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Crítica | Expresso do Amanhã

por Ritter Fan
1491 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 5,0

Inspirado na graphic novel francesa Le Transperceneige (publicada no Brasil com o título literal O Perfuraneve), O Expresso do Amanhã é o primeiro filme em língua inglesa do diretor sul-coreano Bong Joon Ho, responsável pelos excelentes Memórias de um Assassino, O Hospedeiro e Mother – A Busca pela Verdade e também uma obra-prima esquecida. Mantendo um clima neo-noir em uma improvável situação pós-apocalíptica enclausurada em um relativamente pequeno ambiente, o diretor mostra seu controle de câmera, sua habilidade para fazer muito com pouco e sua mais absoluta criatividade em uma película imperdível e que já nasce com o status de cult.

Apesar de bem-sucedida na Coréia do Sul, a fita sofreu gigantescos atrasos na distribuição nos EUA e outros importantes territórios, cortesia de Harvey Weinstein, que exigiu um corte de 20 minutos na duração e inserção de narrações de abertura e encerramento, algo veementemente rejeitado pelo diretor. Com o impasse e depois de uma petição online idealizada e fomentada por Denise Heard-Bashur, conhecida “ativista cinematográfica”, a distribuição acabou caindo na mão de outra empresa de menor alcance, o que impediu que a película fosse laureada com um grande circuito.

Mas isso não impediu as críticas positivas oriundas de festivais pelo mundo que aplaudiram a originalidade e ousadia do filme. E, sem dúvida alguma, essa receptividade positiva é muito merecida, pois Expresso do Amanhã consegue, de uma só vez, reinventar o sub-gênero do drama pós-apocalíptico e estabelecer um altíssimo parâmetro para filmes de orçamento médio (a fita custou 40 milhões de dólares, troco se comparado com blockbusters do verão americano, algo que o filme de Joon Ho poderia facilmente ter sido).

Uma comparação imediata, justa e clara seria com Mad Max: Estrada da Fúria. George Miller fez um filme pós-apocalíptico que literalmente trafega única e exclusivamente em linha reta. É uma perseguição indo e outra voltando e, no processo, o diretor entregou uma inesquecível experiência cinematográfica. Arriscaria dizer que Expresso do Amanhã, que antecedeu o quarto Mad Max em dois anos, consegue ir ainda além, pois é também um filme pós-apocalíptico “em linha reta”, mas com subtextos e críticas sócio-econômicas bem mais interessantes. Exagero? Então me acompanhe.

Expresso do Amanhã exige, com toda certeza, um alto grau de suspensão da descrença. Temos que aceitar que, em futuro próximo, por erro humano, o mundo todo passa por uma fortíssima Era Glacial e os únicos sobreviventes da raça estão dentro de um trem – o Perfuraneve do título da graphic novel em francês e português e do filme em inglês – que trafega ao redor do mundo pela força de um moto-contínuo quase mágico. Temos que aceitar que o trem é auto-suficiente e praticamente eterno e que, ao longo de seus intermináveis vagões, os últimos sobreviventes de uma apocalipse gelado vivem divididos em classes sociais conforme as classes de um trem ou de um avião. Na frente, os mais abastados vivem em luxo absoluto, com restaurantes, bares, escolas, saunas, boates e tudo de “decadente” que a civilização pode oferecer. Atrás, os mais pobres, com trapos para vestir, camas amontoadas para dormir e cuja comida é, única e exclusivamente, uma nojenta gelatina proteica fabricada em vagões intermediários.

Mas o mais sensacional dessa estrutura é que Bong Joon Ho nos faz aceitá-la sem maiores problemas. É fácil detectar as impossibilidades, mas não ligamos e queremos explorar esse gigantescamente longo trem seguindo a revolução encabeçada relutantemente por Curtis Everett (o próprio Capitão América, Chris Evans) depois que o sequestro de duas crianças de seu grupo pelos habitantes da primeira classe acontece. A linha reta que mencionei é a longa luta de Curtis e companhia, vagão por vagão, com a ajuda de seu mentor Gilliam (o veterano e saudoso John Hurt), de seu amigo Edgar (Jamie Bell, o Tintim), Namgoong Minsu (Song Kang-ho, de quase toda a filmografia do diretor) e sua filha clarividente Yona (Ko Asung, a menina de O Hospedeiro). O objetivo é alcançar a locomotiva, lugar quase mítico onde viveria Wilford (Ed Harris), o criador do trem, originalmente para fins turísticos.

Ainda que se possa dizer que a separação em classes sócio-econômicas conforme as classes de um trem é uma forma óbvia demais para se fazer comentários e críticas às “castas”, o fato é que Expresso do Amanhã pode ser visto e apreciado em pelo menos três camadas. A mais superficial seria a da história pela história, em que o foco seria mesmo na aventura e em como ela se desenrola, com as respectivas atuações, fotografia, montagem e efeitos especiais. Nesses aspectos, o trabalho do direitor e equipe é impecável.   

Dentro de uma estrutura confinada, o cineasta se esmera na criatividade para colocar nas telonas sequências de ação originais e chocantes, sempre com um viés exagerado, absurdo, quase pantomímico. Essa escolha estilística não é aleatória, pois ela ajuda o espectador a aceitar o inusitado da premissa da fita e retira qualquer expectativa de “realismo” ou lógica física. “Estamos em um outro universo”, é basicamente esse o recado que ele quer passar. A fotografia de Kyung-pyo Hong, parceiro de Joon Ho em Mother – A Busca Pela Verdade, é quase um personagem da obra. Sem inventar, ele usa tons escuros de cinza e marrom para o “proletariado” e “branco e preto” asséptico para as classes “dominantes”, mas de uma forma orgânica, que casa com perfeição com os figurinos de Catherine George e a direção de arte de Stefan Kovacik. O preto “morte e pobreza” da casta inferior dá lugar ao preto “vida e sofisticação” alguns vagões a frente sem que haja choque de lógica ao espectador. Há uma estranha harmonia na extrema sujeira de um lado e na extrema limpeza de outro que é difícil realmente explicar, mas que permeia toda a película.

