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Crítica | Fear the Walking Dead – 3X09 e 3X10: Minotaur / The Diviner

por Ritter Fan
161 views (a partir de agosto de 2020)

Minotaur

The Diviner

– Há spoilers. Leia  a crítica de todos os episódios da série, aqui.

Depois de um longo hiato planejado de forma que a terceira temporada de Fear the Walking Dead acabasse na semana anterior ao início da oitava temporada de The Walking Dead, mais dois episódios foram lançados simultaneamente, algo que tem se tornado padrão na série e que será repetido ao seu final. Com Minotaur e The Diviner, que funcionam bem em conjunto, FTWD continua seu surpreendente caminho de recuperação depois de começar bem e acabar mal a primeira temporada e de ser incrivelmente frustrante em sua medíocre segunda temporada.

Os objetivos dos novos capítulos são claros. Primeiro, há uma tentativa de se encerrar – pelo menos por enquanto – o conflito entre os habitantes do Rancho Broke Jaw e os nativos liderados por Walker que clamam propriedade sobre as terras do falecido Jeremiah. Depois, há o começo da união das linhas narrativas envolvendo a família Carter, Victor Strand e Daniel Salazar. E os dois propósitos são alcançados, mesmo que tenhamos que aceitar algumas conveniências narrativas aqui e ali.

Sem perder muito tempo, Minotaur começa com a chegada de Walker e sua “nação” ao rancho, como parte do acordo entabulado com Jake, mas com Madison fazendo as vezes de manipuladora de bastidores. Fica desde logo patente que a coexistência entre os povos é impossível, com os conflitos se avolumando em velocidade vertiginosa que afetam a liderança de Jake que, por sinal, ainda não se recuperou dos eventos de Children of Wrath (a primeira conveniência, já que ele é o único com sequelas) e não consegue se impor. Alicia percebe a questão muito claramente, tentando ajudar ao máximo, mas percebendo a manipulação por sua mãe que ajuda a minar qualquer semblante de comando por Jake.

Em meio a tudo isso, claro, o roteiro não poderia esquecer do pavio curto de Troy que, como esperado, catalisa os eventos quase trágicos do episódio que levam ao seu exílio – mas que, tenho certeza, será temporário – e uma reviravolta que coloca Nick como líder da milícia que resta depois que o controle das armas do rancho é entregue completamente a Walker, depois que Madison chancela esse acordo. A saída de Troy da série, pelo menos por alguns episódios, era essencial para que fosse possível manter a tensão por todo esse reinício, já que não havia outro jeito de lidar com o personagem que não fosse matando-o, o que roubaria a série de um personagem de cunho vilanesco que vinha sendo muito bem desenvolvido. Com isso, no lugar de desperdiçá-lo, Dave Erickson o resguarda para uso futuro.

Em meio a esse clima de guerra civil – ou melhor, de reedição do Destino Manifesto só que com zumbis, como mencionei em outras críticas -, que mereceria a atenção integral do episódio, o showrunner e Mike Zunick, que co-escreveram Minotaur, decidiram intercalar breves sequências lidando com Daniel Salazar e Lola e o novos status quo da represa que agora controlam e que, pelo menos em tese, com isso, querem reverter a tirania que havia sido imposta por Dante. Por mais que a direção de Stefan Schwartz tentem minimizar o enfoque nessa narrativa paralela, ela parece completamente deslocada e quebra o ritmo e a tensão da situação do rancho. Sem dúvida alguma que o objetivo era paralelizar o tema “escassez de água” que Madison descobre nas anotações de Jeremiah (outra conveniência narrativa, aliás). No entanto, a questão é que esses intervalos perdem o sentido no episódio, enquanto que fariam perfeita lógica em The Diviner, esse sim focado na mesma questão.

Falando em The Diviner, ele é a continuação mais do que direta do anterior, o que, como disse, faz a dupla de capítulos funcionar muito bem em conjunto, sem solução de continuidade. Sem Madison e Walker no rancho, já que eles saíram para procurar água, cabe a Alicia lidar com o ônus da liderança, mantendo a paz no lugar que cada vez mais chega ao ponto de ebulição.

