Home TVEpisódio Crítica | Doctor Who – Série Clássica: Time-Flight (Arco #122)

Crítica | Doctor Who – Série Clássica: Time-Flight (Arco #122)

por Luiz Santiago
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timeflight_doctor-who-plano-critico

estrelas 3

Equipe: 5º Doutor, Nyssa, Tegan
Espaço: Aeroporto de Londres Heathrow
Tempo: 1982 / 140.000.000 a.C.

Time-Flight é o último arco da 19ª Temporada de Doctor Who, e se passa logo depois da morte de Adric, em Earthshock. Existem claras sinalizações de luto, mas o roteiro de Peter Grimwade não se prende a esse elemento, o que foi uma sábia decisão dele e da produção. O Doutor pede para que Tegan e Nyssa aceitem a morte de Adric, fala da coragem e braveza do companion e propõe visitarem a Grande Exibição de 1851 para tentarem se alegrar um pouco, mas são pegos no Vórtice por uma tempestade que os desvia e faz com que se dirijam ao Aeroporto de Londres Heathrow, onde a primeira e a última parte da aventura se passam.

É impossível não sentir a estranheza do roteiro que usa de uma alteração temporal causada por um mágico/ser poderoso chamado Kalid (na verdade, o Mestre, disfarçado) — manipulando os Plasmatons –, que sequestra um Concorde e chama a atenção do Doutor para investigar o que está acontecendo. O ponto positivo no meio disso tudo são as confusões que o Doutor causa em Heathrow, valendo-se de sua reputação na UNIT para não ser preso e para ter carta branca e embarcar em um voo de teste, a fim de localizar o problema e trazer a aeronave e os passageiros desaparecidos de volta. Um plano questionável em termos de segurança, na verdade. Pela primeira vez, senti grande irresponsabilidade no Doutor (não aquela que em geral atribuímos a qualquer tomada de risco, mas irresponsabilidade de fato, ligada à inconsequência), como se ele estivesse gratuitamente colocando ele, os pilotos do voo de teste e suas companions em perigo desnecessário.

Toda a parte da história que ocorre em 140 milhões a.C. é um conjunto de bizarrices com boas e más resoluções ao mesmo tempo. O enredo não desaponta por completo, mas colocamos em xeque o disfarce do Mestre desde o início, o erro de cálculo e a aliança questionável feita com o Doutor ao final. Na verdade, Time-Flight é um filler envernizado com um pouco de importância e que só ocorreu para que Tegan fosse deixada para trás, gerando um tipo de não-despedida à la Dodo Chaplet em The War Machines, algo que certamente faz o espectador revirar os olhos. A essa altura da série, ver a produção permitir usar essa carta como sendo algo minimamente válido é um tipo de insulto que John Nathan-Turner, do alto de seu poleiro de mudanças a todo custo — e boa parte delas bastante duvidosas –, não conseguiu ver.

Com o passar dos arcos, vemos que Peter Davison vai perdendo o impulso de vitalidade que tinha no início dessa temporada, agindo de maneira mais mecânica, como em um transe para entender tudo o que se passa ao seu redor, talvez contaminado pelo ar blasé de suas companheiras ou pelos roteiros pouco interessantes que teve para trabalhar nessa fase da série, com exceção ao ótimo Castrovalva. Sua interação com o Mestre aqui não está entre as melhores que poderíamos pensar nesse encontro e falta um pouco mais de sagacidade nos diálogos, um pouco mais de “agressão” para combinar com o que realmente marca a relação desses dois Time Lords (ou Lady…) na série. Mas isso evidentemente não é um problema de Davison, e sim do roteirista Peter Grimwade.

Depois do impasse resolvido e da chegada dos passageiros ao tempo correto, mais um capítulo na história da TARDIS é escrito. Tegan fica para trás, mas voltaria à série, “reformada” e com uma postura bem mais interessante do que a que tivemos até o momento. Além disso, um perigo mais “pessoal” para o Doutor ganhava forma no Universo e estava prestes a chegar à TARDIS, na 20ª Temporada. Por enquanto, tudo parecia ter voltado ao normal. Só que não por muito tempo.