Essa sujeira x limpeza, de certa forma, também é caracterizada pela escolha de Chris Evans para encabeçar o elenco. A expectativa que temos – um jovem forte e belo – é pervertida com sua caracterização sofrida e que surpreende por mostrar que, à frente de lentes comandadas por diretor que sabe extrair o melhor de seu elenco, Evans realmente sabe atuar. Não é brilhante, mas cumpre sua função com louvor e, acima de tudo, credibilidade. Do outro lado da moeda, temos uma quase irreconhecível Tilda Swinton, como uma espécie de agente que faz a “junção” entre classes sociais e que é responsável pelo sequestro das crianças. Em uma caracterização afetada, carregada de maquiagem e que inevitavelmente (e não sem querer) lembra Margaret Thatcher, ela amplia a sensação de estranheza e de ação cartunesca que Bong procura imprimir em sua revolução férrea.

Mas isso tudo, caros leitores, é apenas a primeira camada. A camada facilmente apreciável e capturável por nossos sentidos. Há uma camada logo abaixo, de crítica sócio-econômica que, como disse, é mais do que óbvia se apenas observarmos a história por seu valor de face. É simples concluir que estamos assistindo à luta do proletariado contra o malvado e doentio capitalismo, mas essa estrutura formulaica é boba demais, simplista demais para parar por aí. Vamos além então, para a terceira camada.

Nela, percebemos que esse trem eternamente contornando um congelado planeta Terra não exige nada de ninguém. Não há trabalho, não há criação de riquezas. O proletariado dos vagões “pobres” não é realmente proletariado, pois não são trabalhadores. São apenas pessoas que vivem lá. O mesmo vale para os ricos da outra ponta. Eles não são apostadores em bolsas de valores. Apenas são ricos, pois estão nos vagões certos. Não existe, aqui, aquilo que vemos, por exemplo, no magistral e seminal Metrópolis, de Fritz Lang, filme aliás referenciado aqui e ali em Expresso do Amanhã.

Assim, o confronto da riqueza versus pobreza existe como um fim nele mesmo e não por ditames econômicos. Sim, existe uma função perniciosa no sequestro que catalisa a ação da fita, mas essa questão fica em segundo plano e não justifica exatamente a divisão em classes. Ela parece existir por uma razão ainda mais cruel, ainda mais inaceitável que uma mera alegoria anti-capitalista ou anti-comunista: por puro comodismo. Sim, comodismo. E de ambos os lados. A sociedade pré-trem era dividida em castas e a sociedade no trem, portanto, precisa ser dividida em castas. E o comodismo que é varrido para o lado quando a revolução começa, mas o espectador verá, na medida em que o filme se desenrola, que nem isso é tão simples assim e o final, com um corajoso discurso por parte de Curtis, dá o que pensar e discutir. É isso que grandes filmes devem sempre fazer e é isso que Expresso do Amanhã consegue com facilidade, mesmo depois de encantar os espectadores com a argúcia técnica de Bong Joon Ho e de sua equipe.

Expresso do Amanhã é um filme que provavelmente será lembrado muitos anos no futuro. E merecidamente. Pode ter sofrido na bilheteria por mandos e desmandos de um produtor que acha que sempre sabe o que é melhor para seu público, mas o resultado final é tão magnífico e de cair o queixo que fica difícil imaginar como essa obra de Bong Joon Ho não ganhou naturalmente mais destaque e aclamação mundial.

  • Crítica originalmente publicada em 27 de agosto de 2015.

Expresso do Amanhã (Snowpiercer, EUA/Coréia do Sul/República Tcheca/França – 2013)
Direção: Joon-Ho Bong
Roteiro: Joon-Ho Bong, Kelly Masterson (baseado em graphic novel de Jacques Lob, Benjamin Legrand, Jean-Marc Rochette)
Elenco: Chris Evans, Tilda Swinton, John Hurt, Ed Harris, Jamie Bell, Kang-Ho Song, Octavia Spencer, Ewen Bremner, Ah-Sung Ko, Alison Pill, Luke Pasqualino, Vlad Ivanov, Emma Levie, Steve Park
Duração: 126 min.

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69 comentários

Emerson Carvalho 3 de abril de 2020 - 10:45

Ótimo texto. Também gostei das análises realizadas nos comentários, especialmente em torno do centro da crítica ser ao capitalismo ou ao comunismo. Gostaria de contribuir nesse ponto. Não podemos esquecer que aquilo que chamamos de países/Estados/Regimes comunistas (não sem ressalvas) são produtos de rupturas/crises/tensões do próprio capitalismo. Ora, o próprio socialismo científico pensando especialmente por Marx e Engels, que são antes de tudo teóricos do capitalismo, é uma possível resposta ao que consideraram como sendo um fracasso inevitável do modo de produção capitalista. Muitos esquecem que, para Marx, o socialismo só seria possível em países nos quais o capitalismo tivesse desenvolvido suficientemente os meios de produção. Logo, o primeiro só é possível por meio do segundo. Veja, quero com isso dizer que considero apressado as análises antagônicas/dicotômicas do Capitismo X Comunismo. Trazendo tal perspectiva para a obra, e lembrando que o universo do filme se passa em um futuro próximo (2031?), acredito que seja mais razoável pensar em estrutura social e um modelo de Estado com elementos de ambos os sistemas. Trazendo justamente a expressão das tensões entre essas duas ideologias. Logo, no trem, estamos diante de um nova organização social que traz, como não poderia deixar de ser, traços das sociedades pré-apocapitica. O que me leva a concordar com o autor da análise de que a crítica do filme explora os limites e perigos dos dois sistemas e vai além ao ensaiar um mundo distópico e o seu fim, afinal “tudo o que é sólido desmancha no ar”

Responder
nuwgott 21 de fevereiro de 2020 - 23:51

Excelente crítica, mas acredito que não podemos esquecer a questão da crítica a Deus.
Como bem dito, o que separa as pessoas entre classes não são as suas capacidades produtivas, mas o acaso, ou, melhor: o nascimento. Nascer em um ambiente e circunstâncias certos.

Temos uma classe abastada que venera Deus, pois este é o criador e mantenedor da vida, o senhor do trem. Mas, para que Deus possa manter sua criação ele necessita do sacrifício de inocentes e, frequentemente, um banho de sangue para manter o equilíbrio.

Temos uma classe que vive na miséria, sem nem mesmo saberem o motivo, e aos poucos vão descobrindo o quão bem os outros viviam e, ao mesmo tempo, o quanto eles não eram merecedores disto, visto a degradação moral em que se encontravam.

