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Crítica | Era Uma Vez na América

por Ritter Fan
2986 views (a partir de agosto de 2020)

You see, Mr Secretary… I have a story also, a little simpler than yours. Many years ago, I had a friend, a dear friend. I turned him in to save his life, but he was killed. But he wanted it that way. It was a great friendship. But it went bad for him, and it went bad for me too. Good night, Mr Bailey.

obs 1: A crítica contém spoilers do filme.

obs 2: A versão criticada é o “corte europeu” de 229 minutos, 22 minutos mais curta que a versão do diretor, mas 90 minutos mais longa do que a versão mais popular, lançada nos cinemas nos Estados Unidos. 

A curtíssima, mas marcante carreira de Sergio Leone chegou a seu fim com Era Uma Vez na América, um épico que ele queria tanto produzir que recusou o convite da Paramount para dirigir O Poderoso Chefão. O diretor perseguia o livro The Hoods, de Harry Grey, que deu base a seu filme, desde a década de 70, mas diversos empecilhos o impediram de levar a cabo o projeto até 1982.

Reparem só o tempo que Leone ficou longe das câmeras desde seu papel de diretor sem créditos em Trinity e Seus Companheiros: nove anos. E, mesmo passado esse tempo, ele ainda tentou trazer John Millius para a direção, mas ele teve que recusar em virtude de seus compromissos com a direção de O Vento e o Leão e o roteiro de Apocalypse Now, ambos ainda na década de 70. Sem alternativas, Leone arregaçou as mangas e tratou de ele mesmo trazer Era Uma Vez na America à luz.

O resultado é um filme complicado de se assistir. Complicado, mas muito, muito interessante, desde que o espectador saiba o que esperar de um filme de Leone: sequências lentas, que falam e arrebatam com imagens. A complicação vem da montagem não linear da longa fita que, em seus 40 minutos iniciais, não deixa o espectador se localizar no tempo. Focando primordialmente em Noodles, um gângster judeu em Nova Iorque, a obra começa violenta na década de 30, vai para a década de 20 e, depois, para os anos 60. Mas esse desnorteamento inicial, que marca o desaparecimento e a volta de Noodles para sua cidade, funciona para uma coisa, fisgar o espectador. Pode ser complexo e pode ser lento, mas é viciante, especialmente considerando que, ao fundo, ouvimos a magnífica trilha sonora de Ennio Morricone, uma das melhores de sua carreira (quantas “melhores da carreira” esse grande compositor tem, não é mesmo?).

Quando o filme se fixa na adolescência de Noodles (nesse momento vivido por Scott Schutzman Tiler) começamos a entender o subtexto fundamental da narrativa: a amizade e a lealdade. Diferente do que se pode achar, Era Uma Vez na América não é um “filme de gângster” ou “de máfia”. Ele não pode ser comparado de verdade com O Poderoso Chefão, que tem um olhar completamente diferente sobre a vida criminosa. Os dois filmes são obras-primas de seus respectivos jeitos e compará-los é reduzi-los. Era Uma Vez na América é um filme sobre a amizade e a lealdade tendo como pano de fundo a vida de um grupo de seis garotos judeus (inicialmente, ao menos) que desde sempre souberam que viveriam e morreriam juntos do lado de lá da lei. É, fundamentalmente, a bela e trágica história da amizade de Noodles com Max (quando criança vivido por Rusty Jacobs) ao longo de quase 50 anos.

E, para fazer isso, Sergio Leone cria filmes dentro de filmes. No primeiro, contido nos já mencionados 40 minutos iniciais, ele estabelece – e confunde – a história de Noodles, criando mistério sobre uma traição, uma maleta de dinheiro desaparecida e sobre quem teria descoberto onde Noodles estava se escondendo nos últimos 30 anos. Esse é o momento da montagem não linear que prende o espectador na cadeira.

