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Crítica | Família Dinossauros – 1X01: O Poderoso Megalossauro

por Luiz Santiago
1364 views (a partir de agosto de 2020)

Bem-vindos ao Plano Piloto, coluna dedicada a abordar exclusivamente os pilotos de séries de TV.

Número de temporadas: 4
Número de episódios: 65
Período de exibição: 1991 – 1994
Há reboot?: Não.

Para mim, uma coisa muito importante a respeito de Família Dinossauros é o seguinte: ela tem cheiro de infância. Assim como algumas outras séries de grande sucesso exibidas nos anos 90, eu cresci assistindo, e nesse caso, devo dizer que foi uma das grandes contribuidoras para o meu mais absoluto fascínio por dinossauros durante toda a infância. Minha família era uma verdadeira adoradora da série, e bordões como “Querida, cheguei!” ou “Não é a mamãe” eram repetidos em casa em meio a pancadaria entre irmãos e gracinhas que fazíamos com os pais, só para receber uns cascudos, ver o chinelo voando habilidosamente pela casa e ouvir as mais diversas frases de ameaça. Uma das séries que me faz sentir muita saudade, lembrando com imenso carinho de um período da vida.

Criada por Michael Jacobs e Bob Young (baseada em uma ideia de Jim Henson) para a ABC, Dinosaurs foi um verdadeiro fenômeno nos Estados Unidos, e também aqui no Brasil. O show sempre teve um grande destaque por ser um tipo muito diferente de sitcom, constituída por animatrônicos e fantoches e com um conteúdo que poderia passar batido pelas crianças, mas que atingia os adultos em cheio. Isso tornava a série interessante para todos os públicos, com significados, críticas e reflexões que até hoje são extremamente relevantes e que receberam uma cuidadosa atenção dos roteiristas do show. Nesta estreia, intitulada O Poderoso Megalossauro, vemos como esse tipo de abordagem se fez presente já na raiz do programa, centralizando, dentre outras coisas, os medos e as belezas da paternidade e da formação e manutenção de uma família.

Os Silva Sauro (Sinclair, no original) habitam a Pangeia, no ano 60.000.003 a.C., e nesse Universo eles convivem com uns “animais” chamados homens. Esta inserção, aqui, logo na última cena, é a única coisa que me impede chamar esse piloto de obra-prima, porque é algo que destoa completamente do que tinha sido apresentado até então. E o que foi apresentado? Bem, um verdadeiro chacoalhão na concepção predominante no Ocidente sobre a construção da vida social, sobre independência e formação de uma família. De modo geral, a série é uma crítica dura e muito bem feita ao modo de vida americano, sendo casa episódio a representação e análise de uma determinada situação ou sentimento compartilhado pela sociedade americana — e que na verdade se encaixa na maioria das culturas Ocidentais.

Cada um aqui representa o seu papel cristalizado nessa sociedade, que vive com suas regras, pré-conceitos e manias. Dino é o pai trabalhador e reclamão. Fran é a mãe, esposa, dona de casa. Charlene é a filha ligada em futilidades. E Bob é o meninão rebelde que vai mal na escola e só quer saber de diversão. A maneira como o piloto aborda esses papéis sociais e principalmente desconstrói Dino é algo realmente incrível. Ao mesmo tempo em que ele aprende a ver de uma maneira diferente o papel da família (um processo que se amadureceria ao longo da série), seus sentimentos conflitantes em relação ao novo filho (o hilário e fofo Baby) é exibido com cuidado e beleza, não apenas pregando e jogando conceitos “modernosos” no início dos anos 90 (se a série fosse exibida hoje, as amebas repetindo variações da palavra “lacrar”, como um papagaio zumbi, fariam a festa no zap), mas contextualizando essas novas ideias, esperando a hora certa de explorá-las.

A conexão entre Dino e Baby é empregada como um recurso narrativo engraçado e fofo para mostrar como foi que esse bebê sapeca veio ao mundo. Os flashbacks são bem utilizados e todo o ambiente artístico, da concepção física dos personagens aos seus movimentos, cenários e coisas engraçadas desse cotidiano em Pangeia (como os programas de TV ou a comida que foge) contribuíram para marcar a série na mente do espectador logo de cara. A vida em um ambiente selvagem, rústico e em constante transformação, discutindo e criticando temas que a nossa civilização ainda não conseguiu resolver por completo. Ah… que falta faz esse tipo de programa!

