Crítica | Episodes – 3ª Temporada

estrelas 4,5

Depois de uma 1ª Temporada que se afastou bastante de sua brilhante proposta inicial, Episodes deu uma guinada para o que de fato tinha importância central na série: a sátira feita ao showbusiness, o mundo da TV visto de seus bastidores e tendo como ponto central na lente e no texto a persona de Matt LeBlanc e sua relação com dois roteiristas britânicos a trabalho em Hollywood.

A 2ª Temporada seguiu justamente o caminho de um show em produção, atentando para conflitos de elenco, coquetéis de lançamento, audiência e roteiros, elementos também observados antes, mas que, conforme o final da temporada se aproximava, distanciava-se dessas questões e dava maior atenção ao drama matrimonial do casal protagonista e pequenos outros relacionamentos em cena.

Se seguisse o mesmo caminho do ano anterior em sua 3ª Temporada, poderíamos dizer que Episodes mantivera um bom nível, mesmo que admitíssemos a possibilidade de elevação. Mas David Crane e Jeffrey Klarik, bastante conscientes do que já tinham em mãos — e já com a confiança do público — ousaram e apostaram um enorme número de fichas neste ano do programa, dando toda a atenção necessária aos impasses da produção de Pucks!; à mudança do administrador da rede e aos problemas típicos de um importante canal de TV. O resultado desse exercício não poderia ser qualquer coisa.

Nesta terceira temporada, pudemos ver em Episodes uma verdadeira saga, o fake-end de uma série, a disputa quase selvagem entre as emissoras por um bom roteiro e a relação contratual e midiática das estrelas e trabalhadores do meio artístico: críticos, assistentes de direção, apresentadores de TV, jornalistas, showrunners, etc.

O humor nunca esteve tão presente na série, e toda a dinâmica de filmagem nunca favoreceu tanto um tipo de roteiro de comédia como este. A produção não cobra cenários amplamente estilizados e complexas sequências textuais, com intricadas tramas e mind-blowings a cada dois capítulos exibidos. A temática acessível e a forma crítica proposta pela série faz com que todos os pontos negativos possíveis vistos na produção de um show sejam explorados a contento e com espaço para crescimento psicológico das personagens.

Matt LeBlanc não muda muito em relação à temporada anterior, até porquê está interpretando a si mesmo. Fisicamente, aparece com mais cabelos brancos, o que dá uma interessante visão de passagem do tempo. Isso é bom. Quem realmente ganha um grande destaque este ano é Kathleen Rose Perkins, no papel de Carol. A triz de fato mostra sua capacidade para comédia e faz isso de forma surpreendente. Como os roteiros são bastante equilibrados e exploram uma série de emoções ao longo dos 9 episódios da temporada, podemos ver diversas facetas de sua interpretação e rir com a maior parte delas, até com os silêncios, que também constituem um ponto muitíssimo positivo na série, aparecendo quando necessário e na medida certa.

Stephen Mangan e Tamsin Greig também encarnam uma grande mudança em relação aos anos anteriores. Com a perspectiva do cancelamento de Pucks!, a volta do relacionamento entre o casal e o retorno para o Reino Unido, um interessante tom de comédia física se coloca para ambos, no início da temporada mais ligado ao corpo e expressões faciais e, no final da temporada, mais ligado a ironias e piadas espirituosas sobre o fato de estarem sendo disputado por três emissoras ao mesmo tempo. Vale também destacar a louvável dinâmica cênica entre os dois atores, que podemos ver em clímax no episódio em que vão consultar uma terapeuta sexual. É aterrorizante a ao mesmo tempo hilário ver Tamsin Greig imitando a voz de uma vagina como se fosse Yoda.

Trazendo um roteiro com perfeito timing, ótima trilha sonora e elenco exemplar, a 3ª Temporada de Episodes é tudo aquilo que uma série sobre bastidores deveria ser: divertida, caótica, sarcástica, irônica e enraivecedora. Esperamos que continue assim na quarta temporada, para a qual ela já conseguiu a sua renovação.

Episodes – 3ª Temporada (EUA, UK, 2014)
Criadores: David Crane, Jeffrey Klarik
Elenco principal: Matt LeBlanc, Stephen Mangan, Tamsin Greig, John Pankow, Kathleen Rose Perkins, Mircea Monroe, Genevieve O’Reilly, Joseph May, Daisy Haggard, Chris Diamantopoulos, John Ross Bowie
Duração: 30 min. (cada episódio)

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.