Crítica | Entre Vinho e Vinagre

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Com um grupo de atrizes ligadas ao SNL e baseado em uma viagem que fizeram para a comemoração de um aniversário de 50 anos, Entre Vinho e Vinagre celebra a longa amizade de um grupo de mulheres que trabalharam juntas em determinado momento de suas vidas e, pelos mais diversos motivos da vida, se separaram e seguiram caminhos profissionais diferentes. Escrito por Liz Cackowski e Emily Spivey, a obra conta com um elenco feminino que é o centro das atenções e desenvolve uma mistura de comédia e drama, explorando a reconexão entre pessoas que se conhecem há muito tempo, um caminho bastante parecido com o de outros filmes da mesma safra da Netflix, como Alguém Especial e O Outro Pai.

Estreia de Amy Poehler na direção de um filme (ela já havia dirigido para a TV antes) Entre Vinho e Vinagre traz os ingredientes que possibilitam uma boa comédia, mas força todos eles até o ponto em que até mesmo temáticas próximas ao espectador, onde deveria haver uma grande identificação, simplesmente se perdem. O roteiro estabelece bem os primeiros momentos dessas personagens, mostra com bastante competência o dia a dia de cada uma das amigas, mas no momento em que coloca todas em cena, não consegue aproveitar as oportunidades e, à parte algumas cenas deliciosas de se ver, somos bombardeados por resoluções questionáveis do roteiro e uma ideia geral da história que não dá conta de tantas personagens importantes em um único filme.

A exceção aqui fica a cargo de Tina Fey, que devido a problemas de agenda fez um papel menor e não ligado ao grupo de amigas em viagem de comemoração, mas quando olhamos para o grupo maior, temos um real problema em andamento. Toda a ideia de uma viagem de três dias é rapidamente “sequestrada” pela noção de que uma série de problemas devem acontecer e isso, a princípio, não é uma coisa ruim. O grande problema é que todas as tentativas dessas mulheres em fazer algo, em participar de algo, é imediatamente boicotada pelo roteiro, que não consegue desenvolver nenhum bloco até o fim e sempre passa para outra situação-limite e evocadora de riso, onde o ciclo se repete: uma boa ideia, um par de cenas muito interessantes, o exagero do roteiro, a estranha dispersão do assunto para um novo desafio… É estafante ver como o enredo repete a fórmula falha.

Em alguns momentos da história, o espectador percebe que a salvação da cena está na boa química entre as atrizes, todas muitíssimo à vontade em seus papéis e com uma abordagem até que satisfatória da câmera, mesmo que a direção de Amy Poehler não seja a grande revelação do ano. Talvez o filme tivesse um resultado melhor se a montagem favorecesse o encadeamento do roteiro de viagem dessas amigas, mas nem isso acontece, a obra também sofre com o ritmo adotado. O mesmo deve-se dizer da fotografia que, em alguns momentos, opta por um incompressível contraste, escurecendo ao máximo a cena com um duvidoso propósito de “criar clima” (vide as tomadas no restaurante) que acaba não surtindo um bom efeito estético ou dramático. Dessa forma, o maior destaque visual acaba sendo o das cenas diurnas.

Filmes de personagens “mostrando suas verdadeiras faces” tendem a ser interessantes porque mostram a representação social que todos nós fazemos para nos adaptar a algumas situações ou grupos, logo, é o tipo de obra que normalmente captura a nossa atenção. Por isso é de se lamentar que tantas profissionais já bem estruturadas na comédia não tenham notado a enorme dispersão do roteiro e a maneira como essa junção de tarefas faz parecer que o filme não chega a lugar algum. O espectador irá aproveitar alguns momentos e dará algumas risadas durante a projeção, mas o que sobra mesmo dessa degustação rocambólica é o vinagre. Para nossa tristeza.

Entre Vinho e Vinagre (Wine Country) — EUA, 10 de maio de 2019
Direção: Amy Poehler
Roteiro: Liz Cackowski, Emily Spivey
Elenco: Amy Poehler, Rachel Dratch, Ana Gasteyer, Maya Rudolph, Paula Pell, Emily Spivey, Jay Larson, Tina Fey, Maya Erskine, Rachel Hamilton, Brené Brown, Jon Glaser, Jason Schwartzman, Cherry Jones, Craig Cackowski
Duração: 103 min.

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.