Home TVEpisódio Crítica | Fear the Walking Dead – 2X04: Blood in the Streets

Crítica | Fear the Walking Dead – 2X04: Blood in the Streets

por Ritter Fan
92 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 4

Obs: Há spoilers. Leia  a crítica de todos os episódios da série, aqui.

Se Ouroboros colocou a segunda temporada de Fear the Walking Dead de volta aos trilhos, Blood in the Streets veio para mostrar que definitivamente há uma luz no final do túnel. Com uma narrativa bem construída e ao mesmo tempo unificada e segregada, o episódio soube trabalhar bem seu elenco, talvez pela primeira desde que a série começou, conseguindo, ainda, introduzir novos e potencialmente importantes personagens.

A unificação que mencionei se dá quando Abigail é abordada por três jovens piratas usando uma grávida como isca para gerar a simpatia necessária por parte de Madison e Travis, ambos sofrendo ainda pela crueldade de Strand ao cortar a corda do bote com Alex e Jake ao final do capítulo anterior. Todos assumem seus postos e, em uníssono silencioso, começam a tramar a retomada do iate. Travis mostra-se útil ao revelar que saberia ligar os motores sem as chaves e, no processo, enrola o nervoso Reed (Jesse McCartney) e consegue coordenar-se com Daniel, escondendo uma arma no sofá. Alicia, por sua vez, usa seu charme para encantar Jack (Daniel Zovatto), aquele rapaz com quem ela conversou pelo rádio no primeiro episódio e que, agora, é confirmado como vilão (ainda que menos mau do que seu colega Connor, vivido por Mark Kelly). Madison faz de tudo para desconcentrar e enraivecer a moça grávida (Veronica Diaz-Carranza) com uma ótima conversa para lá de mórbida. Até mesmo o difícil de engolir Chris mostra-se aguerrido e suficientemente bem trabalhado nesse contexto, com tempo até mesmo, por alguns segundos, conversar com Ofelia, essa sim ainda completamente perdida na série.

Toda essa trama, que se passa no barco depois que Strand estranhamente foge de lá, funciona organicamente, cumpre seu papel em elevar a tensão e cria – finalmente! – algum grau de empatia com o elenco, algo que a série precisa cultivar urgentemente. Nada de zumbis para atrapalhar a história, apenas uma trama simples, mas bem pensada, que trabalha em cima dos poucos traços de personalidade que vimos de cada personagem até agora.

E, já que mencionei Strand, apesar de sua fuga atabalhoada não ter funcionado bem, por fugir completamente do personagem frio e calculista que vinha sendo construído até o momento, temos a primeira oportunidade de conhecer um pouco mais sobre ele. A série, pela primeira vez, usa flashbacks que mostra sua vida pré-apocalipse zumbi como um, digamos, apostador em desgraças, depois que faz parceria com o milionário Thomas Abigail (Dougray Scott), cujos cartões de crédito ele furta para fugir da falência. Com esses olhares ao passado, Strand ganha outra dimensão, uma muito mais humana – fria ainda, sem dúvida, mas com camadas interessantes – e, ao mesmo tempo, uma explicação para sua fortuna, para a mansão e o iate e um vislumbre de seu plano de esconder-se no México, além de justificar, para nós ao menos, seu resgate ao final por Madison.

Os diálogos entre Strand e Thomas são inicialmente bem construídos, fluidos e passam perfeitamente a mensagem sobre a potencial relação amorosa entre os dois, algo amplificado pela ótima atuação de Domingo e Scott. Tenho a impressão, porém, que talvez Strand estivesse usando Thomas e não verdadeiramente apaixonado por ele, mas isso provavelmente ficará mais claro – ou não – em episódios posteriores. No entanto, o roteiro de Kate Erickson não para por aí e insiste em uma “revelação”, usando a sexualidade de Strand como um artifício narrativo para tentar pegar o espectador de surpresa, como um plot twist. Tenho para mim que mastigar e manobrar esse aspecto, que já havia ficado nas entrelinhas, foi desnecessário e mostrou uma certa imaturidade no tratamento do tema. Teria sido bem mais interessante se os flashbacks já tivessem sido abertos com a relação consolidada e contar-nos os eventos a partir daí.

