Crítica | Falstaff – O Toque da Meia-noite

estrelas 4,5

Com locações na Espanha, Jeanne Moreau no elenco e a junção de episódios das peças Henrique IV, Henrique V e As Alegres Senhoras de Windsor, Falstaff – O Toque da Meia Noite é um filme deslumbrante, mais uma obra inestimável dirigida por Orson Welles.

A paixão do diretor pela Espanha e por Shakespeare trouxeram para a tela uma vitalidade tão simples, tão bela, que é impossível não se emocionar. Essa epifania, no entanto, não é algo barato, é uma consequência gerada pelo grande apuro estético, pela angulação e planificação belíssimas do diretor, pela atuação do próprio Welles e pelo toque cômico dado a diversas situações em que aparece no filme. A oposição entre esse mundo de súditos pobres de um reino corrupto, constantemente em guerra interna e mesquinho trazem-nos não só o núcleo das obras shakespearianas quanto da própria sociedade naquele momento da História.

A montagem é uma aula de cinema rápida, precisa, global, trazendo o máximo de ângulos inspiradores para as sequências, formando uma linha narrativa que está sempre em movimento (externo e interno), assim como a vida do nobre, covarde, boêmio e aproveitador Falstaff. A história do filme, narrada em diversas partes (e sendo ela mesma uma junção de diversas histórias), consegue se estruturar e resolver-se plenamente, além de trabalhar com os temas mais caros à obra de Welles e de Shakespeare.

Uma das melhores sequências de batalhas já filmadas no cinema encontra-se nesse filme. A criação do suspense quanto a visão do avanço das tropas junto a uma decupagem de atrações aumentam a expectativa do público, ao passo que a violência da guerra toma conta da narrativa. É um paradoxo ver beleza no horror da guerra, mas este é um sentimento que nos surge em dado momento da batalha. A semelhança com o embate final de Alexander Nevsky é um deleite à parte.

Orson Welles recria em Falstaff um mundo de cobiça, soberba e traições. Sua atuação no papel principal é lendária, entregando um filme que todo admirador de Shakespeare, Welles e Idade Média deveria ver.

Falstaff – O Toque da Meia-noite (Campanadas a Medianoche, França, Espanha, Suíça, 1965)
Direção: Orson Welles
Roteiro: Raphael Rolinshed (adaptação de obras de William Shakespeare)
Elenco: Orson Welles, Jeanne Moreau, Margaret Rutherford, John Gielgud, Marina Vlady, Walter Chiari, Michael Aldridge, Jeremy Rowe, Fernando Rey
Duração: 113min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.