Crítica | Doomsday Clock #8: Salvar a Humanidade

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Tendo como norte a frase “a ânsia de salvar a humanidade é quase sempre um disfarce para a ânsia de governá-la“, de H. L. Mencken, esta oitava edição de Doomsday Clock é um espanto, de tão boa. Se nós tirarmos alguns quadros da sequência no prédio do Planeta Diário (que coisa sem graça foi aquela cena com o suco de laranja de caixinha…), toda a edição é incrivelmente bem escrita, com cenas que fazem valer o toque épico da série, especialmente nesse momento, onde temos o aguardado “primeiro encontro” do Superman com o Dr. Manhattan, mesmo que, nesse momento, haja o subterfúgio mais óbvio e ao mesmo tempo mais oculto (numa sacada muito boa de Geoff Johns) para encobrir a verdade: o Nuclear.

Enquanto utiliza a Supermen Theory como base para realizar alguns encontros e manter ativa a linha de bastidores que nos apresentou desde a primeira revista, Geoff Johns desenvolve com muito cuidado os pontos que levarão o Superman para a Rússia, onde os grandes acontecimentos dessa edição se dão. O andamento da trama é bem medido e nos coloca frente a diversas óticas de relacionamento entre os heróis, a população, os governos e as “forças ocultas” que movem cada um deles, como, no presente caso, Ozymandias e o próprio Manhattan. Embora algumas explicações para a presença do Azulão Pelado em forma de Nuclear ainda precisem ser dadas, o resultado de sua revelação é simplesmente… explosivo (com trocadilho intencional).

A preparação para o grande momento ainda passa por dois estágios igualmente sensacionais. Após o incidente no país de Putin, o Azulão visita o Kahndaq, para falar com o Adão Negro. A conversa não é exatamente amigável, mas não há nenhuma intenção de enfrentamento, de nenhum dos lados. Os diálogos vão do diplomático ao ácido e é difícil não apreciar como essas duas grandes forças pensam o mundo e o que elas fizeram para criar a utopia de “um planeta com direitos para todos”. Notem que a noção geral dessa iniciativa já aparecera antes em Justiça, mas aqui chega a um nível secular e realista que nos coloca para pensar bastante sobre as ações de cada um e o que, de fato, é eficiente e benéfico a longo prazo e para a maioria das pessoas. Um argumento do Superman, no entanto, pode ser um definidor para a conversa: “eu não matei ninguém“.

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Lois perguntando “que diabos é a Sociedade da Justiça?” e Batman gritando para o Superman “NÃO É O NUCLEAR!!!” fizeram meu coração disparar aqui…

Mas aí também reside uma grande ironia. A reta final da edição mostra o quanto a tentativa de salvar pessoas pode acabar dando muito errado quando um acidente visto como um ataque, um ódio e o medo espalhados via imprensa e a obediência cega a um governo se unem num único lugar e iniciam o caos, especialmente quando há pessoas perturbadas e com super-poderes em cena. E para completar as surpresas, surge um pouco mais da nossa querida Sociedade da Justiça, num documentário da época da 2ª Guerra Mundial assistido por Lois. Tudo está lindamente encaminhado, a arte de Gary Frank continua fazendo bonito ao padrão adotado para a série e a promessa cada vez mais forte de algo incrível para o final dessa jornada está ganhando fôlego. Continue assim, Geoff Johns!

Doomsday Clock #8:   — EUA, 26 de setembro de 2018
Roteiro: Geoff Johns
Arte: Gary Frank
Arte-final: Gary Frank
Cores: Brad Anderson
Letras: Rob Leigh
Capa: Gary Frank, Brad Anderson
Editoria: Brian Cunningham, Amedeo Turturro
30 páginas

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.