Home FilmesCríticas Crítica | Era Uma Vez em… Hollywood (Sem Spoilers)

Crítica | Era Uma Vez em… Hollywood (Sem Spoilers)

por Gabriel Carvalho
323 views (a partir de agosto de 2020)

“Essa é a melhor atuação que eu já vi em toda a minha vida.”

Era uma vez uma artista em ascensão, conseguindo os seus primeiros sucessos, casada com um cineasta também em ascendência, conquistando Hollywood e o mundo gradualmente. O restante da sua história, porém, não terminou como em um conto de fadas. Sharon Tate (Margot Robbie), grávida de sete meses, foi brutalmente assassinada por membros da família Manson, em um triste episódio que marcou profundamente a narrativa daquela época. Era Uma Vez em… Hollywood resgata esse passado para apresentar uma visão do que se perdeu, ou seja, um sonho de cinema americano morto prematuramente. Quentin Tarantino, em seu nono longa-metragem – porque o cineasta conta Kill Bill como um só – reconhece, portanto, o que estava sendo construído até 9 de agosto de 1969, se esvaindo posteriormente. Esse desmanche do conto de fadas hollywoodiano é, assim sendo, prenunciado por grande parte do seu longa-metragem, que começa em fevereiro daquele ano e aproxima-se cada vez mais da data famigerada e traumática. Contudo, este eixo é a única marcação mais clara de uma premissa em si, mais concreta e objetiva. A obra não opta por um caminho preciso, pautando-se numa calma ocasionalidade. No caso, Quentin Tarantino explora contemplativamente a época, reencenando através de novos personagens, em meio a percalços e uma jornada bastante paciente, aquele mesmo conto de fadas, embora tragicamente interrompido.

Rick Dalton (Leonardo DiCaprio) é um ator que está tentando recuperar o seu sucesso de outrora, de quando estrelava grandes filmes e uma renomada série de televisão, cancelada, entretanto, por conta de polêmicas nos bastidores. Já Cliff Booth (Brad Pitt) é o seu dublê de corpo, mas que, em vista de divergências no estúdio, está trabalhando mais como motorista e assistente pessoal de Rick do que profissionalmente. Em suma, nenhum dos dois personagens está passando por bons momentos, à beira do ostracismo. Quentin Tarantino, neste sentido, contextualiza precisamente os impasses de Rick, como também exemplifica certas facetas empobrecidas e sujas da indústria cinematográfica. Cliff não tem pôsteres com o seu nome, enquanto Rick sim, justo um enorme que marca um momento inicial da obra. Numa das primeiras cenas, presente inclusive em um trailer, o personagem de Pitt registra que seu papel é basicamente carregar a bagagem de seu parceiro. O mais importante nisso tudo, no entanto, reside na participação de Al Pacino. O ator interpreta um homem que avalia a carreira de Rick Dalton e o propõe uma boa solução: ir para a Itália e estrelar filmes dentro do sub-gênero do faroeste espaguete. Ao passo que isso acontece, em contrapartida, Sharon Tate, juntamente ao seu marido Roman Polanski (Rafał Zawierucha), vira vizinha de Rick, o que sugere para o artista, imaginando uma amizade com o casal, uma possível retomada da glória.

Por conta de tantas referências às movimentações internas na indústria cinematográfica daquele momento, a forma como Tarantino conversa com a realidade é interessante. Os seus paralelos entre a verdade e a ficcionalidade, portanto, expressam o interesse do cineasta em recriar cenários similares aos do passado, contudo, os enxergando sob novas perspectivas, outras possibilidades. Rick Dalton, no caso, representa o ator Burt Reynolds, que morreu ano passado e, em sua carreira, seguiu caminhos parecidos com o do protagonista da obra. Por sinal, o saudoso artista estava escalado para viver George Spahn no longa, mas com a sua morte o papel foi reatribuído a Bruce Dern. A participação de Reynolds, porém, seria justamente em uma das cenas mais significativas da obra: a introdução dos Manson. Tarantino também se aproxima imensamente do gênero do terror nessa sequência, demonstrando tato para a construção de uma tensão aterrorizante – e que, na verdade, está presente em variadas escalas em demais exemplares da carreira do cineasta. Com isso, o artista consegue concretizar a ameaça que aqueles personagens significam, na teoria e na prática, desmascarando completamente um ar ingênuo primeiramente atribuído. Eles são, não apenas figurativamente, invasores horríveis que comprometem a integridade do cinema, visto que o Rancho Spahn, lugar onde residem, era uma locação para os faroestes protagonizados por Rick.