E, no fim, temos o grande embate com Deus, que resulta numa verdade incomoda: aquilo não faz sentido algum.

Ele segue uma linha semelhante sobre a injustiça do mundo em Parasita: mesmo com talentos, a família não consegue ascender socialmente, o “destino” impede. É uma visão pessimista sobre a real condição humana, que tendemos a mascarar por meio da meritocracia.

Responder
planocritico 1 de março de 2020 - 14:23

Uma bela forma de interpretar!

Abs,
Ritter.

Responder
Cleison Miguel 20 de fevereiro de 2020 - 17:21

Já vi duas vezes e não tinha me atinado a essa questão de que as classes estão dividas por simples comodismo… excelente filme e o mesmo pode ser dito da critica. Abraços

Responder
planocritico 21 de fevereiro de 2020 - 05:28

Obrigado!

Abs,
Ritter.

Responder
Danilovsk 20 de fevereiro de 2020 - 11:24

Grande crítica para um grande filme. Vou até reve-lo!
Abs

Responder
planocritico 20 de fevereiro de 2020 - 15:49

Obrigado!

Abs,
Ritter.

Responder
Lucas Cardozo 19 de fevereiro de 2020 - 22:10

Um filme que superou seu material de origem, embora ambos totalmente diferentes.

Responder
planocritico 20 de fevereiro de 2020 - 15:49

Sim, BEM diferentes mesmo!

Abs,
Ritter.

Responder
Rodrigo Rocha Vaz 19 de fevereiro de 2020 - 21:34

Caramba, nem lembrava que o filme era de Joon-Ho Bong. Espero sinceramente que o recente sucesso no Oscar alavanque outros filmes da carreira dele. Snowpiercer mostra que a sociedade de castas sobrevive mesmo diante do apocalipse. Ou, no mínimo, que o ocaso da civilização é mais aprazível para os mais privilegiados. Grande obra, vale muito a pena ser revista.

Responder
planocritico 20 de fevereiro de 2020 - 15:49

Existe o outro lado da moeda: o sucesso pode levá-lo a mega blockbusters que descaracterizem a pegada autoral dele. Mas em Bong eu confio!

Abs,
Ritter.

Responder
Paulo César Weber Pereira 24 de janeiro de 2020 - 12:08

Octavia Spencer não merecia ser citada na análise?

Responder
planocritico 24 de janeiro de 2020 - 12:31

Não particularmente…

Abs,
Ritter.

Responder
Max James 3 de dezembro de 2017 - 19:01

Obrigado Ritter! Suas 5 estrelas me deram vontade de ver esse filme e aqui estou. Que filme incrível, fotografia e atuações excepcionais! Preciso falar de 2 pontos: Eu ri muito nesse filme. Eu não sei se era a intenção do diretor fazê-lo bastante engraçado, mas os 2 primeiros atos tem muitas tiradas cômicas, um humor negro apocalíptico! Outro ponto é a última cena, que interpretei que o urso polar ao ver os humanos vivos, olha para eles como seres quase extintos, enquanto na vida real é justamente ao contrário. Filmão cheio de críticas, agradeço novamente! Abraços!

Responder
planocritico 4 de dezembro de 2017 - 15:47

Que bom que tenha gostado @maxwellmaximus:disqus !

Sobre você ter rido, sim isso é bem possível mesmo, pois há uns elementos bizarros que têm essa veia mais de humor negro sem dúvida.

Sobre o urso polar, gostei da interpretação!

Abs,
Ritter.

Responder
Rodrigo Espindola 18 de novembro de 2017 - 17:14

A essência deste belo filme, ao meu ver, é uma alegoria do comportamento humano enquanto coletividade (população de Homo sapiens) e a sua relação com o ambiente onde vive, tanto o natural (que foi alterado pelos próprios humanos) quanto o artificial (que foi concebido pelos mesmos para ser habitado).

Ações que se passam neste meio artificial (trem) possuem motivações instintivas como em qualquer espécie, mas também peculiares aos humanos. Canibalismo, competição, traição e obediência, por exemplo, comporiam a engrenagem das relações humanas.

Parte dos humanos destruiu o meio natural; outra parte quer destruir o meio artificial, para retornar aonde estavam – mesmo dando de cara com espécies que já se adaptaram ao meio hostil.

Responder
planocritico 18 de novembro de 2017 - 23:53

Uma bela interpretação!

Abs,
Ritter.

Responder
Vitrolazul Azul 11 de outubro de 2017 - 16:27

Excelente interpretação. Tim-tim.

Responder
planocritico 11 de outubro de 2017 - 17:19

Valeu!

Abs,
Ritter.

Responder
Luiz Miguel Cavalcante 11 de julho de 2017 - 18:05

Esse filme é uma obra prima, e eu não acredito que somente agora eu estou assistindo, e apesar da comparação com mad max eu acho que apesar de concordar, eu acho que isso é até mais que proposital, o mad max foca muito mais na ação, e a leitura é muito mais sútil, e um pouco mais interpretativa, enquanto o expresso foca mais, num ritmo muito mais lento de ação, num drama focado na narrativa, com muito mais conteúdo e história. O Mad max é mais ação, o expresso é mais drama e “história”..

Responder
planocritico 12 de julho de 2017 - 06:11

Fiquei de queixo caído assistindo a essa maravilha também! O paralelo com Mad Max é superficial, apenas para encaixar o padrão “pós-apocalíptico” que leva à escassez e a lutas internas entre “tribos”. Você tem toda razão na diferenciação que faz.

Abs,
Ritter.