O segundo filme é a vida dos jovens futuros bandidos, de como Noodles conhece Max, da paixão de Noodles por Deborah (Jennifer Connelly, então com 12 anos) e a criação e o fortalecimento da pequena gangue independente formada ainda por Patsy (Brian Bloom), Cockeye (Adrian Curran) e Fat Moe (Mike Monetti). Quando voltamos para o “presente” na década de 60 e novamente vemos Noodles (Robert de Niro, com maquiagem para parecer mais velho), começamos então, o terceiro filme, em um novo e longo flashback a partir da saída da prisão de um Noodles mais velho, mas ainda novo, com 20 e tantos anos (também De Niro), durante a Lei Seca e seu reencontro com Max, Cockeye, Patsy e Fat Moe (agora, respectivamente, James Woods, William Forsythe, James Hayden e Larry Rapp) e, claro, com Deborah, agora vivida por Elizabeth McGovern. Vemos o desenrolar do sucesso da gangue e o inevitável e sanguinolento final, que deixaria uma terrível cicatriz psicológica em Noodles.

Mas a estrutura complexa imaginada pelos oito roteiristas do épico vai ainda mais além, com um quarto filme, esse finalmente completamente no presente (final da década de 60), com Noodles descobrindo a razão de ter sido trazido de volta para a cidade. É um daqueles momentos de triturar o coração, não pela revelação do segredo, mas pela reação do velho Noodles, contida, entristecida, mas ao mesmo tempo feliz e aliviada. São momentos finais que ficarão para sempre na mente de quem perseverar e assistir Era Uma Vez na América em toda sua plenitude.

No entanto, a coisa vai mais a fundo ainda. Quando Noodles relutantemente “trai” seu grupo de amigos na década de 30, levando-os à morte, nós o vemos drogado, em um local onde se fuma ópio. Nos últimos segundos da obra, Leone nos leva de volta a esse mesmo local e dessa vez nos faz assistir ao processo pelo qual Noodles passa até ele se virar e, com olhar vidrado, abrir um largo sorriso de felicidade induzida. Mas porque dou destaque a esse momento? Bem, essa é uma das belezas de Era Uma Vez na América.

O ópio, como se sabe, leva seu usuário a ter alucinações, alguns dizem que até premonitórias. Leone está claramente nos fazendo concluir que uma das interpretações possíveis é que tudo que se passa a partir dos anos 30 é apenas o resultado de uma alucinação de Noodles. Assistir Era Uma Vez na América com esse enfoque empresta uma conotação ainda mais trágica, só que talvez mais lógica para todas sequências além dos anos 30 que carregam consigo diversos aspectos de sonho, como Noodles “entrando na pintura” da estação de trem, seu encontro com uma Deborah não tão envelhecida assim nos anos 60, seu encontro com o filho dela que é vivido pelo mesmo ator que faz Noodles quando jovem e, claro, seu reencontro chocante (para ele) com Max.

Essas diversas camadas de Era Uma Vez na América surpreendem e mesmerizam o espectador, jogando-o de época para época sem perdão, aproximando-o de Noodles e seu grupo sem, porém, domesticá-los, sem açucará-los para consumo fácil. Essa foi uma das razões pelas quais, para lançamentos nos EUA, o filme foi eviscerado pela produtora, perdendo mais de 90 minutos de seu tempo e tornando-se uma mixórdia narrativa. A versão europeia, de 229 minutos, reconstrói o filme para uma versão que, apesar de não ser a integral, consegue passar perfeitamente a narrativa de Leone, sem maiores prejuízos de ritmo. Mas essa mesma versão nos faz ter repulsa de Noodles por suas ações, especialmente os dois estupros que ele comete, o primeiro deles um tanto quanto desnecessário e o segundo – o de Deborah – absurdamente trágico e revoltante, daqueles que dá vontade até de clicar no avanço rápido. Sim, é um mundo violento e masculino que Leone nos faz mergulhar, mas, pessoalmente, tenho problemas com esses dois momentos.

A fotografia em tom sépia, como se diversas sequências fossem fotografias antigas e a filmagem em locação em Nova Iorque, Paris (a estação de trem de Nova Iorque), Florida (a praia) e Veneza (o restaurante de Long Island aonde Noodles leva Deborah para jantar) e Quebec emprestam uma autenticidade extra à fita. Acreditamos facilmente no que estamos vendo graças a um design de produção minucioso, que reconstrói as diversas épocas com precisão, sem que por um segundo duvidemos que estamos o tempo todo em Nova Iorque.

Era Uma Vez na América é um inesquecível épico de um dos grandes diretores da Sétima Arte. Um filme imperdível, pesado, trágico, mas extremamente gratificante.