Entretanto, se a direção competentemente sustenta, por uma certa instância, uma veia narrativa bastante minimalista, excessos nesse sentido também existem e podem ser diagnosticados já pela apresentação dos antagonistas. Dar a contextualização de um perigo à vida de Tate, por exemplo, é uma função que Era Uma Vez… em Hollywood não assume. Do contrário, os espectadores que não conhecem a trágica história da atriz até perderão um prenúncio para a sua morte, que é basicamente o pretexto para a obra existir: Tarantino explorar Hollywood em meio a eminência do seu fim. Por isso, um enorme desapontamento tem relação com a participação de Charles Manson (Damon Herriman) na obra. O mandante dos crimes de 9 de agosto encontra-se presente em uma cena desnecessária, bem mais alheia ao enredo que essencial. Justamente por causa desse teor sugestivo em excesso, sem contexto e costuras narrativas complexas, compromete-se o momento, que soa vago e não antecipatório. Por sua vez, o esperado retorno dos outros Manson, no terceiro ato, não depende dessa cena, muito mais coerente dentro da estrutura que Tarantino adota para moldar o seu longa-metragem. Assim sendo, se, em pequena escala, o cineasta é um diretor que maneja sensações alarmantes aos espectadores, em uma maior a sua condução termina reiterando mais valor aos elementos que em pensar, constantemente, que o fim deles se aproxima.

Com isso, mais excessos inerentemente surgem, por conta da prolongação que Tarantino prevê à contemplação apaixonada que fomenta da época. Passear pelas ruas de Los Angeles é viajar no tempo, reencontrar as cores e as músicas de antes. Quentin, por exemplo, permeia a obra com cenas de episódios das séries que Rick protagonizou, promovendo veracidade a sua jornada: ele parece uma pessoa que realmente existiu. De certa forma, soa como se o cineasta de fato tivesse gravado as temporadas dos seriados que apresenta, alguns completamente imaginários e outros reais: novamente, uma conversa entre a realidade e a irrealidade. Em meio a isso, Dalton é o personagem mais formalista do cineasta nesse seu longa, possuindo um arco narrativo perceptível, enquanto os demais atuam mais como símbolos. Tarantino está pensando os tipos da época e os encaixando em sua ótica particular, que anseia uma imortalidade, em imagem ou em corpo, que a vida não pôde dar. As conexões com Burt Reynolds, dessa maneira, se aprofundam. De um dos mais conhecidos astros de Hollywood dos anos 70 que viriam, Burt perdeu o apelo em décadas seguintes. Enquanto promessas, como Tate, ou atores mais consolidados, como Steve McQueen, morreram cedo demais, Burt continuou na ativa, apesar de esquecido. E Rick Dalton, que sente estar dando adeus ao prestígio? Quem seria o personagem de Leonardo DiCaprio, caso existisse? 

Quentin Tarantino chega, assim sendo, ao seu projeto mais enriquecido em elementos e conceitos. Ele encaminha o público aos mesmos sentimentos que impregna em cada um dos pedacinhos, tanto os realistas quanto os idealistas, desse passado cinematográfico inalcançável. Os exageros misturam-se à paixão, pois uma antecipação a um momento relevante do arco de Rick acompanha um grande diálogo, apenas para o cineasta enfim chegar ao seu propósito: mostrar Rick tendo problemas em cena. Mesmo em seu estado mais formalista, Tarantino continua contemplativo, pensando atmosfera e significados. Já os outros personagens, que encorpam outras propostas, não caminham do mesmo modo. O tratamento à Tate é unicamente reverencial e passa por um cuidado humanista, que impede o seu retrato de se aproximar de uma caricatura. A personagem de Robbie tem pés sujos, ronca à noite, porém, ainda é um reflexo muito poderoso de inocência: a inocência de que sonhos viram realidade. A cena de Sharon em um cinema acentua certeiramente o brilho dos seus olhos. Ela não é esnobe, contudo, alguém sinceramente orgulhosa de suas conquistas – tão orgulhosa de si quanto Rick ao ouvir uma menina apreciar a sua atuação. Essa pureza é o que Quentin Tarantino opõe aos novos inimigos, incitando um maniqueísmo simbólico que tem Booth como uma terceira via: a única que pode sustentar tais sonhos, no final das contas. 

