Home TVEpisódio Crítica | Doctor Who – Série Clássica: Warriors’ Gate (Arco #113)

Crítica | Doctor Who – Série Clássica: Warriors’ Gate (Arco #113)

por Luiz Santiago
97 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 3

Equipe: 4º Doutor, Romana II, K-9 Mark II e Adric
Espaço: The Gateway (E-Space)
Saga: E-Space Trilogy
Tempo: Indeterminado

Warriors’ Gate é o último arco da E-Space Trilogy e sua real importância para Doctor Who está na despedida de Romana e K-9 II da série, ficando no Portal do E-Space; e também pela definitiva saída do Doutor e Adric do local, onde estavam desde Full Circle.

Embora seja assinado pelo escritor Stephen Gallagher, o texto do serial sofreu massivas alterações do editor de roteiros Christopher H. Bidmead e do diretor Paul Joyce, que permitiu improvisos e mudou ele mesmo, durante os dias de filmagem, alguns diálogos e diversas cenas do original.

Assim como no medíocre arco anterior, State of Decay, Warriors’ Gate tem sérios problemas de desenvolvimento na trama, mas consegue manter a atenção do espectador pelas boas referências a elementos da cultura pop e diversas áreas do entretenimento. O espectador encontra aqui referências aos dois personagens da peça Esperando Godot (os dois funcionários atrapalhados da tripulação perdida que acossa o Doutor); ao filme Alien, o Oitavo Passageiro (os Tharil, aprisionados pelo Capitão Rorvik); ao livro Alice no País das Maravilhas (o Doutor se refere ao Gato Cheshire); à peça Júlio César, de Shakespeare, quando o Doutor diz para Romana que ela “foi a mais nobre Romana de todas“… e por aí vai.

Diante dessas relações com a literatura e também outras áreas do conhecimento (3ª Lei de Newton, Estrela Anã, I Ching, etc.), o arco vai ficando interessante de se ver. Mesmo que a parte relacionada à tripulação perdida seja fraca e fiquem zilhões de questionamentos a respeito dos Tharil, há uma linha de eventos que funciona como guia do roteiro e que consegue pelo menos ser positiva ao final da história.

Pela primeira vez desde a entrada de Adric na série, é possível entender a parcela de desafetos que o companion cultivou no decorrer dos anos. E o problema aqui é duplo, uma parte, por culpa do ator; outra parte, pelo roteiro, que não deu uma única boa cena ou diálogo para ele. Chega a ser frustrante e enervante ver o moço no E-Space, jogando uma moeda para cima e indo de um lugar para outro… depois aparecendo de surpresa no Portal e terminando o arco com perguntas em tom de jogral para o Doutor. Com certeza temos aqui um dos campeões de personagens mais mal escritos na série.

Os episódios 3 e 4 se estacionam quase que completamente em termos de ação, mostrando os personagens girando em torno de coisas já expostas na dupla de capítulos anteriores, sem dizer muita coisa a mais. É aqui que surgem as maiores perguntas sobre os Tharil e os maiores momentos de nervoso do espectador em relação à história, que perece uma estranha reprise. Do meio do episódio 4 para frente, a trama volta a ter um interesse maior e avançar para o desfecho quase que satisfatoriamente.

A forma minimalista do desenho de produção do arco, a diversidade de figurinos e a forma como a trilha sonora é utilizada nos dá diversas impressões sobre esse lugar entre-Universos. Infelizmente, Romana II e K-9 II partiram. Agora está o Doutor e o chatinho do Adric na TARDIS e, até que fim, de volta ao nosso Universo, o N-Space. Daqui para frente, é a reta de preparação para a regeneração do Doutor.

Warriors’ Gate (Arco #113) — 18ª Temporada
Direção: Paul Joyce
Roteiro: Stephen Gallagher
Elenco: Tom Baker, Lalla Ward, Matthew Waterhouse, John Leeson,  Clifford Rose, Kenneth Cope, David Kincaid, Freddie Earlle,  Harry Waters, David Weston, Vincent Pickering, Robert Vowles, Jeremy Gittins
Audiência média: 7,47 milhões
4 episódios (exibidos entre 3 e 24 de janeiro de 1981)

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6 comentários

Pedro Sebastião Pereira Amaro 24 de maio de 2017 - 11:09

A Romana é minha companion favorita, fiquei bem triste com a saída dela, ainda mais triste pela permanência do adric.
‘Você foi a Romana mais nobre de todas’.