Era Uma Vez na América (Once Upon a Time in America, EUA/Itália – 1984)
Direção: Sergio Leone
Roteiro: Leonardo Benvenuti, Piero De Bernardi, Enrico Medioli, Franco Arcalli, Franco Ferrini, Sergio Leone, Stuart Kaminsky, Ernesto Gastaldi (baseado no romance The Hoods de Harry Grey)
Elenco: Robert De Niro, James Woods, Elizabeth McGovern, Joe Pesci, Burt Young, Tuesday Weld, Treat Williams, Danny Aiello, Richard Bright, James Hayden, William Forsythe, Darlanne Fluegel, Larry Rapp, Richard Foronjy, Robert Harper, Dutch Miller, Gerard Murphy, Amy Ryder, Scott Schutzman Tiler, Rusty Jacobs, Brian Bloom, Adrian Curran, Mike Monetti, Noah Moazezi, James Russo, Jennifer Connelly
Duração: 229 min.

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45 comentários

Beth Barone 5 de janeiro de 2021 - 21:46

https://uploads.disquscdn.com/images/1a2a9d13ceeafe862b9b3ad167ce171896a78d3fcef5da349514a145c7f4e7a2.jpg Oi amigos do Plano Crítico, gosto muito do site de vocês, agora estou seguindo no Facebook assim não perco nenhuma atualização. Ontem resolvi assistir o magnífico Era uma vez na América. Excelente filme. Mas gostaria de registrar aqui uma correção (já dita por outros aqui nos comentários) de que o filho da Deborah chamado David é filho do Max e não do Noodles. Para tirar essa dúvida basta olhar os créditos do filme onde consta que o ator Rusty Jacobs faz o papel do Young Max e de David. E David é justamente o filho de Max no filme que recebe o nome David numa espécie de homenagem ao Noodles que se chama no filme David Aaronson. De resto, crítica ótima como sempre. Parabéns pelo site.

Responder
planocritico 6 de janeiro de 2021 - 08:32

Obrigado!

E obrigado duplamente por esclarecer a dúvida!

Abs,
Ritter.

Responder
Pedro007 8 de julho de 2020 - 15:53

A versão extendida do diretor que tem 4 horas e 15 minutos , e difícil de achar!!!!!!.

Responder
planocritico 9 de julho de 2020 - 15:36

Muito difícil mesmo.

Abs,
Ritter.

Responder
Pedro007 9 de julho de 2020 - 15:51

Ate hoje não consegui!!!!!.
Boa Crítica.

Responder
planocritico 9 de julho de 2020 - 15:59

Obrigado!

Abs,
Ritter.

Responder
Henrique Santos 12 de junho de 2020 - 22:57

Gostei bastante da crítica, pois esse é meu filme número 1/100. Apenas observei que: qdo vc diz que Noodles encontra Débora com seu filho(sempre achei não ser filho dela e somente de Max) e que interpretou Noodles na adolescência (na verdade é o que interpretou Max na adolescência). Posso estar enganado nas acho que não.

Responder
planocritico 17 de junho de 2020 - 10:27

Você diz o Scott Tiler? Ele fez o Noodles na adolescência.

Abs,
Ritter.

Responder
Rodrigo 29 de abril de 2020 - 00:17

O filme é excelente, espetacular, mas o que me surpreendeu foi a dimensão do incômodo que as cenas de estrupo (para mim só houve uma) causaram por aqui. Cenas completamente normais no contexto do filme, que o complementam tornando-o ainda mais sólido.

Responder
planocritico 29 de abril de 2020 - 01:19

Não acho que ninguém tenha ficado incomodado a ponto de não ver a importância das cenas no filme não. Mas incomodado, mesmo dentro do contexto do filme, é impossível não ficar.

Abs,
Ritter.

Responder
Alex Lordelo 18 de fevereiro de 2020 - 23:15

Ótimo Filme. parabéns pela critica.

Responder
planocritico 19 de fevereiro de 2020 - 12:15

Obrigado!

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 18 de novembro de 2018 - 18:44

Obrigado!

Adorei seus comentários também!

Abs,
Ritter.