A Hollywood assassinada em 9 de agosto de 1969 revive por quase três horas, para se imortalizar no cinema irreal, mas nunca tão sensível quanto aqui, do cineasta Quentin Tarantino. Era Uma Vez em… Hollywood não é, porém, uma obra puramente nostálgica pautada naquela década, que quer meramente reviver a atmosfera perdida desse passado, por conta dos seus passeios de carro e cores acentuadas. O pensamento não é alienado, entretanto, ciente do que separa verdade e mentira, realidade e cinema. Do contrário, o artista sugere uma utopia dessa Hollywood que ele em si nunca viveu realmente. Os olhos das crianças, como a que o cineasta foi nos anos 60, trazem percepções fantasiosas. O seu Rick, a sua Tate e o seu Cliff, por isso, carregam alegorias. Eles representam os astros em decadência, as estrelas em ascensão e, por fim, os alicerces de uma indústria, menos graciosos e limpos do que as imagens que surgem na tela de cinema: a verdade. Pitt, aqui, vive um sujeito que não tem nada de Bruce Lee, sem ser celebrado ou virar espetáculo. O cinema, portanto, parece ser o único meio que pode concretizar esse sonho de Tarantino em reerguer o império de outrora. Para resistir aos invasores e ameaças, aos interesses comerciais, os ciclos geracionais, que criam astros e derrubam outros, dispensam gêneros de cinema e enaltecem novos, apenas a arte em seu estado mais puro e idealista, pensando em eternidade acima de tudo.

Era Uma Vez em… Hollywood (Once Upon a Time in… Hollywood) – EUA, 2019
Direção: Quentin Tarantino
Roteiro: Quentin Tarantino
Elenco: Leonardo DiCaprio, Brad Pitt, Margot Robbie, Emile Hirsch, Margaret Qualley, Timothy Olyphant, Julia Butters, Austin Butler, Dakota Fanning, Bruce Dern, Mike Moh, Luke Perry, Damian Lewis, Al Pacino, Kurt Russell, Damon Herriman, Lorenza Izzo, Rebecca Gayheart, Rafał Zawierucha, Nicholas Hammond, Mikey Madison, Madisen Beaty, Maya Hawke, Lena Dunham, Zoë Bell, Michael Madsen
Duração: 161 min.

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42 comentários

Rene Had 21 de agosto de 2019 - 12:05

Filme sensacional, uma homenagem ao cinema dos anos 60. Mas é um filme que vai dividir opiniões, e noto que muda gente não tem gostado do filme. Mas é um filmaço e mostra o enorme talento de Tarantino e o final então, sensacional. Amei o filme

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Reinaldo Barbosa 18 de agosto de 2019 - 22:35

Certamente, esse filme será a maior bilheteria da carreira de Tarantino.

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Gabriel Carvalho 19 de agosto de 2019 - 12:03

Bastante complicado ultrapassar “Django Livre”.

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Reinaldo Barbosa 18 de agosto de 2019 - 22:35

Fui ao cinema com os bolsos carregados de pedras para detonar o filme, mas me dei mal. O filme é sensacional! Tarantino realmente recriou o final dos anos 60 com maestria.Todo o filme é um deleite para cinéfilos – a luta de Booth contra Bruce Lee em um cenário cheio de quadros de grandes comediantes como os Irmãos Marx e o Gordo e o Magro, os cartazes dos falsos spaghetti-western com títulos hilariantes, as participações especiais de Dalton nos seriados….realmente o Tarantino ama o cinema. Mas senti um gosto amargo com o final “feliz”, porque sei que infelizmente, a história de Sharon Tate não terminou bem. Mas o cinema é uma fantasia, e durante duas horas e 41 minutos, vivi na ensolarada Hollywood dos anos 60.