Responder
Luiz Miguel Cavalcante 12 de julho de 2017 - 14:07

Obrigado ritter, e outra coisa: esqueci de lhe agradecer pelo conteúdo e informação disponibilizada sobre esse filme. Quando comecei assistir ao filme eu estava um pouco cético, não esperava muito, isso porque muitas vezes caímos naquelas armadilhas do tipo “se o filme não foi tão bem na bilheteria ou nunca ninguém falou muito dele para você, então não presta”.Mas aí resolvi dar uma chance e encarar as duas horas de filme, e quando começou não vi nada demais, mas com o tempo eu fui embarcando naquele universo, e não conseguia parar, o Expresso é um filme onde a ação é muito mais “comedida” que muitos blockbusters que eu já assisti, porém muito mais interessante, não dá sono, não importa a hora que você assista, e aquele suspense em cima do sr wilford….pqp que ótima sacada. O Expresso é aquele tipo de filme que quer que você embarque naquela mitologia, naquele “mundo” fictício e ao mesmo tempo com tons altamente realistas, eu ignorei as impossibilidades daquele mundo , e comecei a “acreditar” que aquilo tudo era real, embarquei naquele conceito, e tentei adivinhar durante todo o filme quem era o Sr.Wilford(cheguei a pensar que fosse o próprio Gillian, mas depois com a sua morte descartei tal possibilidade, mas sabia que ele tinha alguma relação com isso, pensei em diversas possibilidades, até que ele pudesse estar morto…mas no final a surpresa foi outra com uma interpretação excepcional de um ator que foi feito para esse tipo de Papel).Enfim, uma película fantástica, que não só guarda relações com o excelente Mad Max, mas também com outras obras (filmes e até mesmo jogos, e quanto a isso eu me refiro ao Magnífico Bioschok que lembra um pouco a idéia de Utopia criada pelo Sr wilford, pois no jogo temos um “sr Wilford” chamado Ryan que prega um mundo utópico, numa cidade subaquática, longe dos homens sem “moral”, o jogo lembra até o tom exagerado do comportamento das pessoas e os suas vestimentas).

Responder
planocritico 12 de julho de 2017 - 17:40

@luizmiguelcavalcante:disqus , eu é que agradeço por ter leitores como você! O que me atraiu pelo filme foi o diretor e a premissa inusitada. Desconfiei muito do Capitão América como protagonista, mas mesmo ele funcionou muito bem. A cada novo vagão, era uma experiencia diferente, com a Swinton arrasando do começo ao fim e isso sem contar, claro, com John Hurt.

O que eu quero fazer agora é ler a graphic novel que deu origem ao filme. Ela está na minha cabeceira, mas é tão grande, que fico com preguiça, he, he, he…

Abs,
Ritter.

Responder
Luiz Miguel Cavalcante 13 de julho de 2017 - 12:54

Sim com certeza, quanto ao capitão américa eu esperava uma boa atuação nada a lá Daniel day Lewis, mas uma atuação boa pelo fato dele ter amadurecido muito. Gosto dele como capitão américa, mas não gostava como tocha humana por exemplo, ele amadureceu, e quanto a Tilda Swinton, eu não tenho nem o que dizer sobre ela, é uma atriz Cascuda, antiga, experiente, e como sempre Maravilhosa, uma das melhores atrizes que eu já vi atuando, ela é quase um johnn depp versão feminina, no seu auge é claro, já que atualmente o ator não manda uma dentro kkkkkkkkkkkk. Gostei tbm daquela atriz negra que sempre esqueço o nome.Mas enfim, a história desse filme é fantástica, e apesar de bem apresentada, ela é o ponto que mais fortalece o filme. O Graphic novel deve ser ainda melhor, e me despertou interesse também.

planocritico 15 de julho de 2017 - 09:00

Parece que a GN é bem diferente do filme. Vou começar a ler em breve!

Abs,
Ritter.

Flavio Augusto 6 de junho de 2016 - 13:30

O filme na minha interpretação não é uma crítica ao capitalismo, é mais uma história libertária/anarquista contra o comunismo/socialismo. Uma crítica poderosa ao totalitarismo. Está tudo lá: o grande líder e endeusado ditador no controle da locomotiva; a “stasi” para controlar o povo que só serve de massa de manobra para manter o trem funcionando; o “Holodomor” para equilibrar os escassos recursos alimentares (até o canibalismo é mencionado); a sociedade hedonista devota ao “partido”, alheia ao que acontece nos vagões traseiros, “o muro” que impede que as pessoas possam ir e vir; a educação doutrinadora e ideológica. Tudo completamente contrário a uma sociedade capitalista e liberal.
Trata-se de uma busca pela liberdade contra a tirania opressora.

Responder
planocritico 6 de junho de 2016 - 16:25

Concordo, mas acho que a crítica não é só ao comunismo e há muitas alfinetadas também ao capitalismo. A grande verdade é que os dois lados dessa moeda, quando vistos em suas pontas extremas, que é o que o filme faz, são muito parecidos. A diferença é que o comunismo não funciona… 🙂

Abs,
Ritter.

Responder
Flavio Augusto 6 de junho de 2016 - 17:52

Mas onde entraria a crítica ao capitalismo? Na divisão por classes? Se for, isso é cacoete marxista. Nos regimes totalitários o que mais se tem é divisão por classes.
O diretor é sul-coreano, o que ele faz no filme é criticar a nação vizinha e irmã Coreia do Norte.
Onde estão as relações trabalhistas assalariadas, o sistema judiciário, as trocas voluntárias, a propriedade privada, a moeda? Não tem nada disso no filme.
Aqueles que trabalham são escravos, como no caso do violinista, obrigados a cumprir alguma função (campos de trabalho forçado). A educação é doutrinária a favor do sistema (culto ao ditador). A segurança é fascista (como a polícia norte-coreana). Os meios de produção são controlados pelo Estado. Nos vagões “ricos”, o que temos são privilegiados, puxa-sacos e adoradores do ditador que comanda a locomotiva (membros do partido e financiadores do sistema), como acontece em todo país socialista/comunista, ou seja, uma metáfora sobre a Coréia do Norte. Cadê o capitalismo nessa história?

Responder
planocritico 6 de junho de 2016 - 18:11

Se pararmos friamente para pensar, uma ditadura de direita – Franco, Pinochet e outras – não difere muito da ditadura norte-coreana. A diferença está na longevidade das ditaduras comunistas, que são muito mais “eficientes” em reprimir a população e beneficiar as castas superiores.

Portanto, acho que todas as características que você apropriadamente reputa como marcas do comunismo são aplicáveis à ditadores de extrema-direita também, em tese capitalistas.

Sobre o diretor, ele tem viés socialista e já chegou a declarar que o filme lida, dentre outros temas, com a destruição do meio-ambiente pelo capitalismo. Discordo dele completamente, pois dizer que o capitalismos é responsável pelos problemas do meio-ambiente é simplificar demais as coisas e achar que as destruições ambientais promovidas por potências comunistas não existem.

