Crítica | Doomsday Clock #11: Um Erro Que Dure Toda a Vida

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E não tenho medo, tampouco, de cometer um erro, um erro que dure toda a vida e talvez tanto quanto a própria eternidade mesma.

James Joyce

Quando eu terminei a leitura da excelente Ação, edição anterior desta Relógio do Juízo Final, comecei a temer pela reta final da série. O motivo principal desse temor estava na quantidade de coisas que Geoff Johns precisava fechar ou afunilar ao máximo para que a série tivesse uma “cara de final” a partir daqui. Bem, cá estamos, enfim, na penúltima edição da saga. E mesmo que eu não tenha ficado tão impressionado quanto achei que ficaria (edições anteriores da série como a já citada Ação e outras como Crise e Salvar a Humanidade tiveram impacto bem maior sobre mim), realmente gostei do terreno que o autor deixou preparado para o encerramento.

Acima de qualquer coisa, o que temos nesta revista é uma colocação final dos planos de Ozymandias, que age para salvar o mundo dele e, devido às muitas agitações políticas, o nosso mundo também. O roteiro já vinha trabalhando uma espécie de espelho entre esses Universos, com o Metaverso agora passando pelos mesmos abalos que o Universo de Watchmen já passou. Aliás, quase os mesmos. No presente caso, contamos com as ações do Dr. Manhattan fazendo diversos experimentos e alterando, muitas vezes de maneira trágica, a linha do tempo. Ou seja, há uma sequência de alterações na fábrica desse Universo que enfim foi descoberta e, depois de tantos anos, aquele que estava experimento com o tempo e a vida dos heróis, vilões e pessoas comuns encontrará um oponente à altura para lutar.

Em muitos sentidos, esta edição serve também para agravar a crise entre a Rússia, os Estados Unidos e o Kahndaq. O roteiro prioriza as macro mudanças porque pretende fazer valer, através delas, a revelação do plano de Ozymandias sem que isso se torne didático ou até mesmo anticlimático, algo do qual a edição não escapa, para ser sincero, mas isso não tem a ver diretamente com a preparação do homem mais inteligente do mundo e sim com o tardio e rápido espaço dado ao encontro entre os Azulões. Preenchendo os espaços até esse fim, temos núcleos de personagens específicos também se finalizando ou recebendo explicações parciais. O único que me pareceu interessante, no entanto, foi o do novo Rorschach. Confesso que não gostei da sequência para a história do Mímico e Marionete e me pareceu inútil a presença de Garota de Saturno aqui. Rogo para que ela ou a Legião voltem na edição final da saga como uma espécie de compensação para este apagamento.

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Levando em conta que, exceto pelo Batman (preso) e pela Mulher-Maravilha (levada pelas Amazonas de volta a Themyscira), todos os heróis estão bem afastados do combate na Terra, o que deixa uma interrogação para o estilo que Geoff Johns usará na edição final — e também já espero um tratamento artístico épico de Gary Frank. Será que o autor usará o efeito de grandes sagas onde a cavalaria chega na última hora para salvar uma situação “perdida”… ou esse cheirinho de reboot no ar vai mesmo se escrever através da luta isolada entre esses seres poderosos do Universo DC? Seja lá o que for, meu íntimo desejo é que o autor consiga aproveitar todos os bons cenários que ele criou ao longo dessas onze edições e ponha um valioso fim a este ambicioso projeto. Uma coisa é certa: o Universo DC sofrerá diversas mudanças depois do que acontecer no final de Doomsday Clock. Segurem-se. Vem chumbo por aí.

Doomsday Clock #11: A Lifelong Mistake  — EUA, 4 de setembro de 2019
Roteiro: Geoff Johns
Arte: Gary Frank
Arte-final: Gary Frank
Cores: Brad Anderson
Letras: Rob Leigh
Capa: Gary Frank, Brad Anderson
Editoria: Amedeo Turturro,  Brian Cunningham
30 páginas

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.