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Gabriel Carvalho 19 de agosto de 2019 - 12:03

E o cinema é capaz de imortalizar os mortais. Bruce Lee, Sharon Tate, Steve McQueen e tantos outros astros poderão sempre ser revistos nas telas, apesar de mortos na vida real.

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jcesarfe 17 de agosto de 2019 - 00:22

O pior filme de Tarantino. um tédio sem graça alguma.

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Gabriel Carvalho 18 de agosto de 2019 - 10:07

Pior que eu te entendo, mas achei nada entediante do início ao fim.

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Lígia Amora 16 de agosto de 2019 - 22:56

Seu texto tá incrível! Transparece tudo o que senti assistindo ao longa. Discordo do 8.. Pra mim seria um 9, porque acredito que Tarantino realmente peca pelos excessos, mas eles não atrapalharam a experiência imersiva em nada pra mim, de forma que eu passaria facilmente mais 3h no cinema. Achei divertido e, sobretudo, leve. Mas entendo suas ressalvas. No mais, parabéns pela crítica!

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Gabriel Carvalho 18 de agosto de 2019 - 10:07

Muito obrigado. É um filme de colagens, em um sentido crônico que permite essa extensão de momentos. De certa maneira, tudo parece funcionar em uma lógica de “anti-entretenimento”, que pensa mais no andamento revisionista do que no ponto final mesmo. É um filme que o tempo inteiro está tentando impedir que o fim chegue, pois prenuncia que lá os resultados serão trágicos. Por isso que há muitos passeios de carro, muitas caminhadas. Caminhamos e dirigimos para irmos a algum lugar, mas o Tarantino não quer esse lugar chegue. Ele quer imortalizar a caminhada. Mas em outros momentos percebemos cenas com uma intenção mais específica, porém, que se alonga demasiadamente até chegar ao seu objetivo.

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Acepipe Satã🐂GADO, O PARCIAL 16 de agosto de 2019 - 11:56

Um baita filme com umas escolhas… estranhas. E isso acaba afetando o ritmo da obra em algumas ligações entre blocos (fictícios/reais) e trazendo pontos desnecessariamente lentos. Mas a maturidade do Tarantino na direção é imensa aqui. A cena do Manson que você teve problemas, não me incomodou, porque entra no mesmo jogo que o diretor faz no final. Eu gostei. E toda aquela sequência final, pura que pariu, eu tava todo cagado já no momento em que o carro com aquele bando de lixo estaciona em frente à casa do personagem do Leozinho, que está FODA DEMAIS aqui. Prevejo indicações fortes para ele. 4/5.

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Gabriel Carvalho 16 de agosto de 2019 - 15:09

Eu tenho problemas pontuais com o filme. Por exemplo, não gosto da cena que tem o Pitt com a sua ex-esposa, porque tira um pouco do mistério para criar uma piadinha besta.

Mas quais escolhas você enxerga como estranhas?

Eu, porém, não gosto mesmo da cena do Manson. Talvez revendo…

Eu comecei a pensar aqui se o filme não tivesse o momento tarantinesco e basicamente acabasse nessa cena aí… Com o Leo botando os bichos para correr e pronto. Ia perder um pouco da graça posterior envolvendo o Pitt, obviamente, mas acho que talvez funcionaria por outro lado. Eu amo o que acontece, mas tive essa ideia em conversas com amigos. Creio que iria subverter por completo o cinema do cara, mais corajoso até.

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Acepipe Satã🐂GADO, O PARCIAL 16 de agosto de 2019 - 15:35

Sobre escolhas: as passagens entre os blocos de ficção/realidade, com cortes nem sempre agradáveis e escolhas de cenas de passagens (letreiros, passeios de carro, etc.) não totalmente fluídas, agradáveis. E também escolhas ligadas a extensão desnecessária de algumas sequências na parte pré-Evento.

A cena do Pitt com a esposa: para mim é um complemento ok. Não sou fã ardoroso, mas não desgosto dela, como tu.