Portanto, muito sinceramente vejo um filme que critica igualmente esses dois extremos.

Abs,
Ritter.

Responder
Flavio Augusto 6 de junho de 2016 - 19:08

De início, quando li a sinopse e depois vendo o filme, pensei também que a crítica ao capitalismo poderia ser pela questão ambiental, mas também acho que é uma falácia de esquerdistas, pois uma das maiores poluidoras do mundo é justamente a China comunista. Onde habita o homem tem depredação do meio ambiente.

E na realidade as empresas capitalistas privadas, que visam o lucro, foram as primeiras a procurar alternativas para se dizerem “verdes” e agradar os clientes.

Eu penso que uma coisa é sistema político e outra é sistema econômico. O capitalismo é um sistema econômico e pode estar presente tanto em ditaduras quanto em democracias, pois se trata de comércio, contratos e salários, propriedade privada e lucro, para resumir. O Chile foi uma ditadura, mas foi no âmbito político, num clima de guerra-fria. No econômico até procuraram implantar conceitos de livre-mercado. Por isso digo que não vejo isso no filme, como expliquei antes.

Existe comércio no trem? Não, os recursos são oferecidos pelo Trem (Estado). Contratos trabalhistas e salário? Não, só mão de obra escrava. Propriedade privada? Não, o dono do trem é dono de tudo. Lucro? Não. Portanto se basear em luta de classes e clima é forçar a barra para trazer o capitalismo para o meio do debate.
Poderia dizer que o dono do trem seria um empresário explorador, mas até nesse ponto fica esquisito, pois quem ele está explorando? As pessoas vivem no trem sem fazer nada, se não estivessem lá já estariam mortas. Uns curtindo a vida e outros sofrendo, ninguém produz nada, segundo o filme o trem é auto-sustentável e precisa de poucas pessoas para cuidar de tarefas que a máquina não pode fazer.

Se levarmos literalmente a história, num mundo destruído, sem recursos naturais, qual o interesse do dono do trem além da sobrevivência? A expressão “ricos” é estranha num mundo que o dinheiro não tem mais valor, o único capital seria o que você pode oferecer como mão de obra, seu próprio corpo e intelecto. Isso pouco é explorado no filme. Os “ricos” estão se divertindo e os “pobres” estão sem fazer nada, e ambos recebendo recursos do “Estado”. É ou não é um regime totalitário e nada liberal?

O que você faria se fosse você o dono do trem numa situação dessas? Quem você ia deixar entrar no seu trem?

Abs!

planocritico 7 de junho de 2016 - 00:12

Não tenho como discordar de você. O fato de todas as castas não produzirem nada desmancha em grande parte o raciocínio de crítica ao capitalismo como sistema econômico, mas ainda acho que dá para usar a metáfora nos dois extremos. Mas gosto muito de todo seu raciocínio.

Sobre sua pergunta final, ela é complicada de responder, mas, dado o problema, acho que consideraria o trem como uma “arca”, como a “última esperança da raça humana” e, assim, eu o encheria de pessoas escolhidas a dedo que pudessem desenvolver o conhecimento humano e passá-lo adiante para outra gerações, ou seja, biólogos, filósofos, linguistas, matemáticos, físicos de renome dos mais variados países e das mais variadas etnias ainda em idade “reprodutiva”. E você?

Abs,
Ritter.

Flavio Augusto 7 de junho de 2016 - 12:14

Eu penso da mesma forma, levaria no trem pessoas que pudessem desenvolver tecnologias e conhecimento para tornar a vida na Terra novamente possível e com idade reprodutiva para repopular o planeta. E nesse ponto, de certa forma, isso sim seria capitalismo.

Todo o discurso dos simpatizantes ao Trem-Estado dizem que não dá para viver do lado de fora e ninguém busca uma solução, ninguém pesquisa, simplesmente aceitaram aquela situação. Os esquecidos estão preocupados em sobreviver e os privilegiados ocupados em se divertir. Tirando o coreano viciado, ninguém mais empreende, ninguém pensa a longo prazo.

No capitalismo, para que o “capital” continue a entrar, é preciso pensar longe, planejar, pesquisar o mercado, visualizar vários cenários, aproveitar oportunidades. E o único que faz isso é o coreano. É o único que acumula “capital” (no caso a droga que será a matéria-prima para seu empreendimento, a bomba), acredita no mercado (mundo exterior) e aproveita uma oportunidade para “investir” no futuro da sua filha.

Os demais ocupantes do trem só ficam esperando as ordens e os benesses do Trem-Estado. Mesmo os revolucionários só querem tomar o trem para continuar no trem, buscando uma utópica solução igualitária.

Acho que é isso!

Abs

planocritico 7 de junho de 2016 - 16:48

Excelente forma de resumir a essência do filme! Gostei muito!

Abs,
Ritter.

planocritico 7 de junho de 2016 - 16:48

Excelente forma de resumir a essência do filme! Gostei muito!

Abs,
Ritter.

Flavio Augusto 7 de junho de 2016 - 12:14

Eu penso da mesma forma, levaria no trem pessoas que pudessem desenvolver tecnologias e conhecimento para tornar a vida na Terra novamente possível e com idade reprodutiva para repopular o planeta. E nesse ponto, de certa forma, isso sim seria capitalismo.

Todo o discurso dos simpatizantes ao Trem-Estado dizem que não dá para viver do lado de fora e ninguém busca uma solução, ninguém pesquisa, simplesmente aceitaram aquela situação. Os esquecidos estão preocupados em sobreviver e os privilegiados ocupados em se divertir. Tirando o coreano viciado, ninguém mais empreende, ninguém pensa a longo prazo.

No capitalismo, para que o “capital” continue a entrar, é preciso pensar longe, planejar, pesquisar o mercado, visualizar vários cenários, aproveitar oportunidades. E o único que faz isso é o coreano. É o único que acumula “capital” (no caso a droga que será a matéria-prima para seu empreendimento, a bomba), acredita no mercado (mundo exterior) e aproveita uma oportunidade para “investir” no futuro da sua filha.

Os demais ocupantes do trem só ficam esperando as ordens e os benesses do Trem-Estado. Mesmo os revolucionários só querem tomar o trem para continuar no trem, buscando uma utópica solução igualitária.

