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Crítica | Doctor Who – Série Clássica: Timelash (Arco #141)

por Luiz Santiago
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estrelas 4

Equipe: 6º Doutor, Peri
Espaço: Planeta Karfel / Escócia
Tempo: 802.701? / 1885

Timelash é um daqueles casos de arcos em que o roteirista “cai de pára-quedas” no QG de Doctor Who, tem roteiro rejeitado (inicialmente Timelash era com os Daleks), reescreve-o, reenvia para a produção, é enrolado pelo produtor, insiste na contratação, tem a confirmação de que seu texto será produzido, irrita o editor de roteiros — que acaba fazendo um grande número de mudanças — e, por fim, traumatiza o diretor, que de tão irritado com o rumo da aventura (especialmente na relação rude entre o Doutor e Peri), nunca mais volta a fazer nada em Doctor Who. O bom de tudo isso é que o roteiro de Glen McCoy é interessante, com uma excelente surpresa final e uma forma de mostrar mais uma vez a sagacidade e tendência para a ação, às vezes violenta, do 6º Doutor.

Eu começo a ver um padrão muito interessante para a relação entre o Doutor e Peri e aqui devo dizer que apesar de minhas próximas definições conterem elementos técnicos, elas são intencionalmente passionais. A meu ver, um Doutor rude, mais duro e com sentimentos nada fofos… ou o verdadeiro oposto disso (penso no e Doutores agora) são as personificações mais interessantes para este personagem. Por isso eu não tenho um carinho tão grande pelo 5º Doutor quanto tenho pelos outros da Série Clássica até esse momento. E é sempre bom deixar claro, embora quem já acompanha minhas críticas saberá bem o que eu quis dizer ali, que EU GOSTO do Senhor do Tempo interpretado por Peter Davison. Aliás, até hoje não existiu um único Doutor de quem eu não gostasse (diferente de companions — olá, Tegan!), mas ele é o meu “menos favorito” em qualquer cenário que eu fizer a classificação.

E por que fiz essa comparação de personalidades? Porque eu sempre ouvi horrores sobre o 6º Doutor e sobre os arcos da era do 6º Doutor e chego na penúltima aventura da 22ª Temporada e não vi um único arco de fato ruim. Também não consigo encontrar o problema da maioria dos whovians que conheço (alguns, bons amigos meus) em relação ao 6º Doutor. Sou plenamente a favor do que o próprio Doutor diz em The Twin Dilemma: “eu sou um alienígena, eu sou o Doutor, quer você goste ou não” ou o que o 12º diz para clara em Deep Breath: “eu não sou seu namorado“. Aqui em Timelash, essa personalidade mais dura é uma das melhores coisas em tela e, ao contrário do que possa parecer, torna a amizade do Doutor e Peri ainda mais interessante, pela dificuldade do trato. Ele é o Doutor, ele se preocupa, ele gosta de sua companheira e a protege. Mas ele não é um ursinho de pelúcia que vive distribuindo beijos, gentilezas e afagos pelo Universo afora. Dá-lhe Colin Baker!

A trama começa com uma pequena briga entre Doutor e companion, que evolui para a entrada perigosa deles em um time corridor, chegando ao planeta Karfel, onde o 3º Doutor, Jo (e Mike Yates) já estiveram, em uma aventura não vista na TV, mas que se passa entre os arcos Planet of the Daleks e The Green Death. Aqui, dominado por Borad — um ex-cientista Megelen que sofreu um acidente e teve uma terrível mutação — o planeta está à beira da extinção, com uma sociedade constantemente vigiada (à la 1984) e recentemente mergulhado em guerra. Pego na confusão e já com a missão de encontrar um amuleto necessário para Borad, o Doutor alternará diálogos em que tira sarro descaradamente de seus inimigos e momentos de grande braveza e inteligência, fazendo geringonças para salvar o dia e arriscando a vida para distrair o inimigo e conseguir o que quer.

