Crítica | Ervas Flutuantes (1959)

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Ervas Flutuantes (1959) é uma refilmagem de Yasujiro Ozu feita de um outro filme seu, Uma História de Ervas Flutuantes (1934), cujo roteiro escreveu com Kôgo Noda. Com outro elenco, nomes de personagens mudados e agora em cores, o filme tem exatamente a mesma premissa que a versão dos anos 30, elencando uma companhia de teatro itinerante que retorna a uma província (aqui) depois 12 anos para uma longa temporada. O chefe da trupe é Komajuro Arashi (Ganjirô Nakamura) e seu retorno a este lugar tem menos a ver com teatro do que com o passado vivido ao lado da proprietária de um bar local, aqui, vivida por Haruko Sugimura, atriz que já trabalhara antes com Ozu mas não na primeira versão de Ervas

Nesta filmagem de 1959, Ozu certamente está mais maduro como diretor e consegue transmitir uma sensação de identidade ainda maior para esses atores e seu cotidiano no decorrer de uma temporada de apresentações. O ritmo tem uma maior alternância entre eventos mais intensos e mais calmos, com uma unidade bastante coesa na obra, pelo menos até a sequência final, que para mim foi um problema na versão de 1934 e continuou sendo um problema nesta versão, com seu tom excessivamente melodramático após uma longa narrativa de caráter mais simples e mais realista.

Isto aqui também é curioso porque se encontra na fase final da carreira do diretor ou, numa análise mais ampla, na Era dos filmes mais crus de Ozu no pós-guerra. Claro que o fato de ser um remake de outro momento de sua carreira tem um peso nisso, mas fica difícil ignorar o tom diferente do roteiro para aquilo que cineasta produzia no momento. Quando falo nisso, trago à tona a visão de “colapso de núcleos humanos” que vemos no longa, entre profissionais e familiares, mas o grande momento de diferença continua sendo o encerramento, inclusive com a manutenção da violência cometida por Komajuro e a relação complicada que ele tem com Sumiko (Machiko Kyô), submetida a uma verdadeira montanha-russa de emoções.

O grande fotógrafo Kazuo Miyagawa, frequente colaborador de Kenji Mizoguchi, foi o escolhido para iluminar a obra, o que resultou em um filme de fortes contrastes e bem mais escuro, tanto para internas quanto para externas, mergulhando os personagens em uma permanente melancolia, mesmo nas cenas mais ternas da película. Ervas Flutuantes é um exercício de convivência e mudanças. Nem sempre as reações das pessoas são aquilo que esperamos delas e nesta refilmagem, tal sensação fica ainda mais evidente. Emoções, compromissos e condições sociais são apenas alguns dos itens que formam a vida desses personagens, que os afetam e que são passageiros, como as ervas flutuantes do título. Como a vida de cada um de nós.

Ervas Flutuantes (Ukikusa) — Japão, 1959
Direção: Yasujiro Ozu
Roteiro: Yasujiro Ozu, Kôgo Noda
Elenco: Ganjirô Nakamura, Machiko Kyô, Ayako Wakao, Hiroshi Kawaguchi, Haruko Sugimura, Hitomi Nozoe, Chishû Ryû, Kôji Mitsui, Haruo Tanaka, Yosuke Irie, Hikaru Hoshi, Mantarô Ushio, Kumeko Urabe, Toyo Takahashi, Mutsuko Sakura
Duração: 119 min.

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.