Crítica | Doctor Who – The Curse of Fatal Death

estrelas 3

Um dos grandes diferenciais de Doctor Who em relação a outras séries é a sua interação com mídias além da TV e a produção de muito material extra para os mais diversos fins.

É claro que com o passar dos anos (lembremos que a série data de 1963), outros países acabaram utilizando o eficiente modelo de proximidade entre show e público através de elementos além da TV, mas até hoje, não creio que exista uma série que além de sua produção oficial traga publicações em quadrinhos, contos e romancesaudiodramas, acessórios, brinquedos e esquetes televisivos especiais.

Pela sua popularidade dentro e fora do Reino Unido, Doctor Who sempre contou com menções humorísticas, paródias, homenagens ou esquetes televisivos através dos anos. Essas produções podem ter uma forma de homenagem direta, como por exemplo, a de Lenny Henry em 1986; ou o meu favorito, The Corridor Sketch (1991), um mocumentário muito interessante sobre a gravação do Piloto de Doctor Who, algo que seria explorado de maneira impecável por Mark Gatiss em An Adventure in Space and Time (2013). Tem também aquele esquete ruinzinho feito para o Children in Need em 1993, chamado Dimensions in Time, mas não é necessariamente uma homenagem…

Depois da tentativa frustrada da BBC e da Fox em dar um primeiro passo para uma nova versão da série, que havia sido cancelada em 1989, os whovians do mundo inteiro perderam as esperanças de ver novamente o Doutor novamente na telinha. Com o resultado pouco animador do filme de 1996 (Doctor Who – O Senhor do Tempo), a quantidade de produtores dispostos em investir numa nova temporada diminuiu drasticamente.

Mas o Doutor voltaria às telas três anos depois desse longa, no especial The Curse of Fatal Death, produzido para o Red Nose Day, um teleton britânico do tipo Criança Esperança. Nele, temos ninguém menos que Rowan Atkinson (o eterno Mr. Bean) como Doutor, além de mais três outros atores e uma atriz interpretando o mesmo papel numa sequência alucinante de regenerações. E para quem prestou atenção, sim, Steven Moffat já fez o Doutor ser mulher uma vez!

O episódio tem pouco mais de vinte minutos e apesar de não ser genial, é engraçado na maior parte das piadas e referências à mitologia da série, um ótimo primeiro trabalho de Steven Moffat em DW. O enredo é simples e traz o Mestre e os Daleks como vilões, mas o destaque mesmo está com o Mestre, com quem o Doutor troca alfinetadas e faz um jogo de “voltar ao momento certo na linha do tempo”. O que incomoda aqui são as regenerações rápidas demais e a terrível atuação de Julia Sawalha como companion. Num cômputo geral, o episódio consegue pontos porque seu roteiro brinca com elementos muito caros ao público-alvo, mesmo que uma abordagem pastelão em certos momentos nos faça torcer o nariz. A sequência de Doutores alternativos aqui é:

Seis anos após a exibição de The Curse of Fatal Death, Doctor Who voltava à televisão com Christopher Eccleston interpretando o papel principal. Um fato curioso é que a oferta também foi feita para Rowan Atkinson e Hugh Grant, dois atores que viveram o Senhor do Tempo nesse episódio especial.

Apesar de seus tropeços e forçadinhas humorísticas, The Curse of Fatal Death é um capítulo muito interessante do Universo Expandido de DW (e há até quem considere o episódio como canônico!), e, independente de qualquer coisa, merece ser visto.

Comic Relief: The Curse of Fatal Death (UK, 1999)
Roteiro: Steven Moffat
Direção: John Henderson
Elenco: Rowan Atkinson, Richard E. Grant, Jim Broadbent, Hugh Grant, Joanna Lumley, Julia Sawalha, Jonathan Pryce, Roy Skelton, Dave Chapman
Duração: 23 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.