Crítica | Doutores Clássicos, Novos Monstros – 2ª Temporada

Eu fiquei muito espantado com a qualidade desta 2ª Temporada de Classic Doctors, New Monsters. Não que eu não tenha gostado da 1ª Temporada, longe disso. Mas houve um salto na qualidade geral das histórias, no aproveitamento dos Doutores e na inclusão dos monstros da Nova Série, o que nos faz curtir, com o mesmo nível de engajamento, os quatro episódios que formam este Volume Dois, lançados pela Big Finish em julho de 2017. Plano Crítico.

Eu fiquei muito espantado com a qualidade desta 2ª Temporada de Classic Doctors, New Monsters. Não que eu não tenha gostado da 1ª Temporada, longe disso. Mas houve um salto na qualidade geral das histórias, no aproveitamento dos Doutores e na inclusão dos monstros da Nova Série, o que nos faz curtir, com o mesmo nível de engajamento, os quatro episódios que formam este Volume Dois, lançados pela Big Finish em julho de 2017.

A primeira aventura (que acaba tendo consequências para o futuro, voltando no fechamento da Temporada) é Night of the Vashta Nerada, e traz o 4º Doutor enfrentando esses monstros num lugar chamado Funworld (futuro Theta 49). O local era originalmente um planeta-floresta, mas foi convertido em um Parque de Diversões planetário, projeto de Georgia Donnelly, com quem o Time Lord se encontra aqui e com quem briga o tempo inteiro. Nesta ocasião o Doutor está viajando sozinho, tendo acabado de sair de uma horrorosa visita a Gallifrey em The Deadly Assassin, e é mais que natural que tenha procurado um lugar para se divertir — mas na longa história dele com “diversões”, a gente já imaginava o que poderia acontecer… O tratamento para os vilões é excelente e Tom Baker segue poderoso em seu papel, vivendo um Doutor enérgico, com momentos de raiva bem intensos e grande pesar quando não consegue colocar um plano de salvação em prática. Ah, e vale dizer que aqui temos uma informação importante: existem Vashta Nerada na Terra, mas no nosso planeta ele são pacíficos, vivendo de carniça e vermes em vez de humanos. Boa notícia!

Na sequência, temos Empire of the Racnoss, e eu fiquei de boca aberta ao constatar, assim que terminou o último áudio, que esta é na verdade a minha aventura favorita da Temporada. E isso é mesmo surpreendente porque mesmo gostando 100% a mais do 5º Doutor nos áudios do que na Série, ele ainda está em último lugar para mim, em qualquer lista que eu faça dos Doutores. Junte isso aos Racnoss, de quem não sou exatamente fã (mas não desgosto) e temos a receita completa do espanto, porque tudo nessa história é uma mistura de bizarrice, excelentes atuações e inteligência no roteiro (de Scott Handcock) que eu não sei bem como lidar. A trama é uma espécie de épico “palaciano” misturado com épico de guerra, espionagem e suspense, onde o espectador acompanha uma busca e uma investigação e vê traições dentro de traições, tornando a saga imensamente divertida e com uma boa dose de terror e exploração excelente do que é esta espécie, inclusive fazendo um bom gancho com The Runaway Bride, no final.

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Das quatro histórias da Temporada, The Carrionite Curse foi a que eu menos gostei, e isso também é impressionante porque como vocês sabem, eu sou tiete das histórias de Colin Baker na BF. O ator, porém, não é o problema (obviamente). E a história, na verdade, não é ruim, mas Simon Guerrier exige demais da nossa suspensão da descrença e, não contente, provoca a nossa paciência insistindo em manter a ação principal nos anos 1980, o que para mim é um grande absurdo e o bloqueio principal que me impediu de abraçar de fato boa parte da aventura. Sim, Doctor Who já trabalhou com elementos anacrônicos antes, mas colocar um “julgamento de bruxa” em plenos anos 80 e ainda por cima inserir as Carrionites sem uma boa âncora com o passado não é algo que funciona bem não. E claro, existem os livros e outros objetos que tentam fazer essa ponte, mas o trabalho diante deles não sustenta a proposta deslocada. Custava fazer uma aventura de época?

Fechando a Temporada temos Day of the Vashta Nerada, minha segunda trama favorita do volume, trazendo o 8º Doutor e Ollistra, num evento que se passa durante a Time War. Não precisa dizer mais nada, né? Aqui, o Time Lord chega à Synthesis Station e descobre que seu povo está patrocinando um projeto de armas tendo como base criaturas já letais: os Vashta Nerada. No processo, a equipe se depara com uma grande colônia dessas criaturas e o caos está instalado. A questão aqui se torna ainda mais interessante porque além da luta contra os vilões, o Doutor tem Ollistra em seu encalço (alguém que tanta dor de cabeça traria à encarnação seguinte do renegado), o que adiciona uma luta moral acima de tudo, fechando a 2ª Temporada com uma abordagem épica e que mais uma vez se liga de maneira orgânica e interessante com o que já conhecemos da série, no caso, os eventos de The Night of the Doctor.

Classic Doctors, New Monsters: Volume Two (Reino Unido, 27 de julho de 2017)
Direção: Barnaby Edwards
Roteiro: John Dorney (#1), Scott Handcock (#2), Simon Guerrier (#3), Matt Fitton (#4)
Elenco: Tom Baker, Pam Ferris, Lorelei King, Emma Lowndes, Matt Devitt, Matt Devitt, Peter Davison, Adjoa Andoh, Nigel Planer, Andrew French, Lisa Kay, Colin Baker, Andrée Bernard, Adèle Anderson, Maya Sondhi, Michael Fenton-Stevens, Paul McGann, Jacqueline Pearce, Jan Ravens, Himesh Patel, Tim Wallers
Duração: 4 episódios de cerca de 50 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.