Acho que é isso!

Abs

Flavio Augusto 6 de junho de 2016 - 19:08

De início, quando li a sinopse e depois vendo o filme, pensei também que a crítica ao capitalismo poderia ser pela questão ambiental, mas também acho que é uma falácia de esquerdistas, pois uma das maiores poluidoras do mundo é justamente a China comunista. Onde habita o homem tem depredação do meio ambiente.

E na realidade as empresas capitalistas privadas, que visam o lucro, foram as primeiras a procurar alternativas para se dizerem “verdes” e agradar os clientes.

Eu penso que uma coisa é sistema político e outra é sistema econômico. O capitalismo é um sistema econômico e pode estar presente tanto em ditaduras quanto em democracias, pois se trata de comércio, contratos e salários, propriedade privada e lucro, para resumir. O Chile foi uma ditadura, mas foi no âmbito político, num clima de guerra-fria. No econômico até procuraram implantar conceitos de livre-mercado. Por isso digo que não vejo isso no filme, como expliquei antes.

Existe comércio no trem? Não, os recursos são oferecidos pelo Trem (Estado). Contratos trabalhistas e salário? Não, só mão de obra escrava. Propriedade privada? Não, o dono do trem é dono de tudo. Lucro? Não. Portanto se basear em luta de classes e clima é forçar a barra para trazer o capitalismo para o meio do debate.
Poderia dizer que o dono do trem seria um empresário explorador, mas até nesse ponto fica esquisito, pois quem ele está explorando? As pessoas vivem no trem sem fazer nada, se não estivessem lá já estariam mortas. Uns curtindo a vida e outros sofrendo, ninguém produz nada, segundo o filme o trem é auto-sustentável e precisa de poucas pessoas para cuidar de tarefas que a máquina não pode fazer.

Se levarmos literalmente a história, num mundo destruído, sem recursos naturais, qual o interesse do dono do trem além da sobrevivência? A expressão “ricos” é estranha num mundo que o dinheiro não tem mais valor, o único capital seria o que você pode oferecer como mão de obra, seu próprio corpo e intelecto. Isso pouco é explorado no filme. Os “ricos” estão se divertindo e os “pobres” estão sem fazer nada, e ambos recebendo recursos do “Estado”. É ou não é um regime totalitário e nada liberal?

O que você faria se fosse você o dono do trem numa situação dessas? Quem você ia deixar entrar no seu trem?

Abs!

Flavio Augusto 6 de junho de 2016 - 17:52

Mas onde entraria a crítica ao capitalismo? Na divisão por classes? Se for, isso é cacoete marxista. Nos regimes totalitários o que mais se tem é divisão por classes.
O diretor é sul-coreano, o que ele faz no filme é criticar a nação vizinha e irmã Coreia do Norte.
Onde estão as relações trabalhistas assalariadas, o sistema judiciário, as trocas voluntárias, a propriedade privada, a moeda? Não tem nada disso no filme.
Aqueles que trabalham são escravos, como no caso do violinista, obrigados a cumprir alguma função (campos de trabalho forçado). A educação é doutrinária a favor do sistema (culto ao ditador). A segurança é fascista (como a polícia norte-coreana). Os meios de produção são controlados pelo Estado. Nos vagões “ricos”, o que temos são privilegiados, puxa-sacos e adoradores do ditador que comanda a locomotiva (membros do partido e financiadores do sistema), como acontece em todo país socialista/comunista, ou seja, uma metáfora sobre a Coréia do Norte. Cadê o capitalismo nessa história?

Responder
planocritico 6 de junho de 2016 - 16:25

Concordo, mas acho que a crítica não é só ao comunismo e há muitas alfinetadas também ao capitalismo. A grande verdade é que os dois lados dessa moeda, quando vistos em suas pontas extremas, que é o que o filme faz, são muito parecidos. A diferença é que o comunismo não funciona… 🙂

Abs,
Ritter.

Responder
Flavio Augusto 6 de junho de 2016 - 13:30

O filme na minha interpretação não é uma crítica ao capitalismo, é mais uma história libertária/anarquista contra o comunismo/socialismo. Uma crítica poderosa ao totalitarismo. Está tudo lá: o grande líder e endeusado ditador no controle da locomotiva; a “stasi” para controlar o povo que só serve de massa de manobra para manter o trem funcionando; o “Holodomor” para equilibrar os escassos recursos alimentares (até o canibalismo é mencionado); a sociedade hedonista devota ao “partido”, alheia ao que acontece nos vagões traseiros, “o muro” que impede que as pessoas possam ir e vir; a educação doutrinadora e ideológica. Tudo completamente contrário a uma sociedade capitalista e liberal.
Trata-se de uma busca pela liberdade contra a tirania opressora.

Responder
Rafael Martins 21 de abril de 2016 - 19:56

Eu discordo da crítica num ponto: não é a luta dos proletarios contra o capitalismo. É mais uma referencia ao combate ao comunismo e o sistema de governo: as classes ricas e dominantes que nada produzem, aguardam que o sistema (trem) os provenha, além de se apropriarem de todas as benesses o capitalismo permitiu –, ainda, eu considero que os proletários do trem são a representação do povo em busca da sua liberdade na luta contra o status quo. Nota para o vagão da educação, uma das das faces mais cruéis de todo regime totalitarista — controlar as crianças –, onde ocorria uma extrema doutrinação com referencia ao ídolo-fundador da locomotiva [lembrando um pouco 1984 de George Orwell].

Responder
Rafael Martins 21 de abril de 2016 - 19:56

Eu discordo da crítica num ponto: não é a luta dos proletarios contra o capitalismo. É mais uma referencia ao combate ao comunismo e o sistema de governo: as classes ricas e dominantes que nada produzem, aguardam que o sistema (trem) os provenha, além de se apropriarem de todas as benesses o capitalismo permitiu –, ainda, eu considero que os proletários do trem são a representação do povo em busca da sua liberdade na luta contra o status quo. Nota para o vagão da educação, uma das das faces mais cruéis de todo regime totalitarista — controlar as crianças –, onde ocorria uma extrema doutrinação com referencia ao ídolo-fundador da locomotiva [lembrando um pouco 1984 de George Orwell].

