Home FilmesCríticas Crítica | Justiça Brutal (Dragged Across Concrete)

Crítica | Justiça Brutal (Dragged Across Concrete)

por Ritter Fan
910 views (a partir de agosto de 2020)

Como afirmei em minha crítica de Confronto no Pavilhão 99, S. Craig Zahler é um nome a ser seguido. Apesar de nenhum de seus filmes até agora (apenas três, contando com o objeto da presente crítica) ter sido lançado em grande circuito cinematográfico em lugar algum, nem mesmo nos EUA, ganhando lançamento limitadíssimo simultâneo às plataformas de VOD, o fato é que o tipo de filme que ele faz é único nos dias de hoje. Dragged Across Concrete (que ganhou o título genérico Justiça Brutal no Brasil anos depois de seu lançamento) é mais uma prova disso e, também, de sua tendência em repaginar e trazer para os anos 2000 a brutalidade de vários estilos de filme dos anos 70.

Começando com Rastro de Maldade, ele abordou o western de horror. Com Confronto, ele mergulhou profundamente na onda setentista dos “filmes de prisão” como Papillon e Alcatraz – Fuga Impossível. Agora, com Dragged Across Concrete, ele procura trabalhar os filmes policiais de moral dúbia, flertando até mesmo com o subgênero italiano do poliziotteschi, herança que um de seus protagonistas deixa bem clara. Mas, em comum em todos eles há a violência extremada, explícita e pesada, com personagens torturados e que carregam grandes pesos em seus ombros.

Mas Zahler é um diretor autoral, acrescentando o seu próprio estilo mais verborrágico, de queima extremamente lenta, que costuma levar a explosões de fúria e sangue no terço final de obras bem longas, muitas vezes lembrando a pegada de Quentin Tarantino, mas sem fazer concessões à leveza ou às magníficas apropriações e explorações da cultura pop que o diretor de Pulp Fiction notabilizou-se em fazer. Zahler, de certa maneira, parece querer ser o Sam Peckinpah moderno, trabalhando temas sociais relevantes de maneira discreta dentro de uma estrutura niilista, que torna difícil, se não impossível, gostar ou torcer por esse ou aquele personagem. Zahler tem uma visão suja e pessimista de mundo e ele em momento algum procura podá-la ou torná-la mais agradável ou acessível ao público hoje mal-acostumado com filmes de ação ininterrupta repletos de efeitos especiais, o que, aliás, é uma das razões para suas obras não terem o alcance que deveriam ter (a Lionsgate prometeu lançamento em grande circuito nos EUA se ele cortasse e editasse substancialmente o filme, o que ele se recusou terminantemente a fazer).

A história é simples. Dois policiais veteranos da cidade fictícia de Bulwark, Brett Ridgeman (Mel Gibson) e Anthony Lurasetti (Vince Vaughn) são suspensos sem pagamento por seis semanas depois que seus atos de brutalidade policial são filmados e publicados por um telejornal. Desgostoso por ter dedicado uma vida inteira ao trabalho policial, com aparentemente ótimos resultados, Ridgeman decide ingressar no crime – no estilo “ladrão que rouba ladrão” – e, para isso, alicia seu parceiro. Claro que o plano dá errado e a espiral de violência sai do controle.

Como se pode ver, é uma premissa clichê do começo ao fim. Mas, como já tive oportunidade de reiterar em outras críticas, clichês, por si só, não são ruins. Tudo depende de como eles são utilizados e Zahler sabe manobrá-los e inseri-los magistralmente em sua terceira empreitada na cadeira de diretor e quinta na de roteirista. Para começar, o cerne da narrativa, objeto da sinope acima, é algo que vem preludiado de uma cuidadosa construção de personagens, começando por Henry Johns (Tory Kittles), recém-saído da prisão, que tenta voltar à vida “normal” na medida do possível, tentando tirar a mãe da prostituição e cuidar de seu irmão cadeirante. A ambientação neo-noir já começa forte aqui, com Zahler trabalhando de maneira inclemente esse submundo em que o criminoso não tem saída que não seja continuar sendo criminoso. Da mesma maneira que Johns, Ridgeman também tem seus problemas familiares, com sua filha Sara (Jordyn Ashley Olson) volta e meia sofrendo ataques na região empobrecida onde moram e sua esposa Melanie (Laurie Holden), ex-policial, sofrendo de esclerose múltipla. Ao colocar os dois personagens em posições semelhantes, o roteiro de Zahler não quer dizer que eles são iguais e nem pede simpatia por eles. O que ele faz é trazer contexto para o que cada um deles faz e é aí que ele estabelece um jogo sobre certo e errado, retidão moral e honra cujo resultado o espectador só verá bem lá no final dos 159 minutos de projeção.

