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Crítica | Fear the Walking Dead – 3X03: TEOTWAWKI

por Ritter Fan
144 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 3,5

Obs: Há spoilers. Leia  a crítica de todos os episódios da série, aqui.

Quando a presente temporada de Fear the Walking Dead estava para começar, havia tomado a relutante decisão de só fazer a crítica da temporada por completo e não por episódio. Afinal, a primeira temporada, de apenas seis episódios, havia começado muito bem, mas terminado terrivelmente mesmo que com saldo positivo. A segunda, por sua vez já estendida para 15 episódios, foi cheia de altos e baixos, não passando, no cômputo geral, da mediocridade.

Foram vários leitores aqui do site que, logo em seguida ao lançamento dois dois episódios iniciais da terceira temporada, passaram a pedir as críticas e, muito a contragosto, acabei capitulando. E, ainda que talvez seja muito cedo para afirmar, confesso que tenho que agradecer a esses leitores. Sim, ainda estamos bem no comecinho de uma temporada ainda maior que a anterior – agora FTWD tem 16 episódios como na série-mãe -, mas já é possível ver potencial novamente, ainda que, como mencionei na crítica anterior, a promessa original de lidar com o começo do apocalipse zumbi já tenha sido esquecida há tempos.

Em TEOTWAWKI, sigla usada por survivalists ou preppers (pessoas que acreditam e praticam táticas e técnicas de sobrevivência em caso de catástrofes como guerras nucleares) para indicar the end of the world as we know it (“o fim do mundo como o conhecemos”), descobrimos, em um ótimo prelúdio em forma de infomercial, que Jeremiah Otto, o líder do rancho que vimos em The New Frontier, é uma dessas pessoas preparadas para o pior. Em algum momento no passado, ele vendia um manual de sobrevivência que vinha com um “kit” para iniciantes nessa paranoia intensificada pela Guerra Fria, algo que obviamente se encaixa como uma luva para o cenário da série e dá uma razoavelmente assustadora conotação de “culto” aos habitantes do local em que agora vivem Madison, Nick, Alicia e Luciana.

Aliás “local em que vivem” é a expressão chave e o cerne do episódio. Madison decidiu em um misto de conveniência e respeito à memória de Travis que o rancho é onde eles deveriam ficar. Esse pensamento já  havia sido externado no encerramento do episódio anterior e ele é intensificado aqui, com um conflito se estabelecendo entre Madison e Nick, que obviamente sente uma tremenda raiva de Troy. Alicia, por sua vez, mesmo que forçada, acaba forjando laços maiores com os jovens dali, mostrando algum grau de adaptabilidade, algo que Nick só resolve com uma espécie de perigosa brincadeira com Troy, durante uma caçada. Essa estranha relação entre os dois, aliás, faz muito sentido, pois, de certa forma, eles são parecidos. Ambos são “ovelhas negras” em suas respectiva famílias e ambos têm uma tendência suicida enervante. No que isso vai dar, ainda é cedo demais para dizer.

O que fica claro é que esse novo núcleo tem potencial. Tanto potencial que Madison passou a ficar bem mais interessante aqui do que em qualquer situação anterior, seja no bairro cercado da primeira temporada, seja no navio ou no hotel da segunda temporada. Seu jogo de sedução estilo Mrs. Robinson com Troy é ao mesmo tempo perturbador e sexy (ou será que sou eu o perturbado por achar isso?) e pode gerar bons frutos adiante. Considerando que até Alicia achou algo melhor para fazer do que ficar de cara fechada andando de um lado para o outro já é sinal suficiente que o rancho trouxe nova vida à série. Resta só encontrar um lugar para Luciana, ainda compreensivelmente mais afastada dos holofotes enquanto se recupera do tiro que levou.

Por outro lado, Strand, que chegou a ser o personagem mais interessante da série por muito tempo, recebeu uma reintrodução apagada em The New Frontier ao fingir-se de médico no hotel e, depois, ir embora dirigindo um carrão. Aqui, porém, seu personagem começa a reconstruir esse lado mais esperto e misterioso que tinha. Procurando um antigo contato em uma represa (melhor não pensar em como ele sabia que Dante, vivido por Jason Manuel Olazabal, estava por ali) que troca água potável por bens valiosos, Strand, depois de um começo suave e de quase ser jogado em uma pilha de desmortos, parece alistar-se nessa máfia, mas não exatamente como queria. Mais prisioneiro do que alguém em posição para negociar uma vida boa, aprendemos um pouco mais sobre o passado escuso dele pela boca de Dante, o que acaba reposicionando o personagem na série não necessariamente como alguém que venha porventura a ficar ao lado de Madison novamente.