O roteiro é ágil e tem uma única coisa ruim, que acaba arrastando, infelizmente, pedaços de cenas para o buraco: o réptil Morlox, que é ridículo em todas as coisas imagináveis: concepção, inserção no roteiro e má finalização dramática. Desse modo, as ameaças a Peri e os breves momentos em que o bicho aparece na tela são bastante vergonhosos e atrapalham o ritmo das cenas em que está envolvido. Mas à parte a vergonha, o que vemos é um drama claustrofóbico com uma missão de resgate inteligente, misturando as tendências da ficção científica da década de 1980 e nuances de horror clássico, muito por conta de presença de Herbert (que personagem adorável David Chandler interpreta aqui, santo Rassilon!!!), que é revelado no último minuto como o grande H.G. Wells. Não sei vocês, mas eu fiquei montando uma temporada inteira do 6º Doutor, Peri e Herbert visitando cenários que fossem exatamente o que constaria nas páginas de livros do autor, algo que Glen McCoy não ignorou aqui, fazendo várias referências aos clássicos do autor: A Máquina do Tempo (1895), A Ilha do Dr. Moreau (1896), O Homem Invisível (1897) e A Guerra dos Mundos (1898).

Foi bem doloroso ver a forma de dominação dos personagens, especialmente de Peri, que está bem nesse arco, embora grite mais do que deveria. Também é de se questionar a postura de Herbert e do Doutor ao falar da americana, algo do tipo “ela é só uma garota!“, mas considerando que estamos falando de um jovem do século XIX e um Time Lord já marcado pela morte de pessoas queridas — de modo que ele colocaria até Kamelion para fora, se fosse o caso — a cena ganha outros contornos e compreendemos a postura dos dois.

Sem explicações finais forçadas e com uma fantástica mistura de humor negro e indicações literárias, Timelash é uma história rápida e instigante, uma daquelas que sabemos ser desprezada por uma parte considerável do fandom da série, mas que ganha, de tempos em tempos, pessoas que se colocam na linha de frente para defendê-la. Como eu, na presente crítica.

Timelash (Arco #141) — 22ª Temporada
Direção: Pennant Roberts
Roteiro: Glen McCoy
Elenco: Colin Baker, Nicola Bryant, Robert Ashby, Denis Carey, Paul Darrow, Eric Deacon, Neil Hallett, Jeananne Crowley, David Ashton, David Chandler, Tracy Louise Ward, Peter Robert Scott, Dicken Ashworth
Audiência média: 7,05 milhões
2 episódios (exibidos entre 9 e 16 de março de 1985)

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16 comentários

Denilson Amaral 11 de abril de 2017 - 22:41

Pessoalmente considero Timelash o fundo do poço para o Sexto Doutor. A trama é bem aleatória, os personagens desinteressantes, em suma um dos piores episódios de JNT até aqui e sem dúvida o pior momento da tumultuada era de Colin Baker na TARDIS.

O arco já começa com uma briga desnecessária do Doutor e da Peri e no decorrer da história a situação só piora com o Doutor negligenciando a companion em momentos cruciais e a abandonando durante metade do arco. Até o momento, era visível uma evolução gradual na amizade de ambos, mas Timelash trás uma quebra tão incoerente que o próprio roteiro tenta remediar em diálogos da dupla durante o clímax da história.

Um dos grandes pontos de Doctor Who são os vilões. Passando pelos tradicionais, como os Daleks, os Cybermen ou o Mestre, e pelos que aparecem apenas uma vez, como Tobias Vaughn ou Chassene, os antagonistas sempre estão lá para abrilhantar ainda mais as tramas ou mesmo salvá-las (como por sinal aconteceu nos dois arcos anteriores), porém nesse episódio não ganhamos mais do que arremedos de vilões que apenas emulam personagens passados.

Na verdade Timelash parece o resultado de uma mistura de diversos episódios anteriores que não consegue apresentar uma essência própria. A trama segue o padrão conhecido de uma sociedade controlada por uma figura desconhecida que já havia sido apresentado em The Macra Terror e em The Krotons, porém diferente dessas duas histórias, que apresentam uma forma criativa de domínio (seja pela hipnose dos Macra ou pela política boa vizinhança dos Krotons), aqui temos um apelo muito mais clichê no controle pela força e pela vigilância contínua.

O semelhança que beira a cópia está presente em praticamente tudo: Borad se comunica por meio de um fantoche, assim como os Macra; a trama do vilão principal desfigurado que sente atraido pela Peri é muito parecida com a situação de Sharaz Jek, de The Caves of Androzani e temos ainda a ideia de Borad de eliminar todos os humanoides do planeta para torná-lo habitável apenas para os seus semelhantes que parece ter tido uma “inspiração” no plano final do Marchal, vilão do arco The Mutants.