Em meio aos dois personagens, há, claro, Lurasetti, que é dragado para o plano de Ridgeman, mas que Ridgeman deixa claro que só é para ele aceitar por ele mesmo e não por amizade, lealdade o ou qualquer outro sentimento nobre desse tipo. Afasta-se, portanto, a desculpa de que pelo menos um da dupla está ali por razões altruístas que talvez pudessem justificar seus atos. Não. A sujeira não sai assim tão fácil, assim como a sujeira que recai nos ombros de Henry Johns lá na outra ponta. Não há inocentes aqui e Zahler sabe muito bem disso.

Mas Zahler sabe mais do que isso. Seu texto é repleto de diálogos asquerosos lidando com violência policial e preconceito racial, sem que ele precise recorrer a discursos de crítica social. Ele costura pequenos comentários, como quando Melanie diz que “não sabia que era preconceituosa até começar a morar aqui” ou quando Ridgeman conversa com seu ex-parceiro e agora chefe Calvert (Don Johnson) sobre como é irritante o mundo ser dotado de câmeras para todo o lado, “condenando” o bom trabalho policial de antigamente. Zahler não prega. Ele apenas coloca, com extremo naturalismo e realismo, o tipo de comentário que volta e meia não só ouvimos as pessoas falarem com a maior tranquilidade do mundo, como nós mesmo acabamos falando sem nem perceber (ou escolhemos não perceber). O roteiro não condena ninguém. Ao contrário, ele joga para o espectador essa função, função que poderia ser resumida muitas vezes como “percebeu o que eu quis dizer, ou você acha normal?”. Zahler está afiadíssimo aqui, mais do que em seus trabalhos anteriores e talvez ele saiba diante do tempo que ele emprega para incutir suas ideias principalmente nos personagens de Gibson e Vaughn (trabalhando juntos novamente depois de Até o Último Homem).

Aliás, o diretor novamente extrai de Vaughn uma atuação assombrosa e, trabalhando pela primeira vez com Gibson, ele consegue do ator uma espécie de versão mais realista, comedida – mas sem perder todos os traços de loucura – de seu Martin Riggs, em Máquina Mortífera. A dupla estabelece uma química imediata, fazendo-nos crer, já na (in)ação inicial, que eles trabalham juntos há muitos anos, com toda uma linguagem corporal própria que ao mesmo tempo revela profundo respeito mútuo e um certo ressentimento de Ridgeman em relação a Lurasetti, já que o primeiro, como ele mesmo diz, está desde os 27 anos de idade sem crescer na carreira. Tory Kittles tem menos tempo de tela, mas, com o pouco que tem, ele faz muito, entregando um personagem igualmente de moral dúbia, mas que o texto de Zahler impregna de um quê de honradez que dialoga bem com as dúvidas da dupla policial.

Mas o espectador tem que estar preparado para um passo lento, bem lento, o que poderá afastar muita gente, ainda que, para mim, as quase 2h40′ tenham passado em um piscar de olhos. E, quem já viu os dois filmes anteriores do diretor e espera o mesmo tipo de “recompensa” de antes, poderá sair frustrado. Zahler faz uma outra espécie de obra aqui, bem mais contemplativa, bem mais preocupada com seu texto e com as atuações do que com a preparação para uma combustão espontânea ao final. Seu lado romancista – ele é autor de cinco obras de ficção – fala bem mais alto em Dragged Across Concrete e a veia de um diretor autoral é inafastavelmente mais saliente. Suas marcas registradas ainda são evidentes, porém, só que esperar apenas mais do mesmo é receita para desapontamentos.