Responder
Vinícius H. Sales 14 de novembro de 2018 - 22:56

Bom, não é tentando ser adivinho mas pra mim o Leone fez um filme para sua platéia, e eu falo isso justamente pela teoria da alucinação. Li muitas opiniões sobre o final, e cheguei a conclusão de que o Leone jogou uma série de pistas que leva a culpa do Noodles (fruto do telefonema para a polícia para impedir o roubo suicida do Max, que não deixa de ser um ato de grande amizade), e uma série de pistas que leva a ambição de Max. Na minha visão uma pista contradiz outra, e o Leone fez isso para que o público decidisse o melhor final da obra, condizendo com a personalidade de cada espectador.
Agora oque contradiz, na chuva o Max está destruido e é impossível reconhecer o Woods (pelo menos eu não), enquanto isso Patsy e Cockye são reconhecíveis, isso já deixa no ar algo estranho, no final já é concretizado essa teoria, porém, mais tarde vêm o sorriso resultado do ópio o que muda tudo, além de que quando o Max se joga no caminhão depois disso aparece um carro que não é dos anos 60, o que indica mais coisas erradas. Mas em dois momentos o Noodles chama o Max de louco e o Max fica enfurecido nas duas vezes, e nos anos 60 é revelado de onde vinha essa loucura. Contra esse argumento vêm que isso aconteceu por causa do ópio no teatro chinês, mas se fosse resultado de uma soneca seria mais plausível porque sonhos pegam tudo nos aconteceu e forma tudo na cabeça, já a droga alucinógena causa alucinações, que acredito que inventam coisas na cabeça sem nexo. Também a favor de ser real temos a frase “Eu deveria acabar com você”, não é só uma frase, o jeito que o Max faz é tão hipnótico que é quase um prelúdio.
E no final (que na verdade é o começo na tela e o meio cronologicamente), o Noodles vai pra estação abrir a maleta e não têm nada. E aí que o Leone quebra tudo, se achar a maleta fazia parte do sonho do Noodles, como ele olha pro cartaz de “Visite Conney Island” e lembra da alucinação (que é o que a cena sugere) sendo que ele está dentro. Isso comprova que tudo foi real, mas por que ele olha daquele jeito pro cartaz se não teve alucinação, ele vê o futuro?. Resumindo, você acredita com o que mais te faz sentido, porque o Leone fez o filme pra isso mesmo. O Leone fez uma epopéia sobre o ser humano: amizade, amor, traição, loucura, ambição e arrependimento.
E sobre a Deborah ser jovial demais, não acredito nisso, desde de quando o Noodles sai da cadeia ela têm cara de bebê.
A única coisa que eu não gostei no filme foi a cena do estupro da Deborah totalmente desnecessário pra mim. O Leone fez aquilo pra destruir mesmo o espectador, pra mim se só a Deborah falasse que ia embora e o Noodles falasse “eu te amo” e “te desejo toda sorte do mundo” com uma expressão de dor profunda o Leone colocasse o “silêncio inquietante”, o Noodles saísse do carro e começasse a tocar Morricone já poderia ter destruído bastante.
Apesar disso, “Era Uma Vez na América” é o melhor filme que eu já vi, já vi “O Poderoso Chefão”, não vi “Cidadão Kane”, mas sinto que se ver, “Era Uma Vez na América” seguirá como o melhor filme que eu já vi.

Deixo claro que há mais pontos para serem ressaltados, mas apenas deixei minha opinião esse filme que merece tanto ser mais visto e discutido. Acho que um preconceito por parte da “academia” com ele, se tivesse sido dirigido por um americano estaria num ringue brigando com “O Poderoso Chefão” e “Cidadão Kane” o título de “O Melhor Filme de Todos os Tempos”

A crítica ficou excelente, parabéns.

Responder
planocritico 11 de agosto de 2018 - 18:13

Uma relíquia mesmo, sem dúvida!

Abs,
Ritter.

Responder
gabriel mendes 11 de agosto de 2018 - 00:18

Isso é uma relíquia do cinema. Apesar de quase 4 horas de duração vale cada segundo que você assisti. Junto com a Trilogia Poderoso Chefão e Scarface (1983) são os melhores filmes de gangster que eu já vi na minha vida.

PS. A cena que o Secretário Bailey entrega a arma pro Noodles para matar ele mesmo é uma das raras vezes que me fez lacrimejar ao ver um filme.

