Home TVTemporadas Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Web of Fear (Arco #41)

Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Web of Fear (Arco #41)

por Ritter Fan
113 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 3,5

Equipe: 2º Doutor, Jamie, Victoria
Espaço-tempo: TARDIS (em algum lugar do espaço-tempo), metrô de Londres (estação de Covent Garden e outras), no presente (1968)

Começando exatamente onde The Enemy of the World acabou, com Salamander ejetado da TARDIS, as portas abertas e o Doutor e seus companions Jamie e Victoria tendo que lidar com a situação. Resolvido o problema, que envolveu filmagem em ângulo holandês que surpreendentemente funcionou muito bem, com os atores bem sintonizados e convincentes com o “desequilíbrio” da situação, a pequena (por fora) cabine azul de polícia é paralisada no espaço-tempo momentaneamente, cercada por uma teia.

Em outro lugar, vemos um museu e uma figura conhecida de The Abominable Snowmen, o próprio Yeti robótico, ganhando vida novamente na coleção privada de Julius Silverstein (Frederick Schrecker), onde ficou por 30 anos. Mas o que vemos é uma versão “modernizada” do Yeti, pois seu design é substancialmente diferente (e tenho minhas dúvidas se melhor) do arco em que apareceu pela primeira vez. O Professor Travers (Jack Watling, do arco mencionado), junto sua filha Anne (Tina Packer)  tentam recuperar o monstro, mas Silverstein não aceita de jeito nenhum. E, em uma base militar subterrânea, somos apresentados a um querido personagem da série, o Coronel Lethbridge-Stewart (Nicholas Courtney, que faria o papel – só que como brigadeiro, mais tarde – literalmente até seu falecimento, em 2011) que, juntamente com o Capitão Knight (Ralph Watson) está diante de um surto misterioso no metrô que Travers e o Doutor (claro!) podem ajudar.

Por pelo menos dois episódios a trama é confusa, apressada e um tanto quanto desconjuntada. São episódios usados para situar o espectador, para reapresentar o Doutor e o “milagre” da viagem do tempo ao Professor Travers e equalizar toda a situação. Mas a montagem não ajuda e a ação constante acaba atrapalhando, acelerando eventos que poderiam ser melhor trabalhados.

A bem da verdade, porém, a confusão é, no final das contas, momentânea. E ela só acontece enquanto o Doutor está convenientemente “desaparecido” nos túneis do metrô (até o começo do 3º episódio), o que permite que a ação se concentre nos soldados, no Professor Travers, Anne e, lógico, em Jamie e Victoria por um tempo. Quando a situação periclitante está determinada e o “ponto sem volta” é ultrapassado, aprendemos não só que a Grande Inteligência está novamente por detrás de tudo (qualquer whovian deduziria isso, dadas as circunstâncias) e o Doutor volta para encerrar o caso que ainda teria várias reviravoltas, descobrindo um antídoto para o fungo (a teia) espalhado pelos Yeti, tomando o controle de um e deixando o caminho aberto para a Grande Inteligência voltar mais uma vez.

Dos seis episódios do arco, apenas o 3º foi perdido, mas a BBC fez uma reconstituição com o áudio original e as fotos da série para fins de ilustração. É um pouco enervante assistir a um episódio dessa forma, mas não há alternativa. O lado positivo é que, por muitos anos, apenas o primeiro episódio e algumas sequências dos demais existiam na BBC. Mas, em 2013, em um esforço para achar os “episódios perdidos” da série, quase todos foram localizados na Nigéria e, então, lançados em DVD.

The Web of Fear, apesar do começo lento e confuso, mostra-se um ótimo arco que sabe dosar ação com exposição, mistério com drama e uma resolução satisfatória, abrindo as portas para o retorno do grande vilão ainda outras vezes. O espaço confinado do metrô e seu potencial dramático é efetivamente utilizado para aumentar o suspense e o drama, com alguns eficientes sustos ao longo dos episódios, além de disfarçar de maneira razoável o já costumeiro baixo orçamento de Doctor Who.

The Web of Fear (Arco #41) – 5ª Temporada

Direção: Douglas Camfield
Roteiro: Mervyn Haisman, Henry Lincoln
Elenco principal: Patrick Troughton, Frazer Hines, Deborah Watling, Nicholas Courtney, Jack Watling, Tina Packer, Jon Rollason, Ralph Watson, Frederick Schrecker, Tina Packer

Audiência média: 7,61 milhões
6 Episódios (exibidos entre 03 de fevereiro de 1968 a 09 de março de 1968)

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6 comentários

Rafael Lima 29 de dezembro de 2016 - 02:11

Acho “The Web Of Fear” uma sequencia fantástica para “The Abominable Snowman”. Tem uns elementos de horror muito bom aqui, tanto pela ambientação sombria do metrô abandonado, como todo o clima de paranoia que se instaura em certo momento sobre quem estaria possuído pela Grande Inteligencia.

Throughton está ótimo nesta história. Muita gente lembra mais do 2º Doutor como uma encarnação mais cômica, mas ele podia ser muito sombrio e misterioso quando quer, além de transmitir perfeitamente através de suas reações o valor da ameaça da Grande Inteligencia neste arco.

Os Companions são muito bem utilizados. Tem um desenvolvimento sutil, mas interessante da Victoria aqui, já que ela parece decididamente ter deixado os seus pudores vitorianos para trás na escolha do figurino (ok, pode ter sido uma tentativa de dar uma “ousadia” mais para a personagem, gerando descaracterização, depende de como se encara. Hehehe). Mas toda a cena dela reencontrando o Prof. Travers, e depois sendo deixada pra explicar para Anna como pode ser mais velha que o pai dela já vale a participação da garota.