Aliás, da mesma forma que Zahler parece amadurecer e graduar-se com esse filme, seu colega Benji Bakshi, diretor de fotografia de todos os seus filmes, também chega a um outro nível com uma magnífica fotografia noturna ao longo do clímax estendido, trabalhando iluminação natural, reflexos e luzes amareladas evocando podridão em um equilíbrio perfeito que resume o espírito de toda a obra. Evocando a sujeira dos policiais setentistas e fazendo uso de uma razão de aspecto mais ampla do que o padrão de seu trabalho anterior, Bakshi ganha no caráter épico, sem, porém, afastar-se da abordagem inerentemente intimista que o roteiro exige. É, sem dúvida alguma, seu trabalho mais delicado e bonito com Zahler até agora.

Dragged Across Concrete é o terceiro acerto seguido na ainda curta e substancialmente desconhecida filmografia de S. Craig Zahler, mas o filme sedimenta seu estilo, mostra que ele não está confortável em apenas repetir o que o espectador espera dele e não abre mão de uma pegada autoral que é cada vez mais rara de se ver por aí. Sorvendo inspiração diretamente dos anos 70 e retrabalhando estruturas narrativas e enxertando diálogos duros e cheios de significado, o diretor oferece a seus fieis seguidores (sim, quase como um culto!) uma obra-prima.

Dragged Across Concrete (Canadá/EUA – 22 de março de 2019)
Direção: S. Craig Zahler
Roteiro: S. Craig Zahler
Elenco: Mel Gibson, Vince Vaughn, Tory Kittles, Michael Jai White, Laurie Holden, Jennifer Carpenter, Thomas Kretschmann, Justine Warrington, Jordyn Ashley Olson, Udo Kier, Matthew MacCaull, Primo Allon, Don Johnson
Duração: 159 min.

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55 comentários

Marco Aurélio Souza Brito 28 de fevereiro de 2021 - 21:02

Filme soberbo. Lembra muito a estética setentista. Ótima crítica. Realmente não dá pra perceber o tempo passando ao ver o filme.

Responder
planocritico 28 de fevereiro de 2021 - 21:02

Que bom que gostou do filme! Eu fiquei pasmo vendo!

Já viu os outros dois do mesmo diretor?

Abs,
Ritter.

Responder
André Martins 13 de julho de 2020 - 19:03

Encontrei esta critica relativamente tarde, mas gostaria de te dizer que a tua escrita é precisa, rica e muito bem contextualizada.
Sou fã do Zahler. Já vi os três filmes e li todos os seus livros, menos o Hug Chickenpenny. Ele tem uma linguagem muito própria e visceral que raramente se encontra por aí.
Concordo com muito do que foi escrito aqui, mas pessoalmente não acho que Dragged possui a urgência e intimidade do Brawl ou até do Bone. Ranking pessoal:

– Brawl.
– Bone.
– Dragged.

Bela critica, ganhaste um seguidor.

Responder
planocritico 13 de julho de 2020 - 23:56

Fico muito feliz por você ter gostado da crítica e pelo site ter ganhado mais um leitor, @disqus_MDk2iEACM0:disqus ! Os filmes do Zahler são tão bons que fica difícil fazer um ranking, mas acho bem legal seu favorito ser Brawl. Esse foi o único filme dele até agora que eu consegui ver no cinema (em viagem) e foi uma experiência fenomenal!

Agora me diga, por favor: os livros do Zahler valem a pena? Eu já tive interesse, mas fiquei na dúvida e não queria aumentar ainda mais a minha pilha de obras a serem lidas…

Abs,
Ritter.

Responder
André Martins 14 de julho de 2020 - 12:48

Seria um sonho meu ver Brawl na tela grande (qualquer obra do Zahler na verdade). Acredito que foi fenomenal, sim.