A mistura de elementos de outros arcos se expande até para os elementos mais secundários: o semivilão Tekker emula em praticamente tudo o incomparável Tobias Voughn, de The Invasion, desde os trejeitos de vilão de James Bond até a redenção nos últimos minutos; Vena, assim como Sabetha, de The Keys of Marinus (essa foi longe!), tem seu pai morto e carrega consigo um pequeno aparato que serve para ativar um poderoso mecanismo; todo o ambiente de uma cidadela com diversos túneis, que conta com um líder que não governa, além dos Morlox, terríveis criaturas presentes nos arredores da cidadela lembram muito Aggedor e o arco The Curse of Peladon

O uso de uma figura histórica é de fato interessante, mas não conseguiu me agradar. Talvez a enorme proximidade com The Mark of the Rani que trouxe George Stephenson tenha sido prejudicial, mas o grande ponto é que H. G. Wells ganhou uma postura muito boba que destoa muito do clima do episódio e diferente da maioria das outras figuras já apresentadas em Doctor Who, como Marco Polo, Nero ou o próprio George Stevenson, a presença de Wells no roteiro não é importante, sendo algo simplesmente aleatório (como todo o episódio).

Até o Doutor se porta de modo insuportável no decorrer da história, brigando sem motivo com a Peri, reclamando com o Herbert o tempo todo e destilando seu veneno em forma de sarcasmo e ironia de uma forma particularmente irritante. A forma como Peri foi escrita não destoa da posição do Doutor nesse arco, de modo que o pior da personagem é mostrado aqui: a jovem é colocada como interesse amoroso do vilão e é sucessivamente enfraquecida e esquecida pelo roteiro, servindo apenas como estereótipo da personagem feminina que entra muda e sai calada e só está lá para ser salva. Por sinal, cá está mais uma cópia: assim como em Vengeance on Varos, Peri corre o perigo de ser transformada em um híbrido de ser humano e animal.

Infelizmente, Timelash acaba não sendo esquecido unicamente pela falta de qualidades, a salada mista de elementos não gera nada de novo e nada especial, nem mesmo a figura do vilão que é o grande brilho de muitos episódios da temporada está presente aqui, o pouco que se salva do arco é o carisma de Colin Baker e Nicola Bryant, que o arco insistentemente tenta apagar.

P.S.1: Para tentar impedir o míssel dos Bandril, o Doutor conclama sua posição como Presidente do Alto Conselho de Gallifrey. É interessante constatar que essa é uma das poucas vezes que ele faz isso e que tanto aqui como em The Trial of a Time Lord, isso não adianta de nada, para que diabos serve ser presidente? Deve ser pela inutilidade do cargo que o Doutor nunca aceitou ser presidente de fato.

P.S.2: Só eu que fiquei estremamente incomodado com o embate final do Doutor com o Borad? O Doutor acaba com o psicológico do vilão com um discurso horrível que se baseia mais na aparencia dele do que em seus atos. Para mim foi uma estratégia suja demais para os padrões do Doutor.

P.S.3: Ainda na cena do embate, como o Doutor sabia da presença daquele espelho atrás da imagem do Terceiro Doutor? Pelo que eu entendi, aquela imagem foi feita depois que ele se foi e caso ela tenha sido feita ainda na presença do Doutor, não há motivo lógico para por um espelho atrás dela.

P.S.4: Falta menos de uma semana para o retorno de Doctor Who, você vai postar a review da finale da 22ª e depois se dedicar à nova temporada ou a pausa começa aqui?

P.S.5: Dessa vez eu não consegui pensar em muitos PS’s, da próxima vou me esforçar para achar mais coisas interessantes.

P.S.6: Trabalho formidável como sempre, não posso deixar de render todos os elogios para um texto tão primoroso. Meus sinceros parabéns, você quase me convenceu da maravilha que é esse arco, hehe.

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Luiz Santiago 11 de abril de 2017 - 23:39

É impressionante como discordamos em taaaantos pontos relacionados ao arco. Parece que estamos falando de coisas completamente diferentes, misericórdia!!!

Rapaz, esse negócio de citar o título de Lord Presidente me fez rir com uma certa cumplicidade. Porque ele sabia que não ia dar certo, ele é mais esperto que isso, e a forma sacana como ele faz é engraçado. No julgamento tem o efeito um pouco menos interessante, mas continua sendo engraçado, porque é claramente para se livrar do inquérito.

Eu gostei do embate, mas consigo entender o peso na atitude do Doutor que você sentiu. Isso é realmente impactante. Já o espelho, não achei também nenhuma explicação sobre como ele sabia. Mas dá pra especular um monte de coisas, não senti estranheza nessa parte justamente por isso.