Responder
Diego Sousa 31 de dezembro de 2017 - 05:21

Mas apesar de ser interessante a teoria da alucinação pelo ópio, não consigo ver dessa forma pelos pontos citados. As cenas da pintura por exemplo vejo como uma evolução da arte para demonstrar a passagem do tempo, e a Débora não tão envelhecida se dá ao fato dela ter se tornado a estrela que tanto sonhava, fazendo com que sua imagem necessite ser sempre jovial independente da idade (apesar que na festa dá pra perceber como o tempo a afetou também). Só uma correção à crítica, o David é vivido pelo jovem Max, e não pelo Noodles, o que já o faz deduzir toda a charada do filme.

Responder
Diego Sousa 31 de dezembro de 2017 - 05:21

Mas apesar de ser interessante a teoria da alucinação pelo ópio, não consigo ver dessa forma pelos pontos citados. As cenas da pintura por exemplo vejo como uma evolução da arte para demonstrar a passagem do tempo, e a Débora não tão envelhecida se dá ao fato dela ter se tornado a estrela que tanto sonhava, fazendo com que sua imagem necessite ser sempre jovial independente da idade (apesar que na festa dá pra perceber como o tempo a afetou também). Só uma correção à crítica, o David é vivido pelo jovem Max, e não pelo Noodles, o que já o faz deduzir toda a charada do filme.

Responder
planocritico 30 de janeiro de 2018 - 14:38

A questão do ópio é só uma forma de ver o filme. Torna-o ainda mais intrigante. Gosto muito dessa interpretação, mas ela não é necessariamente correta.

Abs,
Ritter.

Responder
Diego Sousa 31 de dezembro de 2017 - 05:21

Tento uma vez por ano assistir esse belíssimo filme, um dos meus favoritos sem dúvida alguma, e depois de encarar essa viagem mais uma vez caí nessa crítica, muito boa por sinal, parabéns.

Responder
Diego Sousa 31 de dezembro de 2017 - 05:21

Tento uma vez por ano assistir esse belíssimo filme, um dos meus favoritos sem dúvida alguma, e depois de encarar essa viagem mais uma vez caí nessa crítica, muito boa por sinal, parabéns.

Responder
planocritico 30 de janeiro de 2018 - 14:37

Obrigado, @disqus_pzMTJq0SQX:disqus ! Um filmaço, sem dúvida!

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 30 de janeiro de 2018 - 14:37

Obrigado, @disqus_pzMTJq0SQX:disqus ! Um filmaço, sem dúvida!

Abs,
Ritter.

Responder
Jorge Carniel 4 de dezembro de 2017 - 17:27

“Era Uma Vez na América” é uma elegia á tristeza.

Todas as suas formas estão na tela: saudade, decepção, traição, perdas…

Os enquadramentos, os olhares, a música, tudo se mistura tão perfeitamente que quando você menos se espera está mergulhado numa tristeza sem objeto, uma melancolia induzida que dilacera o coração.

Talvez isso explique tanto o fracasso nas bilheteria quanto o seu culto.

Eu recomendo que se assista também ” Quando Explode a Vingança”, o filme anterior do Leone e inacreditavelmente desprezado. Ali já estão lançados os elementos que farão a grandeza de “Era Uma Vez na America” treze anos mais tarde. A música fabulosa de Morricone, as longas sequencias silenciosas, os olhares, os medos e as dores.

Responder
planocritico 5 de dezembro de 2017 - 00:17

Excelente sugestão!

Abs,
Ritter.

Responder
Samael Darcangelo 21 de setembro de 2017 - 13:58

Assisti ao filme ontem na Netflix.
Achei a cena do primeiro estupro desnecessária, já a do segundo é essencial para a trama e é preciso estômago para assistir.
Gostei da crítica, mas discordo da interpretação do ópio, afinal, o Leone não gastou três horas montando cuidadosamente o desfecho para tudo não ter passado de uma viagem alucinada. 🙂

Responder
planocritico 21 de setembro de 2017 - 15:19

Sim, concordo sobre os dois estupros.

Já sobre a interpretação do ópio, é só isso mesmo, uma interpretação. Mas você há de convir que há algumas sequências lisérgicas que parecem perdidas no filme e que eu só consigo conciliar ao usar essa interpretação que eu considero bastante razoável e pode ter sido sim algo pensado por Leone.

Abs,
Ritter.

Responder
Samael Darcangelo 21 de setembro de 2017 - 17:26

Bom, como ainda estou sob efeito do filme e, consequentemente, googlando sobre ele, posso trazer algumas informações úteis.