Cinema é um processo colaborativo que muitas vezes não depende apenas da visão do diretor. Dito isso, eu adoro os filmes do Zahler, mas foi apenas ao ler as suas obras que realmente conheci a sua voz. Ele já disse isto numa entrevista, mas os livros dele representam a sua visão mais pura e não adulterada. Pensa nas histórias dos seus três filmes, mas com um orçamento BEM maior, exploração psicologica das personagens mais aprofundada e violência sem restrições algumas (há cenas no Wraiths of The Broken Land que fazem a famosa cena do Bone parecer da Disney).

Acredito piamente que a melhor história que Zahler já contou está no seu livro “Congregation of Jackals”. A obra funciona como um pavio longuíssimo, que ele acende nas primeiras páginas e a sua explosão nas últimas páginas chega a níveis infernais de horror.

Depois desse livro, recomendaria o Wraiths e o Mean Business on North Ganson Street. Corpus Chrome Inc tem os seus momentos, mas a história não tem a intensidade dos seus outros livros ou até dos filmes.

A prosa dele é rica, linda e arcaica (o que faz alguns leitores desistir bem cedo). Mas é uma questão de habito, pessoalmente não me importo.

Responder
planocritico 14 de julho de 2020 - 14:16

Cara, obrigado pelo seu comentário. Me deixou com água na boca! Vou comprar já Congregation of Jackals no Kindle!

Abs,
Ritter.

Responder
Ivan Juninho 17 de abril de 2020 - 13:55

Obs: ainda não vi o do Kurt Russell e o Patrick Wilson.

Responder
planocritico 17 de abril de 2020 - 15:02

Veja! Tem no Netflix!

Abs,
Ritter.

Responder
Ivan Juninho 17 de abril de 2020 - 13:55

Gostei, comparado com Confronto no Pavilhão, Dragged Across é MUITO melhor e bem mais amadurecido.

Sobre o final, vc ficou incomodado com o desfecho dos personagens, Ritter ? Q que vc achou ?
No meu caso, eu até achei interessante, mas penso que um final “otimista” também poderia ser usado.

Responder
planocritico 17 de abril de 2020 - 15:02

Concordo que é melhor e mais maduro que Confronto no Pavilhão, mas não MUITO melhor.

Sobre o final, não fiquei incomodado não. Tenho um certo pendor por finais assim como desse filme, então gostei bastante!

Abs,
Ritter.

Responder
Ivan Juninho 17 de abril de 2020 - 15:31

Acabei dando uma exagerada no MUITO, hehehehe

Responder
planocritico 17 de abril de 2020 - 16:14

Tá perdoado… 🙂

Abs,
Ritter.

Responder
Roberson Fagundes 18 de fevereiro de 2020 - 22:54

Acompanho o trabalho de vocês a cerca de 3 anos, mais nunca cheguei a comentar nada, descobri muita coisa legal por vocês e abriu minha mente para coisas mais diferente e autorais.

Falando do Filme, maratonei os 3 filmes do Zhaler em 2 dias e esse da critica em questão foi meu favorito. a pegada crua e visceral dele, juntamente com a atmosfera dos anos 70/80, reimaginada para os tempos atuais e a construção dos personagens com o clima, fazem os filmes desse diretor serem bem impactantes e “diferentes”, nessa enxurradas de mais do mesmo que temos nos dias atuais.

Bela analise, Abraços!!!!!!

Responder
planocritico 19 de fevereiro de 2020 - 12:15

Obrigado pelo prestígio, @roberson_fagundes:disqus ! E comente sempre que quiser, pois essa interação com os leitores é maravilhosa!

Dragged é mesmo um baita filme que sabe pegar suas influências e modernizá-las. E o melhor é que o diretor não faz concessões, mesmo que isso signifique que seu filme passará em branco pela gigantesca maioria de seus espectadores…

Abs,
Ritter.

Responder
Caique Nogueira 30 de dezembro de 2019 - 20:36

É o primeiro filme que eu vi desse diretor.Fico um pouco triste dado a recepção morna que ele recebeu,mas entendo que é um cinema muito autoral,e que o grande público pode descartar.De qualquer forma,gostei muito do filme.Ele é minimalista,frio na medida certa e bem sujão.Bela crítica.

