Home FilmesCríticas Crítica | Dupla Explosiva 2 – E a Primeira-Dama do Crime

Crítica | Dupla Explosiva 2 – E a Primeira-Dama do Crime

por Kevin Rick
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Como fazer a sequência de um filme de ação raso que se baseava inteiramente no humor do seu elenco estelar? Ora, é bastante óbvio, não? É só fazer uma continuação mais alta, mais superficial e com outros nomes famosos. É isso. Eu poderia parar a crítica aqui, mas bem, vamos (infelizmente) tentar elaborar isso. Dupla Explosiva 2 – E a Primeira-Dama do Crime é um exercício cinematográfico preguiçoso que, como não tem qualquer ideia interessante para sua existência além da finalidade comercial, assume a rota de explorar o ridículo divertidinho do primeiro filme para o descambo pífio do exagero. É praticamente o mesmo filme, só que sem a única qualidade que torna o anterior assistível: carisma.

Samuel L. Jackson é mais irreverente ao ponto de se tornar indiferente. Ryan Reynolds é depreciativo ao ponto da chatice, sem o seu característico sarcasmo humorístico. Salma Hayek ganha mais espaço narrativo para ter sua fatia de assassinatos aleatórios e xingamentos juvenis. Antonio Banderas substitui Gary Oldman nas aparições do vilão europeu desnecessário. Até temos a inserção de Morgan Freeman, porque… por que não? É outro rosto famoso que adora receber cheques para filmes ruins. Além disso, temos o fiapo narrativo de destruição global, macguffins, e blá blá blá. Nada disso importa, já que a experiência do filme é resumida em personagens gritando a todo momento!

É até curioso tentar imaginar como uma equipe criativa chega nessa atrocidade. Claro que seria uma sequência medíocre de outro filme medíocre, existindo puramente pelo retorno financeiro, mas qual é, dava para pelo menos ser um entretenimento temporário de ação clichê. Infelizmente, o que temos é a mistura da apatia com a falta de vontade. Se o primeiro filme construía seu humor infantil em torno do antagonismo e química de Ryan e Jackson, a sequência decide simplesmente abraçar o insulto pelo insulto na sucessão de piadas e diálogos menosprezíveis da linguagem grosseira. Se antes os personagens eram personificações de caricaturas em prol da comédia, aqui eles sequer parecem personagens – especialmente Ryan Reynolds, resignado a uma interpretação imbecilizada -; todo mundo é rude e/ou violento, enquanto Reynolds é um bebê chorão.

Mas e a ação?“, pergunta o querido espectador que defende a existência de abominações como essa por serem filmes de “desligar o cérebro”, “se divertir com os acontecimentos explosivos” e “experiência descompromissada”. Ora, ora, a verdade é que o filme falha até mesmo na ação genérica. Na verdade, quase não tem ação nessa porcaria, o que torna tudo ainda mais difícil de digerir. O diretor Patrick Hughes parece ter desistido de tentar proporcionar movimentação visual, já que ele é full Michael Bay nas explosões insignificantes e focaliza bastante em planos dos protagonistas simplesmente atirando em corpos, fora todo o gore desnecessário. E nem vou começar a falar sobre a “montagem” – leia-se colagem estática de tiros e sangue.

Piadas sobre peitos e testículos? Humor juvenil de proporcionar vergonha alheia? Violência sem razão? Ação sem coreografia? Salma Hayek gritando a cada cinco minutos? Sente-se e deleite-se com a experiência inesquecível de Dupla Explosiva 2 – E a Primeira-Dama do Crime.

Dupla Explosiva 2 – E a Primeira-Dama do Crime (Hitman’s Wife’s Bodyguard) — EUA, 22 de julho de 2021
Direção: Patrick Hughes
Roteiro: Tom O’Connor, Brandon Murphy, Phillip Murphy
Elenco: Ryan Reynolds, Samuel L. Jackson, Frank Grillo, Richard E. Grant, Antonio Banderas, Morgan Freeman, Salma Hayek
Duração: 116 min.

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