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planocritico 21 de abril de 2016 - 20:36

@disqus_FZGLjgxKO4:disqus, considerando meu viés político pessoal, adorei sua interpretação. E, ainda que eu precisasse rever o filme para deixar a ideia embrenhar-se em me cérebro, confesso que ela realmente me parece bem possível. Vou tentar revê-lo e, de repente, até mudo meus comentários!

Obrigado mesmo pela iluminação!

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 21 de abril de 2016 - 20:36

@disqus_FZGLjgxKO4:disqus, considerando meu viés político pessoal, adorei sua interpretação. E, ainda que eu precisasse rever o filme para deixar a ideia embrenhar-se em me cérebro, confesso que ela realmente me parece bem possível. Vou tentar revê-lo e, de repente, até mudo meus comentários!

Obrigado mesmo pela iluminação!

Abs,
Ritter.

Responder
Rodrigo Vianna Barreto Goncalv 10 de fevereiro de 2016 - 12:15

So acho que na terceira camada, nao ficou muito bem explicado, no que eu entendi, nao foi uma simples divisao, acho que a divisao foi feita com base na vida que cada um tinha antes do apocalipse, quem era pobre, foi la pro fundao, quem era rico ficou no conforto dos vagoes dianteiros, mas o que entendi, foi que uma vez dentro do trem, eles nao teriam condicoes de produzir alimentos para todos, por isso o resto ficou esquecido la no fundao vivendo desumanamente…
Mas acho que no fundo a ideia do filme era so representar o mundo capitalista de forma mais poetica…

Responder
planocritico 10 de fevereiro de 2016 - 12:25

Sim, é exatamente isso, mas faço um reparo apenas: o trem representa tanto o capitalismo como o comunismo soviético e cubano. A diferença fica apenas na demagogia do segundo sistema.

Abs,
Ritter.

Responder
Cristiano de Andrade 3 de janeiro de 2016 - 00:21

Filme excelente! Ótima crítica social e as cenas são poderosas, impactantes.
Como eu não assisti antes? Filmaço!

Responder
planocritico 3 de janeiro de 2016 - 02:30

@cristianodeandrade:disqus, surpreendente, não? Vi por causa da premissa estranha e fui pego completamente de surpresa.

Abs,
Ritter.

Responder
Cristiano de Andrade 3 de janeiro de 2016 - 11:18

Surpreendente mesmo! é como você na critica: tem que relevar muita coisa e entrar no espírito do filme aí você se delicia com o que vê. Aquela cena da luta no túnel foi uma das coisas mais intensas que eu ví nos últimos tempos.

Ritter, como você entendeu o final?Achou decepcionante?

Responder
planocritico 3 de janeiro de 2016 - 15:31

@cristianodeandrade:disqus, pelo que entendi, só Yona e Timmy sobreviveram (ao menos em tese) e, ao verem o urso polar ao longe, a fita dá a entender que há esperança de uma vida fora do trem. É um final positivo e, apesar de toda a negatividade e peso do filme, acho que ele é bem vindo. Não achei decepcionante não.

Abs,
Ritter.

Responder
Cristiano de Andrade 3 de janeiro de 2016 - 15:43

ah sim, bacana! Foi a mesma coisa que entendi.

DaviMartins 19 de setembro de 2015 - 01:28

Que filmaço!! Já tava interessado em ver, e quando vi que o Ritter deu 5 estrelas precisei conferir e voltar aqui pra ler a crítica. Como que esse filme é tão pouco comentado? Aqui na minha cidade ficou apenas uma semana em cartaz! Uma pena.

Responder
planocritico 19 de setembro de 2015 - 06:16

@disqus_4t3iLPL1U7:disqus, que bom que gostou. Esse filme sofreu muito na distribuição mundial. Fora da Coréia do Sul, ele ficou nas mãos de Harvey Weinstein, que queria cortar o filme, mas o diretor não aceitou e aí ele foi meio que boicotado. Mesmo nos EUA o lançamento foi mínimo. Por isso ele atrasou para chegar por aqui. Uma pena.

Abs,
Ritter.

Responder
jcesarfe 29 de agosto de 2015 - 16:25

Apesar de meu protesto quanto ao horário de exibição em Campo Grande, assisti o filme. O mais terrível, (aqui deixo minha crítica à crítica), é que fui esperando ver algo no estilo Mad MAx. Resultado odiei!
O filme em si não é ruim, além de possuir uma premissa encorajadora. Mas morre aí. Muita bobagem e ideias sem lógica. O “mocinho” no final parece mais o vilão e simplesmente se cria essa impressão apenas pelo resultado de suas ações bem intencionadas (mas como se diz “De boas intenções o inferno esta cheio”). Os personagens são mal desenvolvidos, a crítica aos sistemas mal abordadas, o sistemas de castas criados no filme parece mais uma piada, a necessidade do próprio trem é duvidosa e o “vilão” é forçado a tal papel por alguém sem criatividade.
Pode se intuir grandes ideias, mas o resultado é fraco e mal concebido, não me passou qualquer sensação de profundidade ou realismo. Acho um bom roteiro, mas uma péssima direção.

Responder
planocritico 30 de agosto de 2015 - 05:04

@jcesarfe:disqus, interessantes seus comentários. Expresso do Amanhã parece ser um filme polarizante. Ou é na base do “amei” ou na do “odiei”. Depois que fiz a crítica, conversei com amigos e me deparei com algumas opiniões diametralmente opostas e algumas com análises parecidas com a sua.

De toda forma, acho que Bong não quis passar realismo com seu filme, apenas tratou ideias sócio-políticas dentro de um contexto alegórico, exagerado, inflado. Como você obviamente viu na crítica, funcionou como um passe de mágica para mim!

Abs,
Ritter.

Responder
jcesarfe 2 de setembro de 2015 - 13:24

Construir opiniões creio que seja a principal função do cinema. Mas creio que você têm razão, o filme provoca essa situação de amor e ódio, pode ser que fosse esse o objetivo de Bong.