Então, meu querido, eu vou pretendo terminar essa temporada essa semana, vai me dar um troço ter que esperar tanto. Vou ver um dia até sábado pra colocar isso no ar. Daí eu pauso a Clássica e volto só depois do finale da 10ª! Tá ansioso? Eu não aguento mais esperar, cara!

HAHAHHAHAHAHAHAHHAH você sempre se superando!

SOCORRO, esse 6º PS! Eu to confuso! ahhahahahaha você gostou do arco mesmo a partir de agora ou foi irônico! HELP HELP HELP!!!

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Denilson Amaral 12 de abril de 2017 - 00:22

Eu também estou muito ansioso, todos os episódios parecem ser maravilhosos, mas eu estou com uma ansiedade em particular pelo The Eaters of Light, eu realmente quero que seja algo maravilhoso para firmar o Rona como roteirista e abrir caminhos para outros autores de arcos da série clássica e claro pela finale World Enough and Time/The Doctor Falls (que título é esse, meu Deus!) que tem tudo para trazer os melhores episódios do Capaldi.

Como já faz um bom tempo que eu assisti os arcos do Sexto, eu tenho revisto os episódios com uma atenção maior e por isso tenho gostado muito mais de alguns aspectos dos arcos, como a Chassene, que estranhamente me passou despercebida na primeira vez ou o próprio arco Vengeance on Varos, que não me pareceu grande coisa e que agora ganhou um belo destaque dentro das meus ideais.

Por outro lado, acredite ou não, eu não encontrei nada melhor em Timelash, na verdade o arco só piorou pelas milhares de cópias de ideias de arcos passados que só pude perceber depois de uma experiência maior com os outros Doutores, penso que se a sua crítica não melhorou minhas concepções sobre Timelash, nada mudará.

Fico feliz que você vai terminar a temporada, vou tratar logo de reassistir Revelation of the Daleks tentando extrair o melhor, já que pelas minhas memórias o negócio não é lá uma grande maravilha.

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Luiz Santiago 12 de abril de 2017 - 16:11

Eu to evitando o máximo de spoilers e informações possíveis sobre a nova temporada. Tem coisas que é impossível não saber, como o retorno do John Simm, mas tenho segurado a curiosidade. Certeza que vai ser uma temporada épica. Moffat jamais sairia da série sem fazer um total rebuliço no negócio!

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Rafael Lima 13 de abril de 2017 - 15:20

Também to evitando spoilers, mas também me surpreendi com o retorno do Simm. Será que teremos o primeiro episódio “Multi Master” da história da série?

Luiz Santiago 13 de abril de 2017 - 17:19

Tá com cara de que isso vai MESMO acontecer!!! TO ME TREMENDO TODO JÁ!!!

Rafael Lima 12 de abril de 2017 - 02:27

Muito boas as suas observações @denilsonsamaral:disqus. De fato, a forma com que o Doutor liga a aparência do vilão a seus atos me incomodou também. Cheguei a pensar que fosse uma manobra pra desestabilizar o vilão, mas depois o Doutor realmente parece apontar a deformidade do vilão como conectada aos problemas de caráter. Também me incomodou.

Também acho que podiam ter revelado mais cedo que Herbert era H.G Wells e brincado mais com as possibilidades de ter o autor na série em uma aventura com o Doutor.

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Rafael Lima 11 de abril de 2017 - 02:42

Eu tenho sérios problemas com esse arco. Hehehe. Acho que ele até tem algumas idéias bem boas (especialmente a revelação de Herbert como H.G Wells), mas acho o resto da história bem fraca, com nenhum personagem digno de nota. Achei melhor que “The Two Doctors”, mas ainda assim bem ruim.

Quanto a relação do Sexto Doutor e Peri, eu vou contra argumentar. Levando em conta só o que vemos na série, não consigo ver essa amizade e apreço da dupla não. Acho exagero alguns que apontar a relação dos dois como um referencial de relação abusiva. Mas acho que no mínimo é uma relação tóxica.

É diferente do que houve por exemplo com o 12º Doutor e Clara. Ali, acho que Moffatt conseguiu criar uma dinâmica “amigos que brigam” que funciona, pois percebíamos que apesar das implicâncias, os dois viajantes gostavam muito um do outro. Fora que Clara realmente parecia apreciar as viagens na TARDIS.

