Crítica | Elfos – Livro 4: O Meio-Elfo Escolhido

elfos plano crítico o meio elfo escolhido

A linha inicial de resumo sobre quem é o povo meio-elfo traz um bom número de informações sobre essa história de origem deles, a edição mais ‘raiz’, em termos de construção de Universo, em toda a Saga dos Elfos até aqui. Inicialmente, este povo não têm país, lar, rei ou unidade. Sendo um povo híbrido, os meio-elfos vivem espalhados por diversos lugares, entre cidades habitadas por humanos ou por outras raças. Acumulando o preconceito das ditas “raças puras”, os meio-elfos são perseguidos, caçados, banidos e aprisionados, isso quando não são apenas eliminados no nascimento. Nesta edição, porém, o leitor está diante de um ponto de mudança para este povo. Presenciamos o tempo de uma lenda. A lenda do Meio-Elfo Escolhido.

Escrito por Éric Corbeyran, este quarto volume da série conta de maneira inteligente vários momentos da existência do povo em questão e há um fator social muito forte nessa história, bem próximo à nossa realidade, mesmo que dentro de um contexto de fantasia. O preconceito racial é o ponto de maior destaque na vida desse povo, que desde o início da trama possui laços mais estreitos com os elfos silvestres, para o bem ou para o mal. Nós já havíamos presenciado um olhar diferente para o povo da floresta no volume anterior da saga, Elfo Branco, Coração Negro, mas nesta O Meio-Elfo Escolhido as relações políticas desse povo ganha mais outra camada.

Os desenhos de Jean-Paul Bordier são simplesmente maravilhosos, tanto na forma como representa pessoas, como em sua visão de construção do Universo. Coube a ele uma das tarefas mais importantes na série até agora, ou seja, fazer uma aproximação desses elfos com o mundo dos humanos, mostrando não só cidades e modo de vida, mas também espaços geográficos que o leitor irá reconhecer num grande leque de configurações, até porque o artista aproveita-se das estações do ano durante o processo, dinamizando a jornada. Nesse aspecto, as cores do Digikore Studios também merecem destaque, poque dão uma aparência mais sólida e impressionante à já elogiável arte.

Elves T4 The Half-Elves Chosen One plano critico o meio elfo escolhido

Como acontece com muitas lendas e profecias, o que a gente espera não necessariamente acaba acontecendo, a despeito de o roteiro nos fazer acreditar a maior parte do tempo nas últimas palavras da cabeça decepada e sua previsão de um “líder com uma marca no ombro“. Novamente, a aproximação com o núcleo humano, no caso dos meio-elfos, faz com que a gente enxergue todos esses eventos com um nível de identificação muito maior e passe a se importar cada vez mais com o destino deles. Na primeira parte do volume, essa identificação é compensada por um roteiro forte, cheio de inteligentes retornos ao passado, todos muito bem amparados pela arte. Do meio para o final da saga, porém, isso perde um pouco de força e a história caminha para um desfecho misto de cenas épicas e decisões um pouco anticlimáticas.

O Meio-Elfo Escolhido é a apresentação mais pé no chão que a gente teve em Elfos até o momento, um volume que está mais preocupado em criar uma interessante lenda, uma narrativa oral que o povo meio-elfo passa de geração para geração, do que abrir as portas para a chegada de tempos sombrios e um novo inimigo prestes a acabar com a paz de todos. Após a cruel aventura com os elfos brancos, foi bom ver algo essencialmente bonito, como base de uma história, mesmo que sua construção, como sempre nesse mundo de fantasia, tenha sido feita com gritos, dor e derramamento de sangue.

Elfes – Tome 4: L’Élu des semi-Elfes (França, 2013)
Editora original: Soleil Productions
No Brasil: Mythos, 2018 (Elfos – Volume 2: encadernado contendo esta terceira e a segunda história da série)
Roteiro: Éric Corbeyran
Arte: Jean-Paul Bordier
Cores: Digikore Studios
55 páginas

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.