E sobre o pensamento que tu propôs: discordo efusivamente dele. Este filme tem uma proposta: estabelecer o fim de uma Era de inocência/paz/espírito hollywoodiano utilizando aquele evento trágico como marco. Absolutamente tudo na obra se constrói para aquele momento. A preparação, os diálogos, a presença dos hippies, a introdução e pontas temporariamente soltas dos coadjuvantes são colocadas com um único sentido no enredo: contrastar a violência às “bolhas rosas” dessas estrelas. Sem o momento tarantinesco no final, o filme não subverteria nada por completo e nem seria mais corajoso. Ele seria a obra mais incoerente e inútil da década, onde um roteiro se propõe a fazer algo e simplesmente bota o pé no freio antes de fazê-lo. Desse modo: qual seria o foco/sentido do filme? Tudo deixaria de fazer sentido! Para acabar ali, teríamos que ter um outro roteiro, com uma outra proposta. E sobre ser mais corajoso, em termos de enredo, só existia mesmo UMA maneira aqui. E sinceramente, eu odiaria que o Tarantino tivesse sido “corajoso” a esse ponto. Sério.

Responder
Gabriel Carvalho 16 de agosto de 2019 - 20:42

Discordo muito efusivamente da sua discordância efusiva, porque, primeiro, não concordo em nada com os objetivos que você supõe ao filme. Não acho que o ponto é destruir as ameaças – até porque o Charles Manson sai impune do negócio, continua sendo uma ameaça para outros tempos -, mas proteger as vítimas, estabelecer uma utopia do que nunca aconteceu, crer na esperança de que algo realmente pode ser imortal nessa indústria. A subversão não está de fato nos Manson se darem mal, mas no que se torna o destino da Sharon e do Rick – que pode enfim estabelecer laços com a atriz e, possivelmente, reacender a sua carreira dentro da própria Hollywood. Basicamente as mesmas coisas se repetiriam na cena conclusiva, nessa minha hipótese, mas o personagem do Emile Hirsch apareceria na porta e perguntaria o porquê da gritaria toda, ao invés de ter o pretexto das mortes como desculpa para a intromissão. Eu acharia mais corajoso pelo Tarantino renegar a violência de um modo completo. A violência, premeditada por todo um filme, é impedida pela força de toda uma reencenação irreal do passado. A violência é impedida. Porque basicamente esse filme é uma antítese do Tarantino: grande parte de suas influências vem dos anos 70 para frente ou então cinema estrangeiro, não necessariamente a Hollywood clássica e inocente do passado. Hipotetizando um mundo em que suas influências provavelmente seriam outras, ele supõe talvez uma realidade em que o seu cinema seria outro. Então esse seria um cinema seu, portanto, repaginado em vista da sua proposta de fantasia, em que o próprio filme personifica a fantasia, um mundo diferente em que o Tarantino é diferente.

Mas, em contrapartida, gosto da ideia do Pitt como sendo a ponte entre o que deve ser preservado e o que é destruído no processo. Ele é dublê. Ele se machuca para que os astros não se machuquem. O contraste entre ele e o Bruce Lee nasce disso.

Concordo, no mais, com a extensão desnecessária de cenas. O momento que o Leo DiCaprio erras as falas, por exemplo, poderia ter começado um tempo depois, sem precisar de uma introdução tão grande para enfim chegar ao seu ponto: que é errar as falas.

Responder
Acepipe Satã🐂GADO, O PARCIAL 16 de agosto de 2019 - 22:13

Quando um diretor qualquer filmar esse roteiro que você está inventando agora, com uma premissa que lhe seja lógica e útil, escreverei a crítica desse tal filme verei se é algo mesmo corajoso ou subversivo. Como isso não tem absolutamente nada a ver com Tarantino ou Once Upon a Time … in Hollywood, cai o pano.

Gabriel Carvalho 16 de agosto de 2019 - 22:13

Beleza, cara.

Acepipe Satã🐂GADO, O PARCIAL 16 de agosto de 2019 - 22:13

👌

Al_gostino 16 de agosto de 2019 - 10:12

Quero muito assistir esse filme, espero demais por ele há tempos, mas, vendo e lendo algumas críticas sobre, há uma certa impressão que a galera está meio com “medo” de assumir que o filme não é bom ou no mínimo bem abaixo do que todos esperavam.

Responder
Gabriel Carvalho 16 de agosto de 2019 - 15:09

A minha crítica te desanimou?