Apesar de ter sido alvo da primeira sequência do episódio, deixei a viagem solitária de Nick propositalmente para o fim. O mistério sobre seu propósito é mantido a sete chaves até o fim, mas qualquer espectador minimamente experiente deduziu que pelo menos ele estava a mando de Strand. De toda forma, a escolha de se manter um certo mistério no ar foi acertada, pois esse terceiro vértice narrativo criou a cola necessária para unir os outros dois. Nick tinha que achar Luís (Arturo Del Puerto) e trazê-lo até Abigail e, para isso, usa sua recém-descoberta técnica de lambuzar-se de sangue e entranhas de zumbi para passar incólume pelos monstros. O interessante é ver Frank Dillane agir daquela maneira tranquila e blasé diante das mais tensas situações, quase que como se o vício por drogas de Nick tivesse sido substituído por um outro tipo de vício, um vício por adrenalina, por talvez sentir-se perfeitamente encaixado não no mundo de sua mãe e padrasto, mas sim no mundo zumbificado ao seu redor. Nick é, definitivamente, um personagem intrigante, difícil de se ler e vem ganhando a melhor construção da série juntamente com Strand.

Mesmo com seus problemas, Blood in the Streets mostra o potencial da série, algo que pode continuar agora que Travis e Alicia foram separados do grupo principal e levados pelo “capitão pirata” Connor (Mark Kelly). Com novos jogadores, o tabuleiro ficou mais denso e complexo e as aventuras marítimas de mais esse grupo de sobreviventes, de repente, ganharam vida.

Fear the Walking Dead – 2X04: Blood in the Streets (EUA, 03 de maio de 2016)
Criação: Robert Kirkman, Dave Erickson
Showrunner: Dave Erickson
Direção: Michael Uppendahl
Roteiro: Kate Erickson
Elenco: Kim Dickens, Cliff Curtis, Frank Dillane, Alycia Debnam-Carey, Mercedes Mason, Lorenzo James Henrie, Rubén Blades, Jamie McShane, Shawn Hatosy, Sandrine Holt, Colman Domingo, Michelle Ang, Brendan Meyer, Dougray Scott, Arturo Del Puerto,  Daniel Zovatto, Jesse McCartney, Veronica Diaz-Carranza, Mark Kelly
Duração: 44 min.

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36 comentários

Danilo Faria 6 de junho de 2016 - 21:55

Eu acabei de ver o EP , o que mais me deixou incomodado foi a forma como strand foi resgatado, pela Madison? Sério? Ela tava com a cabeça toda zuada, o inútil do Chris poderia ter feito haha sem contar o corte que deram com o iate ao fundo, poxa ele ficou ali a noite e quase o dia todo? Dava pra ter nadado até o iate, ter rendido os caras e pronto.. Sem contar na soncisse da Alicia com aquele carinha hahaha enfim. Vamos seguindo , só assisto por que sou viciado no universo TWD e tomara que melhore!

Responder
planocritico 7 de junho de 2016 - 00:06

@disqus_1LcbcWAhnB:disqus, cara, essa série tem sido um desapontamento só… Esse episódio foi basicamente o único que gostei dessa meia temporada…

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 7 de junho de 2016 - 00:06

@disqus_1LcbcWAhnB:disqus, cara, essa série tem sido um desapontamento só… Esse episódio foi basicamente o único que gostei dessa meia temporada…

Abs,
Ritter.

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Danilo Faria 6 de junho de 2016 - 21:55

Eu acabei de ver o EP , o que mais me deixou incomodado foi a forma como strand foi resgatado, pela Madison? Sério? Ela tava com a cabeça toda zuada, o inútil do Chris poderia ter feito haha sem contar o corte que deram com o iate ao fundo, poxa ele ficou ali a noite e quase o dia todo? Dava pra ter nadado até o iate, ter rendido os caras e pronto.. Sem contar na soncisse da Alicia com aquele carinha hahaha enfim. Vamos seguindo , só assisto por que sou viciado no universo TWD e tomara que melhore!

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Batman 7 de maio de 2016 - 18:25

Finalmente, parece que a série “acordou” e nos entregou finalmente algo que interessa nesse episódio. Espero que ela continue se mantendo nesse nível e não caia de novo para aqueles episódios chatos do início da temporada.

Responder
Batman 7 de maio de 2016 - 18:25

Finalmente, parece que a série “acordou” e nos entregou finalmente algo que interessa nesse episódio. Espero que ela continue se mantendo nesse nível e não caia de novo para aqueles episódios chatos do início da temporada.

Responder
planocritico 7 de maio de 2016 - 19:02

É, mas eu não contaria muito com isso não…

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 7 de maio de 2016 - 19:02

É, mas eu não contaria muito com isso não…

Abs,
Ritter.