Peri não. De fato, a jovem americana parece estar a beira de um colapso nervoso arco após arco (e eu não a culpo). Ela nunca parece satisfeita, ou parece desfrutar das suas viagens. O Doutor não parece valorizar a presença dela também. Vendo a série, simplesmente não dá pra entender por que os dois estão viajando juntos, por que a Peri realmente não parece querer estar ali. Não é de se surpreender que as coisas entre os dois tenham acabado do jeito que acabaram.

É só ver como a Big Finish tratou a relação da dupla. Não tem distribuição de beijos, carinhos e abraços ali. Ainda é uma relação bem abrasiva. Mas nos áudios dá pra perceber que o Doutor e sua companion gostam e se preocupam um com outro por baixo da turbulência. Na série, não dá pra ver isso.

Fora que eu acho que esse desdém do Doutor com Peri parece ser uma mera extensão da forma como a própria série tratava a personagem. Nesse arco mesmo, ela passa a maior parte do tempo amarrada. Turner pesou a mão também na sexualização da personagem. Não digo isso pelo figurino, mas sim por que ela parece ser constantemente assediada arco sim, arco não. Afinal, o vilão deste arco parece deixar bem claro que quer desfigurar Peri para toma-la como parceira. No arco anterior, um monstro canibal a chama de delícia. Tem algo na forma como a personagem foi tratada nesta temporada não só pelo Doutor, mas pela própria série, que é muito errada.

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Luiz Santiago 11 de abril de 2017 - 20:21

Concordo na parte da sexualização. Em alguns momentos Peri é um belo “pedaço de carne” na história, exatamente pela forma como é tratada. Não gosto desse tipo de trama, mas nas vezes em que vi isso acontecer, não foi de forma genérica, sempre vinha de um personagem ou de um núcleo, o que não tira a infâmia da coisa, mas a meu ver não torna algo institucional.

Já em relação à dupla, eu concordo com a maioria das coisas que você apontou, mas não consigo vê-las como algo negativo. Porque Peri não estava amarrada, ela poderia pedir para voltar para casa (estou considerando a série, mas no Universo expandido isso ocorre, ela dá umas pausas das viagens com o Doutor). Por outro lado, vou percebendo que perto da trágica saída dela (infelizmente depois foderam tudo reticonando a coisa), o desespero aumenta, ela está quase sempre pedindo para voltar para a TARDIS e tal, um pedido que pode ocorrer pontualmente em outros arcos, mas não de maneira desesperadora.

Vejo sim ela quase sob um ataque de nervos, mas interpreto isso não como algo forçoso para a personagem. Daí vem a comparação da relação com o Doutor e a dupla Doctor-Clara, que usei para destacar a posição do Doutor, suas patadas e escolhas. O 6º Doutor, a meu ver, vai amolecendo com o passar dos arcos (nos arcos do julgamento ele está mais próximo de conversar e ouvir Peri do que antes). Acho que era o tipo de coisa que poderia ter sido desenvolvido melhor antes, mas JNT chutou errado que teriam mais tempo… ledo engano. No final, a visão brusca é o que fica para o grande público. Por isso mesmo que não concorde, eu entendo sua posição quanto a essa relação e ao tratamento entre os dois.

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Denilson Amaral 11 de abril de 2017 - 23:45

Olhando para o final do seu comentário, eu me pergunto quantos anos o JNT planejava para a Peri, afinal os moldes originais de 23ª temporada apontavam que até o arco final, The Children of January (por sinal, eu também me pergunto por que a Big Finish nunca teve interesse nessa história em particular), a americana ainda estaria lá e não daria sinais de sair tão cedo.

O Sexto bem que podia ficar uns sete anos ou mais, mas acho que não deveria ficar com a Peri até o fim.

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Luiz Santiago 12 de abril de 2017 - 00:06

Estou começando a ouvir as Lost Stories do 6º. Nas entrevistas, o produtor da série diz que tentou conseguir autorização de uma porção de famílias (ou de autores ainda vivos) para adaptar o roteiro, mas eles ou exigiram fidelidade absoluta, o que fica difícil para a Big Finish poque é uma empresa que produz áudios, ela precisa modificar e ajustar coisas ou simplesmente não permitiram. Uma pena, porque tem histórias que MERECIAM ganhar a luz, mesmo que viesse em áudios.

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Denilson Amaral 12 de abril de 2017 - 00:41

Eu tenho um problema particular com The Children of January, praticamente não há informação alguma do roteiro fora uma pequena nota que o autor Michael Feeney Callan deu em seu site em 2009.