A teoria da viagem no ópio foi levada até o próprio Sérgio Leone em uma conversa ue virou livro (em francês) e ele respondeu que “sim, era uma interpretação POSSÍVEL”. Portanto, ele fez questão de deixar a ambiguidade, o que casa com o final de Max na história que, segundo li, também foi intencionalmente dúbio.

Já o frisbee, por exemplo, fazia parte de uma cena maior que teve que ser cortada, de modo que só aparenta ter vindo do nada para lugar nenhum porque a explicação para seu surgimento deve ter ficado nas mais de três horas de gravações que o próprio Leone teve que suprimir.

Outra coisa chocante foram os cortes para a versão americana, inclusive com a colocação das sequencias em ORDEM CRONOLÓGICA, o que tornou o filme meio incompreensível! Leone tinha essa obra como seu xodó, queria fazê-la desde 1968, e a repercussão problemática nos EUA é apontada como um dos fatores que acabou de vez com sua saúde, levando-o à morte.

Agora, independente do esforço do Leone para deixar o final “como um pião girando”, creio que a descoberta da traição de max no “futuro” faz todo o sentido de acordo com o que foi contado durante a construção dos personagens. Se era uma alucinação, o “Relógio do Bêbado” e o “Afogamento de Max” perdem o sentido. Mas, enfim, é um grande filme e que pena que tenha sido o último desse mestre.

Responder
planocritico 22 de setembro de 2017 - 14:11

A versão americana toda podada definitivamente estraga o filme todo. Ainda bem que, hoje, temos acesso ao original quase integral.

Abs,
Ritter.

Responder
Bruno B Bruno 28 de maio de 2017 - 04:26

o primeiro nao foi estupro da “peggy” ela era puta mesmo.

Responder
planocritico 28 de maio de 2017 - 12:37

Mas então prostitutas não podem ser estupradas???

– Ritter.

Responder
Bruno B Bruno 29 de maio de 2017 - 05:17

ela concordou

Responder
planocritico 29 de maio de 2017 - 13:05

Bom, não consigo ver aquilo como consentimento…

Abs,
Ritter.

Responder
André 11 de dezembro de 2016 - 05:03

Que filmaço esse! Montagem sensacional que ao ser assistida pela segunda vez se torna melhor ainda. Quanto a sua interpretação faz bastante sentido mesmo e porque outro motivo Leone terminaria o filme com essa cena se não fosse justamente nos levar a esta interpretação…e como todo bom filme da sétima arte você pode aproveitá-lo dos dois jeitos. Quanto a cena de estupro de Deborah acredito que tenha sido uma das únicas cenas que eu já assisti que realmente me deixou muito inconfortável com vontade de passá-la rapidamente..horrível.

Responder
André 11 de dezembro de 2016 - 05:03

Que filmaço esse! Montagem sensacional que ao ser assistida pela segunda vez se torna melhor ainda. Quanto a sua interpretação faz bastante sentido mesmo e porque outro motivo Leone terminaria o filme com essa cena se não fosse justamente nos levar a esta interpretação…e como todo bom filme da sétima arte você pode aproveitá-lo dos dois jeitos. Quanto a cena de estupro de Deborah acredito que tenha sido uma das únicas cenas que eu já assisti que realmente me deixou muito inconfortável com vontade de passá-la rapidamente..horrível.

Responder
planocritico 11 de dezembro de 2016 - 13:37

@disqus_zhnW2Xl61y:disqus , um grande filme, sem dúvida! Acho que as duas interpretação – a linear e a “drogada” – funcionam bem mesmo e, dependendo do que você estiver sentindo no dia que assistir, dá para concluir por um ou pela outra.

O segundo estupro realmente foi algo, digamos, assustador. A naturalidade da coisa com Deborah e o “desencaixe” dessa sequência em relação ao resto da trama é que me impedem de dar 5 estrelas para o filme.

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 11 de dezembro de 2016 - 13:37

@disqus_zhnW2Xl61y:disqus , um grande filme, sem dúvida! Acho que as duas interpretação – a linear e a “drogada” – funcionam bem mesmo e, dependendo do que você estiver sentindo no dia que assistir, dá para concluir por um ou pela outra.

O segundo estupro realmente foi algo, digamos, assustador. A naturalidade da coisa com Deborah e o “desencaixe” dessa sequência em relação ao resto da trama é que me impedem de dar 5 estrelas para o filme.

Abs,
Ritter.

