Crítica | Dylan Dog: Retorno ao Crepúsculo

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Retorno ao Crepúsculo (1991) dá sequência aos eventos de A Zona do Crepúsculo (1987), história de Dylan Dog com um certo nível de complexidade e camadas de ação e interpretação em torno do mesmerismo, misturado com A Verdade Sobre o Caso do Sr. Valdemar, de Poe, e referências a The Twilight Zone, na hora de explicar este limbo de existência entre a vida e a morte localizado em Inverary, na Escócia.

Também escrita por Tiziano Sclavi e desenhada pela mesma dupla da primeira saga, Giuseppe Montanari e Ernesto Grassani, Retorno ao Crepúsculo lida com as consequências da primeira visita do protagonista ao lugar, adicionando um amplo caráter de responsabilidade para ele, que precisa escoltar uma desfigurada jovem mulher chamada Opal (sobre sua aparência, o personagem faz uma citação a O Homem Elefante), filha experimental do Professor Hicks, infame homônimo e meio-irmão do Dr. Hicks, da Zona. Notem como estranhas ligações entre personagens começam a aparecer já no início do volume, o que de certa forma compensa a postura pouco palatável de Dylan Dog frente a Opal, “misteriosamente” contanto tudo para ela, sem reservas.

Também não é nada interessante a conversa de Dylan com o Hicks da nossa realidade, conversa que acaba gerando a motivação para o Investigador do Pesadelo voltar a Inverary. A premissa, dessa forma, é fraca e cheia de decisões “porque sim” que nos irritam bastante. No entanto, o restante da história acaba compensando muito bem esse estranho início, tanto através de uma arte macabra e absolutamente criativa (os artistas se divertem desenhando a decadência dessa fase mesmérica de Inverary) quanto através do roteiro, que continua a narrativa de Poe — mas dessa vez de maneira excelente, porque é a ficção da ficção — e estabelece uma série de camadas que chegam a nos confundir (no bom sentido) e a tornar a Zona do Crepúsculo (agora em decadência) ainda mais interessante.

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A “entropia” chega à Zona do Crepúsculo.

As explicações de Tiziano Sclavi vão para todo lugar, apegando-se a ficção científica, ciência, pseudo-ciência e literatura de Edgar Allan Poe, uma mistura de amargo gosto, no final.

Embora não seja problemático como o seu início, o encerramento dessa saga lança, a meu ver, uma intriga desnecessária para Dylan, embora seja compreensível que alguém como o Professor Hicks sempre teria uma segunda ou terceira intenção em mente ao mandar a desfigurada “filha” para o limbo. A posição, no entanto, serviria melhor ao seu propósito se fosse colocada desde o início e não como gancho para o encerramento. De qualquer forma, Retorno ao Crepúsculo é uma trama muito divertida de se ler, uma história que brinca com a própria noção de sonho e realidade e que torna ainda mais difícil o labirinto apresentado na abertura da saga. Só esse conceito já daria um spin-off para a série, de tão amplo o leque de possibilidades apresentadas…

Dylan Dog #57: Retorno ao Crepúsculo (Ritorno al Crepuscolo) — Itália, junho de 1991
Editora original: Sergio Bonelli Editore
No Brasil: Dylan Dog n°1 (Editora Lorentz, abril de 2017)
Roteiro: Tiziano Sclavi
Arte: Giuseppe Montanari, Ernesto Grassani
Capa: Angelo Stano
100 páginas

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.