Responder
Batman 7 de maio de 2016 - 19:06

Pois é. É bom eu ir baixando a bola mesmo…

Responder
Batman 7 de maio de 2016 - 19:06

Pois é. É bom eu ir baixando a bola mesmo…

Responder
Diogo Maia 4 de maio de 2016 - 17:57

Eu achei esse episódio mais fraco que o anterior. Pra mim a série ainda não decolou. Se esse capítulo tivesse uma direção mais qualificada talvez fosse melhor, mais bem construído. Os três novos vilões são tão inocentes quando o grupo principal que, pra mim, é quase todo muito fraco. Tirando o Nick e o Strand podem acabar com todos que não vou sentir falta.

Responder
planocritico 4 de maio de 2016 - 19:54

Não decolou mesmo, @diogo_maia:disqus. Vamos ver como a coisa vai…

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 4 de maio de 2016 - 19:54

Não decolou mesmo, @diogo_maia:disqus. Vamos ver como a coisa vai…

Abs,
Ritter.

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Diogo Maia 4 de maio de 2016 - 17:57

Eu achei esse episódio mais fraco que o anterior. Pra mim a série ainda não decolou. Se esse capítulo tivesse uma direção mais qualificada talvez fosse melhor, mais bem construído. Os três novos vilões são tão inocentes quando o grupo principal que, pra mim, é quase todo muito fraco. Tirando o Nick e o Strand podem acabar com todos que não vou sentir falta.

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Alex Alves 4 de maio de 2016 - 11:48

Esse episódio deu uma melhorada na temporada, Strand se mostra cada vez mais imprevisível em seus atos, embora se atirar no mar seja uma burrice colossal. Os jovens Nick, Alicia e Rubem Blades são os melhores personagens da série. A morte de alguns personagens fracos como Travis, ou a filha do Rubem seria benéfica a trama.

Responder
planocritico 4 de maio de 2016 - 15:15

@disqus_wHnwexv2Fr:disqus, quando ele se jogou no mar eu jurava que ele tinha algum plano, mas não, era só aquilo mesmo… Completamente sem sentido…

Mas o episódio foi realmente bom e concordo sobre a trinca que você citou como a melhor. Acrescentaria Strand ainda. Travis, Maddy, Chris e Ofelia é que ainda não mostraram serviço…

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 4 de maio de 2016 - 15:15

@disqus_wHnwexv2Fr:disqus, quando ele se jogou no mar eu jurava que ele tinha algum plano, mas não, era só aquilo mesmo… Completamente sem sentido…

Mas o episódio foi realmente bom e concordo sobre a trinca que você citou como a melhor. Acrescentaria Strand ainda. Travis, Maddy, Chris e Ofelia é que ainda não mostraram serviço…

Abs,
Ritter.

Responder
Alex Alves 4 de maio de 2016 - 11:48

Esse episódio deu uma melhorada na temporada, Strand se mostra cada vez mais imprevisível em seus atos, embora se atirar no mar seja uma burrice colossal. Os jovens Nick, Alicia e Rubem Blades são os melhores personagens da série. A morte de alguns personagens fracos como Travis, ou a filha do Rubem seria benéfica a trama.

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Junito Hartley 3 de maio de 2016 - 19:57

Os ultimnos episodios foram bons, so que a serie ta indo muito rapido, ja ta parecida com a serie mae, os caras ja colocaram humanos tentando matar os outros e roubar as coisas, acho que no começo da epidemia zumbi isso deveria demorar mais, no começo era pro foco central serem os zumbis mesmo, se analisar a historia da 1 temporada ate agora eu acho que nao tem 5 meses da epidemia e o povo ja ta nivel rick/negan.

Responder
Junito Hartley 3 de maio de 2016 - 19:57

Os ultimnos episodios foram bons, so que a serie ta indo muito rapido, ja ta parecida com a serie mae, os caras ja colocaram humanos tentando matar os outros e roubar as coisas, acho que no começo da epidemia zumbi isso deveria demorar mais, no começo era pro foco central serem os zumbis mesmo, se analisar a historia da 1 temporada ate agora eu acho que nao tem 5 meses da epidemia e o povo ja ta nivel rick/negan.

Responder
planocritico 4 de maio de 2016 - 01:53

@Junito_Silva:disqus, infelizmente eles meio que “pularam” esse começo de epidemia. A série está mesmo descambando para uma versão acelerada de TWD, o que é uma pena…

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 4 de maio de 2016 - 01:53

@Junito_Silva:disqus, infelizmente eles meio que “pularam” esse começo de epidemia. A série está mesmo descambando para uma versão acelerada de TWD, o que é uma pena…

Abs,
Ritter.

