Crítica | Esquadrão 6

Esquadrão 6 se sustenta apenas no ‘brilhantismo‘ do diretor Michael Bay e nas boas atuações dos protagonistas. Vemos aqui, que um excelente trabalho nas gravações consegue suprir um roteiro entediante, com personagens pouco explorados e uma comédia que chega a dar vergonha alheia. Um bilionário monta uma equipe com mais cinco profissionais internacionais que possuem o objetivo de eliminar os maiores males da humanidade. O grupo tem como primeiro alvo um dos maiores ditadores do mundo.

No início nos é mostrado a habilidade especial de cada integrante da equipe. Entretanto, essas habilidades não são sequer citadas posteriormente. Em outros momentos do filme, inclusive, as maestrias são misturadas sem qualquer cerimônia. Por exemplo, o Três (Manuel Garcia-Rulfo) tem sua fama de assassino substituída pela Dois (Mélanie Laurent) repentinamente. Nesse ponto, não faz sentido indicar a singularidade de cada um se o roteiro não pretende explorar isso. Essas habilidades também não refletem em nada na personalidade dos personagens. 

A primeira sequência constitui uma grande abertura. Embora contenha a citada inútil citação de habilidades especiais, as cenas são dignas de uma grande produção de ação. É impossível não lembrar de Velozes e Furiosos, pois a sequência é recheada de explosões e mortes, e, claro, tendo um carro milionário como protagonista. Essa abertura também nos indica outro aspecto interessante do filme: a violência. Aqui não temos “mortes censuradas”, é tudo mostrado sem qualquer omissão. Isso atrai bastante os fãs de ação que contém gore e, cá entre nós, esse elemento foi muito bem desenvolvido.

Mas o problema do roteiro não se encontra só nas habilidades mal exploradas dos protagonistas. Logo a trama é cortada para diversos flashbacks que tentam explicar o motivo de cada integrante ter entrado para a equipe. Entretanto, esses motivos não são convincentes e, em partes, chega a parecer que cortaram alguma cena importante do resultado final. A motivação do Sete (Corey Hawkins) é tão superficial que parece que o filme iria retornar a esse aspecto posteriormente e fazer um plot twist. Isso não acontece.

A comédia também não encaixa. Esquadrão 6 tenta puxar a comédia em momentos inoportunos como visto em clássicos do gênero, mas esse humor é apenas uma artimanha que não convence o espectador, tornando-se uma forçação de barra para introduzir piadas sem graça. O principal motivo para esse elemento não dar certo é a falta de exploração dos personagens. Com personagens pouco desenvolvidos, o humor em momentos inadequados só serve para nos lembrar que estamos assistindo a um filme. Isso acontece porque não levamos a comicidade de um personagem com normalidade: nos parece estranho a número Dois, uma mulher séria, ter diálogos bobos. Nesse aspecto, o roteiro peca tanto na comédia quanto na exploração dos personagens.

A nossa sorte é a inteligência do diretor. Os enquadramentos e sequências de ação bem escolhidas cativam eficientemente. Aliás, é um dos poucos filmes onde não nos perdemos em cenas de ação. Destaque mais uma vez para a belíssima sequência inicial que explicita a personalidade do diretor: bastante foco nas explosões e mortes, pouca ênfase nos diálogos. Junto a isso, as atuações de todos (todos!) os personagens são maravilhosas. É claro que em pequenas partes as atuações foram ofuscadas pelo péssimo roteiro, porém em sua grande maioria são dignas.

Quebrando um estereótipo próprio de que um roteiro mal estruturado nunca resultará em um filme bom, Esquadrão 6 erra em sua base mas acerta em seu desenvolvimento formal. As boas atuações e cenas bem dirigidas resultam em um filme de ação que vale ser visto. Para atingir maior nota, realmente “só” faltou um bom roteiro.

Esquadrão 6 (6 Underground) — EUA, 2019
Direção: Michael Bay
Roteiro: Paul Wernick, Rhett Reese
Elenco: Ryan Reynolds, Mélanie Laurent, Manuel Garcia-Rulfo, Ben Hardy, Adria Arjona, Dave Franco, Corey Hawkins, Lior Raz, Payman Maadi, Yuri Kolokolnikov, Kim Kold, Lídia Franco, James Murray, Lukhanyo Bele, George Kareman
Duração: 127 min.

FERNANDO ANNUNZIATA . . . Por meio de um sonho, fui convocado pessoalmente pela Marilyn Monroe a participar do mundo das críticas cinematográficas. Sem saber o que esse mundo me reservava, cavalguei com a Lady Godiva em busca do Lendário Livro de Verdades. Atravessamos Gotham, Hogwarts e Twin Peaks atrás do nosso objetivo. Com a revelação dentro de um baú feito de mármore a dois metros dos nossos olhos, nos deparamos com o melhor final possível: o Livro era um espelho. Agora sou o dono de todas as verdades e faço parte de um culto de bruxos chamado Plano Crítico. A única resposta que não tenho é se prefiro minha antiga vida, quando eu era um mortal estudante de Comunicação Social de 18 anos, ou a vida atual, na qual eu descobri a verdade sobre Bohemian Rhapsody.