The Hollows of Time e Mission to Magnus foram para a Lost Stories, The Nightmare Fair foi adptada com o Oitavo, The Ultimate Evil tem um livro, Yellow Faver and How to Cure It mal teve a chance de ver a luz do dia devido a morte do autor, só The Children of January realmente não tem um bom motivo. O autor parace ser bem acessível, eu realmente queria saber qual é o problema.

Outra pergunta, você já viu o documentário The Lost Season? Ele é bem curto, só 11 minutos, mas esclarece bem alguns mistérios desses seis roteiros.

Luiz Santiago 12 de abril de 2017 - 16:26

Já vi sim, logo que comecei o 6º Dutor eu fui atrás de algumas fontes e achei esse doc. Ele é realmente interessante, porque fala dos planos oficiais. Seria muito legal que tivessem estendido um pouco e falado dos roteiros que tinham sido submetidos para fazer parte da primeira versão da 23ª Temporada, não apenas os finalmente escolhidos. Mas é uma ótima fonte, só pra deixar a gente um pouco curioso sobre como seria…

Rafael Lima 12 de abril de 2017 - 03:28

Então, como conheci as histórias da dupla pela série, justamente o fato da personagem “não estar amarrada” ao Doutor é o que tornava a coisa mais incômoda pra mim. Se eles estivessem presos um ao outro, estilo 1º Doutor com Ian e Barbara, ou mesmo o 4º Doutor com Romana I, talvez o incômodo fosse menor. Por que, como eu disse, ela não demonstrava prazer, Parecia estar ali mais por que tinha que estar e não por que queria estar.

De fato, a relação dos dois evolui na temporada seguinte. De fato, vemos um passo pequeno pra isso, já no próximo arco. Baker disse que a sua ideia e a de Turner era essa mesma, fazer o Sexto Doutor ir amolecendo aos poucos, mas acho que demoraram demais pra isso. Uma temporada inteira pro personagem crescer é sacanagem.

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Denilson Amaral 11 de abril de 2017 - 23:34

Uma coisa que eu concordo com você é o modo degradante como a Peri é tratada na série, de fato a personagem é muito mal escrita. Parando para pensar, quase não acredito que temos aqui a mesma equipe que criou a Tegan, uma personagem forte e que sabe se impor frente às adversidades.

Sempre que a história coloca algum destaque nas qualidades dela, o próprio roteiro dá dois passos para trás e coloca a botânica nas piores situações, dando um jeito enfraquecer ou sexualizar a personagem.

Também concordo que a série falha muito em demonstrar o carinho entre o Doutor e a Peri, mas não consigo deixar de pensar que a amizade está lá e existe. Muito mais do que algo verbal ou externo, Colin Baker e Nicola Bryant conseguem demonstrar uma química muito grande e por meio de gestos e olhares é possível ver que os personagens não estão lá apenas por se suportarem, eles realmente tem um carinho mútuo e uma amizade que cresce progressivamente.

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Rafael Lima 12 de abril de 2017 - 03:07

E não é? Fora que a Tegan tinha uma série de arcos dramáticos muito bem definidos. Mesmo na 19ª temporada, que foi a mais fraca para a australiana, tinha uma evolução de personagem ali, tanto no quesito pessoal quanto na sua relação com o Quinto Doutor e seus companheiros de viagem.

Já com a Peri, nunca tiveram essa preocupação. O pior é que eu nem acho a Peri por si só uma personagem ruim. De fato, gosto dela, mas muito mais pelo carisma da Nicola Bryant do que pelas conquistas da personagem, por que não desenvolvem a americana do jeito que ela poderia ser desenvolvida. Suas aventuras finais com o Quinto Doutor e mesmo o seu turbulento início com o Sexto Doutor em “The Twin Dillema” mostravam bem mais potencial. Já as histórias desta temporada parecem estar sempre buscando um jeito de desvalorizar a personagem como simplesmente a amiga gata do Doutor.

No caso desse arco, a própria Nicola chegou a reclamar com a produção do fato de passar metade da história amarrada sem fazer absolutamente nada.

Concordo que Baker e Nicola Bryant tinham grande química juntos, e era o que fazia a relação da dupla ser suportável nesta temporada. Mas sinto que os atores faziam o trabalho basicamente sozinhos, sem apoio da direção ou dos roteiros.

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