Time-Flight (Arco #122) — 19ª Temporada
Direção: Ron Jones
Roteiro: Peter Grimwade
Elenco: Peter Davison, Sarah Sutton, Janet Fielding, Anthony Ainley, Richard Easton, Keith Drinkel, Michael Cashman, Peter Dahlsen, Brian McDermott, John Flint, Peter Cellier, Judith Byfield, Nigel Stock
Audiência média: 8,88 milhões
4 episódios (exibidos entre 22 e 30 de março de 1982)

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12 comentários

Augusto 22 de outubro de 2017 - 21:07

Você pegou bem leve com esse arco aqui, Time-Flight é uma das piores coisas que Doctor Who já produziu. Que outro arco consegue fazer o melhor vilão da série ser ridículo, contar uma história que não faz sentido nenhum, e ainda por cima com duas das piores companions que já tivemos que aturar (sem contar a aparição do Adric).
Eu imagino como o JNT realmente achou uma boa ideia um arco sobre um avião que volta milhões de anos no tempo, e ainda fazendo o Mestre se vestir daquela aberração chamada Kalid, na época do Delgado pelo menos esses disfarces não eram ridículos. Eu fico com muita pena do Ainley, ele é um Mestre muito bom (só está atrás do Delgado e da Gomez, pra mim), mas alguns de seus arcos são muito ruins.
Na verdade esse é um problema do JNT. As pessoas reclamam do Sexto Doutor, que tinha muitas histórias ruins, mas isso também acontece com o Quinto (que curiosamente se despede com um dos melhores arcos da série). Não me surpreende a atuação do Peter Davison piorar. No começo ele realmente tentava, mas depois ele desistiu. Se você comparar o começo dele (e dos outros dois Doutores do JNT) com o dos outros, dá pra ver que é muito abaixo. O Pertwee estreou com uma das melhores temporadas da clássica, os primeiros três anos do Tom Baker são espetaculares. Os dois primeiros Doutores tiveram ótimos arcos em seus inícios. Na Série Nova todos tiveram pelo menos uma grande história no primeiro ano. Eu realmente me pergunto como a criatividade acabou nos anos 80.
E além disso, o Davison só foi ter um companion bom com o Turlough. A 19 temporada tem o pior time de companions fácil. O Adric é muito irritante, e a atuação do Waterhouse é uma vergonha. A Tegan passa a temporada inteira reclamando e não dá pra entender porque ela ainda viaja na TARDIS. E a Nyssa consegue ser tão ruim quanto. Pra uma personagem que deveria ser um gênio, ela tem uma cara de quem precisa que repitam as coisas cinco vezes para entender metade. Eu realmente entendo porque o Davison quis sair depois de três anos e porque ele diz que se tivesse arcos como Androzani antes, ele continuaria, porque foi quando ele finalmente teve uma boa companion e um bom roteiro.
Eu acho que meu desgosto por esse arco é mais por causa de toda a temporada e de como a série foi piorando até chegar no fundo do poço. Mas, me irrita ver o potencial de pelo menos três Doutores (e da despedida do Tom Baker) ser desperdiçado.

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Luiz Santiago 25 de outubro de 2017 - 02:38

HAHAAHA meu Deus quando ódio nesse coraçãozinho, @disqus_6btkJ6PNDF:disqus! 😀 Mas olha, eu entendo a sua frustração. Claro que pela crítica você viu que a forma como o arco funcionou para mim, mesmo dentro da temporada, acabou sendo o “ok” mais “ok” dos “oks” que eu já dei ahahhah. Mas realmente não achei a obra ruim. No entanto, consigo entender perfeitamente seus pontos e análise. Inclusive concordo com alguns dos ótimos elementos citados por você.

Tá revendo é?

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Augusto 26 de outubro de 2017 - 16:12

Eu estou revendo os arcos muito bons e muito ruins, tem algumas coisas maravilhosas na clássica que eu não lembrava, mas também tem Time-Flight, Underworld, Hand of Fear, que são bem ruins. Pelo menos dá para controlar a falta de Doctor Who até o Natal.

Mudando um pouco de assunto, o que você achou dos novos companions? Eu tenho medo que seja igual a esse começo do Quinto, quando um personagem sempre ficava a mais nas histórias. Além disso, eu não consigo gostar da Jodie pelo fato de ela não ser Peter Capaldi.