Responder
André Mozzer 3 de maio de 2016 - 10:14

Quatro estrelas?? que beleza hein!!!
Estava muito desanimado em voltar a ver diante das criticas dos dois primeiros, pelo jeito está melhorando a coisa. Mas ainda sim queria ver o caos da doença se espalhando de forma gradativa, ficou muito superficial isso na primeira temporada e nessa pelo jeito tudo ja foi para os ares. Ou isso realmente nao é necessario? mas sim essa questão humana … bem acho que daria umas boas cenas de ação.

Responder
planocritico 3 de maio de 2016 - 12:41

@andrmozzer:disqus, esse barco do começo da epidemia já zarpou. Não tem mais volta. Gostaria de algo mais cadenciado também, mas a proposta, pelo visto, é outra.

FTWD mandou bem nesse episódio, mas ainda é cedo para dizer que a série se acertou… Vamos ver…

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 3 de maio de 2016 - 12:41

@andrmozzer:disqus, esse barco do começo da epidemia já zarpou. Não tem mais volta. Gostaria de algo mais cadenciado também, mas a proposta, pelo visto, é outra.

FTWD mandou bem nesse episódio, mas ainda é cedo para dizer que a série se acertou… Vamos ver…

Abs,
Ritter.

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Stella 3 de maio de 2016 - 21:49

Eu pensei que você tava fazendo uma ironia igual ao Luiz quando fez com Legends of Tomorrow kkkkkkk .Pelo visto não foi, o que você me diz , eu espero seu veredito no final da temporada para ver se eu assisto a segunda?to pensando em fazer isso.

Beijinho,
Stella

Responder
Stella 3 de maio de 2016 - 21:49

Eu pensei que você tava fazendo uma ironia igual ao Luiz quando fez com Legends of Tomorrow kkkkkkk .Pelo visto não foi, o que você me diz , eu espero seu veredito no final da temporada para ver se eu assisto a segunda?to pensando em fazer isso.

Beijinho,
Stella

Responder
planocritico 4 de maio de 2016 - 01:52

He he. Não, não. Quem me copia é o @luizsantiago:disqus e não vice-versa… Eu realmente gostei desse episódio. Estava na dúvida entre 3,5 e 4 estrelas, mas acho que ele tende a 4.

Acho que você ainda deveria esperar para se aventurar. Tenho fortes desconfianças de que esse episódio foi filho único de mãe solteira (ainda é politicamente correto usar essa expressão?)…

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 4 de maio de 2016 - 01:52

He he. Não, não. Quem me copia é o @luizsantiago:disqus e não vice-versa… Eu realmente gostei desse episódio. Estava na dúvida entre 3,5 e 4 estrelas, mas acho que ele tende a 4.

Acho que você ainda deveria esperar para se aventurar. Tenho fortes desconfianças de que esse episódio foi filho único de mãe solteira (ainda é politicamente correto usar essa expressão?)…

Abs,
Ritter.

Responder
Stella 4 de maio de 2016 - 02:20

HAHAHAHA entendi Ritter kkk Vou aguardar seu veredito eu confio.
Abs,
Stella

Stella 4 de maio de 2016 - 02:20

HAHAHAHA entendi Ritter kkk Vou aguardar seu veredito eu confio.
Abs,
Stella

André Mozzer 4 de maio de 2016 - 10:03

KKKK Epectativa a mil pela serie hein… Vou acompanhando aqui mesmo rsrsrs

André Mozzer 4 de maio de 2016 - 10:03

KKKK Epectativa a mil pela serie hein… Vou acompanhando aqui mesmo rsrsrs

planocritico 4 de maio de 2016 - 15:16

Infelizmente os caras conseguiram me desanimar…

Abs,
Ritter.

planocritico 4 de maio de 2016 - 15:16

Infelizmente os caras conseguiram me desanimar…

Abs,
Ritter.

André Mozzer 3 de maio de 2016 - 10:14

Quatro estrelas?? que beleza hein!!!
Estava muito desanimado em voltar a ver diante das criticas dos dois primeiros, pelo jeito está melhorando a coisa. Mas ainda sim queria ver o caos da doença se espalhando de forma gradativa, ficou muito superficial isso na primeira temporada e nessa pelo jeito tudo ja foi para os ares. Ou isso realmente nao é necessario? mas sim essa questão humana … bem acho que daria umas boas cenas de ação.

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