Responder
Luiz Santiago 24 de maio de 2017 - 13:56

Romana é inesquecível! Uma companheira que realmente faz falta.
Mas @pedrosebastiopereiraamaro:disqus, você pode pegar mais aventuras dela com o Doutor nos áudios da série Fourth Doctor Adventures.

Responder
Rafael Lima 22 de dezembro de 2016 - 16:31

Cara, acho esse arco muito esquisito. O visual da história é totalmente surreal, mas o roteiro também é.muito surreal, que muitas vezes beira o incompreensível.Claro, como você disse nessa resenha, existe um roteiro ali pra se acompanhar,, mas na minha opinião, ele se torna confuso em alguns pontos.

Mas apesar dos defeitos, não se pode negar que “Warriors’ Gate” é um arco ambicioso. Não só pela sua estética, mas pelos conceitos bem interessantes e relativamente complexos apresentados, como a psiquê dos Tharil, que parecem ter a mente dividida entre o passado e o presente.

Mas como você bem disse, o que torna este arco realmente importante dentro da mitologia de “DW” é a partida de Romana. Embora a saída de Romana surja de forma repentina (uma constante com os companions do 4º Doutor) e pessoalmente gostaria de ter visto algo um pouco mais elaborado, a aparente frieza na despedida dos dois Gallifreyanos esta perfeitamente dentro dos personagens. Afinal, tanto o 4º Doutor quando Romana não são personagens que expõem seus sentimentos facilmente. Além disso, a certeza que o Doutor demonstra ao final de que Romana será “Mais do que apenas bem, pois será soberba” revela todo o carinho e orgulho que o Timelord nutre por sua companion.

Digno de nota também é como a trajetória de Romana dentro da série (em suas duas r) marcou um novo modelo para jornada das companheiras. Claro, a essa altura, maioria dos companions já saiam mais corajosos e sábios da Tardis do que haviam entrado. Mas Romana foi além. As antecessoras (e antecessores) da Timelady encerravam suas temporadas ao lado do Doutor voltando pra casa, ou encontrando um novo lar, representado muitas vezes por um casamento.

Romana não apenas tem a sua visão de mundo ampliada ao fim de seu tempo como companion, ela absorve o estilo de vida do Doutor e o torna seu. A série ao fim coloca Romana como uma igual do Doutor, que poderia mesmo em algum nível substituí-lo, sendo tão capaz de salvar universos quanto ele, e viver suas próprias aventuras fantásticas. A ultima vez que vemos Romana, inclusive, ela tem planos que permitirão que ela construa (ou cultive) a sua própria Tardis. Esse tipo de abordagem nunca havia sido mostrada antes para uma companion, mas continuou a ecoar no futuro em outras personagens, como Ace, River Song, e mais recentemente Clara Oswald. Um bom legado deixado por Mary Tamm e Lalla Ward.

PS 1: Sou o único que sentia uma tristeza ao ver o K9 extremamente danificado neste arco?

PS 2: @luizsantiago:disqus, uma curiosidade. Você já terminou de assistir a série clássica?

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Rafael Lima 22 de dezembro de 2016 - 16:31

Cara, acho esse arco muito esquisito. O visual da história é totalmente surreal, mas o roteiro também é.muito surreal, que muitas vezes beira o incompreensível.Claro, como você disse nessa resenha, existe um roteiro ali pra se acompanhar,, mas na minha opinião, ele se torna confuso em alguns pontos.

Mas apesar dos defeitos, não se pode negar que “Warriors’ Gate” é um arco ambicioso. Não só pela sua estética, mas pelos conceitos bem interessantes e relativamente complexos apresentados, como a psiquê dos Tharil, que parecem ter a mente dividida entre o passado e o presente.

