Crítica | DuckTales – 2X05: Storkules in Duckburg!

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Storkules (dublado pelo incrível Chris Diamantopoulos) foi uma das melhores surpresas da primeira temporada de DuckTales. Introduzido em The Spear of Selene!, Storkules é um amigo de longa data de Donald (ainda que o pato não pareça muito animado com isso), e além de ser um habitante de Itaquack, em alguma parte da Grécia, é a personificação do famoso herói mitológico Hércules – só que com penas e uma voz mais engraçada. Em Storkules in Duckburg! (uma piada com Hércules em Nova York, aquele longa brega estrelado por Arnold Schwarzenegger?), Storkules é expulso de casa depois de causar uma comoção por conta de sua música, voltando apenas com a condição de ter finalmente amadurecido.

Para o filho de Zeus não existe melhor exemplo de adulto responsável que Donald, então é hora de visitar Patópolis. Paralelamente, Luisinho (Bobby Moynihan) planeja mais um de seus empreendimentos e apresenta um “plano de negócios” para Patinhas, no que parece uma cena saída diretamente de Parks and Recreation (Moynihan acaba soando como o excêntrico Jean-Raphio, o personagem interpretado por Ben Schartz, que por acaso é também o dublador de Zezinho. Quem já assistiu vai notar a semelhança). Patinhas não investe, pelo menos não com a quantidade exigida pelo sobrinho, então ele tem que convencer seus irmãos e Patrícia a embarcar em um negócio nebuloso.

Por mais que Storkules seja hilário ao lado de Donald, sua dinâmica com as crianças também fica muito boa. O comportamento ingênuo do herói rende boas piadas quando entra em contraste com a vaidade de Luisinho, que descobre um jeito de ajudar Storkules a pagar o aluguel – eu esqueci de mencionar, mas é claro que a cegonha musculosa iria procurar abrigo no barco de Donald. Huguinho e Patrícia são pouco utilizados mas tem seu papel, principalmente quando precisam utilizar sua inteligência para descobrir como combater a ameaça alada que surgiu na cidade: as harpias. Elas já estiveram na versão original de DuckTales, mas dessa vez estão mais animalescas e menos parecidas com “velhas bruxas de nariz grande”, um ponto positivo para a equipe de arte.

Há referências em todo lugar nesse episódio, desde uma perseguição na biblioteca da cidade no melhor estilo Os Caça-Fantasmas até uma menção mais que apropriada de “De Zero a Herói”, a música do longa animado Hércules. Além das referências, o retorno de elementos de episódios anteriores, como o talk-show Dewey Dew-Night!, apresentado por Zezinho e exibido por e para ninguém. Não vou mentir, senti falta desse segmento, me lembra o querido programa Troy and Abed in the Morning dentro da série Community. É uma pena termos pouco de Patinhas e Donald, mas essas participações mais pontuais geralmente servem bem a narrativa, como acontece com o Capitão Bóing, e os gêmeos merecem suas próprias aventuras, ainda mais agora que podemos ver claramente uma distinção entre eles além da cor dos bonés ¯\_(ツ)_/¯.

Por mais que seja um episódio comum e pouco memorável, Storkules in Duckburg! tem algumas boas piadas e sequências de ação competentes, mas é o carisma do filho de Zeus que acaba roubando a cena. Está sendo ótimo ver como a série consegue experimentar com os personagens, os colocando em grupos pouco prováveis ou recebendo tramas próprias para serem bem desenvolvidos, mas seria legal termos uma ou outra menção ao mistério de Dumbela, ainda mais quando lembramos que foi durante a primeira aparição de Storkules que todo o arco de The Spear of Selene! revelou segredos inéditos na história de DuckTales.

Ducktales – 2X05: Storkules in Duckburg! (EUA, 17 de novembro de 2018)
Criação: Francisco Angones e Matt Youngberg
Direção: Matthew Humphreys
Roteiro: Bob Snow
Elenco: David Tennant, Danny Pudi, Ben Schwartz, Bobby Moynihan, Kate Micucci, Chris Diamantopoulos, Tony Anselmo, Arturo Del Puerto, Bernardo De Paula
Duração: 21 min.

ROBERTO HONORATO . . . Criado pela TV, minha família era o programa dos Muppets e minha segunda casa era a locadora (era fácil de chegar, só precisava atravessar a rua). Não me incomodava rebobinar todas as fitas, e nem podia, já que assistia o mesmo filme várias vezes. E quando não é cinema, o cheiro de quadrinhos me chama de longe e preciso gastar dinheiro que não tenho. E nunca esqueça: #sixseasonsandamovie