Olha, acho o contrário… As pessoas, pelo menos os críticos que eu li, estão gostando mais do que as notas terminam por dizer. Que é um filme que pode ter os seus problemas, dependendo da visão de cada um, mas no final comove mais que desagrada.

Responder
Al_gostino 16 de agosto de 2019 - 17:05

Não, não, como disse, estou com expectativa alta demais para assistir esse filme mas mediante ao que ando lendo e ouvindo, parece que muita gente esperava mais ou não quer aceitar que o filme é fraco, não quer dar o braço a torcer saca….eu li sua crítica por cima, pois quero ler com atenção depois de assistir. Abraço

Responder
Gabriel Carvalho 16 de agosto de 2019 - 20:59

Esperava outra coisa certamente. Esperava mais, porém, não sei. Depende do ponto de vista.

Responder
Diogo Maia 15 de agosto de 2019 - 22:19

Infelizmente o filme mais fraco do Tarantino. Tem um problema de ritmo terrível, parece que o diretor não sabia quando cortar de tão deslumbrado que estava com o que estava filmando. Eu já sei que o cara é fissurado em cinema, não preciso de duas horas de cenas inconclusivas só para chegar no final cheio de violência de sempre.

Nota 5/10.

Responder
Gabriel Carvalho 16 de agosto de 2019 - 06:13

Não tenho problema algum com o ritmo. Existem filmes mais parados e outros mais acelerados. Depende de um conceito subjetivo. Quando eu comecei a assistir filme mudo, por exemplo, o sono chegava rapidamente, mas depois eu me acostumei.

Problema de ritmo, para mim, é quando o filme cria uma ruptura problemática entre o tempo paciente e o tempo ágil, ou demora demais até chegar a um ponto, soando redundante.

Esse segundo caso é o seu e eu concordo que o Tarantino exagera. Mas ao meu ver é um exagero pontual, enquanto tais cenas “inconclusivas”, para mim, são fundamentais na tese romântica que o cineasta prepara sobre esse tempo.

Inconclusão por inconclusão, “Pulp Fiction” tem uma quantidade enorme de cenas que em um sentido formalista de narrativa são completamente descartáveis. E continua sendo sensacional.

Responder
Wander 15 de agosto de 2019 - 19:41

Era uma vez… um clássico! ❤️
Fiquei chocado de como o clima final foi construído e a resolução…
Tá no nível do Bastardos Inglórios que eu amo!

Responder
Gabriel Carvalho 16 de agosto de 2019 - 06:05

Nos últimos 25 minutos, o meu coração simplesmente para. Na cena do Rick na frente do carro, reclamando dos hippies, eu já comecei a me contorcer. De tanto que ainda penso no filme, capaz da nota aumentar com o tempo.

Responder
Wander 16 de agosto de 2019 - 12:40

Quando começa a mostrar os horários (acho que isso não é spoiler né?), eu tinha lido uma matéria falando do assassinato real e fiquei com o horário na cabeça… então quando ia chegando perto mais perturbado eu ficava…

Responder
Gabriel Carvalho 16 de agosto de 2019 - 15:09

Te entendo perfeitamente. Essa é uma ponte poderosíssima que criamos entre realidade e irrealidade. Nem todos vão ter a mesma experiência, portanto, e tenho meus problemas na contextualização da ameaça, mas o resultado é certamente enervante.

Responder
Renan Teixeira 14 de agosto de 2019 - 21:53

E quanto as atuações ? Vê alguma delas (principalmente DiCaprio, Pitt ou Robbie) como fortes candidatos ao Oscar?

Responder
Gabriel Carvalho 15 de agosto de 2019 - 10:26

Eu vejo as três indicadas. Mas força mesmo eu não sei… Os três mandam muito bem, mas cada um a sua maneira – e a Robbie tem menos tempo de tela. DiCaprio como Melhor Ator e Pitt e Robbie como Coadjuvante eu acredito que aconteça. Vencer mesmo, porém, é outra história, mas espero que as chances do Leo cresçam.

Responder
Renan Teixeira 15 de agosto de 2019 - 21:41

Seria demais ver o Léo ganhando outro Oscar, mas confesso que seria mais bacana ainda ver Pitt receber seu tão merecido Oscar que até hoje nunca veio

Responder
Gabriel Carvalho 16 de agosto de 2019 - 06:05

O papel do Pitt é excelente, mas não tem as características daqueles que são normalmente premiados… Talvez nos surpreenderemos.

