Crítica | Eighth Doctor Adventures – 1X03: Horror of Glam Rock

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Eu tentei, com todas as minhas forças, gostar dessa história. E não é como se absolutamente tudo nela seja de se jogar fora (na Big Finish, creio não que haja esse tipo de trama, pelo menos eu não me lembro de nenhuma), mas que é uma trama bastante questionável, ah, isso é. Horror of Glam Rock é o terceiro episódio da temporada de estreia das Eighth Doctor Adventures, e traz o 8º Doutor ao lado de sua então recente companion, Lucie Miller.

O ponto de partida estabelece de maneira coerente os eventos finais de Blood of the Daleks, mostrando a TARDIS com dificuldades de se estabilizar e, com isso, a gente já sabe que é possível abrir as portas para histórias com curiosas alterações do espaço-tempo ou encontros que não deveriam acontecer, seja para o Doutor, seja para seus companheiros. No presente caso, a nave se materializa em Bramlington, no ano de 1974 e, como o próprio título da aventura diz, a cena do glam rock britânico é o foco das atenções. Por motivos óbvios, grupos fictícios como Slade, The Sweet and Suzi Quatro (prestes a se apresentarem Top of the Pops) ou o duo Tomorrow Twins ganham o protagonismo e precisam lidar com o monstro que está “lá fora” dilacerando pessoas.

O título do episódio faz referência direta à um arco do 4º DoutorHorror of Fang Rock, e podemos dizer que o clima de medo observado na história da Série Clássica também pode ser visto aqui, e isso torna algumas cenas de Glam Rock muito interessantes. Nas entrelinhas, uma discussão sobre o preço da fama e as atitudes irresponsáveis de um agente para conseguir qualquer coisa para os artistas que tem sob contrato. Os vilões, denominados Only Ones, usam a vontade de um dos músicos (Tommy) para ter acesso ao nosso planeta e… bem… seguirem a sua agenda pessoal de dilacerar pessoas e, ao que tudo indica, dominar o planeta. O básico plano maluco de aliens que passam muito tempo sem ter uma real chance de vitória e, quando vislumbram alguma, parece que perdem toda a capacidade estratégica.

Mas este não é o real problema do episódio. É possível lidar perfeitamente com o plano dos monstros, mesmo diante de sua estranheza. A grande questão é que o propósito maior do texto parece estar inteiramente espalhado, de modo que o espectador tem dificuldade de identificar: qual é o real propósito dessa saga? Não é de hoje que vemos em Doctor Who tramas que começam com a TARDIS se materializando em um lugar “aleatório”, mas a condução do texto, nesses momentos, é clara. Ao que tudo indica, Paul Magrs parece ter acreditado que uma simples “luta contra um vilão” seria o bastante para fundamentar um bom enredo. E… bem… não é.

Como eu disse antes, falta aqui um maior propósito. Ao longo de todo o andamento percebemos que as coisas seguem como reações imediatas: os monstros, a desconfiança dos outros em relação ao Doutor, o encontro de Lucie com sua tia Pat (antes de ser a tia Pat)… Muita coisa jogada e fragilmente unificada por um enredo orgânico. Até funciona em alguns momentos de terror (as vozes dos Only Ones são realmente macabras), mas para um episódio de 50 minutos funcionar bem, é preciso muito mais que isso.

Horror of Glam Rock (Reino Unido, 7 e 14 de janeiro de 2007)
Direção: Barnaby Edwards
Roteiro: Paul Magrs
Elenco: Paul McGann, Sheridan Smith, Bernard Cribbins, Una Stubbs, Stephen Gately, Clare Buckfield, Lynsey Hardwick, Katarina Olsson
Duração: 50 min.

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.