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Crítica | Emboscada em Cimarron Pass

por Iann Jeliel
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É um dos primeiros faroestes de Clint Eastwood, que à época estava aceitando qualquer filme B que aparecia na frente, afinal nem ele sabia o astro que viria a se tornar, principalmente como um grande revisionista do western. Contudo, antes de ser revisionista, Eastwood precisaria de algum filme na carreira nos moldes mais clássicos e ultrapassados possíveis do gênero. Esse filme é justamente Emboscada em Cimarron Pass que desde sua premissa já nasce datado e vai ficando cada vez mais que pensamos no contexto que ele está inserido na histografia do velho oeste.

A começar pelos nativos norte-americanos tratados como os demônios silenciosos, a vilania máxima sem qualquer direito de fala e de caracterização completamente estereotipada cercando um bando de Cowboys brancos (Clint incluso) para recuperar rifles vendidas a eles… para matar mais brancos? Afinal, é para isso que esses indígenas vivem né? Matar brancos? Sim, precisamos analisar o cinema em seu devido tempo, e esse tipo de estereotiparão não é nova nos faroestes e nem necessariamente torna o filme ruim, afinal, até os grandes clássicos de John Ford e Howard Hawks continham esse preconceito implícito no próprio modo de glamorização da figura do cowboy.

Contudo, esses cineastas sabiam construir melhor esses arquétipos dentro do exercício de gênero, algo que esse filme encontra bastante dificuldade ao dar caracterizações completamente unidimensionais aos personagens. Cimarron Pass justamente, não está entre os primeiros Westerns hollywoodianos, já localizado próximo a primeira decadência do gênero no final dos anos 50, que seria recuperada nos primeiros títulos revisionistas e spaghettis dos anos 60, sendo ele uma representação prática do porquê o gênero estava cansado. O filme não apresenta nenhum tipo de ideia complementadora ao gênero, sem leituras críticas sobre os contextos ao seu redor, tão pouco uma construção empolgante das cenas de bang-bang.

Jodie Copelan filmava pensando em tendências que ele viu acontecer e que via está acontecendo, um claro exemplo de cineasta automatizado por estúdio, levando essa automação a sua estética, desprovida de autoria, seguindo condutas realistas por moda, robotizadas até mesmo para os padrões da época. É um filme inteiramente protocolar, desde a trilha para lá de genérica até as micro situações da história completamente antecipáveis, onde não há a menor criação de tensão sobre elas e quando tenta criar, falha pela pouca sensibilidade em tratar seus arquétipos clássicos com funcionalidade. Os personagens são bem ruins, com um destaque específico para a donzela Teresa que tá ali só como um objeto bonito a vista dos heróis machões para dar uma motivação a mais para eles enfrentarem o problema indígena.

Se já não é incomodo o suficiente ela ir de lá para cá, sobre uma tremenda passividade somente flertando com os galãs de cada uma das equipes, fica mais ainda quando pensamos que essa equipe, de dois estados em guerra, basicamente está unida pelo inimigo em comum e não necessariamente pela sobrevivência. Digo isso porque o final do filme deixa muito claro que a solução para toda aquela situação seria facilmente resolvível se não tivesse no meio, uma panela de orgulhos fortes em destaque a do protagonista vivido por Scott Brady. Da apresentação para a frente, é só ele tomando a frente de atitudes egoístas que nem levam a fim tão consequencial para ele, ou ao restante dos personagens. Sim, até levou para alguns, mas quem se importa com eles?

Se for pensar na questão de importância simbólica, ela é problemática em termos de estereótipos, se pensar na prática, aí é de fato, nula pois não houve espaço nem categoria de desenvolvimento. E se a intenção dessa solução era ser um anticlímax – o que eu duvido -, ela consegue, porque pense num fechamento broxante. Só não é mais porque o filme todo também é. E só não é ainda mais porque tem curta duração, “acaba rápido”. Trocadilhos a parte, em resumo, Emboscada em Cimarron Pass é literalmente uma emboscada para os fãs de Clint Eastwood (que faz o mesmo Clint Eastwood de sempre, só que jovem) que acham que todo faroeste com seu nome é bom. Até os grandes mestres tem seus erros e o próprio já disse que nem gosta desse filme, com muita razão, diga-se de passagem.

Emboscada em Cimarron Pass (Ambush at Cimarron Pass | EUA, 1958)
Direção: Jodie Copelan
Roteiro: John K. Butler, Richard G. Taylor, Robert A. Reeds, Robert E. Woods
Elenco: Scott Brady, Margia Dean, Clint Eastwood, Irving Bacon, Frank Gerstle, Ray Boyle, Baynes Barron, William Vaughn, Ken Mayer, John Damler, Keith Richards, John Frederick
Duração: 73 minutos.

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