Crítica | Ducktales – 3X06: Astro B.O.Y.D.!

  • SPOILERS! Leia aqui as críticas dos episódios anteriores.

Os escoteiros mirins se reúnem para o Dia Nacional do Marshmallow, uma data comemorativa “muito real”, de acordo com Capitão Bóing, que leu a informação em algum site. Depois de ter dificuldades para socializar, Huguinho acaba encontrando um parceiro no pequeno robô B.O.Y.D., que compartilha do seu respeito pelas regras. Mas antes que consigam realmente começar a preparar os marshmallows, Huguinho aciona acidentalmente uma parte da memória digital de B.O.Y.D., que o afeta a ponto de projetar raios laser de seus olhos. 

Os dois procuram a ajuda do Professor Pardal, que revela conhecer B.O.Y.D., e que o verdadeiro nome do robô é 2BO. Pardal não parece feliz com a visita, mas promete consertar os defeitos que o robô vem tendo, e para isso eles precisam viajar para o outro lado do mundo, Tokyolk. 

Com um episódio que se passa na versão Ducktales de Tokyo, e considerando o seu título, uma referência direta à animação japonesa Astro Boy, a série decide que é hora de explorar um pouco os animes. Assim, seguimos a jornada de Huguinho, B.O.Y.D., Pardal e Robopato (no caso, Patralhão, atuando como estagiário de Pardal) para uma Tokyolk cheia de referências e piadas construídas em cima da linguagem dos animes. Mas essa parte eu menciono daqui a pouco. 

Astro B.O.Y.D. foca exclusivamente na aventura para Tokyolk, o que poderia ter deixado a narrativa mais cansativa sem alternar entre outras subtramas, mas o episódio aproveita esse tempo para desenvolver melhor a relação entre Huguinho e seu novo amigo, assim como Pardal e seu estagiário, que nunca parecem se entender. Temos muitas piadas e situações hilárias, como esperado, mas a ação nunca foi tão frenética quanto aqui, chegando a ditar o ritmo do episódio, mais dinâmico que o normal.

Eu sei que já parabenizei incontáveis vezes o departamento de animação, mas aparentemente não foi suficiente. Além das sequências de perseguição e batalha serem incrivelmente bem desenhadas, com um traço que não se perde no meio de toda a velocidade dos golpes, raios lasers e mísseis teleguiados; o contraste dos personagens com o processo de colorização em tom pastel para representar Tokyolk foi um daqueles toques extra que mostram como Ducktales se importa. 

Para as referências, a primeira delas é o próprio robô B.O.Y.D., introduzido em Happy Birthday, Doofus Drake!, da segunda temporada. Neste episódio, temos uma sequência de ação inspirada em Dragon Ball Z, então podemos ver que o personagem já está familiarizado com o mundo dos animes. Indo para Tokyolk, dá pra encontrar ligações com animações japonesas famosas como uma jovem fazendo cosplay de Sailor Moon, ou referências menos populares, se você conseguir avistar o Lupin III e seu fusca, um personagem tão adorado no Japão que já teve até filme dirigido por Hayao Miyazaki, o ótimo O Castelo de Cagliostro

Toda a construção de Tokyolk é lotada de pequenos easter eggs, como propagandas do rival de Patinhas, Mac Mônei. Há menções rápidas, como a expressão “Nani:!”, do anime Hokuto no Ken, que acabou virando um meme, e também o pioneiro mangaká Osamu Tezuka, criador de Astro Boy, que empresta seu nome para a personagem Inspetora Tezuka. E como já é esperado, a referência desse episódio ao Ducktales clássico está no visual clássico do Professor Pardal, com seu jaleco e penteado originais, mesmo que ele não esteja ruivo. 

Ducktales dá uma pausa nas conspirações da F.O.W.L., mas não deixa de nos divertir com muita ação. Espero que voltemos a visitar Tokyolk e Professor Pardal esteja mais presente, mas eu entendo que essa temporada seja mais voltada para Huguinho e Patrícia. Se B.O.Y.D. recebeu um episódio inteiro em volta dele, não vou perder a esperança.

Astro B.O.Y.D.! (EUA, 2 de Maio de 2020)
Direção: Jason Zurek
Roteiro: Christian Magalhaes
Elenco: Danny Pudi, Lin-Manuel Miranda, Jim Rash, Josh Brener, Noah Baird, Beck Bennett
Duração: 22 min.

ROBERTO HONORATO . . . Criado pela TV, minha família era o programa dos Muppets e minha segunda casa era a locadora (era fácil de chegar, só precisava atravessar a rua). Não me incomodava rebobinar todas as fitas, e nem podia, já que assistia o mesmo filme várias vezes. E quando não é cinema, o cheiro de quadrinhos me chama de longe e preciso gastar dinheiro que não tenho. E nunca esqueça: #sixseasonsandamovie