Responder
Matheus Wesley 14 de novembro de 2016 - 13:38

Mais outra obra-prima de Leone, acho interessante lembrar da conversa de Deborah com Noodles quando eles ainda eram adolescentes e o quanto a cena do estrupo dela é absolutamente relacionada a isso(cena que me deixou com nojo de Noodles). David não nasceu e nem viveu pra ter uma vida normal, é nítido por mais que ele tente disfarçar, a degradação ética e moral que tem os bandidos.
E a consequência de se entrar numa vida dessas sempre é a tristeza e a tragédia, não importa o quanto queira fugir.
Confesso que não tinha pensado no filme por esse ângulo do delírio de ópio, o título do filme faz ainda mais sentido.

Responder
planocritico 14 de novembro de 2016 - 14:29

@disqus_ujHwdUNxLp:disqus , é um filme inesquecível mesmo e a interpretação do delírio é a que pessoalmente mais gosto!

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 14 de novembro de 2016 - 14:29

@disqus_ujHwdUNxLp:disqus , é um filme inesquecível mesmo e a interpretação do delírio é a que pessoalmente mais gosto!

Abs,
Ritter.

Responder
Matheus Wesley 14 de novembro de 2016 - 13:38

Mais outra obra-prima de Leone, acho interessante lembrar da conversa de Deborah com Noodles quando eles ainda eram adolescentes e o quanto a cena do estrupo dela é absolutamente relacionada a isso(cena que me deixou com nojo de Noodles). David não nasceu e nem viveu pra ter uma vida normal, é nítido por mais que ele tente disfarçar, a degradação ética e moral que tem os bandidos.
E a consequência de se entrar numa vida dessas sempre é a tristeza e a tragédia, não importa o quanto queira fugir.
Confesso que não tinha pensado no filme por esse ângulo do delírio de ópio, o título do filme faz ainda mais sentido.

Responder
Rodrigo Santos 14 de dezembro de 2014 - 18:08

Como eu adoro as críticas desse site! Sempre que termino de assistir a um filme complexo eu procuro saber se ele já foi criticado aqui. Com este não foi diferente…
Acabei de assistir a 4:11:00 de filme (uma aventura, pra mim), e não me decepcionei… Não sou grande conhecedor de cinema, mas eu simplesmente adoro filmes com essa essência de submundo. Gostei bastante da forma como a história é contada, apesar de ter ficado perdido em alguns momentos.
Eu só não consegui entender muito bem o final… Aquele cara que sai logo após Noodles é Max? E ele pulou dentro do caminhão de lixo?

Responder
planocritico 15 de dezembro de 2014 - 14:40

@disqus_OLKjEEuRt4:disqus, obrigado pelos elogios ao site! Ficamos felizes em ter leitores como você.

Era uma Vez na América é um filme que confunde mesmo, com sua estrutura pouco linear, cheia de flashbacks, mas é uma grande obra, com um requinte ímpar e atores incríveis. Merece ser vista e revista de tempos em tempos.

Sobre o final de Max, ele é propositalmente vago. Fica para sua imaginação. Para mim, a resposta é a mais simples: sim, aquele é Max e ele não se suicidou, mas foi morto por capangas do sindicato que queriam impedir o testemunho dele (lembra-se do escândalo televisão?). Mas ainda acho que foi tudo um sonho lisérgico de Woods na loja de ópio…

Abs, Ritter.

Responder
Luiz Santiago 12 de agosto de 2014 - 23:47

OMG!!! Sabe aqueles textos que você lê e abrem seus olhos para ago que jamais tinha pensado? Bem, foi esse caso. Crítica épica e sensacional para um filme épico e sensacional.
Confesso que não tinha sequer imaginado o ponto de vista a partir da alucinação possível causada pelo ópio e, como você disse, esse olhar dá uma visão mais coerente às coisas, mesmo que o consideremos apenas como intenção, porque daí entra o jogo dual da narrativa e a coisa fica ainda mais legal.
Leone terminou a carreira com chave de ouro, simplesmente.

Responder
planocritico 13 de agosto de 2014 - 01:29

Valeu! Esse negócio da alucinação me faz ver o filme com melhores olhos. Não que seja menos do que ótimo sem isso, mas é que ele tem momentos incongruentes que ficam melhores sob essa perspectiva. Leone era demais! – Ritter.

Responder

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