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Luiz Santiago 26 de outubro de 2017 - 19:59

Capaldão vai fazer falta de mais, mano do céu!!! Que Doutor sensacional!!!

Eu já gostei da Jodie de cara. Estou torcendo demais para essa nova fase. E muito, muito ansioso. Sobre os companions novos, confesso que não pensei nesse ponto, mas de fato, dá um receio sim. Só que o novo showrunner, exigente como é, não deixaria uma bagaceira dessas acontecer, não quero crer que ele cairá nessa armadilha. Mas vamos ver né. Quanto as escolhas, gostei demais! Agora é vê-los em ação.

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Augusto 21 de outubro de 2017 - 19:51

Você pegou bem leve com esse arco aqui, Time-Flight é uma das piores coisas que Doctor Who já produziu. Que outro arco consegue fazer o melhor vilão da série ser ridículo, contar uma história que não faz sentido nenhum, e ainda por cima com duas das piores companions que já tivemos que aturar (sem contar a aparição do Adric).

Eu imagino como o JNT realmente achou uma boa ideia um arco sobre um avião que volta milhões de anos no tempo, e ainda fazendo o Mestre se vestir daquela aberração chamada Kalid, na época do Delgado pelo menos esses disfarces não eram ridículos. Eu fico com muita pena do Ainley, ele é um Mestre muito bom (só está atrás do Delgado e da Gomez, pra mim), mas alguns de seus arcos são muito ruins.

Na verdade esse é um problema do JNT. As pessoas reclamam do Sexto Doutor, que tinha muitas histórias ruins, mas isso também acontece com o Quinto (que curiosamente se despede com um dos melhores arcos da série). Não me surpreende a atuação do Peter Davison piorar. No começo ele realmente tentava, mas depois ele desistiu. Se você comparar o começo dele (e dos outros dois Doutores do JNT) com o dos outros, dá pra ver que é muito abaixo. O Pertwee estreou com uma das melhores temporadas da clássica, os primeiros três anos do Tom Baker são espetaculares. Os dois primeiros Doutores tiveram ótimos arcos em seus inícios. Na Série Nova todos tiveram pelo menos uma grande história no primeiro ano. Eu realmente me pergunto como a criatividade acabou nos anos 80.

E além disso, o Davison só foi ter um companion bom com o Turlough. A 19 temporada tem o pior time de companions fácil. O Adric é muito irritante, e a atuação do Waterhouse é uma vergonha. A Tegan passa a temporada inteira reclamando e não dá pra entender porque ela ainda viaja na TARDIS. E a Nyssa consegue ser tão ruim quanto. Pra uma personagem que deveria ser um gênio, ela tem uma cara de quem precisa que repitam as coisas cinco vezes para entender metade. Eu realmente entendo porque o Davison quis sair depois de três anos e porque ele diz que se tivesse arcos como Androzani antes, ele continuaria, porque foi quando ele finalmente teve uma boa companion e um bom roteiro.

Eu acho que meu desgosto por esse arco é mais por causa de toda a temporada e de como a série foi piorando até chegar no fundo do poço. Mas, me irrita ver o potencial de pelo menos três Doutores (e da despedida do Tom Baker) ser desperdiçado.

Responder
Rafael Lima 23 de dezembro de 2016 - 20:20

Cara, acho “Time Flight” bem fraquinho mesmo. O Robert Ainley podia ser um ótimo Mestre quando ele tinha chance, aqui ele não teve. Acho que a culpa é do roteiro, não do Ainley inclusive. Não sei se concorda, mas uma diferença bastante fundamental entre o Mestre do Delgado e do Ainley é que por mais que os planos dos dois muitas vezes acabasse saindo pela culatra, o Mestre do Delgado sempre conseguia sair de suas trapalhadas com a dignidade intacta, por assim dizer. O Mestre do Ainley, nem sempre.

A quase saída da Tegan sem despedida, é um pouco estranha mesmo. Mas eu não compararia com o que houve com a Dodo. Bem ou mal, o Doutor deixou Tegan exatamente onde ela queria desde o começo da temporada. O que fecha uma espécie de arco para a australiana, que percebe que tudo o que ela buscava sendo aeromoça, ela já tinha viajando com o Doutor.

