Home TVEpisódio Crítica | Fargo – 4X11: Storia Americana

Crítica | Fargo – 4X11: Storia Americana

por Ritter Fan
2562 views (a partir de agosto de 2020)

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas de todo nosso material sobre Fargo.

E a 4ª temporada de Fargo chega a seu fim com seu mais curto episódio, com a duração minimamente necessária para fazer aquilo que é sem dúvida seu objetivo único, amarrar todas as pontas cuidadosamente, não deixando nada de fora e confirmando uma suspeita antiga: que Satchel realmente se tornaria Mike Milligan, personagem da 2ª temporada da série e que aparece ao final novamente vivido por Bokeem Woodbine. Diria até que Noah Hawley exagerou no “empacotamento” da história, não deixando nada para especulações ou para elucubrações por parte do espectador, retirando um pouco do brilho do conjunto. Mas só um pouco. Bem pouquinho, na verdade.

Afinal, não se pode dizer que Storia Americana não cumpre sua função, não é mesmo? O roteiro de Hawley é milimetricamente escrito de maneira a encerrar a guerra entre os Faddas e os Cannons por intermédio do uso das informações que Ethelrida passa a Loy que, por sua vez, passa a Violante e que, por seu turno, as usa para literalmente dar um golpe e derrubar Josto. E isso tudo no melhor estilo comédia de erros que retorna ao começo da temporada, quando, de maneira ambígua – ou talvez não – Josto diz a Oraetta para “cuidar de seu pai”, sem que ele soubesse que a enfermeira era justamente especialista nesse tipo de… aham… cuidados e encaixa-se com os eventos do episódio passado em que Gaetano morre por um azar do destino sem testemunhas além de Josto, o que torna o acontecimento difícil de ser explicado.

E não há economia em mortes aqui. Se Josto e Oraetta são executados de maneira simples, com o genial pedido de Oraetta de que o executor mate Josto primeiro porque ela quer ver(!!!), Josto, antes, matara o Dr. Harvard e seu sogro em um acesso incontrolável de raiva por ter perdido seu irmão justamente no momento em que os dois conseguiram reconciliar-se. Além disso, não podemos esquecer de Loy Cannon que, depois de perder metade de seus negócios porque Violante não está para brincadeiras e usa toda a força da máfia de Nova York para derrubar o gângster local, percebe que ainda tem o que realmente é o mais importante para ele: sua família. Isso fica marcado pelo muito bem executado suspense no retorno singelo de Satchel para o lar e, ao final, pelo sorriso de pura alegria que Loy solta ao ver sua família feliz do outro lado do vidro, apenas segundos antes de ser esfaqueado até a morte por uma vingativa Zelmare (viram as laranjas?), em uma sequência belissimamente trabalhada pela direção e fotografia, além do elenco, com especial destaque para Karen Aldridge em um misto de prazer, alívio e loucura que é difícil de descrever.

Aliás, as mortes são o mote do episódio como um todo, já que as anteriores são também “homenageadas” no primeiro minuto em uma bela – mas também aterradora – montagem que revela o banho de sangue que foi a temporada. Da mesma forma, o espectador é brindado com a lembrança do baita elenco que Hawley reuniu aqui mais uma vez, com inesquecíveis papeis vividos por Glynn Turman, Jack Huston, Salvatore Esposito, Ben Whishaw e Timothy Olyphant. Por outro lado, há uma celebração da vida, já que a realização de Loy Cannon sobre ele ainda ter o que lhe é mais valioso é um excelente momento que tem esse objetivo, mas que também serve para passar a tocha para Satchel, futuro Mike, em uma continuidade de sua história. Da mesma forma, E’myri Crutchfield e sua adorável Ethelrida serve como a prova final de que há futuro que não seja a morte prematura ou a queda para a bandidagem, com seu futuro, ainda que incerto, sendo indicado como algo ainda a se ver, mas com um viés muito claramente positivo, especialmente levando em consideração a clareza da jovem sobre seu passado, sobre a história que conta sob seu ponto de vista – o ponto de vista do oprimido, do que sempre perdeu a guerra, do que sempre teva a história contada pelos ganhadores – tudo o que acompanhamos desde o começo da temporada. Ela, afinal de contas, é a narradora!

Terminando em alta conta, a 4ª temporada de Fargo definitivamente revela-se como a “mais normal” de todas as até agora da série em formato de antologia de Noah Hawley. Mas “mais normal” por esse grande showrunner está longe de ser um “normal normal” e ele mais uma vez consegue entregar uma história engajadora, desta feita repleta de importantes críticas sócios políticas e povoada por talvez seu grupo mais fantástico de personagens bizarros. Quando é que chegará a 5ª temporada mesmo?

Fargo – 4X11: Storia Americana (EUA, 29 de novembro de 2020)
Desenvolvimento: Noah Hawley
Direção: Dana Gonzales
Roteiro: Noah Hawley
Elenco: Chris Rock, Jessie Buckley, Jason Schwartzman, Ben Whishaw, Jack Huston, Salvatore Esposito, E’myri Crutchfield, Andrew Bird, Anji White, Jeremie Harris, Matthew Elam, Corey Hendrix, James Vincent Meredith, Francesco Acquaroli, Gaetano Bruno, Stephen Spencer, Karen Aldridge, Kelsey Asbille, Rodney L. Jones III, J. Nicole Brooks, Edwin Lee Gibson
Duração: 39 min.

Você Também pode curtir

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Presumimos que esteja de acordo com a prática, mas você poderá eleger não permitir esse uso. Aceito Leia Mais