Responder
planocritico 30 de dezembro de 2019 - 21:39

Que bom que gostou!!! Os filmes desse diretor não ganham destaque nem nos EUA. Uma pena.

Mas se você gostou desse, corra atrás dos outros dele. Garanto que não vai se arrepender!

Abs,
Ritter.

Responder
João Paulo Cardoso 21 de maio de 2019 - 19:32

Só não gostei de um ponto específico do filme: no terceiro ato, a montagem entrega o destino do personagem do Vince Vaungh. A cena perdeu peso pra mim por que foi muito previsível.

Responder
planocritico 29 de maio de 2019 - 19:19

Entendo. Mas eu achei uma previsibilidade boa.

Abs,
Ritter.

Responder
João Paulo Cardoso 21 de maio de 2019 - 19:23

Esse filme era exatamente o que eu procurava: filmes de ação realistas. Esse pessimismo do diretor me agrada muito. A falta de moral da câmera é muito linda, ela mostra o que tem que ser mostrado, sem tremer nem olhar pro outro lado.
Gostei mais do Vince Vaungh aqui do que em Brawl, no filme da prisão ele convence, porém, é praticamente o mesmo personagem que em True Detective. Ou seja, não é exatamente mérito do ator e sim do diretor de casting. Ele funciona mais como elenco de apoio, um sutil alívio cômico.
Vou ter que reassistir Rastros de Maldade. Amei Dragged across concrete. Amei Brawl in Cell Block 99.

Responder
planocritico 29 de maio de 2019 - 19:19

Concordo que Vaughn está melhor aqui. O personagem dele é mais sutil e tem um baita desenvolvimento.

E vale rever Rastros de Maldade sim!

Abs,
Ritter.

Responder
Anônimo 3 de abril de 2019 - 13:23
Responder
planocritico 3 de abril de 2019 - 14:32

Esse diretor promete!

Uma curiosidade: qual é a sua ordem de preferência dos filmes dele?

A minha é:

1. Concrete;
2. Tomahawk (quase que completamente empatado com Brawl);
3. Brawl

Abs,
Ritter.

Responder
Anônimo 3 de abril de 2019 - 20:48
Responder
planocritico 6 de abril de 2019 - 19:56

Confesso que, mesmo a minha lista sendo diferente da sua, os três filmes são tão próximos um do outro em termos de qualidade, que a ordem acaba nem fazendo diferença!

Abs,
Ritter.

Responder
Lucas 30 de março de 2019 - 17:13

E aquele subplot da personagem da Jennifer Carpenter?… minha nossa! kkkk mindblow total

Responder
planocritico 30 de março de 2019 - 20:28

Total!

Não mencionei nada na crítica só para manter a mais completa surpresa sobre aquilo!

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 30 de março de 2019 - 20:28

Total!

Não mencionei nada na crítica só para manter a mais completa surpresa sobre aquilo!

Abs,
Ritter.

Responder
Anônimo 30 de março de 2019 - 03:34
Responder
planocritico 30 de março de 2019 - 20:29

Olá, @disqus_6Ge29THzWL:disqus !

Olha, não tive problemas com os diálogos não. Na minha cabeça, eles ajudam na clara diferenciação entre os personagens de Gibson e Vaughn. O primeiro só tomou porrada da vida e está desesperançoso. Sua forma de falar é simples, direta, sem papas na língua. O personagem de Vaughn ainda tem esperança de um “futuro melhor”, não é casado, mas em tese está apaixonado por sua namorada e está prestes a pedi-la em casamento. Ele se define por ela tanto que imita o modo de falar culto e rebuscado dela, algo que é refletido em seu apartamento muito bem decorado e em seu carro limpinho e novinho. Pode não ser o tipo de realismo que esperamos quando ouvimos a palavra realismo, mas é algo que ajuda a criar os espaços dos personagens.

