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Crítica | Dragon Ball Z: O Renascimento de F

por Guilherme Coral
171 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 2,5

Nunca é fácil trazer um vilão de volta, inúmeros aspectos precisam ser contemplados, que vão desde a relevância narrativa de tal escolha até que grau de ameaça o antagonista ressurgido pode trazer. Ainda assim, podemos ter citar alguns exemplos notáveis, como a primeira parte da quarta temporada de The Walking Dead, que trouxe o Governador de volta e até mesmo o próprio Dragon Ball por uma via mais cômica, com a reaparição de Tao Pai Pai após sua primeira derrota. O cenário, todavia, se complica ainda mais quando se trata de uma das figuras mais icônicas do universo criado por Akira Toriyama, que tem sua volta confirmada.

Freeza não é apenas mais um dos inúmeros inimigos de Goku ao longo de sua jornada, ele conta com uma história intrinsecamente ligada à do Saiyajin, e sua derrota em Dragon Ball Z encerra um grande arco dramático iniciado lá atrás com a chegada de Raditz à Terra. Freeza pode ser colocado como a perfeita antítese de Goku – onde um transborda inocência e ingenuidade o outro é preenchido de crueldade. O embate dos dois mais que prova isso, não só pelo seu caráter épico, como pelo fato de aqui vermos uma das únicas vezes que o protagonista efetivamente se viu repleto de ira – não é a toa que sua transformação em super saiyajin veio logo em seguida.

Como, portanto, trazer de volta tão importante personagem para um único filme?

Iniciamos a projeção com um alto grau de surrealismo. Um universo feliz, repleto de criaturas felizes e saltitantes preenche a tela e no meio disso tudo vemos uma única árvore com um único casulo preso a ela. uma cabeça, com veias à mostra, está por fora do casulo, a de Freeza que vive há anos naquele seu inferno. Aqui abro um adendo a titulo de curiosidade. Essa é a primeira vez que o inferno é retratado pelo mestre Toriyama efetivamente. Aquilo que vimos em DBZ nada mais se trata de um episódio filler, cuja ideia não saiu do criador da franquia. Agora voltemos para a trama.

Longe dali, em outro plano existencial, os remanescentes do Império de Freeza sofrem para manter o controle da galáxia. Liderados por Sorbet, eles decidem, então, buscar as esferas do dragão da Terra e reviver seu terrível Imperador. Quando isso ocorre, o vilão decide que desta vez irá treinar, algo que nunca precisara fazer antes, para efetuar sua vingança nos saiyajins que vivem no planeta dos humanos.

O roteiro, naturalmente, não conta com nenhum segredo. Desde o anúncio era evidente que o antagonista buscaria uma revanche contra os personagens centrais de Dragon Ball. Felizmente, diferentemente de A Batalha dos Deuses, pouco tempo é perdido com o alívio cômico até os momentos efetivos de tensão. A esperada luta de Goku e Freeza, é claro, é deixada para o terço final do filme, seguindo uma estrutura muito similar aos outros longa-metragens de DBZ, nos quais os personagens mais fracos lutam primeiro.

Aqui podemos notar o dedo de Toriyama, que coloca até mesmo Mestre Kame para lutar, trazendo belas recordações dos primórdios da franquia. ao seu lado temos Gohan, Kuririn e Piccolo também em combate. Curiosamente, Goten e Trunks foram deixados de fora, mesmo tendo ambos estado em considerável destaque nas imagens promocionais do vindouro Dragon Ball Super, que, provavelmente, irá se passar após os eventos de O Renascimento de F.

O primeiro trecho de lutas, infelizmente, começa a deixar claro o problema que enfrentaríamos posteriormente no embate principal. Por mais que o espetáculo visual seja garantido – com animações muito bem elaboradas, trazendo nítida fluidez aos movimentos e uma dinâmica incomum ao anime de Dragon Ball Z (por sua época, é claro) – não sentimos, efetivamente, qualquer sensação de perigo, a única que se mantém é a proveniente do próprio Freeza (e não de seu exército), mas mesmo essa vai embora com o início da luta principal.

Chega a ser triste constatar que Goku vs. Freeza jamais atinge o grau de tensão presente no mangá ou anime em seu primeiro encontro – tudo procede de maneira bastante leviana e nosso nervosismo cresce apenas com o medo de toda aquele treinamento do vilão ter sido em vão. O traçado da obra aqui merece elogios pelo trabalho em cima do antagonista, especialmente quando sua fúria toma controle. Infelizmente o mesmo não pode ser dito em relação a grande parte dos personagens quando mostrados de perfil, que soam distantes demais do conceito original. É interessante notar que a musculatura de Goku e os outros está menor aqui, esquema que será utilizado em Dragon Ball Super.

As transformações apresentadas parecem ambas simplesmente jogadas ali sem maiores motivos e o roteiro não sofreria em nada se simplesmente não existissem. Um ponto interessante é a maior presença das auras quando ambos – Goku e Freeza – estão transformados, uma azul e outra dourada, que aumentam a sensação de que o poder dos dois efetivamente se alterou e nos proporcionam um belo visual durante a luta, se encaixando com o contraste de personalidade entre os dois. O desfecho deus ex machina, contudo, tira qualquer esperança de engajamento que podemos ter no filme.