Dinosaurs – 1X01: The Mighty Megalosaurus (EUA, 26 de abril de 1991)
Criadores: Michael Jacobs, Bob Young
Direção: William Dear
Roteiro: Michael Jacobs, Bob Young (baseado em uma ideia de Jim Henson)
Elenco: Dave Goelz, Bill Barretta, Stuart Pankin, Allan Trautman, Mitchel Evans, Jessica Walter, Steve Whitmire, Leif Tilden, Jason Willinger, Bruce Lanoil, Arlene Lorre, Sally Struthers, Kevin Clash, John Kennedy, David Greenaway, Pons Maar, Sam McMurray, Sherman Hemsley, Brian Henson, Terri Hardin, Michelan Sisti
Dublagem brasileira: José Santa Cruz, Maria Helena Pader, Miriam Ficher, José Leonardo, Marisa Leal, Roberto Macedo, Paulo Flores
Duração: 25 min.

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24 comentários

Haell 17 de outubro de 2020 - 12:56

AAAAAAA….(abismo)…AAAAA !!!! Família Dinossauro é um clássico mesmo e trouxe um dos personagens mais icônicos já criados: Baby.
PS.: EU ADMIRO a tenacidade de vocês com essa nova seção do site “Plano Piloto”. Pelo que entendi, vocês apenas assistem o piloto e fazem a crítica, certo? Se eu assistir um piloto, minha mente não me deixa dormir se eu não vir o resto da série, mesmo que não tenha gostado tanto assim do episódio (??). Eu estou assistindo “Psych” no Prime basicamente nesse esquema

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Luiz Santiago 17 de outubro de 2020 - 12:59

A proposta dessa coluna é essa mesmo. Analisamos apenas o piloto, o episódio que se dispõe a vender a série. Realmente não tenho nenhum problema com isso, mas também conheço outras pessoas que tem essa mesma ideia fixa que você: de não conseguir ver apenas o piloto e não ver o restante da série.

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Alexandre Tessilla 11 de outubro de 2020 - 23:37

Essa série é sensacional, preciso revê-la!

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blackisamu 10 de outubro de 2020 - 18:10

Revi todas as temporadas meses atrás e toda a série merece uma critica. Episódios como o Dia da geladeira e Guerra dos pistaxes são incríveis.

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Luiz Santiago 10 de outubro de 2020 - 22:26

Nossa que maratona nostálgica maravilhosa, hein!

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Camilo Lelis Ferreira da Silva 10 de outubro de 2020 - 11:54

Essa Série Precisa de uma crítica de Todas as Quatro Temporadas!
É Atual Demais

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Luiz Santiago 10 de outubro de 2020 - 14:54

É mesmo muito atual! E quem sabe no futuro não tenhamos crítica de todas as temporadas!

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Camilo Lelis Ferreira da Silva 11 de outubro de 2020 - 23:37

Apoiado! “Família Dinossauro” precisa dessa crítica de todas as temporadas!

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O Gambit dos x-men 10 de outubro de 2020 - 11:45

Excelente crítica Luiz! Ainda me lembro da época em que o assistia na Bandeirantes todo dia às 15:00! Eram bons tempos! kkkkk

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Luiz Santiago 10 de outubro de 2020 - 14:54

Bons tempos mesmo! Que saudade!

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Bruno Lopes Lima 10 de outubro de 2020 - 11:30

Tem o episódio da revolta da comida esquecida na geladeira. É muito legal..

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Luiz Santiago 10 de outubro de 2020 - 11:54

É um melhor que o outro!

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planocritico 10 de outubro de 2020 - 11:05

Acho que a série merecia um reboot em forma de filme do Michael Bay com dinossauros em CGI!!!

Abs,
Ritter.

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Bruno Lopes Lima 10 de outubro de 2020 - 11:30

Totalmente. Família Dinossauro é 100% Michael Bay – é só acrescentar MUITO CGI, explosões e tirar um tanto de roteiro. Aí está. =)))

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planocritico 10 de outubro de 2020 - 16:02

Um tanto? Tira logo todo o roteiro. Roteiro ATRAPALHA!

Abs,
Ritter.

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O Gambit dos x-men 10 de outubro de 2020 - 11:40

Que droga, hein? kkkkk

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planocritico 10 de outubro de 2020 - 16:02

Bayfobia detectada! Vou reportar!

HAHAHAHAHAHHAHHAAHHAAHAHAHHAH

Abs,
Ritter.

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Wagner 10 de outubro de 2020 - 10:48

Eu me recuso a conversar com gente que dá menos que 5/5 para qualquer episódio da Família Dinossauro
https://pa1.narvii.com/7099/2b1e296ecd0e51dcb8fc9ff01b5720e026895999r1-306-200_hq.gif

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Bruno Lopes Lima 10 de outubro de 2020 - 08:51

Coisa impressionante de engraçada e inteligente a Família Dinossauro era.

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Luiz Santiago 10 de outubro de 2020 - 10:45

Demais! E revendo assim, depois de tanto tempo, a gente pega/percebe MUITO MAIS COISAS! É sensacional.

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Camilo Lelis Ferreira da Silva 10 de outubro de 2020 - 11:54

É como se houvesse um diálogo atual com a sociedade atual…

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