Home FilmesCríticas Crítica | Exército de Ladrões: Invasão da Europa

Crítica | Exército de Ladrões: Invasão da Europa

Genérico e divertido.

por Felipe Oliveira
4.933 views (a partir de agosto de 2020)

Parece ter completado uma década, mas se passaram apenas cinco meses desde que Zack Snyder lançou sua nova empreitada pela Netflix. E o negócio não poderia ser mais ambicioso:  além do retorno do cineasta para o consagrado nicho dos zumbis, a produção seria o início de expansão com filmes e série que envolveriam ladrões e os mortos-vivos. Enquanto a sequência direta de Army of the Dead: Invasão em Las Vegas confirmada por Snyder em uma entrevista ao Inverse não chega, o segundo capítulo, o prequel da faminta loucura em Las Vegas chega para dar continuidade a este universo, e claro, sem zumbis. Sejam bem-vindos ao Exército de Ladrões: Invasão da Europa, uma habilidosa trama de roubo, genérica e divertida.

A recepção para Army of the Dead, foi o esperado, trazendo divisão para o que Snyder concebeu. Se precisava de continuação, é uma resposta também com hesitação, um não e um sim, e o que torna esta segunda parte da expansão intrigante, é por se passar numa fase que antecede o caos zumbilesco que assumiu Las Vegas, e principalmente, por trazer uma dos melhores personagens entre o leque de personagens: Ludwig Dieter (Matthias Schweighöfer), que agora não só desempenha o papel como ator, mas também atua como diretor da atração. o que determina um maior domínio da narrativa sobre uma figura cheia de personalidade que ele interpretou como muita carisma e prestígio. E mais uma vez, ele consegue.

Dieter, embora tenha sido o elemento para o fio cômico no longa anterior, o carisma de Schweighöfer foi o ponto chave para o personagem nerd, afobado e nervoso conseguir fisgar além de ir bem no time humorístico. Qualquer coisa excessiva na vibe de Invasão em Las Vegas poderia vir para esta trama solo, mas o roteiro de Shay Hatten foi cuidadoso ao traçar uma nova página de introdução para Dieter como se fosse uma fábula típica do herói e sua busca pela aventura que irá definir sua vocação, não como membro de um grupo de ladrões, e sim, como um fascinado e apaixonado arrombador de cofres muito bem elaborados. Afinal, foi com essa especialidade que o conhecemos, e nessa mesma ótica, Invasão da Europa propõe uma forma certeira de trabalhar seu personagem muito abrangente. A boa notícia é que a façanha aqui sabe onde começar e como terminar, bem como, funciona facilmente de maneira independente. Ou seja, este poderia ser um filme de ação protagonizado por Schweighöfer na pele de Dieter que encantaria pelos mesmos motivos que o torna um personagem bom demais, uma vez que as ligações com Army of the Dead são mínimas.

Antes de uma enorme quantia no cofre Götterdämmerung ser capaz de reunir os melhores ladrões durante um apocalipse zumbi em Las Vegas,  o métrico e tímido funcionário de banco Dieter é convenientemente recrutado a se unir ao grupo dos mais procurados ladrões internacionais a fim de arrombar os cofres mais protegidos espalhados pela Europa, sendo o último, o que conecta a trama à Army of the Dead. E essa é base para o enredo se desenrolar aqui, com a típica equipe de ladrões sagazes liderada pela misteriosa e engenhosa Gwendoline (Nathalie Emmanuel), agora recebendo um novo membro completamente oposto do que estão habilitados, que em qualquer sinal de perigo, a espontaneidade de Dieter é expressa com um grito.

Uma coisa é certa: para um filme sobre roubo, Army of Thieves faz o esperado ao protagonizar um habilidoso grupo executando os maiores e meticulosos planos, cheios de estilo, charme, personalidades excêntricas e frases supimpas – certo, mas quem diz “engoli em seco” sem parecer ridículo? – para comicidade. Porém, para dar um pouco de consistência a esses ingredientes triviais, o texto de Hatten empenha outro enfoque também corriqueiro ao apelar para uma abordagem sátira e metalinguística dos heists movies, enquanto brinca com as expectativas, resoluções e elementos característicos que compõem o gênero. 

À medida que este capítulo prequel e quase independente de uma trama sobre roubo explora outra perspectiva muito na moda, praticamente no mesmo universo, queira ostentar genialidade, mais uma vez, o carisma de personagens faz a força. Se por um lado Army of Thieves soe comum em sua composição ou daria no mesmo caso se assumisse como qualquer filme heist, são graças ao conjunto de figuras que o integra, inspiradas em personalidades conscientes, obviamente, que a trama vai alcançando as notas do carisma e atingindo o objetivo de ser um divertido filme de ação com toques de comédia que alternam com o suspense.

O exército é de ladrões, mas o filme ainda é sobre Dieter. Sendo que em Army of the Dead o personagem tinha conseguido provar sua adição cômica à fórmula, aqui, sua história se completa e ganha um tom mais intimista ao traçar um viés de quando o herói encontra o primeiro amor e um norte para sua jornada aventuresca cheia de perigos no que envolve a boa sacada mitológica dos cofres. O que temos é um heist movie pelo o ponto de vista de um ingênuo e apaixonado Dieter, ao qual Schweighöfer concebeu de forma convenientemente divertida.

Exército de Ladrões: Invasão da Europa (Army of Thieves – EUA, Alemanha – 2021)
Direção: Matthias Schweighöfer
Roteiro: Shay Hatten
Elenco: Matthias Schweighöfer, Nathalie Emmanuel, Ruby O. Fee, Stuart Martin, Guz Khan, Jonathan Cohen, Noémie Nakai
Duração: 127 minutos

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