Crítica | The Helm of Awe (Philip Hinchcliffe Presents)

Philip Hinchcliffe Presents é uma minissérie da Big Finish com roteiros do produtor da Era de Ouro de Doctor Who, Philip Hinchcliffe, readaptados para audiodramas por Marc Platt. O primeiro volume do projeto saiu em 2014, contando com duas aventuras: The Ghosts of Gralstead e The Devil's Armada. O segundo volume veio em 2016, com The Genesis Chamber, e o terceiro volume, lançado em abril de 2017, é o produto da presente crítica. Todas as histórias do projeto até aqui trouxeram o 4º Doutor ao lado de Leela. Plano Crítico.

Equipe: 4º Doutor, Leela
Espaço: Bothness
Tempo: 1977 e Segunda Guerra Mundial

Philip Hinchcliffe Presents é uma minissérie da Big Finish com roteiros do produtor da Era de Ouro de Doctor Who, Philip Hinchcliffe, readaptados para audiodramas por Marc Platt. O primeiro volume do projeto saiu em 2014, contando com duas aventuras: The Ghosts of GralsteadThe Devil’s Armada. O segundo volume veio em 2016, com The Genesis Chamber, e o terceiro volume, lançado em abril de 2017, é o produto da presente crítica. Todas as histórias do projeto até aqui trouxeram o 4º Doutor ao lado de Leela.

Em The Helm of Awe, a TARDIS chega à remota ilha de Bothness, no arquipélago de Shetland (uma das 32 Áreas de Conselho da Escócia), e o Doctor e Leela são ameaçados por… vikings, só que nem tudo — obviamente — é o que parece. Os moradores locais estão comemorando um antigo e nórdico festival do fogo, 0 Up Helly Aa (celebrado anualmente em pleno inverno para marcar o final da temporada do ano novo, uma tradição que existe até os dias de hoje em Shetland), então supostamente não há com o que se preocupar.

Ou na verdade há algo preocupante? O Doutor e Leela se dão conta de que existe um artefato antigo investido de poderes misteriosos que foi recentemente roubado e trazido para este local remoto. Em algum lugar da ilha esconde-se algo antigo, maligno e alienígena. Mas nem o tempo, nem a maioria dos ilhéus estão exatamente do lado dos estranhos visitantes, o que torna o roteiro cheio de surpresas logo de saída, pois sabemos da animosidade entre os moradores e os recém-chegados, fazendo-nos aportar rapidamente nas semelhanças que essa história tem com O Homem de Palha (1973).

A ligação com a UNIT e a mensagem do Brigadeiro é um dos pontos fracos do arco. Por mais que o cenário local seja no presente (1977) e tudo ligado aos personagens esteja interagindo bem com o devido tempo (até a volta para o passado, na Segunda Guerra), o espectador fica à espera de uma participação realmente funcional da Organização no arco, mas isso não acontece. O Brigadeiro e sua mensagem estão apenas como um ciclo no texto, abrindo e fechando a aventura e empurrando o Doutor para “o caminho certo”, ou seja, a anomalia da vez. Só que tudo isso à distância. E talvez justamente por conta desse aspecto contemporâneo à distância é que o texto fique preso a momentos bem burocráticos, especialmente no episódio final.

Quanto ao desenvolvimento da história, temos aqui a típica trama de horror que conhecemos da série principalmente entre The Ark in SpaceThe Talons of Weng-Chiang (embora, na linha do tempo do Doutor, essa história se passe entre The Talons e Horror of Fang Rock). É um horror peculiar, misto de sci-fi, História, indicações culturais das mais diversas e personagens que são verdadeiros arquétipos de alguma coisa, personificando alguma luta com raízes para além do tempo presente, o que dá uma cara bem mais rica ao enredo desde o início. Leela recebe uma grande e bem cuidada atenção, assim como o Doutor, sempre com tiradas impagáveis nessa encarnação. A dinâmica entre os dois é respeitada e recebe mais alguns pontinhos de desenvolvimento aqui, o que é bem legal de se acompanhar.

Minha relação com o monstro da aventura é que não é tão louvável. Para essas histórias, a ocultação o máximo possível da ameaça é a coisa mais interessante na maioria dos casos, e quanto mais se mostra e torna-se intricado o arco dos monstros, pior para o fechamento do enredo, que é justamente o problema desse arco, por isso, vejo com olhos muitíssimo mais simpáticos o início do que o final da aventura. Mas ainda assim, não deixa de ser uma daquelas coisas legais de um tempo de Doctor Who que mesmo nós que nascemos bem depois de ele ter passado, não conseguimos deixar de tietar sem moderação.

Philip Hinchcliffe Presents Vol.3: The Helm of Awe (11 de abril de 2017)
Direção: Ken Bentley
Roteiro: Philip Hinchcliffe, adaptado por Marc Platt
Elenco: Tom Baker, Louise Jameson, Joanna Vanderham, David Rintoul, Jane Slavin, Ewan Bailey, Kieran Bew, Chris Porter, Fleur Hinchcliffe
Duração: 180 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.