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Crítica | Libertando o Jovem Gussie e A Carreira Artística de Corky, de P. G. Wodehouse

por Luiz Santiago
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It was rotten. The poor nut had got stage fright so badly that it practically eliminated his voice. He sounded like some far-off echo of the past “yodeling” through a woolen blanket.

Libertando o Jovem Gussie foi originalmente publicado nos Estados Unidos, em setembro de 1915, e posteriormente no Reino Unido, em janeiro de 1916. É neste conto que o icônico escritor britânico P. G. Wodehouse apresenta para o mundo dois de seus mais famosos personagens, o mordomo (ou valete) Jeeves e seu patrão Bertie Wooster. Embora Jeeves tenha apenas um pequeno papel nessa primeira história, o leitor já consegue pegar um pouco de sua personalidade, entender a sua relação com o patrão e como este enxerga a sua dominadora tia Agatha, uma daquelas senhoras de personalidade forte que todos nós conhecemos em algum lugar e que por isso mesmo consegue se estabelecer rapidamente e com muita força já no início da aventura.

A trama é leve, obviamente muito engraçada e fala de uma missão malsucedida de Bertie, enviado aos Estados Unidos para livrar o primo Augustus “Gussie” Mannering-Phipps de seguir um namoro que pode “manchar” o nome da família. A narrativa ganha o leitor desde muito cedo pela maneira elegante como o autor constrói a comédia de costumes, colocando o vagabundo adorável que é Bertie em uma situação difícil e incômoda para ele, acostumado com paz e luxo; e a cada página vemos que ele tem mais e mais dificuldades de convencer o primo, o que o leva a pedir ajuda, mas essa ajuda também não faz muito bem o seu papel.

Há uma dose de ternura em toda a comicidade romântica (e propositalmente exagerada, meio brega) de Extricating Young Gussie, e o leitor termina com aquele sorriso de cumplicidade, pensando que, em algumas famílias, em algumas situações, não há nada que se possa fazer para mudar o comportamento dos filhos. E em alguns casos… até mesmo o comportamento maluco dos pais.

Extricating Young Gussie (EUA, 18 de setembro de 1915 / Reino Unido, janeiro de 1916)
Autor: P. G. Wodehouse
Publicações originais: Saturday Evening Post (EUA), Strand (Reino Unido)
31 páginas

A Carreira Artística de Corky

I’ve got through the mere outward appearance, and have put the child’s soul on canvas. But could a child of that age have a soul like that? I don’t see how he could have managed it in the time.

Como consequência da história anterior, Bertie agora está morando em Nova York. Ele prefere esse exílio da Inglaterra a ter que voltar e explicar pessoalmente à sua tia Agatha o porque não destituiu o primo Gussie de se casar com uma jovem que “a família não aprovava”. Agora estabelecido e já tendo alguns amigos na cidade, Bertie vive bem, procurando descobrir aquilo que a grande metrópole americana tem para lhe oferecer. Seu sossego, porém, é quebrado por um pedido bastante incômodo de seu amigo Bruce “Corky” Corcoran, artista especializado em retratos que se vê em um dilema amoroso e ao mesmo tempo monetário. O alvo desse dilema é o Sr. Worple, tio de Corky. Trata-se de um homem com constantes alterações de humor, apaixonado por pássaros e que tenta destituir Corky de sua atividade artística sempre que pode. É para este indivíduo que Corky precisa dizer que conheceu alguém e que quer se casar.

Num primeiro momento, o leitor não tem muita ideia para onde a história vai. A comédia parece que irá girar em torno das tentativas de Corky em conseguir manter a pensão que recebida do tio, mas Wodehouse consegue coisas maravilhosas aqui, a partir de toques simples, como uma sugestão de Jeeves que acaba tendo uma consequência completamente diferente do esperado e uma hilária segunda sugestão que aparece como resolução geral do caso e, melhor ainda, como uma duradoura vingança. Uma história muito divertida sobre os caminhos do coração e sobre como é possível superar um amor perdido, mantendo o orçamento do mês.

The Artistic Career of Corky (EUA, fevereiro de 1916 / Reino Unido, junho de 1916)
Autor: P. G. Wodehouse
Publicações originais: Saturday Evening Post (EUA), The Strand Magazine  (Reino Unido)
11 páginas

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