 5 de abril de 2017 - 15:13

Eu não trouxe aqui as HQs da TV Comic porque elas não interferem nesse arco. Mas na linha do tempo que boto o link no texto, eu coloco todas elas, além das participações com críticas aqui no site para a Temporada 6B. É só ter uma paciência para juntar as pontas. Não é tão difícil quanto parece não hahaha

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