E o filme é mesmo bem verborrrágico, mas diria que é naturalmente assim. Nosso dia-a-dia, em regra, é bem verborrágico, já parou para pensar? Filmes do Tarantino são verborrágicos, mas com uma pegada pop. Zahler empresta um realismo em seus diálogos e, aqui, ele é muito eficiente em nos passar as críticas sociais suavemente dentro da estrutura do que escreve.

Não sei se o que escrevi faz sentido para você, mas é o que consigo passar da minha experiência vendo esse filme.

Abs,
Ritter.

Responder
Lucas 14 de abril de 2019 - 00:39

Também achei estranho o dialogo do gerente do banco com a personagem que virou mãe recentemente, porém me veio a mente um colega de trabalho que fala igual ao gerente…

Quanto ao dialogo achei uma crítica muito bem feita no que tange a licença maternidade, pra mim cada palavra do gerente era falsa, por esse motivo o diretor deve ter exagerado na pompa do dialogo, e a mãe percebeu e ficou sem graça…

Vou correndo achar pavilhão 9 pra assistir!!

Responder
planocritico 15 de abril de 2019 - 17:11

@disqus_q3xc0rayPN:disqus , gostei da forma como interpretou o diálogo!

Abs,
Ritter.

Responder
Rodrigo Rocha Vaz 29 de março de 2019 - 21:07

Vince Vaughn, que nunca me agradou, parece ter entrado em uma espécie de espiral de bons papéis e atuações desde a 2ª Temporada de True Detective. Doido para conferir, ainda mais por ter Mel.
ABS

Responder
planocritico 29 de março de 2019 - 21:53

Nunca adorei Vaughn, mas eu achava ele razoavelmente engraçado. Quando ele começou a enveredar por papeis sérios, ele se reinventou e ficou muito bom.

Abs,
Ritter.

Responder
Guilherme Tavares 29 de março de 2019 - 16:32

Eu vi o filme e infelizmente discordo. Eu entendo seu posicionamento e até seu levantamento das características positivas. Mas, discordo de algumas que vejo como algo pontual. A narrativa do filme é engessada e veja bem não é apenas pela sua mise en scene que está bem organizada, mas vários momentos notei o peso da mão do autor como se ele sempre quisesse ser coerente e um excelente exemplo disso é seus respectivos diálogos que são literalmente anunciados. Eu não estou querendo aprofundar aqui apenas dizer um ponto de vista diferente. Vejo porque ele chama atenção e por isso pode ser confundido como autor, mas acredito que seu estilo nolan-tarantino não vai conseguir muitos fans….obrigado pela atenção.

Responder
planocritico 29 de março de 2019 - 16:55

Pontos de vista discordantes são sempre bem-vindos!

Interesse seu ponto sobre os diálogos. Foi nesse terceiro filme dele que eu achei que ele justamente conseguiu criar textos bem inseridos e bem trabalhados o suficiente para dar o tom realista que ele tenta passar. Não vi nem o alegado didatismo de Nolan e nem a pegada pop de Tarantino, mas sim algo bem próprio de Zahler.

Abs,
Ritter.

Responder
MATHEUS 29 de março de 2019 - 11:53

5 stars? Masoquê? Vou conferir sim senhor!

Responder
planocritico 29 de março de 2019 - 14:48

@disqus_qE59w7hrvD:disqus , cara, eu fiquei hipnotizado pelo filme do começo ao fim! Se você não viu os anteriores do diretor, sugiro começar por eles!

Abs,
Ritter.

Responder
Alex Dias 29 de março de 2019 - 10:33

Bone Tomahawk e Brawl in Cell Block 99 são excelentes. E sua crítica me empolgou ainda mais para Dragged. Zahler é definitivamente um nome a se acompanhar e merecia maior exposição.

Responder
planocritico 29 de março de 2019 - 10:43

Zahler me fisgou desde o primeiro filme. Ele tem grande futuro se derem uma chancezinha a ele em grande circuito!

Abs,
Ritter.

Responder
Paulo Roberto 29 de março de 2019 - 08:11

Rapaz, nessa foto aí o Mel Gibson está parecendo o Lula há uns tempos atrás.