Aqui, o roteiro de Ryan Scott é muito feliz em finalmente estabelecer uma personalidade forte para a personagem que, apesar de alguns lampejos aqui e ali ao longo da temporada, permanecia sem um propósito. Sem os líderes naturais e convenientemente com o completo sumiço de Jake do episódio, ela precisa abraçar a responsabilidade, mas não sem antes entrar em rota de colisão com o próprio irmão. A narrativa consegue deixar o espectador na dúvida sobre o destino do rancho até literalmente os momentos finais, pois ela brinca com o esfacelamento da própria relação dos irmãos, com Nick vestindo o casaco de líder rebelde que quase impõem a ele.

Apesar de termos que aceitar que a água estava para acabar mesmo sem Jeremiah ter jamais sequer mencionado isso, algo razoavelmente improvável, o importante é que esse artifício funciona organicamente, depois de estabelecido, para tensionar as forças em Broke Jaw e fazer a narrativa flutuar entre Alicia, Nick e Ofelia, voltando finalmente a Alicia e sua demonstração de união e liderança. O quanto isso durará, só o tempo – e provavelmente a volta de Troy – dirá, mas pelo menos a temporada parece querer manter-se primordialmente em um só lugar até pelo menos seu final.

Paralelamente aos eventos no rancho, vemos Madison e Walker chegarem a um mercado dentro de um estádio que muito me lembrou Bartertown, de Mad Max – Além da Cúpula do Trovão. Lá, Madison se reúne com Victor e usa toda sua inteligência para livrar o amigo da enrascada em que se metera, ao mesmo tempo colocando-os em uma rota que poderá resolver, definitivamente, o problema da água. Claro que Victor, por seu turno, deve desejar vingança contra Daniel, por tê-lo abandonado no que restou do hotel, mas a confirmação de que Ofelia está viva provavelmente resolverá qualquer momento de tensão entre ex-colegas que veremos mais para a frente.

Minotaur e The Diviner marcam um bom recomeço para a mais do que sólida terceira temporada de Fear the Walking Dead, que parece finalmente ter acertado o tom. Se continuar assim e The Walking Dead não melhorar, teremos, potencialmente, uma nova “melhor série de zumbi”. Que Rick e companhia se cuidem!

Fear the Walking Dead – 3X09 e 3X10: Minotaur / The Diviner (EUA, 10 de setembro de 2017)
Criação: Robert Kirkman, Dave Erickson
Showrunner: Dave Erickson
Direção: Stefan Schwartz (3X09), Paco Cabezas (3X10)
Roteiro: Dave Erickson e Mike Zunic (3X09), Ryan Scott (3X10)
Elenco: Kim Dickens, Cliff Curtis, Frank Dillane, Alycia Debnam-Carey, Colman Domingo, Danay García, Paul Calderón, Karen Bethzabe, Brenda Strong, Daniel Sharman, Sam Underwood, Dayton Callie, Lindsay Pulsipher, Rubén Blades, Jason Manuel Olazabal,  Jesse Borrego, Lisandra Tena
Produtora: AMC
Disponibilização da série no Brasil (na data de publicação da presente crítica): Canal AMC
Duração: 43 min. cada

 

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14 comentários

Christian Allen 15 de setembro de 2017 - 23:43

Ritter, como fã de The Walking Dead eu assisti a primeira temporada deste spin-off com muitas expectativas…mas os 6 episódios inaugurais foram uma tremenda decepção para mim, o que me levou a não assitir a segunda temporada no ano passado. Meu maior problema foi com os personagens extremamente chatos (principalmente o Travis). No entanto, tomei um spoiler da morte do Travis, e resolvi dar uma segunda chance à série. Assisti 6 episódios da 2ª temporada até então (ZzzZZZzzz), e com a leitura de suas críticas, eu devia é ter largado essa porra na 1 temporada mesmo kkkkk. Minha impressão é que ta caminhando para um TWD genérico, muito longe daquela premissa original de abordar o início do surto zumbi. E o pior…personagens e roteiros ruins.
Mas vejo pelas suas avaliações que esse terceiro ano trouxe alguma melhora à série. Agora estou no dilema entre me sacrificar assistindo o resto da segunda temporada (9 longos episódios) para ver a terceira ou largar a série de novo. Me diga…vale a pena?

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planocritico 17 de setembro de 2017 - 01:07

@christianallencarobasilva:disqus , olha, confesso que, por melhor que a 3ª temporada esteja, ela ainda não acabou. Se ele acabar no nível que está, aí eu acho que valerá o esforço de você acabar com a medíocre da 2ª temporada para então entrar na temporada que realmente valerá o esforço. Continue acompanhando por aqui. Faltam só seis episódios para a temporada acabar. Não demora e você terá o panorama geral.

