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Crítica | Fargo – 4X07: Lay Away

por Ritter Fan
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  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas de todo nosso material sobre Fargo.

Com exceção da estupenda fotografia que já comentei nas críticas anteriores, a melhor característica da 4ª temporada de Fargo é não ter pressa para absolutamente nada. Não que as temporadas anteriores tenham corrido com alguma, pois definitivamente não é o estilo de Noah Hawley, mas, aqui, o showrunner tem conseguido impor um “tempo de cozimento” próximo do perfeito a tudo que ele planeja fazer, seja a inserção das sub-tramas, seja a evolução do conflito entre as família Cannon e Fadda.

Em Lay Away, assim como em Camp Elegance, o objetivo é fazer a narrativa andar a passos largos, mas sem parecer que está acontecendo muita coisa. A grande jogada do episódio é a conversa de Josto e Violante com Loy, em uma tentativa, por parte de Violante apenas, de apaziguar a situação com uma oferta puramente de negócios. Mas Josto tem sua própria carta na manga e, mesmo que Nova York tenha decretado que Gaetano não deve ser morto, ele aproxima o irmão do precipício ao anunicar para Loy que Satchel fora assassinado. Sem saber exatamente o destino do garoto para além de Rabbi tê-lo salvado no ex-campo de concentração, Josto joga verde para eliminar a maior ameaça à sua consolidação de poder, jogando Calamita como brinde nessa “troca”.

Essa sequência é magistralmente bem coreografada. Josto desautoriza Violante, seu conselheiro, arriscando a vida dos dois, somente para forçar uma vingança que em tese abriria caminho para ele próprio. Loy, por seu turno, tem um momento sóbrio, forte e potente, com Chris Rock mais uma vez mostrando que sua escalação para o papel foi um grande acerto mesmo que ele tenha começado de forma claudicante. Ao mesmo tempo que percebemos a dor do chefão, é perfeitamente possível notar suas maquinações, que ele não está só passivamente recebendo informações e processando-as. Por essa razão é que, ato contínuo, não só ele não tem coragem de vingar-se em Zero, como, sem Josto saber, ele determina a soltura de Gaetano. O objetivo é claro: corroer a família Fadda por dentro, uma vingança muito mais maquiavélica do que eliminar apenas os “rebeldes”, por assim dizer, ou mesmo entrar em uma guerra franca.

Odis está cada vez mais encrencado. Em tese trabalhando para a família Fadda, mas secretamente – ma non troppo – tendo sido aliciado por Loy, ele não sabe o que fazer nesse balanço de poder, especialmente considerando que Deafy está literalmente fungando em seu cangote, seco para mandá-lo para o xadrez junto com toda a máfia local. Apesar de mínima, a presença do personagem de Timothy Olyphant consegue ser fundamental para o desenrolar da narrativa, isso sem contar com a deliciosa e meticulosamente hilária performance do ator, especialmente em oposição ao trabalho absolutamente enervante, no bom sentido, de Jack Huston e os tiques nervosos – “One little two little Three little indians…” – de seu policial corrupto Odis.

Mais uma vez, houve tempo para que Oraetta ganhasse seus minutinhos de destaque, agora sensacionalmente (será que depõe contra meu caráter eu ter gostado do que ela fez?) livrando-se do Dr. Harvard somente para ter acesso à carta anônima de Ethelrida com o claro objetivo de descobrir quem foi que a mandou. Tudo bem que essa linha narrativa permanece desconectada da principal, especialmente agora que a ligação da enfermeira maluca – aquele enquadramento dela como anjo da morte a partir da visão do Dr. Harvard foi coisa do outro mundo, não? – com Josto parece não mais existir com a constância anterior, mas todos nós sabemos que Hawley tem seu plano bem amarrado para usá-la quando for realmente importante. E o mesmo pode ser dito dos breves segundos sobrenaturais que voltam aqui na funerária da família Smutny. O que exatamente é aquilo e como tudo se encaixa, não faço a menor ideia, mas confesso que estou adorando. Só mesmo Ethelrida é que parece perdida já há algum tempo, o que é estranho levando em consideração sua importância no começo da temporada, inclusive como narradora.

Lay Away é mais uma elegante pérola nesse colar que Hawley vem escrupulosamente construindo a cada novo episódio de sua temporada mais “diferente” da série até agora. Faltam apenas mais quatro episódios e, com exceção do esperado banho de sangue que, mais cedo ou mais tarde, virá, fico feliz em constatar que não tenho a menor ideia do que poderá acontecer.

Fargo – 4X07: Lay Away (EUA, 1º de novembro de 2020)
Desenvolvimento: Noah Hawley
Direção: Dana Gonzales
Roteiro: Noah Hawley, Enzo Mileti, Scott Wilson
Elenco: Chris Rock, Jessie Buckley, Jason Schwartzman, Ben Whishaw, Jack Huston, Salvatore Esposito, E’myri Crutchfield, Andrew Bird, Anji White, Jeremie Harris, Matthew Elam, Corey Hendrix, James Vincent Meredith, Francesco Acquaroli, Gaetano Bruno, Stephen Spencer, Karen Aldridge, Timothy Olyphant, Kelsey Asbille, Rodney L. Jones III, Hannah Love Jones, Tommaso Ragno
Duração: 44 min.

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