Além disso, temos o cliffhanger que coroa o corolário de filmes e séries de TV que determina que “sem corpo, não há morte”, com a volta de Daniel Salazar (Rubén Blades) nos segundos finais oferecendo água para Strand. Ainda que ele tenha sido o segundo mais interessante personagem da série e sua volta seja bem-vinda – sinceramente, jamais achei de verdade que ele morreria naquele incêndio – isso me faz temer uma coisa só: a volta de Travis. Afinal, não vimos o corpo dele ainda, não é mesmo?

O fato é que TEOTWAWKI consegue criar duas linhas narrativas interessantes e com potencial. Sem dúvida elas alguma hora tangenciarão, mas, pelo momento, é melhor que sejam desenvolvidas em separado, de maneira que haja tempo para que os novos personagens sejam explorados com calma e que os antigos sejam reconfigurados para essa nova realidade.

Nada como dar ouvidos a pedidos de leitores, não é mesmo?

Fear the Walking Dead – 3X03: TEOTWAWKI (EUA, 11 de junho de 2017)
Criação: Robert Kirkman, Dave Erickson
Showrunner: Dave Erickson
Direção: Deborah Chow
Roteiro: Ryan Scott
Elenco: Kim Dickens, Cliff Curtis, Frank Dillane, Alycia Debnam-Carey, Colman Domingo, Danay García, Paul Calderón, Karen Bethzabe, Brenda Strong, Daniel Sharman, Sam Underwood, Dayton Callie, Lindsay Pulsipher, Rubén Blades, Jason Manuel Olazabal
Produtora: AMC
Disponibilização da série no Brasil (na data de publicação da presente crítica): Canal AMC
Duração: 44 min.

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20 comentários

MSylvia 18 de junho de 2017 - 23:51

Muito boa sua review. Ainda estou achando bem irregular a série mas parece que vai engrenar. Achei uma pena matarem o Travis, apesar de não termos o corpo rs. Não era meu personagem favorito, aliás bem longe disto mas, ele estava crescendo e gostei muito dele nos dois primeiros episódios. Felizmente teremos a volta de Salazar que para mim é o melhor personagem da série, melhor até que o Nick ; que me dá nos vermos. Não gosto da Madison mas vamos ver como esta ‘liderança’ dela, entre os seus, vai se dar. Alicia tem potencial e espero que cresça tb. Strand e Ofélia poderiam sumir, a meu ver rs
Povo estranha nesta vila. Não gosto deles. Espero que Madison governe o lugar. Parece que ela será o Rick desta série, apesar de carecer de carisma. Enquanto TWD e GOT não voltam, dá para distrair.

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planocritico 19 de junho de 2017 - 20:20

Obrigado, @MSylviaCB:disqus ! Salazar é ótimo. Tomara que voltem a explorar o passado assassino dele.

Agora é torcer para a série se estabilizar.

Abs,
Ritter.

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Flavia 17 de junho de 2017 - 01:30

“Considerando que até Alicia achou algo melhor para fazer do que ficar de cara fechada andando de um lado para o outro….” Perfeito kkk. Realmente a personagem era muito apagada na série. Pra quem viveu a adorada Lexa de The 100, tava devendo uma boa presença. Espero que ela cresça, já a série segue mediana…

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planocritico 17 de junho de 2017 - 21:46

Essa Alicia me irritou muito na segunda temporada… Ô sujeita inútil… Tomara que ela ache o lugar dela agora!

Abs,
Ritter.

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Artur Montenegro 16 de junho de 2017 - 20:06

Excelente Review, Ritter! O começo dessa temporada foi bastante animador e espero, de verdade, que essa temporada seja uma bom temporada para Fear. Claro que eu queria ter aquela premissa sobre o início do apocalipse, mas agora já é tarde, basta aceitar. Vamos ver o que essa temporada vai nos entregar, normalmente surge alguns episódios desnecessários para fechar a cota de 16 dessa season. Até breve!

Ps: Esqueceram Ofélia no churrasco?

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planocritico 17 de junho de 2017 - 17:05

Pois é, @arturmontenegro:disqus ! Tomara que FTWD continue assim. Estamos ainda no terceiro episódio e ainda tem muita coisa pela frente. Mesmo assim, tem potencial no que foi mostrado.

Abs,
Ritter.