Responder
Gabriel Carvalho 16 de agosto de 2019 - 06:13

Aliás, já assistiu ao filme? O que achou?

Responder
Renan Teixeira 16 de agosto de 2019 - 12:05

Só vou assistir no sábado, mas ansioso desde já, ainda mais com as criticas positivas

skypeln 14 de agosto de 2019 - 16:44

Gabriel, o filme tem um ritmo lento por ter 161 min?

Responder
Gabriel Carvalho 14 de agosto de 2019 - 17:16

Mais lento que “Os Oito Odiados”. Como eu disse, é tudo muito paciente. Tarantino quer realmente imergir o espectador nessa sua visão da época. Assistir comerciais fictícios, ver cenas de episódios de séries fictícias. Pode passar voando ou demorar uma eternidade, porque ele tá mais caracterizando tudo do que construindo história em um sentido mais formal do negócio – a construção mora nas entrelinhas, em atribuir um significado às coisas que acontecem, fomentar um discurso acerca de Hollywood e seus astros. No final das contas, porém, eu acho que o saldo é bem mais positivo que negativo.

Responder
Gabriel Carvalho 15 de agosto de 2019 - 10:26

Depois que assistir vem cá dizer o que achou!

Responder
Rene Had 14 de agosto de 2019 - 14:16

Pow achei que vc ia dar cinco estrelas. Você está exigente demais nas suas críticas.

Responder
Gabriel Carvalho 14 de agosto de 2019 - 15:56

Eu gosto mais do filme do que a nota aparenta, apesar de ser uma ótima nota que eu não dou sempre. Mas tem seus excessos, apesar de serem exageros que a gente simpatiza. Meu maior problema é com o filme não ter conseguido acertar totalmente na sua pegada ocasional, que não se preocupa com narrativas intricadas – e isso não é exatamente um problema, pois há muita renovação de elementos e ideias. O Booth, por exemplo, tem uma informação sobre o seu passado que serve basicamente para construir mística, aprofundar o arquétipo do dublê de corpo como algo menos fantástico e mais sujo – e isso eu não apontei na critica, mas não gosto quando o Tarantino retira um pouquinho do mistério acerca do personagem. Prefiro quando a obra é mais sugestiva nesse sentido.

Responder
Rene Had 14 de agosto de 2019 - 18:06

Mas entre esse novo filme, Os oito odiados e Django Livre, na sua opinião qual é o melhor? Você acha que nesse novo filme do Tarantino a gente pode encontrar a genialidade do roteiro? Pois é algo que sempre marcou a carreira do diretor. Eu ainda não vi o filme, apenas estou pedindo a sua opinião.

Responder
Diego/SM 14 de agosto de 2019 - 21:20

Putz, se for inferior (ou mesmo na mesma “faixa” de qualidade) de Os oito odiados e Django, acho que nem vou encarar um cinema… deixar para assistir em casa mesmo, futuramente, sem lá muita expectativa… não que os ache exatamente fracos, são bons filmes, mas um tanto quanto inferiores ao que havia antes, e, em sequência, acabaram me passando a impressão que o Taranta vem numa ligeira descendente (embora eu tenha consciência que é obviamente dificílimo manter um padrão do tipo Pulp Fiction/Bastardos Inglórios)…

Responder
Gabriel Carvalho 15 de agosto de 2019 - 10:33

Depois de Bastardos, o Tarantino perdeu a sua montadora dos tempos áureos, que faleceu.

Mas ainda acho os trabalhos excelentes.

Gabriel Carvalho 15 de agosto de 2019 - 10:33

Eu prefiro esse novo. Podemos encontrar a genialidade sim, mesmo que o diretor tenha se afastado um pouco da linha formal de condução narrativa – você vai perceber o que eu digo em relação à Tate no filme. Diálogos bem escritos, uma ideia geral bem resolvida, contudo, estão presentes. É um filme que, quando peca, peca por amar em excesso.

Responder
Gabriel Carvalho 16 de agosto de 2019 - 06:31

Quando assistir, vem dizer o que achou!

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