Crítica | Doctor Who: The Eternal Battle

PLANO CRÍTICO 4 DOUTOR The Eternal Battle (audio story)

Existe algo nessas aventuras de longas guerras e máquinas funcionando mal, achando que estão funcionando bem, que me encanta logo de cara em enredos de ficção científica. Neste segundo episódio das Aventuras do 4º Doutor (6ª Temporada), temos esse tipo de problema em pauta, em um roteiro inicialmente muito bem pensado por Cavan Scott e Mark Wright, mas que infelizmente acaba caindo em uma repetição de dinâmicas e posições meio bobas dos personagens, de certa forma, estragando parte da diversão logo na parte final da história.

Passando-se mais próxima do arco The Leisure Hive (e logo após The Beast of Kravenos) esta história coloca o 4º Doutor e Romana em uma Zona de Guerra de um planeta não nomeado, num futuro distante. Juntamente com K9, a dupla tenta explorar o lugar, observando estranhas luzes que piscam no céu. O roteiro é rápido ao passar sensações de incômodo, medo, abandono, morte… Este cenário de guerra vai aos poucos ficando mais e mais misterioso até que aparecemos  Sontarans e levam os tripulantes da TARDIS para um QG. É nesse ponto que a aventura de fato começa, pois é diante das informações dadas pelos clones guerreiros e pelo fato de a TARDIS ter desaparecido que o Doutor e Romana também entrarão para batalhaa (a seu modo).

The Eternal Battle traz esse título pelo motivo mais óbvio possível. Confesso que toda vez que vejo a citação de “uma guerra tão longa que a gente não consegue mais lembrar” eu lembro de duas coisas, primeiro, a Guerra do Tempo; segundo, a Guerra de Thals e Kaleds. Aqui foi a mesma coisa e não uma única vez. Pouco a pouco, o roteiro vai expondo as duas grandes frentes em guerra e as transformações pelas quais cada um dos lados está passando. De início, isso aparece como uma anomalia isolada e até um pouco confusa, mas não no sentido negativo. Como é o começo da história, o espectador consegue lidar bem com a falta de informações a respeito. Mas com o passar dos minutos essa questão entra para a linha central da narrativa e chega um ponto em que o enredo não sabe bem o que fazer com ela.

A separação do Doutor e Romana serve para — mais uma vez — mostrar a abordagem de cada um para uma grande crise. O fator sorte aqui, porém, exige demais da nossa suspensão da descrença e a parte final da história, que tinha tudo para ser bem mais interessante, acaba nos chateando porque é longa demais, porque a montagem não funciona muito bem na alternância entre os blocos e porque o raciocínio do Doutor mais a postura do Sycon Computer acaba não sendo muito original. Tudo bem que os áudios da série tentam emular o momento cronológico da vida do Doutor onde a trama se passa, mas seria interessante ver um outro caminho para a vitória do Time Lord, já que a premissa para o computador, com um sistema que pregava que a guerra era inútil, é bem interessante.

Mostrando um lado pouco explorado dos Sontarans e trabalhando com certas impossibilidades em uma grande guerra The Eternal Battle é uma aventura ágil, que começa muito bem mas que tem um final pouco inventivo e um tanto irritante. Ainda assim, é uma boa aventura, só que não está livre de maus momentos.

Fourth Doctor Adventures – 6X02: The Eternal Battle
Direção: Nicholas Briggs
Roteiro: Cavan Scott, Mark Wright
Elenco: Tom Baker, Lalla Ward, John Leeson, Dan Starkey, Jane Slavin, John Banks
Duração: 80 min.

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.