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Crítica | DuckTales #0 (2017)

por Luiz Santiago
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DuckTales plano critico quadrinhos IDW

Olha só quem está de volta! Juntamente com o retorno da série DuckTales à TV, a IDW resolveu produzir uma nova saga em quadrinhos dos famosos personagens da Disney, emulando o estilo artístico e narrativo de Carl Barks e Don Rosa, ao menos nesta introdutória Edição #0, lançada em julho de 2017.

Com apenas 24 páginas e duas pequenas histórias, a revista nos mostra que esse material continua tendo um enorme apelo diante do público, valendo-se tanto da nostalgia quanto de um tipo de humor familiar, pastelão, bobo e ao mesmo tempo cheio de coisas do dia-a-dia que só um título como DuckTales pode trazer. Abaixo, vocês irão conferir as críticas para os dois pequenos contos de abertura desta nova fase dos mais atrapalhados patos caçadores de aventuras. Divirtam-se!
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Big Trouble At Little Lake

estrelas 3

Esta pequena trama é a mais típica história de quebra-gelo e de reintrodução de personagens em nova fase de suas vidas, após algum hiato. Nela, temos o Pato Donald trabalhando como guia turístico no Little Lake. Todo animado com o novo ofício e abismado com a quantidade de dinheiro que está faturando, especialmente por ser em um trabalho mais fácil, ele e os sobrinhos criam uma expectativa de aventura já nos primeiros quadros, dando a entender que alguma coisa vinda das águas do lago está por vir. Mas isto não vem. E é justamente no ponto de criação do impasse da história que o roteiro de Joe Caramagna erra a mão.

A repetição cômica de que existem no lago 232 diferentes espécies de esponjas, com destaque para a Porifera Elektricus, é uma boa tirada de sarro com os dados científicos ou históricos que guias turísticos passam para as pessoas em seus trajetos. Essa parte cômica da história é bem executada, ganhando melhor amparo quando entra em cena o Dr. Ruffalo, biólogo marinho especialista em esponjas, que questiona e atrapalha o tour de Donald, gerando o conflito da história, que não é nada do que esperávamos, levando a trama por um caminho bem mais familiar do que deveria, perdendo algumas boas oportunidades no trajeto.

plano critico pato donald

Como sempre, o lado aventureiro dos trigêmeos Huguinho, Zezinho e Luizinho entra como mais um problema a ser resolvido pelo impaciente e nervoso Tio Donald, que inicialmente lida com enorme ressalva com a proposta dos garotos em fazerem canoagem no lago — é engraçado vê-los totalmente equipados, como se fossem para o rafting mais perigoso do Universo –, mas a briga do tio com o Dr. Ruffalo coloca o empreendimento a perder e ao mesmo tempo dá aos meninos uma ação de verdade, algo que eles queriam desde o começo.

A pergunta que fazemos, na reta final, é: onde estão as outras pessoas do barco? O furo de roteiro aí incomoda bastante, assim como a finalização mais rápida do que deveria, que, apesar de divertida, poderia usar mais do gênero terror ou da própria questão dos animais do lago a fim de maximizar o impasse e encaminhar melhor o resgate. A questão do tesouro escondido na ilha perdida no meio do lago — que descobrimos ter sido a intenção dos irmãos desde o início — não funciona muito bem na história, não convence nada, mas, como nossa atenção já estava focada em outra coisa, é algo que passa despercebido, levando-nos para um final simpático, porém, nada grandioso ou verdadeiramente inteligente.

DuckTales #0: Big Trouble At Little Lake (EUA, 2017)
Roteiro: Joe Caramagna
Arte: Paolo Campinoti, Andrea Greppi
Arte-final: Roberta Zanotta
Cores: Dario Calabria
Letras: Tom B. Long

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The Repeating Revenge of the Screaming Duck

estrelas 2

Fazendo inicialmente uma paródia de O Iluminado, esta história coloca o pato Donald e seus sobrinhos em um hotel macabro, aparentemente em um período de baixa temporada. Em praticamente todos os quadros é possível encontrar referências ao filme de Stanley Kubrick, inclusive o fato de Huguinho, Zezinho e Luizinho saírem para brincar nos corredores com os carrinhos de malas e ouvirem algo estranho vindo de uma das portas, um chamado. Neste ponto, o roteiro passa de simples referências indiretas para um trabalho mais descarado — e um pouco divertido — com metalinguagem, colocando em cena o diretor Mallard Hitchcock (hehehe), responsável por diversas franquias de terror e que será o foco do roteiro, modificando o seu modo de pensar o cinema justamente quando encontra um ator (ou um pequeno grupo de estagiários) ideais para trabalhar por um cachê mais baixo.

segunda história plano critico duck tales pato donald

Do trio brincando com o carrinho de bagagens nos corredores ao trabalho que arranjam para figurarem no novo filme de Mallard, passamos por situações de trapalhadas de Donald (sempre gritando histericamente) e o quanto os sobrinhos fazem para ganhar dinheiro às custas de um diretor de filmes de terror B, que, pelo motivo mais ridículo do mundo, deixa o gênero de lado ao final da história. Apesar da ótima arte, tanto nesta, quanto no conto anterior, o roteiro simplesmente não avança. Uma pena.

DuckTales #0: The Repeating Revenge of the Screaming Duck (EUA, 2017)
Editora:
IDW (2017)
Roteiro: Joe Caramagna
Arte: Gianfranco Florio
Cores: Dario Calabria, Giuseppe Fontana
Letras: Tom B. Long
Editoria: Sarah Gaydos
24 páginas (revista completa)

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3 comentários

Guest 18 de maio de 2018 - 14:01

Perguntas:
1) Por que esses patos não usam calças?
2) Por que não existem filhos mas somente sobrinhos nas tramas?
3) A Madame Patilda é avó da Patrícia e governanta do Tio Patinhas mas também seria avó de Huguinho, Zezinho e Luisinho?

Responder
Luiz Santiago 18 de maio de 2018 - 15:19

1) Escolha editorial / concepção do personagem
2) Elemento de distanciamento básico para tornar os patos mais velhos livremente e levemente irresponsáveis, o que não seria possível eles fazerem com os filhos. Um tio irresponsável ou “avoado” é aceitável. Um pai, não.
3) Não sei responder essa pergunta

Responder
Vinícius L Chagas 27 de novembro de 2018 - 12:11

2)É o que o Luiz Santiago disse, mas também porque antigamente os criadores não queriam fazer referências à sexualidade dos personagens, e preferiam evitar a menção a pais e mães. Os patos só tinham seus tios como parentes, e seus progenitores nunca apareciam ou estavam ausentes.
3)Não há qualquer menção a isso no original. A única maneira de isso ser possível seria se num plot twist de arrepiar fosse descoberto que o misterioso pai dos trigêmeos que nunca apareceu nem foi mencionado era na verdade filho da Patilda. E visto que eles não pretendem contrariar o material fonte quanto ao parentesco dos personagens, isso é praticamente impossível.

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