Crítica | Domingo

Todo mundo sabe que os domingos não são dias normais. Um ar de preguiça e perspectiva aflita para o dia de trabalho na manhã seguinte faz do domingo um misto de descanso e desfile de rituais sociais e religiosos tão velhos quanto a própria instituição do dia como “o dia do senhor”. Ir à igreja, visitar familiares, descansar. Ócio e tédio envernizam o primeiro dia da semana de muita gente há centenas de anos.

O diretor Patrick Doyon se aproveita desse marasmo dominical para escrever a história do seu curta-metragem, um filme bem irregular mas bastante criativo sobre um garoto que vive um conhecido calvário dominical: ir à missa, visitar a casa da avó e suportar a reunião de parentes para o almoço em família. O filme foi indicado ao Oscar de Melhor Animação em Curta-metragem, mas o seu gráfico simples e ingênuo e a história tão pouco interessante fizeram dele um facilitador para a escolha do estadunidense The Fantastisc Flying Books… como o vencedor da categoria.

O roteio do curta tem sua graça. Alguns acontecimentos em torno do garoto entediado que amassa moedas nos trilhos da ferrovia podem ser apreciados com gosto pelo espectador, em especial aqueles que gostam de análises simbólicas. O desfile de metáforas no filme é o que o torna minimamente interessante, e além de animais como corvos, urso, peixe e cachorro, há a comparação visual, através da montagem, desses animais com os humanos e o seu comportamento. Mas é a partir desse ponto o filme começa a enfraquecer, porque o ar nonsense vindo dessa escolha narrativa, incomoda e é um “bônus” indesejado no meio da realidade entediante. Algo também a ser observado é como a morte está presente em todo o filme, ou como é grande a fragilidade das coisas ao redor do protagonista.

No mais legítimo estilo naïf, Domingo é um curta metragem pouco atrativo à primeira vista, mas que pode despertar a atenção do público, se melhor analisado. A simplicidade dos traços e o roteiro simbólico podem afastar o espectador mais acostumado com grandes produções e trabalhos artísticos exuberantes, mas as poucas pessoas que nutrirem simpatia pela história desse solitário garoto e seu mundo entediante, encontrarão, nas entrelinhas, pequenos alumbramentos que fazem valer a sessão.

Domingo (Dimanche / Sunday, Canadá, 2011)
Direção: Patrick Doyon
Roteiro: Patrick Doyon
Duração: 9min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.