Acho que o arco apresenta um grupo de coadjuvantes bem interessante também, tanto na figura dos Travers, como dos militares e do jornalista enxerido. De fato, me surpreendeu que alguns ali tenham chegado vivos ao fim do arco. E claro, tivemos a introdução de um dos personagems mais icônicos da série, o então futuro Brigadeiro Lethbridge Stewart, que já tem uma parceria brilhante com o Doutor aqui.

Enfim, gosto muito desse arco. Um dos meus favoritos da era do 2º Doutor.

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Carlindo José 15 de março de 2016 - 16:59

Um excelente retorno da Grande Inteligência, achei o arco bem legal, embora realmente tenha um começo bastante confuso, a conclusão é bem-feita e a deixa para a Grande Inteligência voltar foi muito boa. Só acho que a ideia da teia poderia ter sido melhor explicada, ainda acredito que ficou tudo muito vago.

Os personagens do arco foram bem legais de se ver, os coadjuvantes tinha uma personalidade curiosa, especialmente o Evans e aquele repórter, dois canastrões de primeira, o Coronel/Brigadeiro já mostra bem como seria futuramente, um homem sério e cumpridor do dever, como todo militar. A surpresa e a reação do Travers ao ver os viajantes da TARDIS foi algo bem interessante e que até agora nunca atinha acontecido do Doutor cruzar novamente com alguém depois de muito tempo, o que dá uma boa sensação de continuidade na série. O Jamie foi tão legal nesse arco, a amizade dele com o Doutor só melhora a cada arco, a Victoria parece que voltou um pouco a ser a mocinha em perigo, mas não foi tão irritante, ainda bem, sobre o Doutor nem tenho palavras, estou gostando muito do 2° Doutor.

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Carlindo José 15 de março de 2016 - 16:59

Um excelente retorno da Grande Inteligência, achei o arco bem legal, embora realmente tenha um começo bastante confuso, a conclusão é bem-feita e a deixa para a Grande Inteligência voltar foi muito boa. Só acho que a ideia da teia poderia ter sido melhor explicada, ainda acredito que ficou tudo muito vago.

Os personagens do arco foram bem legais de se ver, os coadjuvantes tinha uma personalidade curiosa, especialmente o Evans e aquele repórter, dois canastrões de primeira, o Coronel/Brigadeiro já mostra bem como seria futuramente, um homem sério e cumpridor do dever, como todo militar. A surpresa e a reação do Travers ao ver os viajantes da TARDIS foi algo bem interessante e que até agora nunca atinha acontecido do Doutor cruzar novamente com alguém depois de muito tempo, o que dá uma boa sensação de continuidade na série. O Jamie foi tão legal nesse arco, a amizade dele com o Doutor só melhora a cada arco, a Victoria parece que voltou um pouco a ser a mocinha em perigo, mas não foi tão irritante, ainda bem, sobre o Doutor nem tenho palavras, estou gostando muito do 2° Doutor.

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Luiz Santiago 12 de agosto de 2014 - 22:39

No início, quando a teia aparece, eu achei que o rumo do arco ia ser completamente diferente. Gosto dessa aventura. Ela marca o início da amizade entre o Doutor e o Brigadeiro e também traz a atmosfera das aventuras ambientadas na Terra já nessa fase da carreira do 2º Doutor, que se tornaria ainda mais frequente na 6ª Temporada e a via de regra para a encarnação seguinte.
O bacana também é o trabalho com a Grande Inteligência, que ganha a oportunidade de voltar no futuro, como de fato voltaria. 🙂

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Rafael Lima 29 de dezembro de 2016 - 02:34

Mas acho que quando fizeram o arco, ninguém esperava que levaria quase quarenta e cinco anos pra trazer a Grande Inteligencia de volta. Hehehe

Não sei o que acha, @luizsantiago:disqus, mas apesar de eu gostar muito do trabalho do Richard E. Grant como a Grande Inteligência e achar que foi interessante levar o personagem em uma direção nova, acredito que a criatura vista na Série Clássica era muito mais misteriosa e intrigante.

O fato de neste arco ela ser um ser cujas emoções parecem difíceis de se traduzir, parecem reforçar o caráter Lovecraftiano da criatura. Compare por exemplo ela zombando da ideia de vingança aqui como um sentimento humano inútil, sendo que a base de “The Name Of The Doctor”, basicamente é baseado em um plano de vingança pura e simples da Grande Inteligencia contra o Doutor. A vingança humaniza a Grande Inteligência, e tenho minhas duvidas se esse era o caminho pra explorar o potencial do personagem.

Se bem que até entidades cósmicas tem direito a mudar de ideia, não? Hehehe

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Luiz Santiago 29 de dezembro de 2016 - 12:56

@disqus_wPGYD1xKX4:disqus agora você me pegou. Confesso que não tenho opinião formada sobre isso. Na verdade, nunca pensei muito a respeito, tomei a mudança como uma forma de “evolução” ou “manifestação” da Grande Inteligência. Hum… você me trouxe coisas para pensar, viu. Por hora, eu meio que abraço o seu último pensamento. Acho que mesmo as entidades cósmicas tenham, em algum momento, essa propensão/direito/vontade de vingança. Talvez para provar que podem mesmo.

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