Responder
planocritico 29 de março de 2019 - 10:43

HAHAHAHAHAHAHAAHHHA

Coitado. Não faz isso com o Mel Gibson não…

Abs,
Ritter.

Responder
Jack Schneider 29 de março de 2019 - 01:58

Ótima crítica, me empolguei mais para ver o filme.
Gosto muito dos dois filmes anteriores do diretor, realmente ele está sendo esnobado mas logo deve ganhar seu espaço entre os melhores da atualidade.

Responder
planocritico 29 de março de 2019 - 14:48

Obrigado, @disqus_h47pB1uK21:disqus !

Não é que ele esteja sendo esnobado, mas sim que seus filmes simplesmente não ganham distribuição cinematográfica ampla em razão da produtora com que trabalha e por ele ser turrão (ainda bem!) e se recusa a mexer em seus filmes. Mas acho que um dia ele quebra essa barreira!

Abs,
Ritter.

Responder
William O. Costa 29 de março de 2019 - 00:50

Muito interessante! Tenho que dizer que não conhecia a obra ou mesmo o diretor, mas fiquei com real vontade de conhecer agora. Agradeço pelo serviço público de disseminar mais dessa cultura. Texto ótimo, como sempre.

Responder
planocritico 29 de março de 2019 - 00:58

Obrigado, @WilliamAbsoluto:disqus ! O primeiro filme dele, Rastro de Maldade, está disponível no Netflix. Sugiro fortemente que o assista!

Abs,
Ritter.

Responder
O Homem do QI200 28 de março de 2019 - 19:25

Opa a critica me deu forças pra colocar o torrent para funcionar. Depois deixo minha visão.

Responder
planocritico 28 de março de 2019 - 20:40

Aguardando!

Abs,
Ritter.

Responder
Junito Hartley 28 de março de 2019 - 18:24

Esse site é foda demais, quando li isso “Como afirmei em minha crítica de Confronto no Pavilhão 99” parei e fui procurar no torresmo, eis que ja tem ele pra ver, depois digo o que achei.

Responder
planocritico 28 de março de 2019 - 18:36

Ficarei aguardando!

Abs,
Ritter.

Responder
Junito Hartley 13 de abril de 2019 - 13:10

Definitivamente o Zahler é o cara mesmo, 3 filmes em sequencia que fica difícil de escolher o melhor, a forma como ele vai construindo a trama naquele modo bem paciente pra la no final ter aquele boom! È muito foda! Eu nem sabia que o filme ia ser com o Mel Gibson, quando o vi fiquei mais feliz ainda por estar vendo o filme, como foi diz na critica a quimica entre ele e o Vince Vaughn(que vem se mostrando um otimo ator nesses estilos de filme) esta muito boa. Aquela cena da mulher que nao queria ir pro trabalho pra ficar com o filho, no começo eu fiquei meio que WTF!! dai chega no banco e PQP que diretor foda! No final unica coisa que tenho pra falar é que eu queria que pelo menos um dos policiais ficasse vivo, uma pena! Que filmaço!!! E bela critica Ritter!

Responder
planocritico 14 de abril de 2019 - 16:18

Obrigado, @Junito_Silva:disqus !

Que bom que gostou do filme! Realmente, o Zahler está com tudo e não faz concessões em suas criações. E sim, a sequência da mulher que queria ficar com o filho começa do nada e cara, que coisa… Fiquei boquiaberto…

Abs,
Ritter.

Responder
John Locke 28 de março de 2019 - 17:17

Saudações, Ritter!!
Caramba!!
Eu vi que saiu o torrent dele essa semana, mas julguei pelo elenco e o trailer hehe
Verei esse fim de semana e voltarei aqui para opinar.

Responder
planocritico 28 de março de 2019 - 18:07

Tomara que goste!

Abs,
Ritter.

Responder
Gabriel Carvalho 28 de março de 2019 - 17:05

Tá disponível legalmente onde isso aí?

Responder
planocritico 28 de março de 2019 - 18:07

iTunes.

Abs,
Ritter.

Responder

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