Algo que claramente fez falta para contribuir para a ausente tensão na obra foi a trilha de Shunsuke Kikuchi, que muito ajudou a construir a personalidade do vilão em DBZ, com notórios temas que acompanhavam a crescente ameaça do antagonista. No longa em questão sentimos uma clara ausência de qualquer tema relevante e o rock utilizado em um dos trailers se faz presente em péssima hora, soando completamente desconexo da imagem exibida na tela.

Felizmente, ainda no som, temos o retorno dos icônicos dubladores do anime original e ouvir novamente a voz de Carlos Campanile como o Imperador do Mau, após tantos anos, certamente trará muitas lembranças aos fãs. Vale ressaltar que o restante do elenco também permanece o mesmo, para a alegria de todos.

Dragon Ball Z: O Renascimento de F conta com alguns interessantes elementos, mas não consegue salvar a má fama dos filmes de DBZ, por mais que esse seja canônico, como A Batalha dos Deuses. Trazer Freeza de volta foi uma oportunidade perdida e não podemos deixar de sentir que teria sido algo melhor aproveitado em uma saga do mangá ou anime. Resta esperar que Dragon Ball Super saiba retomar o espírito original da franquia.

Dragon Ball Z: O Renascimento de F (Doragon Bōru Zetto Fukkatsu no “F” – Japão, 2015)
Direção: 
Tadayoshi Yamamuro
Roteiro: 
Akira Toriyama
Elenco: 
Masako Nozawa, Ryō Horikawa, Kōichi Yamadera, Masakazu Morita, Mayumi Tanaka, Tōru Furuya, Takeshi Kusao, Jōji Yanami, Masaharu Satou, Yuko Minaguchi, Toshio Furukawa
Duração:
93 min.

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5 comentários

jcesarfe 20 de junho de 2015 - 17:25

Após assistir o filme, posso dizer.
O Coral é mais fã que eu ou mais cego. Concordo que os gráficos são fantásticos, a trilha genial e a história até que regular. Porém tudo é muito ruim. Os gráficos deixam você tonto, ao invés de deslumbrado, piorado pelo 3D (que só é útil nos primeiros 10 segundos). A trilha não se encaixa em momento algum nas imagens, parece até que quem fez a trilha sonora nem sabia que filme estava passando. A história têm uma boa prerrogativa, mas o fato é que ela não funciona na prática, passa a sensação que tudo se resume a 10 segundos de fala e 30 minutos de socos, sem qualquer ligação entre eles. O pior é que eu simpatizei com Freeza, o cara veio do pior inferno do mundo, (não só para ele, eu também odiaria aqueles ursos estúpidos), treina sonhando em ser grande e toma uma surra danada, além do que os malditos saiyajins só estavam brincando com ele, coitado!
O filme é ruim, sem graça e parece um péssimo prólogo para a série que chega.

O que posso destacar são os spoilers sobre a próxima série:
*Trunks namorando a capanga do Pilaf;
*Bulma tendo uma irmã que conhece Jaco;
*O celular do Kuririn toca o tema de abertura da nova série;
*Goku e Vegeta são discípulos do Whis;
Esses foram os que eu notei.

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Giovanni 21 de junho de 2015 - 10:29

Quase todos esses spoilers estão errados amigo
No filme batalha dos deuses já mostra essa cena do trunks com a capanga do pilaf então não é um spoiler pq já aconteceu
O celular do kuririn toca a abertura do one piece, que se vc não conhece é um anime
Esse último acho que todo mundo já percebeu

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jcesarfe 23 de junho de 2015 - 16:50

De fato lá começa o romance, que só sera explorado (como um dos temas) em DB Super.
Agora quanto a irmã de Bulma, (caso ainda duvide da procedência o comentário acontece no minuto 16 e o nome dela é “Taights”), mas de fato, apesar de que ela deve voltar a aparecer no novo anime, acho que a referência é apenas para conectar Jaco com Bulma (mais para easter egg).
Quanto a música, concordo, parece bem com aquela do Kitadani (“We are!”, se não to enganado), acho que usaram em algum desenho mesmo (mas como eu nunca o assisti One Piece ,não tenho como ter certeza).

De todo modo, analisando bem, você têm razão estão mais para easter eggs que spoilers, mesmo tendo relação direta com o anime.

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Coringa 19 de junho de 2015 - 22:39

muito bom o filme, teve até homenagem a one piece,
só 2 coisas que não gostei a nova transformação deixou a luta muito fácil e o fundo musical cortou o clima da luta, tirando isso é um bom filme para baixar, não para ir ao cinema.

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jcesarfe 17 de junho de 2015 - 20:29

Só vou assistir por ser fã, aqui vão passar até em 3D (o que duvido que faça qualquer diferença). Só por ver a evolução do Freeza ser uma versão do mesmo com outras cores já achei muito sem noção. Outra coisa que notei no trailer é que alguns personagens secundários de DBGT aparecem como vilões no exército de Freeza (ou pelo menos servem de base para o mesmo, basta assistir quadro a quadro que vai ver um monte).

Só uma questão, o filme possui cenas pós créditos?

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