Mas como você bem disse, o que torna este arco realmente importante dentro da mitologia de “DW” é a partida de Romana. Embora a saída de Romana surja de forma repentina (uma constante com os companions do 4º Doutor) e pessoalmente gostaria de ter visto algo um pouco mais elaborado, a aparente frieza na despedida dos dois Gallifreyanos esta perfeitamente dentro dos personagens. Afinal, tanto o 4º Doutor quando Romana não são personagens que expõem seus sentimentos facilmente. Além disso, a certeza que o Doutor demonstra ao final de que Romana será “Mais do que apenas bem, pois será soberba” revela todo o carinho e orgulho que o Timelord nutre por sua companion.

Digno de nota também é como a trajetória de Romana dentro da série (em suas duas r) marcou um novo modelo para jornada das companheiras. Claro, a essa altura, maioria dos companions já saiam mais corajosos e sábios da Tardis do que haviam entrado. Mas Romana foi além. As antecessoras (e antecessores) da Timelady encerravam suas temporadas ao lado do Doutor voltando pra casa, ou encontrando um novo lar, representado muitas vezes por um casamento.

Romana não apenas tem a sua visão de mundo ampliada ao fim de seu tempo como companion, ela absorve o estilo de vida do Doutor e o torna seu. A série ao fim coloca Romana como uma igual do Doutor, que poderia mesmo em algum nível substituí-lo, sendo tão capaz de salvar universos quanto ele, e viver suas próprias aventuras fantásticas. A ultima vez que vemos Romana, inclusive, ela tem planos que permitirão que ela construa (ou cultive) a sua própria Tardis. Esse tipo de abordagem nunca havia sido mostrada antes para uma companion, mas continuou a ecoar no futuro em outras personagens, como Ace, River Song, e mais recentemente Clara Oswald. Um bom legado deixado por Mary Tamm e Lalla Ward.

PS 1: Sou o único que sentia uma tristeza ao ver o K9 extremamente danificado neste arco?

PS 2: @luizsantiago:disqus, uma curiosidade. Você já terminou de assistir a série clássica?

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Luiz Santiago 22 de dezembro de 2016 - 17:57

Eu sou meio mole de coração, então sinto demais essas partidas em DW, não raramente me emociono. A partida de Romana me deixou um buraco enorme no peito. A parceria dela com o Doutor era sensacional e a forma como ela ficou para trás, totalmente dona de seu destino, amadurecida, empoderada, não deixa de me dar uma nostalgia tremenda.

Engraçado você citar o modelo de companions e a forma como saem. Se vermos a saída pelo menos dos dois seguintes, um morto e outra para ficar em uma colônia de leprosos, trabalhando como cientista, é mesmo um baita legado,não?

K9 é um personagem me que dá enorme simpatia. Eu adoro robôs, droides e coisas do tipo (imagina só quando eu vi Kamelion pela primeira vez hahahaha), de modo que sim, compartilho de sua tristeza ao ver o coitado todo estrupiado.

Eu acabei de terminar The Five Doctors. Tenho críticas escritas até The King’s Demons, mas não postadas (eu procuro postar uma por semana, mas tem várias já feitas em rascunho). Agora nas férias eu pretendo maratonar para acabar a clássica. 😀

Responder
Luiz Santiago 22 de dezembro de 2016 - 17:57

Eu sou meio mole de coração, então sinto demais essas partidas em DW, não raramente me emociono. A partida de Romana me deixou um buraco enorme no peito. A parceria dela com o Doutor era sensacional e a forma como ela ficou para trás, totalmente dona de seu destino, amadurecida, empoderada, não deixa de me dar uma nostalgia tremenda.

Engraçado você citar o modelo de companions e a forma como saem. Se vermos a saída pelo menos dos dois seguintes, um morto e outra para ficar em uma colônia de leprosos, trabalhando como cientista, é mesmo um baita legado,não?

K9 é um personagem me que dá enorme simpatia. Eu adoro robôs, droides e coisas do tipo (imagina só quando eu vi Kamelion pela primeira vez hahahaha), de modo que sim, compartilho de sua tristeza ao ver o coitado todo estrupiado.

Eu acabei de terminar The Five Doctors. Tenho críticas escritas até The King’s Demons, mas não postadas (eu procuro postar uma por semana, mas tem várias já feitas em rascunho). Agora nas férias eu pretendo maratonar para acabar a clássica. 😀

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