Abs,
Ritter.

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Christian Allen 3 de outubro de 2017 - 01:47

Com muito custo cheguei neste episódio. Mas a série ainda não me conquistou, continuo achando os personagens desinteressantes (não suporto essa mania da Madison de achar que pode resolver qualquer situação, e ainda todo mundo aceitar sem muita contestação). Vou assistir o restante desta temporada, mas só algo extraordinário nesse final me fará acompanhar a quarta.

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planocritico 3 de outubro de 2017 - 15:52

@christianallencarobasilva:disqus , acho que, se você não gostou até agora, então talvez seja o caso de parar, pois não creio que vá ficar melhor do que já está. A 3ª temporada, para mim, mudou a série da água para o vinho.

Abs,
Ritter.

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Massi Marques 14 de setembro de 2017 - 13:23

A série está mesmo muito, melhor que a original em alguns aspectos. A família Carter é o destaque. Só não entendi a conversa entre o Nick e Alicia sobre a Madison e a constante busca de amor deles pela mãe…Alicia quis dizer que a mãe não ama eles da mesma forma?? Não entendi…alguém explica….

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planocritico 14 de setembro de 2017 - 14:39

Olá, @massimarques:disqus . A relação ali entre os três nunca foi lá muito amorosa. Madison demonstra mais obsessão pelo filhos do que amor e pode ser que no passado deles tenha sido a mesma coisa. E sim, a Alicia quis dizer que o preferido da mãe é o Nick, talvez pelo passado dele de envolvimento com as drogas, que fez Madison meio que largar Alicia de lado, algo que já foi comentado antes.

Abs,
Ritter.

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Junito Hartley 14 de setembro de 2017 - 11:41

Cara, ta dando gosto de acompanhar essa serie, acho que a falta d’ agua não foi mencionado antes pelo Jeremiah pelo mesmo motivo que a Madison queria esconder do pessoal, e ela achou as anotações na gaveta que tava trancada, estou ansioso pra ver o encontro da Ofélia com seu pai.

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planocritico 14 de setembro de 2017 - 11:58

@Junito_Silva:disqus , sobre a água, sim, foi isso. O problema é que eu acho que essa informação não deveria ter sido escondida de nós, espectadores, Poderia ter havido alguma cena que introduzisse esse assunto lá com Jeremiah em algum momento.

Sobre o encontro, também estou curioso para ver como será!

Abs,
Ritter.

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Junito Hartley 14 de setembro de 2017 - 13:17

Ritter, o disqus no Google Chrome, ta dando problema aqui no site, uma hora aparece os comentários outra hora não aparece, e percebi que só ta acontecendo isso aqui no site, nos outros aparece normal.

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planocritico 14 de setembro de 2017 - 14:35

Hummm, estranho. Obrigado por me avisar. Vou ver o que pode estar acontecendo!

Abs,
Ritter.

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Jose Claudio Gomes Souza 14 de setembro de 2017 - 11:04

Acompanho a série desde a primeira temporada e, para mim, o maior problema dela são seus personagens, que não têm nenhum carisma, ao contrário da original. Pelo menos eu, vejo apenas por ver, sem conseguir me envolver com seus problemas e sem a mínima preocupação com o que pode acontecer com eles.

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planocritico 14 de setembro de 2017 - 11:24

Entendo seu ponto, mas acho que, nessa 3ª temporada, os personagens estão melhorando exponencialmente a cada episódio. Madison transformou-se em uma versão mais sombria de Rick. Nick sempre teve uma personalidade complicada e muito interessante de ver, já que ele foi o primeiro a se adaptar a essa realidade baseado na vida de zumbi que tinha quando era drogado. Alicia finalmente achou seu lugar e ela pode firmar-se como líder.

Estou achando essa temporada e esses desenvolvimentos de personagens mais interessantes que as duas últimas temporadas de TWD.

Abs,
Ritter.

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Huckleberry Hound 14 de setembro de 2017 - 10:47

Água é muito importante num apocalipse afinal e tenho sérias dúvidas se a “Grande Guerra” de The Walking Dead será melhor do que essa inacreditalvemente boa temporada do Fear…espero que chegue perto!

Responder
planocritico 14 de setembro de 2017 - 11:25

Água é sem dúvida importante. Só não gostei da forma quase imediata como a água “sumiu” lá do rancho. De toda forma, realmente essa temporada de FTWD está fora de esquadro de tão boa!

Abs,
Ritter.

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