Crítica | Espião 313 (Adventures Inc.)

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Consta que este filme alemão de 1929 (cujo título original é Die Abenteurer G.m.b.H.) foi a primeira adaptação não britânica de uma obra de Agatha Christie, neste caso, do romance O Adversário Secreto, lançado em 1922. Dirigido pelo austríaco Fred Sauer, que teve uma longa carreira nas comédias e que se afastou definitivamente do cinema em 1937, o filme traz um bom número de semelhanças com o livro e captura, ao menos no início, parte da essência do original.

O roteiro de Jane Bess nos apresenta um jovem casal em busca de aventuras e que se envolve no mistério de uma mulher desaparecida. O espírito das histórias de espionagem está presente desde a cena de abertura, com o desastre do navio que fez com que Jeanette Finné (Elfriede Borodin) desaparecesse, e junto com ela, um importante documento que poderia colocar a política local em frangalhos.

Pierre Lafitte (Carlo Aldini) e Lucienne Fereoni (Eve Gray) fazem as vezes de Tommy & Tuppence, a dupla meio desajeitada, mas no fim, muito capaz de detetives amadores e que, sem dinheiro nenhum, resolvem criar uma parceria cujo objetivo era lucrar com trabalhos que exigissem investigação. No presente filme, essa parceria é firmada de modo rápido e inteligível, um dos últimos momentos do filme em que o roteiro, a direção e a montagem conseguem nos contar algo de uma forma que conseguimos entender o que se passa na tela.

A partir do segundo ato, quando a investigação já está em andamento, começa a haver uma confusão de personagens, alguns objetivos não ficam claros e a tentativa de o roteiro em colocar o máximo de cenas do livro na tela não faz nada bem ao filme. É possível aproveitar uma parte da correria dos mocinhos e, pelo menos no que diz respeito à dupla principal, logramos acompanhar sem problemas os passos deles em busca garota perdida. Por outro lado, os contatos que fazem e os inúmeros coadjuvantes em torno do caso — que no livro até que funcionam bem a maior parte do tempo — vão se embolando cada vez mais, especialmente porque a montagem não ajuda em absolutamente nada aqui.

Confuso e dotado de arroubos românticos na parte final, Espião 313 só serve mesmo como curiosidade para os fãs da Rainha do Crime acompanharem o máximo de adaptações de sua obra que conseguirem. Como disse anteriormente, o primeiro ato tem um bom ponto de partida e nós conseguimos salvar um momento ou outro do segundo ato para frente, mas a experiência do filme como um todo é, em uma palavra, ruim.

Espião 313 (Adventures Inc. / Die Abenteurer G.m.b.H.) — Alemanha, 1929
Direção: Fred Sauer
Roteiro: Jane Bess (baseado na obra de Agatha Christie)
Elenco: Carlo Aldini, Hilda Bayley, Eve Gray, Eberhard Leithoff, Elfriede Borodin, Shayle Gardner, Hans Mierendorff, John Mylong, Valy Arnheim, Mikhail Rasumny
Duração: 76 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.