Crítica | Encontros Macabros

Pede-se encarecidamente que a comunidade cinematográfica revise os valores dos gêneros e subgêneros, proibindo determinado tipo de película, e principalmente, vetando sua distribuição, exibição e venda. Nessa categoria, poderiam figurar assassínios do subgênero found footage como Apollo 18 e Encontros Macabros, embora este último, não importando o que isso queira dizer, seja muito melhor que o primeiro.

Filmes de terror de baixo orçamento, gravados com câmera na mão e com o teor de falso documentário (não confundir esse subgênero found footage com outro subgênero bem parecido, o mockumentário) parecem ter encontrado a simpatia de um seleto grupo de espectadores, e ao que tudo indica, recebem receitas significantes nas bilheterias. Mas apesar da aparente vida sadia, o found footage está esgotado, e o que vemos em filmes como Encontros Macabros não é nada diferente daquilo que temos em Atividade Paranormal, por exemplo. O mais do mesmo enjoa, e pouco se salva das produções atuais que optam por trabalhar essas características no cinema.

Em Encontros Macabros, a premissa é minimamente interessante, mas a execução é cansativa, niilista e decepcionante. Na abertura, um produtor de TV nos explica que Grave Encounters é, na verdade, um reality show caça fantasmas, e que tudo ia bem na exibição do programa até que a equipe resolveu investigar as atividades paranormais de um hospital psiquiátrico abandonado. Daí para frente, o leitor certamente pode traçar o que acontece no decorrer do filme.

A pior coisa em Encontros Macabros não é o seu formato ou a linha manjada de execução, isso é algo óbvio e esperado. Mas os diretores e roteiristas, que assinam como The Vicious Brothers, não se importaram em explicar a questão da magia negra que é indicada na sequência final. O filme poderia ser apenas ruim, mas se torna intragável porque dentro tanta coisa descartável temos ainda uma colocação macabra que não faz sentido algum para o conjunto do filme! Afinal de contas, os espíritos agressivos agiam assim porque foram torturados por um certo Doutor do hospital ou porque são objetos de magia negra? Afinal de contas, o filme trabalha apenas com espíritos mortos em busca de ajuda e vingança ou existe uma realidade paralela acontecendo, e influenciando o mundo real? Nenhuma dessas perguntas tem resposta no filme.

Em certo ponto, o espectador até pode ser entretido. Uma coisa ou outra pode ser interessante, mas ao final da película, não nos sobra muito ânimo para louvar o produto de 1h30min que que assistimos. É penoso demais constatar que mais uma vez perdemos tempo com algo tão sem noção e razão de ser. O found footage já nos deu obras consideráveis como REC. ou A Bruxa de Blair, mas parece que não se contenta com a própria morte, e alguns realizadores vivem tentando tirar fôlego de coisas que nem sinal de vida possuem mais. Isso sim é algo macabro.

NOTA IMPORTANTE: Eu sou contra qualquer tipo de censura ou veto de um produto artístico. Quando me refiro a isso no parágrafo inicial, a colocação tem apenas a função de ressaltar a má qualidade do produto. Apenas isso. É sempre bom deixar claro…

Encontros Macabros (Grave Encounters, Canadá, 2011)
Direção: The Vicious Brothers
Roteiro: The Vicious Brothers
Elenco: Sean Rogerson, Juan Riedinger, Ashleigh Gryzko, Mackenzie Gray, Arthur Corber, Michele Cummins, Luis Javier, Shwan Macdonald, Merwin Mondesir, Bob Rathie, Ben Wilkinson
Duração: 92min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.