Responder
Rafael Lima 23 de dezembro de 2016 - 20:20

Cara, acho “Time Flight” bem fraquinho mesmo. O Robert Ainley podia ser um ótimo Mestre quando ele tinha chance, aqui ele não teve. Acho que a culpa é do roteiro, não do Ainley inclusive. Não sei se concorda, mas uma diferença bastante fundamental entre o Mestre do Delgado e do Ainley é que por mais que os planos dos dois muitas vezes acabasse saindo pela culatra, o Mestre do Delgado sempre conseguia sair de suas trapalhadas com a dignidade intacta, por assim dizer. O Mestre do Ainley, nem sempre.

A quase saída da Tegan sem despedida, é um pouco estranha mesmo. Mas eu não compararia com o que houve com a Dodo. Bem ou mal, o Doutor deixou Tegan exatamente onde ela queria desde o começo da temporada. O que fecha uma espécie de arco para a australiana, que percebe que tudo o que ela buscava sendo aeromoça, ela já tinha viajando com o Doutor.

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Luiz Santiago 23 de dezembro de 2016 - 23:25

O Mestre do Ainley é mais cínico, eu acho. E acho que ele não está mesmo ligando para nada. Acho ele completamente fanfarrão, pra falar a verdade. Não um fanfarrão do tipo “EU SOU A DIVA QUE VOCÊ QUER COPIAR”, como Missy. A fanfarronice do Mestre do Ainley é do tipo “NINGUÉM VAI DIZER QUE EU NÃO TENTEI. SE NÃO DEU… BEM… TENTO OUTRAS COISAS”. hahahahahahahah

Pois é! Eu já sabia que a chatonilda voltaria. Mas confesso: até gosto dela quando ela retorna. É outra mulher!

Responder
Rafael Lima 24 de dezembro de 2016 - 13:27

O Ainley (Anthony, não Robert como escrevi acima. Hehehehe) manda muito bem mesmo. Mas acho que nesta primeira temporada como o vilão erraram um pouco a mão no exagero do personagem (e sei o quanto isso pode soar contraditório, já que o exagero é parte do charme do vilão, mesmo em encarnações mais discretas como a do Delgado ou a breve encarnação do Derek Jacobis).

Mas a partir da 20ª temporada, acho que o Ainley conseguiu ajustar o tom do personagem, e fez por merecer o tempo que permaneceu como o vilão. Afinal, Ainley está para o Mestre como Tom Baker esta para o Doutor. Foram quase dez anos interpretando o timelord insano.

E vou mais longe. Acho que das três encarnações do vilão na série clássica, a versão do Ainley foi a mais influente na Nova Série. Afinal, toda a vibe “Agente do Caos” e “homicida por esporte” que as encarnações “Harold Saxon” e “Missy” possuem devem muito a leitura que o Ainley fez do personagem.

Responder
Luiz Santiago 24 de dezembro de 2016 - 14:02

Concordo, a influência é forte e justamente por essa questão do tempo, que você bem colocou, acaba tendo um bom peso no futuro da série. O cânone e os fãs agradecem. hehehe

Responder
Luiz Santiago 24 de dezembro de 2016 - 14:02

Concordo, a influência é forte e justamente por essa questão do tempo, que você bem colocou, acaba tendo um bom peso no futuro da série. O cânone e os fãs agradecem. hehehe

Responder
Luiz Santiago 23 de dezembro de 2016 - 23:25

O Mestre do Ainley é mais cínico, eu acho. E acho que ele não está mesmo ligando para nada. Acho ele completamente fanfarrão, pra falar a verdade. Não um fanfarrão do tipo “EU SOU A DIVA QUE VOCÊ QUER COPIAR”, como Missy. A fanfarronice do Mestre do Ainley é do tipo “NINGUÉM VAI DIZER QUE EU NÃO TENTEI. SE NÃO DEU… BEM… TENTO OUTRAS COISAS”. hahahahahahahah

Pois é! Eu já sabia que a chatonilda voltaria. Mas confesso: até gosto dela quando ela retorna. É outra mulher!

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