Responder
Lucas Andrade 29 de agosto de 2015 - 10:48

Aqui uma análise falando das metáforas do filme (no final dela):

https://dentrodachamine.wordpress.com/2015/02/07/snowpiercer-o-trem-e-uma-metafora-mas-para-que/

Responder
planocritico 29 de agosto de 2015 - 10:55

@disqus_0dN4VhRfhd:disqus, muito boa a análise. Quis manter minha crítica sem spoilers, por isso não pude me aprofundar, mas realmente é isso que penso: é fácil achar que o filme é panfletário anti-capitalista, mas, na verdade, não é. Ele é “anti-Estado” e aí corta para os dois lados, igualmente. Ver o filme meramente como protelariado x classe dominante é não ver o filme.

Abs,
Ritter.

Responder
Sidnei Cassal 28 de agosto de 2015 - 21:04

Ritter. Já estava certo que iria vê-lo, agora com seu comentário ficou certíssimo! Este final de semana – como raras vezes acontecem – tenho 3 ótima opções de filmes, mas vou dar prioridade ao Expresso do Amanhã.

Responder
planocritico 28 de agosto de 2015 - 22:38

Grande @sidneicassal:disqus! Não perca Expresso do Amanhã. É realmente de se fazer pensar. Depois volte aqui para dizer o que achou.

Abs,
Ritter.

Responder
jcesarfe 28 de agosto de 2015 - 12:38

Fiquei interessado no filme, mas onde moro resolveram passar o filme apenas às 23 horas em 2 cinemas e às 22:30h em outro. Isso é um absurdo (só para constar Hitman também só ira passar tarde da noite) Não tenho nada contra filmes noturnos, mas a falta de opção de horários esta cada vez mais crítica por aqui.

Responder
planocritico 28 de agosto de 2015 - 15:08

@jcesarfe:disqus, isso está cada vez mais presente em nosso dia-a-dia. Cidades menores (e outras nem tão menores assim) sofrem com filmes que são percebidos pelos exibidores como de menor potencial de trazer grana e o resultado, infelizmente, é esse. Nosso sistema de distribuição para cinema é patético e a quantidade de salas que temos é absolutamente ridícula.

Abs,
Ritter.

Responder
jcesarfe 29 de agosto de 2015 - 16:18

Por aqui a cabeça dos gerentes de cinema é que só se assisti filme infantil de dia (apesar de TED 2 estar como filme infantil, creio que não leram a sinopse), a noite é que passam os filmes mais adultos.

Responder
planocritico 30 de agosto de 2015 - 05:01

Cara, que inferno isso…

– Ritter.

Responder
Denis Kellar Tarantino 28 de agosto de 2015 - 02:02

Ritter Fan, obrigado, que crítica maravilhosa.
Tive o prazer de esperar essa obra prima cult estrear no cinema, e com a sorte, depois de ter lido a HQ, minha namorada ganhou um par de ingressos para estréia exclusiva do filme promovida pelo Omelete em Sampa. E agradeço, novamente, por ter esperado para vê lo no cinema (já estava até baixado, tamanha a ansiedade e pelo própria demora na distribuição). Eu me diverti, me emocionei e fiquei tenso em certos momentos e fui recompensado com um dos melhores filmes dos últimos anos. Elenco exemplar (Capitão Referência, quem diria fora da zona de conforto e convencendo e 2 dos meus atores favoritos John Hurt e Tilda Swinton que química…”Amantes Eternos” hehehe <3 ), Fotografia bela e criativa, o roteiro cheio de surpresas, até pra quem leu a HQ (considerei o filme melhor que a Graphic Novel e isso é um baita triunfo) e a íncrivel direção do Joon – Ho Bong, diretor que foi paixão a primeira vista desde que vi The Host. 5 estrelas mais que merecidas, e curioso como o Snowpiercer e Fury Road parecem obras irmãs quase, tanto que o mesmo que aconteceu na sessão que eu estava do Fury Road, aconteceu aqui, pessoas xingando e indo embora antes do término da sessão (detalhe era tudo na faixa u.u). Hoje em dia parece que as pessoas não aguentam obras críticas e que fogem do comum, mas ficam reclamando da onda de remakes, onde tudo é mais do mesmo e mastigado, Snow e Mad, não são matérias originais claro, ambos são baseados em uma outra obra, mas o frescor e a imersão que causaram será lembrado por muitos anos.

Responder
planocritico 28 de agosto de 2015 - 15:11

@deniskellartarantino:disqus, realmente um grande filme que merece mesmo ser visto no cinema, na telona. E interessante seu relato sobre as pessoas indo embora antes do final da sessão tanto nesse quanto em Fury Road. Realmente, não dá para entender.

Abs,
Ritter.

Responder
Claudinei Maciel 28 de agosto de 2015 - 01:00

Anotado… e aguardando chegar na minha região para poder curtir. Já vi que terá um lugar na minha coleção, ao lado de Filhos da Esperança (que aliás gostaria de ver a crítica também).
Obrigado pela dica…
Ansiedade batendo!!

Responder
planocritico 28 de agosto de 2015 - 15:12

@claudineimaciel:disqus, vale esperar sim e olha, nunca pensei em compará-lo com Filhos da Esperança, pois são execuções bem diferentes de propostas distópicas um pouco semelhantes, mas faz sentido. Há uma atmosfera de desespero que equivale ao filme com Clive Owen, além de os dois filmes serem grandes exemplos de direções competentíssimas.

Abs,
Ritter.

Responder
Anthonio Delbon 28 de agosto de 2015 - 00:37

Cara, lembro que quando vi esse filme, há alguns meses, eu simplesmente pirei. A estética eu achei fantástica. Cenas de ação, reviravoltas e as atuações só melhoravam a cada personagem novo. O elenco em si não vou nem começar a elogiar pro comentário não se alongar. O fato é que eu considerei um dos filmes top 10 pra mim na época e não vejo a hora de rever, agora no cinema. É incrível como sai da mesmice que há em tantas críticas sobre luta de classes, encontrando um jeito bem peculiar. O monólogo do Capitão América no final eu lembro de ser muito intenso! E Ed Harris e John Hurt são um show a parte!

Excelente crítica! Foi muito bom lê-la e ver tantos pontos que eu curti tão bem explicitados.

Abraço, Ritter!

Responder
planocritico 28 de agosto de 2015 - 15:15

@anthonio_delbon:disqus, tinha visto há bastante tempo sem a menor ideia do que era o filme e fiquei extasiado e ele fica melhor ainda na segunda vez. É uma grande obra “esquecida”.

Abs,
Ritter.

Responder

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