Crítica | Dragonero #1: O Sangue do Dragão

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A primeira publicação de Dragonero aconteceu em 2007, dando início à série Romanzi a Fumetti Bonelli. O bom número de vendas animou a editora a transformar esta fantasia heroica em uma série mensal, cuja primeira aventura foi O Sangue do Dragão, publicada em junho de 2013. Tendo à frente da aventura Luca Enoch e Stefano Vietti (roteiro) e Giuseppe Matteoni (arte), os criadores do personagem, o leitor é inserido aqui em um ambiente que flerta com diversos autores do gênero, o que pode nos dar a sensação de já ter visto uma porção de coisas assim antes, em criações de Robert E. Howard, Tolkien ou até mesmo de George R. R. Martin.

A história editorial dos primeiros álbuns de Dragonero é bem curiosa. Os autores estavam preparando uma segunda trama para a Romanzi a Fumetti, quando a decisão editorial de tornar o título regular na Bonelli fez com que eles dividissem a graphic novel em quatro partes, acrescentando aí elementos narrativos que pudessem fechar de maneira ‘orgânica’ cada um dos álbuns. É por isso que os quatro primeiros livros da série formam um grande arco: porque originalmente foram concebidos como parte de uma única (e grande) trama.

Ian Aranill é o “Dragonero” do título. Ele é um explorador do Império Erondariano e herdeiro da casa Varliedàrto, nobre descendência de caçadores de dragões. Um pouco diferente do que era esperado para esse tipo de história, o enredo começa com uma cena conjunta de Ian com sua irmã Myrva, o ogro Gmor e a elfa Sera investigando o tráfico de armas destinadas a algumas tribos de orcs. Este é o ponto onde o leitor entende que muitos mistérios ligados a este reino permanecerão ocultos, à medida que migalhas do passado e uma ou outra justificativa aparecem em forma de flashbacks, expandindo, de maneira um pouco exagerada, a nossa visão do Universo Erondariano. E digo “um pouco exagerada” porque este volume acaba tendo uma aparência final de “grande introdução” de coisas, algo em parte entendido pela separação dessa história vinda de um projeto maior; e parte por essa ânsia dos autores em colocar “um pouquinho de cada coisa” na saga, mostrando o quão grande e quantas possibilidades existem para esse Universo.

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No decorrer da investigação, os mocinhos se deparam com uma ladra utilizando uma arma devastadora, a “pólvora negra”, algo que Ian conheceu durante uma missão, seis anos antes, na Ilha dos Orcs. Entre o suspense e a ação à toda prova, a fantasia se desenvolve por lugares e através de diferentes núcleos de personagens, passagem que nem sempre é feita de maneira suave pelo roteiro e quase nunca recebe grandes detalhes da arte de Matteoni, cujos quadros bem inspirados estão em bem menor quantidade aqui. Ao se dar conta de que o perigo previso é muito grande, Ian e seu grupo decide fazer uma caminhada até o ancião Alben, mago da Ordem de Luresindi, os Guardiões da Luz. Alben é amigo de Ian e se torna uma esperança central para a investigação do caçador de dragões.

Mesmo que a história pareça faltar com explicações demais para um único livro, o leitor fica mais tranquilo em saber que haverá uma sequência imediata para estas andanças. Além disso, é inegável que a gente se divirta bastante durante a leitura. A quantidade de ação, a simpatia dos personagens (de espécies diferentes) e a visão ainda bastante solta — mas inquestionável — desse rico Universo, nos fideliza pela curiosidade, mesmo que a gente possa rejeitar algumas decisões estruturais do texto para nos apresentar a saga de Dragonero.

Dragonero #1: Il Sangue del Drago (Itália, junho de 2013)
Editora original: Sergio Bonelli Editore
Roteiro: Luca Enoch, Stefano Vietti
Arte: Giuseppe Matteoni
Capa: Giuseppe Matteoni
100 páginas

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.