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Clayton Lucena 16 de junho de 2017 - 12:22

Vlw Ritter por aceitar nosso pedido, vc é demais!!!!
A crítica esta perfeita, apontou tudo, e realmente essas novas linhas narrativas tem um potencial enorme, Madison esta crescendo absurdamente, Nick sempre foi louco e quero ver ele junto com esse outro personagem que tbm é perturbado, Alicia parece que engrena e Strand só conhece gente da pesada….
Lembro quando conversamos sobre Daniel, falei pra vc que ele estava vivo, voltei aquela ultima cena dele, deu muito a entender isso (Travis não pode voltar). Quero ver como vai ser isso, como ele conseguiu se aliar ao Dante?
Esperamos o melhor pela série, vamos ver como serão os próximos episódios!

Abraços
Clayton o vidente!

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planocritico 16 de junho de 2017 - 13:14

Daniel é um bom personagem e acho que ele poderá acrescentar à série… Já Travis, deixemos ele quieto morto ou desmorto onde estiver…

Abs,
Ritter.

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Alex Alves 16 de junho de 2017 - 09:59

Para a galera de TWD / FTWD só existe morte se mostrar e corpo, ou seja não duvido que em algum momento Travis do nada vá aparecer e salvar todos rsrs.

A série esta muito boa essa temporada ainda com o retorno do Daniel (o meu personagem favorito) agora é aguardar como ele e Strand vão tentar fugir do local e os embates entre Luciana e Madison.

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planocritico 16 de junho de 2017 - 13:16

Se Travis voltar vivo (e não morto-vivo) vai ser a hora de largar a série…

Abs,
Ritter.

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MSylvia 18 de junho de 2017 - 23:55

Acho que Travis foi mordido portanto, não volta. Só se aparecer como morto vivo mas estou achando improvável.

Responder
planocritico 19 de junho de 2017 - 20:21

Pois é, eu fiquei na dúvida. Ele foi mordido mesmo?

Abs,
Ritter.

Responder
MSylvia 19 de junho de 2017 - 20:55

Acho que foi. Foi tudo mal feito pq ele não tinha feição de dor mas quando mostrou a barriga parecia. Só se era só um machucado grave; vá saber. Só achei que fez sentido ele se jogar se foi pela mordida.

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planocritico 20 de junho de 2017 - 02:22

@MSylviaCB:disqus , pode ser. Mas eu achei que ele só quis se jogar depois de levar aquele tiro. A impressão que me deu é que, na verdade, ele tomou dois tiros. Um no pescoço, meio que de raspão e outro na barriga, que ele deve ter considerado como mortal e aí quis se jogar. Mas eu realmente não sei…

Abs,
Ritter.

Harley Alvez 16 de junho de 2017 - 02:33

Poxa Ritter…. Vim aqui espiar o que você estava achando da série, pois só a season 1, justamente por que, como você bem comenta no início deste review, terminou terrivelmente. Agora então, vendo que você afirmou que a coisa não melhorou na próxima… fiquei ainda mais receoso de tentar continuar (Confesso que a season 7 de TWD não me animou como eu esperava também em seu término..). E sabendo que o Spin-Off também vem aumentando os episódios, a falta de disposição anda me cutucando mais ainda, sabe? hehe. E agora? Você recomenda, afinal @planocritico:disqus? #SeSentindoPensativo… 😛

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planocritico 16 de junho de 2017 - 13:24

@harley_alvez:disqus , sendo MUITO sincero? Não recomendo FTWD não. Tem muita série melhor por aí para você perder tempo vendo a medíocre segunda temporada para chegar a uma terceira que, por mais que esteja boa (não sensacional), estamos falando de apenas 3 episódios de 16 ainda… Tem muita água para passar por baixo dessa ponte ainda…

Abs,
Ritter.

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Junito Hartley 15 de junho de 2017 - 14:29

Outro bom episodio definitivamente essa temporada me deixou animado, sobre o Travis, nao acredito que ele esta vivo, o cara tava com uma mordida bem grande na barriga, levou um tiro no pescoço e caiu de um helicóptero, poha, se depois disso ele nao morreu é porque virou imortal.

Responder
planocritico 15 de junho de 2017 - 17:37

@Junito_Silva:disqus , também não acredito que ele esteja vivo, mas estou me precavendo. Não duvido nada de séries de TV…

Abs,
Ritter.

Responder
Huckleberry Hound 15 de junho de 2017 - 11:13

E aquela risadinha de Nick parece o Coringa haha…e somente magia pura pode fazer Travis ter sobrevivido a um tiro no estômago,pescoço e uma queda de não sei quantos metros!

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planocritico 15 de junho de 2017 - 17:38

O Nick é um sujeito definitivamente perturbado… Ele é um personagem muito interessante e vem sendo bem construído, mas seu potencial destrutivo é enorme…

Sobre o Travis, concordo. Se ele voltar, ficarei MUITO irritado…

Abs,
Ritter.

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